segunda-feira, 29 de junho de 2026

Shindo Renmei - a desinformação entre os imigrantes

 O estado geral de falta de informação - as fake news


O cenário de desinformação em que viveu a colônia japonesa retrata bem o perigo da censura ou de fontes de informações não confiáveis (é por isso que eu não acredito em nada que é postado em redes sociais)..

Basicamente o Shindo Renmei se aproveitou do precário acesso que a colônia japonesa tinha à informação. Os jornais em língua japonesa foram extintos pelo governo Vargas, e a maioria da colônia não entendia o português. Por isso, as informações sobre a guerra, que eram propagadas principalmente via rádio e pelos jornais das grandes cidades não eram entendidas pelos japoneses.

Os aparelhos de rádio de ondas curtas (que captavam sinais do exterior) foram confiscados, bem como as cartas vindas do Japão. Por isso, a colônia ficou sem fontes confiáveis de informação.

A derrota do Japão era então propagada boca a boca, e o Shindo Renmei afirmava que tudo não se passava de boatos, mentiras (fake news), e quem acreditava nelas eram considerados traidores da pátria, derrotistas.

Entre a comunidade  japonesa havia muitas pessoas que reconheciam a derrota do Japão. Entretanto, boa parte dos japoneses mais humildes — especialmente aqueles que viviam em áreas mais remotas — continuou a acreditar na vitória ou continuidade da guerra.

Esse fenômeno não se limitou ao Brasil; japoneses que viviam no Peru e Havaí, militares que eram mantidos como prisioneiros de guerra também não acreditavam na derrota do Japão, pelos mesmos motivos: a falta de informação segura e verdadeira.

Um exemplo de distorção da verdade, o Shindo usou a histórica foto da cerimônia da rendição do Japão, a bordo do Missouri, para afirmar que era o contrário: os aliados eram ali os derrotados. Argumentavam que na foto os japoneses apareciam bem vestidos, de cabeça erguida, em uniformes militares, exibindo medalhas no peito e desfilando diante dos soldados inimigos, estes desarmados e submissos.

A comissão japonesa, no ato da rendição do Japão


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domingo, 28 de junho de 2026

Shindo Renmei - modus operandi


Como agiam os fanáticos do Shindo Renmei

Os integrantes da Shindo Renmei acreditavam firmemente que as notícias sobre a derrota e a rendição do Japão eram falsas. Assim criaram uma rede de comunicação para divulgar a "verdade": que o Japão vencera a guerra. Jornais e revistas clandestinas em japonês passaram a circular divulgando essa ideia; estações de rádio igualmente clandestinas foram colocadas no ar.

A Shindo Renmei elaborou listas com os nomes dos makegumi (os derrotistas, os acreditavam na derrota do Japão) que deveriam morrer por trair o imperador.

Segundo o DEOPS (Delegacia de Ordem Política e Social)) de São Paulo Kagemoro Ogassawara, dono de uma tinturaria na cidade de São Paulo, seria o coordenador das ações punitivas. Os assassinos saiam da sua tinturaria para executar aqueles que eram considerados os makegumi mais importantes na cidade.

 Várias pensões de japoneses abrigavam os executores após suas ações.

Os assassinos da Shindo Renmei, chamados de tokkotai, eram sempre pessoas jovens. Primeiro, entregavam ou enviavam aos makegumi cartas solicitando o seppuku (ritual de suicídio). O seppuku seria uma forma de "recuperar a honra perdida". Deveriam suicidar-se cortando o próprio ventre, onde depois, seria colocada uma bandeira do Japão. Nenhum dos makegumi cometeu suicídio.

Os que se recusavam a cometer suicídio eram executados com armas de fogo e, às vezes, com espadas katana. Os crimes ocorreram muitas vezes na presença de familiares dos assassinados.

O primeiro makegumi assassinado foi Ikuta Mizobe, em 07 de março de 1946, em Bastos, interior de Sp.

Frequentemente, os tokkotai entregavam-se às autoridades logo após as execuções. Sempre explicavam que nada tinham contra o Brasil ou contra os brasileiros, e que não eram criminosos comuns, pois matavam no estrito cumprimento do dever.

Também há relatos de atentados usando cartas-bomba, ou até mesmo ataques com explosivos, como noticiou o jornal Folha da Noite, edição de 24/07/1946.

Shindo Renmei - A explosão em Osvaldo Cruz 

O terrorismo do Shindo Renmei em Osvaldo Cruz, Sp


---transcrição do jornal ----

EXPLODIU UMA BOMBA EM OSVALDO CRUZ

O poderoso petardo foi colocado na residência de um nipônico – começaram a chegar a esta capital os suspeitos de atos de terrorismo – Entra em ação o S.S. da Ordem Pública.

Mau grado (sic) todas as providências adotadas pelas autoridades competentes, os fanáticos nipônicos continuam insistindo na tarefa criminosa de atentar contra a vida dos seus patrícios, impondo o terror em quase toda a colônia. Ainda ontem, pela 15 horas, segundo informações prestadas pelo delegado Geraldo Cardoso de Melo, chefe do Serviço Secreto da Ordem Pública, no município de Osvaldo Cruz, comarca de Lucélia, ocorreu violenta explosão de poderoso petardo que japoneses desconhecidos haviam escondidos na residência do patrício Yutaka de tal. Ao que se sabe, ninguém se encontrava no local, razão porque a explosão ocasionou apenas danos materiais.

COMEÇARAM A CHEGAR A ESTA CAPITAL OS PRIMEIROS SUSPEITOS

Na tarde de ontem, quando estivemos no Departamento de Ordem Política e Social, apuramos que já começaram a chegar a esta Capital enviados pelas autoridades policiais do interior, os primeiros japoneses detidos por suspeita de atos terroristas e assassinato. O primeiro que chegou foi S(ilegível) Koto, tido como chefe do bando que...(ilegível)...Chegaram também mais (ilegível) outros, precedentes de Casa Branca, que foram apresentados ao delegado Cardoso de Melo.

Por explicação do delegadodo interior, essa autoridade teve que intervir nos trabalhos de esclarecimento dos misteriosos atentados, estando nesse sentido desenvolvendo intensa atividade.

BALANÇO TRÁGICO

Segundo ...(ilegível)...terroristas da “Shindo Renmei” ...(ilegível)...até agora já praticaram 21 atentados, numerosos com vitimas, entre mortes e...

 

Leia também: 

👉 O estado geral de desinformação entre os imigrantes

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sábado, 27 de junho de 2026

Shindo Renmei - as origens do grupo terrorista

 As origens do Shindo Renmei

O que era o Shindo Renmei

Era uma associação que em sua fundação buscava apenas a manutenção do "Yamato Damashii", o espírito japonês, a manutenção do nacionalismo japonês, o sentimento de patriotismo e apoio ao Japão. Entretanto, a partir de 1946 ela começou a praticar atos de terrorismo, praticados por alguns elementos do grupo, movidos por fanatismo, por patriotismo cego ou por interesses escusos. 

Esclareço aqui que nem todos os integrantes da associação eram terroristas, apenas uma pequena facção dela. 

Há controvérsias em relação à data de fundação desta organização, que teve como principais líderes os ex-coronéis japoneses Junji Kikawa e Jinsaku Wakiyama.

Há versões afirmando que o Shindo surgiu em 1942, diante da forte repressão do governo Vargas  sobre os japoneses. Outras afirmam que o grupo se originou entre 1944 e 1945, a princípio com o nome de Kodôsha, ou Movimento Unificador.

Entretanto, a versão mais aceita é de que ela surgiu logo depois do fim da guerra.

O Shindo proclamava a vitória do Japão, ou a continuidade da Guerra, e não admitiam, entre os imigrantes japoneses,  opinião contrária. Exerciam forte pressão, mediante uso de ameaças e até mesmo de violência e assassinato, àqueles que acreditavam na rendição e derrota do Japão. O Shindo chamavam os de “corações sujos” , “makegumi” ou “derrotistas”.

O grupo surgiu na cidade de Marilia (Sp), e cometeu 23 homicídios de imigrantes, além de deixar 147 feridos.

O fundador do Shindo Renmei

No ano 1942, Junji Kikawa, que mais tarde iria fundar e liderar o Shindo Renmei, imprimia e distribuía panfletos que aconselhavam os agricultores nipo-brasileiros a abandonar ou destruir a produção de seda , pois segundo ele estava sendo usada na fabricação de paraquedas do exército americano.

Também aconselhou a destruição de lavouras de hortelã pimenta, pois esse produto era utilizado para tornar a nitroglicerina mais potente). Ocorreram alguns atos de destruição de criação de bicho-da-seda e de plantações de hortelã de agricultores nipo-brasileiros, porém as autoridades policiais não investigaram os fatos devidamente e o assunto foi logo esquecido.

Junji Kikawa


O tamanho da organização

O Shindo Renmei chegou a ter 64 representações, espalhadas em diversos municípios dos estados Sp e Pr. A organização era mantida com contribuições da colônia japonesa.

Motivos da violência do Shindo Renmei

(atenção: opinião do autor deste site)

Tudo indica que o Shindo Renmei acabou tornando-se numa quadrilha, que usou o sentimento de patriotismo e a guerra para arrecadar dinheiro e bens, que supostamente seriam enviados ao Japão. Obviamente, na época e nas circunstâncias de guerra, não havia meios para enviar dinheiro e mercadorias ao Japão.

Alguns estelionatários do forjaram jornais e revistas japonesas com notícias sobre a grande vitória e começaram a vender terras nos "territórios conquistados".

Minha mãe me contou que certa vez um caminhão chegou no sítio da família dela e fez um carregamento de açúcar, arroz e outros bens, para serem “levados ao Japão”.

Com o fim da guerra, esse esquema criminoso desapareceria, e por isso a organização passou a não admitir a crença da rendição do Japão.

A venda de yens sem valor

O Shindo criou um boato, em que um navio japonês chegaria em Santos a fim de arrecadar dinheiro, em yens. E que os imigrantes deveriam dirigir-se ao porto com as contribuições, ajudas de guerra ao Japão.

Para isso, o Renmei passou a vender notas de yens aos imigrantes. Entretanto, vendiam notas antigas sem valor, já tiradas de circulação no Japão.

Os que acreditaram e foram ao porto, ficaram a ver navios...

O "Dragão Negro" 

Há fortes indícios (porem não há provas) de que o Shindo Renmei foi inspirado na organização Dragão Negro, que atuava no Japão, cujo intuito era incentivar a expansão japonesa na Ásia. 

O Dragão Negro, tal como o Shindo Renmei era movido por um forte fanatismo cego e por um patriotismo exacerbado.

Essa teoria foi proposta pelo jornal Folha da Noite, edição de 20/04/1946.



Para possibilitar a leitura, fiz recortes da publicação : 








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terça-feira, 23 de junho de 2026

Expulsão-alemães e japoneses-reportagem

 A expulsão dos alemães e japoneses do litoral paulista

Continuando com a série de reportagens de jornais da época, cobrindo o episódio da expulsão dos japoneses, alemães e italianos do litoral do Brasil. Essa reportagem acrescenta alguns fatos novos, como as tentativas de escapar da expulsão.

 

Reportagem: japoneses e alemães expulsos do litoral
Reportagem: japoneses e alemães expulsos do litoral


Essa é a transcrição da reportagem, para melhor leitura:

Folha da Noite, 10 de julho de 1943

TODOS ALEMÃES E JAPONESES DE SANTOS

Já foram removidos para São Paulo.

Continuam a chegar trens repletos de “eixistas” procedentes do litoral – os alemães inventam enfermidades para escapar da medida policial – austríacos e perseguidos pela “Gestapo”

Santos, 9 (Do enviado especial da “Folha da Noite”, pelo telefone) – continuam os Srs. Affonso Celso, delegado auxiliar e Nelson da Veiga, delegado a Ordem Pública de Santos, a dispender esforços no sentido de terminar o envio de japoneses e alemães para São Paulo, em cumprimento às ordens emanadas da superintendência de Segurança Pública e Social, major Vieira de Mello.

EMBARCADOS TODOS OS JAPONESES E ALEMÃES RESIDENTES NA CIDADE

Graças às medidas preventivas postas em prática pelo delegado auxiliar o titular da Ordem Pública já conseguiu embarcar para São Paulo todos os japoneses registrados e que residiam na cidade, o mesmo acontecendo com os alemães, cujo total é de 700 aproximadamente. Pela manhã de hoje embarcaram 773 pessoas e a noite o total de embarcados atingiu a 600. (ilegível) somente hoje, deixaram esta cidade 1373 “eixistas”. Incluindo os que embarcaram ontem temos o total de 2075. Não estão computados na cifra acima os que seguiram por conta própria, bem como as crianças menores de 3 anos. A estimativa geral é de cerca de 3.000 pessoas.

A partir de amanhã as autoridades providenciarão o embarque dos “eixistas” não registrados e residentes fora da cidade, incluindo São Vicente, Guarujá e localidades próximas.

 

RECURSOS PARA ESCAPAR A (sic) REMOÇÃO

Como tem sido acentuado, os “eixistas” atingidos pela providência do Major Vieria de Mello de modo algum foram colhidos de surpresa, pois há muito estavam avisados de que deviam mudar-se. Abusando da tolerância da autoridade, a maioria foi ficando e, com o tempo, chegaram a desistir de cumprir as determinações recebidas, naturalmente na presunção de que tudo, afinal , ficaria como estava e ninguém precisaria arredar o pé do lugar.

Resultado dessa falsa crença foi acontecer, para eles, o pior. De uma hora para outra tiveram que levantar acampamento. A princípio muitos ainda não acreditavam na efetivação da medida e pretenderam recalcitrar. A energia e severidade da autoridade, porém, os chamaram à realidade.

Mesmo assim houve os que tentaram reagir ou retardar a execução da medida policial, apresentando uma série infindável de recursos, sobressaindo entre eles os “doentes”, que ocorreram aos médicos afim de conseguir atestados. Deparamos com numerosos deles que se diziam portadores de moléstias de toda natureza. Um simples resfriado era o bastante para requerer “repouso absoluto” e impedir que o “paciente” saísse sequer a rua, principalmente nesses dias que correm (sic), em que Santos tem experimentado uma temperatura algo fria. Nessas condições, subira a serra, ainda que bem agasalhado e medicado era sujeitar-se a grandes males. Primeiramente, quem surgiu com esse recurso de última hora, foram os alemães. Posteriormente, ao descobrirem o hábil truque, os japoneses formaram fila.

NÃO FALTARAM PISTOLÕES

Paciente e zelosamente, o delegado a Ordem Pública, ao compreender os recursos, tratou de anulá-los a todos, sem qualquer contemplação. Os alemães, ainda em primeiro lugar, quando verificaram a insuficiência do método, passaram a lançar mão dos “pistolões”. Queriam, quando não uma execução, pelo menos adiar a partida e outros privilégios. O delegado Affonso Celso teve que resistir a tremendos “cercos” encaminhando os “recomendados” ao delegado Nelson da Veiga. Essa autoridade os recebia atenciosamente, mostrando lhes a impossibilidade de qualquer proteção. Alguns insistiam.

E a autoridade, já cansada de tanta insistência, encontrava jeito para contentá-los - e desiludi-los afinal. Algumas vezes, vimo-lo, com ar compreensível :

- (ilegível) vá lá uma concessãozinha, especialmente para o senhor... e para mais ninguém. Enves (sic) de embarcar já, pode embarcar daqui há (sic) uma hora. Se não pode embarcar no tem das 2, consinto que embarque no trem das 4 horas.

E assim todos desistiram de qualquer reação.

PADRES ALEMÃES

A medida foi tão rigorosa que nem os padres escaparam. Todos os sacerdotes alemães rumaram para São Paulo, o mesmo acontecendo ccom as irmãs religiosas. Também embarcaram os austríacos, os que se diziam judeus e perseguidos pelo nazismo ou vitimas da “Gestapo”.

Alemães e japoneses naturalizados, que tentaram prevalecer-se dessa circunstancia tiveram igualmente a entrar no cordão.

(conclui na pagina 5)

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Na mesma edição, não na pagina 5, há informações sobre a falta de acomodações para os expulsos: 


Reportagem: destinações dos imigrantes expulsos


Transcrição:

Seguem para o interior as primeira levas
de súditos do "eixo" removidos do litoral

Continuam as remoções o litoral paulista - o Clube Lira transformado em hospedaria dos súditos da Alemanha

Prosseguem no Departamento de Imigração e Colonização os trabalhos de registro dos súditos do "eixo" removidos da zona litorânea para a Capital. Cresce o número de alemães e japoneses na Hospedaria daquele Departamento, com a chegada de novas levas. Ainda ontem a noite, foram removidas mais de 674 pessoas. O major Vieira de Mello, que pessoalmente está acompanhando os trabalhos, providenciou, então, um novo alojamento para os súditos da Alemanha, sendo para isso destinadas as dependencias do Clube Lira.

A reportagem da Folha da Noite pode apurar, ainda, que já foi iniciada, ontem a noite, a distribuição dos súditos do "eixo" para o interior paulista em cidades onde não há tropas militares. Hoje pela manhã, em trem da Sorocabana, seguiu uma leva para Presidente Prudente.

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E na mesma edição, informações sobre o desenrolar do processo:

Reportagem: expulsao dos japoneses do litoral


Transcrição dessa notícia, para melhor legibilidade:

TODOS OS JAPONESES E ALEMÃES

UM QUE REAGIU COM VIOLÊNCIA

Como temos acentuado, as autoridades policiais de Santos teem agido com o máximo acerto e segurança e adotaram todas as providencias a tempo de evitar atropelos e embaraços. O embarque se processa com regularidade e o tratamento dispensado aos "eixistas" é absolutamente humano. Nada de violência ou humilhação. Todas as facilidades são proporcionadas, indistintamente. 

Compreendendo esse fato, os referidos súditos se tem comportado bem, não criando dificuldades à ação policial. Apenas os alemães, como, aliás, não é de admirar, não ... (ilegivel) ...atitude arrogante. Mas se submeteram ao fato consumado.

Só registraram um único caso de reação violenta, por parte de um japonês. Trata-se de (nome ilegível) indivíduo que (ilegivel) passagens pela polícia (restante do texto ilegível) 

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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Remoção de todos os súditos do Eixo do Litoral Paulista

 Expulsão dos japoneses do litoral paulista 

Continuando com o assunto, neste post, uma reportagem do jornal O Globo, do dia 09 de julho de 1943.


Expulsos japoneses do litoral Paulista

Desta vez, decidi não fazer a transcrição e sim apresentar o fac simile do jornal, que está bem legível.

(Se desejar,  clique sobre as imagens para expandir )








Leia também : 




Mais de 1.500 japoneses levados para capital

 

Continuando a explorar o assunto expulsão dos japoneses do litoral paulista, neste post transcrevo uma reportagem do jornal A Tribuna. Segundo a reportagem, o processo de expulsão foi aceito passivamente pelos japoneses, e não houve nenhum caso de resistência. Por outro lado, os agentes do governo encarregados da tarefa agiram de forma respeitosa. 


Imigrantes japoneses exxpulsos do litoral




Jornal A Tribuna – edição de 10 de julho, 1943

Transcrição da reportagem :

Mais de 1.500 súditos japoneses removidos, ontem, para capital

A medida determinada  pelo major  Vieira de Melo, superintendente da Ordem Politica e Social, quanto a imediata transferência de súditos japoneses e alemães  para a capital e subequente redistribuição para o interior Estado, processa-se em nossa cidade com plena regularidade. esforçando-se a polícia para perfeita execução dessa providência inédita no país e que não revela qualquer ato de punição, mas inspirada nos altos interesses da segurança nacional.

A remoção de japoneses e alemães, iniciada anteontem, continuou durante o dia de ontem, quando foram embarcados para a capital nada menos de 1549 pessoas daquelas nacionalidades, predominando entretanto, o elemento amarelo.

Os alemães foram os primeiros a embarcar e muitos deles preferiram viajar espontaneamente e a expensas próprias.

Praticamente, não há mais alemães na cidade. E os japoneses, em número consideravelmente maior, também já foram expurgados, em sua maioria, havendo entretanto, milhares deles residentes na larga faixa litorânea que ainda aguardam embarque nos seus centros domiciliares. Todos, porém, já foram notificados, de maneira que dentro de poucas horas todo o litoral estará varrido dos súditos nipônicos.

ORDEM E DISCIPLINA

Todos os detalhes de transferência desses estrangeiros decorreram sem atropelo, em ambiente de tranquilidade e de respeito, não se registrando qualquer incidente. Aliás, os investigadores encarregados do serviço agem ponderadamente, evitando qualquer constrangimento aos estrangeiros.

OS EMBARQUES DE ONTEM

As 10 horas de ontem (09/07/1943), em composição especial da Inglesa, foram embarcados para a capital 775 súditos japoneses e alemães, aqueles em número extraordinariamente maior. Seus documentos de identidade são recolhidos pelas autoridades policiais encarregadas de sua custódia, recebendo-os posteriormente, depois do registro na Hospedaria de Imigração.

No período da tarde, nova composição especial conduziu para a capital 774 japoneses, fazendo-se muitos deles acompanhar de suas famílias. O serviço de embarque decorreu em boa ordem.

QUASE TODOS QUEREM RESIDIR NA CAPITAL

A reportagem teve ocasião de abordar alguns súditos nipônicos um pouco antes do seu embarque. Mostravam-se conformados com a medida policial. Um ancião, antigo morador da Ponta da Praia, comentava, entristecido, que residia em Santos há 25 anos e durante todo esse tempo não havia se afastado da cidade. Atendeu prontamente á instrução para o embarque, conformando-se com a situação, mas receberia com angústia qualquer ordem de fixação de residência fora da capital do Estado. Aliás, a maioria deles prefere residir em São Paulo.

 

VENDENDO TUDO A QUALQUER PREÇO

Colhidos de surpresa, pela medida da Ordem Política e Social, numerosos japoneses trataram de se desfazer dos seus bens. No Marapé, na Ponta da Praia, e em Santa Maria, houve verdadeira corrida para a venda de suínos, galináceos, muares, etc... Os japoneses – quase todos proprietários de chácaras – expuseram a venda quase tudo quanto possuíam. Vendiam a qualquer preço, pois não havia tempo para regateamento. Sabe-se de um deles que, para se desfazer de sua chácara em Santa Maria, vendeu três porcos, uma carroça e um muar pela quantia de mil cruzeiros. E galinhas? Essas foram vendidas a três e dois cruzeiros a cabeça.

NA HOSPEDARIA DA IMIGRAÇÃO

São Paulo, 9 (Da Sucursal) – Continuam a chegar a esta capital os súditos japoneses e alemães que residiam em Santos e na região do litoral sul e norte do Estado. Durante o dia de ontem, em dois trens especiais, chegaram ao edifício da Imigração 1549 nipônicos e alemães, aqueles em maior parte.

Após o competente registro, os estrangeiros são conduzidos aos alojamentos, onde há limpeza e conforto. A alimentação é farta e saborosa.

Há cerca de 4.000 japoneses e alemães recolhidos à Imigração.

Esses estrangeiros, quando perguntados qual a cidade em que pretendem continuar suas atividades, optam impreterivelmente pela capital. Entretanto, o critério adotado parece ser dos mais justos, porquanto cada pessoa ou família é destinada a uma cidade apropriada para o desenvolvimento da profissão de seu chefe (chefe da família)..

Os japoneses em sua maioria vieram acompanhados de suas famílias. Há muitas crianças na Hospedaria da Imigração. Verificaram-se dois casos de moléstias: o de uma criança atacada de sarampo e de uma velhinha acometida de maleita. Os médicos providenciaram imediatamente o isolamento desses enfermos, os quais estão sendo cuidado com todo o carinho profissional.

REMESSA PARA O INTERIOR DO ESTADO

A remessa de nipônicos e alemães para o interior do Estado começou na noite de hoje. Não serão removidos para cidades onde exista quartel do Exército, sendo, porém, as demais localidades de livre escolha. As famílias que não dispõem de recursos serão encaminhadas aos prefeitos municipais e terão toda a assistência até normalizar a situação particular de cada um.

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👉 Clique aqui - o Globo - Remoção de todos os súditos...

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Expulsão-chegam a São Paulo centenas de japoneses e alemães

 Neste post, uma reportagem da Folha da Noite, sobre a expulsão dos japoneses do Litoral Paulista. 

Na primeira página do jornal há uma manchete, anunciando possível ação também contra os italianos. 

Folha da Noite, 09 julho de 1943
Folha da Noite, 09 julho de 1943

FOLHA DA NOITE, 09 DE JULHO DE 1943

 

CHEGAM A S. PAULO CENTENAS DE JAPONESES E ALEMÃES

 

A reportagem da “Folha da Noite” na Imigração, para onde estão sendo encaminhados os súditos do “eixo” retirados do litoral

 

      Conforme a “Folha da Noite” noticiou ontem, em edição extraordinária, a Superintendencia de Ordem Politica e Social está removendo, do litoral paulista, os súditos do “eixo” ali residentes, num total de aproximadamente dez mil famílias. A ordem é terminante para os japoneses e alemães : devem afastar-se imediatamente da zona da costa; para os italianos está sendo estudada uma medida que deverá ser iniciada dentro de 48 horas. Os suspeitos serão transferidos também para o interior.

 

A p l a u s o s  à  m e d i d a       Assim que se tornou estabelecida a notícia, através da nossa edição extraordinária de ontem a tarde, foram unanimes os aplausos que se ouviram em todos os setores de atividade da população local, a ação enérgica e eficiente do major Vieira de Mello, cujas providencias executadas com decidido acerto, resultaram no completo êxito do plano aprovado pelo sr. Fernando Costa, interventor Federal, e pelo sr. Coriolano de Góes, secretária da Segurança Pública.

 

Todos reconhecem que essa medida, visando o interesse da defesa nacional, não podia deixar de ser executada, principalmente depois das providencias anteriores, tomadas pela nossa polícia-política. Completou-se assim a série de medidas visando neutralizar completamente a ação de eventuais “colunistas” espalhados pelo litoral.

 

Centenas de alemães e japoneses

 

      Viajando em trens especiais, já chegaram a esta capital centenas e centenas de japoneses e alemães.

 

      Os que viajam por sua própria conta, estão sendo localizados em residências particulares, após atenderem as exigências policiais e sob rigoroso controle das nossas autoridades. E os que não dispondo de maiores recursos, veem por conta do Estado, são encaminhados a Imigração (Hospedaria dos Imigrantes), onde são devidamente registrados.

 

Para grande parte desses naturais dos países com os quais o Brasil está em guerra, será localizada em (=deslocada para)  várias cidades do interior, para o que as autoridades já entraram em contacto com as respectivas Prefeituras, no sentido de que se possa encaminhá-los ao trabalho, com relativa liberdade.

Na Imigração o serviço de recebimento desses elementos está sendo

      (conclui na pagina 2)


     (obs – não continuou na pagina 2, provavelmente por falta de tempo para preparar a edição)


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