domingo, 21 de junho de 2026

quarta-feira, 17 de junho de 2026

 Imigração Japonesa no Brasil

Sobre o autor desse site:

Claudio Massayuki Hagi é brasileiro nascido em Cidade Gaúcha (Pr), residente em Curitiba (Pr).
É Tecnólogo em Informação (T.I.) e comerciante, atualmente aposentado.
É neto de imigrantes japoneses, por parte paterna e materna. 

Contato: 
claudiohagi@gmail.com
















sábado, 6 de junho de 2020

A expulsão dos imigrantes japoneses do litoral (1)


A expulsão dos imigrantes japoneses do litoral (1)

(post de Claudio Massayuki Hagi) 

(Este post é um registro histórico, sem qualquer intenção de contestação, insinuação de retratação, julgamento, etc)      

A História do Brasil que foi ensinada aos da minha geração, no ginásio e colégio, era bem florida, enaltecendo nossos heróis, contando nossas vitorias, etc, tinha um contexto moldado pelo então Regime Militar, que na época enaltecia (com razão) o sentimento de patriotismo. Porém alguns esqueletos foram esquecidos no armário, como foi o episodio da expulsão dos imigrantes japoneses, italianos e alemães do litoral do Brasil, durante a Segunda Guerra Mundial. 

O motivo dessa expulsão foi absolutamente absurda, surreal. Os militares brasileiros temiam que navios do eixo invadissem nosso litoral, e os conterrâneos daqui os guiassem de alguma forma o desembarque de soldados. Chegou-se a afirmar que eles iam a noite, nas praias,  guiar os navios e os submarinos com sinais feitos com lamparinas de querosene (!). 

Naqueles tempos, sem porta-aviões e outros  apoios logísticos, era praticamente impossível um navio de guerra chegar ao Brasil, partindo da Alemanha, Itália ou Japão. Além disso, os imigrantes eram praticamente todos agricultores, nenhum executava atividade de pesca, ou seja, não tinham barcos nem pratica nenhuma em navegar.

Como foram poucos os italianos e alemães que se instalaram no litoral, praticamente todos os expulsos eram japoneses.

No litoral do Parana, os japoneses da Colonia Kakatsu, atual Colonia Cacatu, foram também expulsos, trazidos para Curitiba. Os imigrantes japoneses não gostam e evitam falar assuntos relacionados às perseguições e preconceitos que sofreram no Brasil.

      Para elaboração desse post, decidi usar alguns noticiários que encontrei em sites especializados. Infelizmente as reportagens são bem redundantes, supostamente não houve muito tempo e recursos para reportagens mais abrangentes. 

Reportagem – Folha da Manhã, edição de 09/07/1943.

Noticiando a expulsão dos japoneses do litoral do estado de São Paulo

Abaixo, para facilidade de leitura, segue a transcrição da reportagem :

Não houve surpresa

Há muito tempo os súditos do "eixo" receberam ordem de abandonar o litoral

“Com o intuito de colher novas informações sobre os trabalhos de expurgo dos súditos dos países do “eixo”, do litoral do Estado (de São Paulo), a reportagem da “Folha da Noite” esteve ontem, a noite, na Superintendência de Segurança Politica e Social ,  encontrando o sr. Augusto Gonzaga, delegado de Ordem Política, no seu gabinete de trabalho.  Inteirado da nossa missão, o delegado de Ordem Politica nos adiantou que os trabalhos realizados pela policia estavam seguindo o curso traçado pelo superintendente da Segurança Politica e Social, segundo as autoridades ora destacadas na zona litorânea informaram. A parte sul, continuou S. S., já foi percorrida ate Itanhaen pelo sr. Tavares de Carmo, delegado Regional de Santos. Os serviços de transporte dos súditos do “eixo” estão se processando regularmente pela ferrovia, tendo chegado a esta capital numerosas famílias que estão sendo recolhidas no prédio da Imigração (Hospedaria dos Imigrantes) até ficar estabelecido o local em que cada uma dessas famílias deve residir no interior do Estado.

      A propósito do tempo gasto com a preparação do expurgo, o delegado da Ordem Politica nos declarou o seguinte :

      “Logo que assumiu o exercício da Supererintendencia de Segurança Politica e Social, há cerca de seis meses, o major Hildeberto Vieira de Mello teve sua atenção atraída para o problema de existência de numerosos súditos do “eixo” localizados na zona litorânea.

     De acordo com o resultado das averiguações “in loco” e estudos que vinham sendo feitos desde a administração anterior, constituía esse problema assunto de alta relevância, reclamando pronta solução que viesse acautelar os interesses da segurança nacional.

      Sem perda de tempo, o major Vieira de Mello expediu instruções para que todos os referidos estrangeiros fossem intimados a mudar-se do litoral, dentro do prazo razoável que lhes foi marcado.

      Muitos obedeceram prontamente, outros, porem, valendo-se do prazo de tolerância que lhes fora concedido, permaneceram.

      Agora esgotado o prazo, e tendo em vista as conveniências da ordem politica e social, foram adotadas as medidas coercitivas que se impunham para tornar efetiva aquela providencia por parte dos retardatários ou recalcitrantes, consoante já é do domínio publico.

      Tudo foi feito com ordem e não há motivo para qualquer alegação de surpresa por parte dos interessados, que foram prevenidos com bastante antecedência e, só a si mesmo poderão culpar pelo atropelo ou constrangimento, que as ordens ultimamente expedidas poderão estar ocasionando.

      Da parte da Superintendência tudo tem sido feito, para minora esses inconvenientes, sempre sem prejuízo da pronta execução da aludida providencia, que, a bem dos interesses da pátria, não pode sofrer qualquer adiamento ou tergiversão. “

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Reportagem - O Globo, 09 de julho de 1943

Noticiando a expulsão dos japoneses do litoral do estado de São Paulo

O Globo - edição de 10 de julho de 1943





O Globo - edição de 09-07-1943

Segue a transcrição da reportagem, para melhor legibilidade:

O Globo, 09 de julho de 1943

REMOÇÃO DE TODOS OS SÚDITOS DO EIXO DO LITORAL PAULISTA

Serão concentrados no interior, como medida urgente de segurança nacional

Chegam à capital bandeirantes as primeiras levas

SANTOS, 9 (Especial para O Globo) – todos os súditos japoneses e alemães residentes em Santos, em São Vicente de Guarujá, e litoral sul e norte do Estado de São Paulo estão sendo retirados pela polícia para campo de concentração existente no interior do Estado. A medida começou a ser posta em execução anteontem, pela manhã, e será extensiva aos súditos italianos.

MAIS DE 19.000 FAMÍLIAS ATINGIDAS – RETIRADOS TAMBÉM DAS PROXIMIDADES DA REPRESA DE SANTO AMARO

SÃO PAULO, 9 (Especial para O Globo) – a Superintendencia de Ordem Pública e Social acaba de desferir o segundo golpe contra a “Quinta Coluna”, removendo todos os eixistas do litoral paulista, para o interior do Estado. A medida, tomada por (ilegível) segurança nacional, é de grande amplitude representado o cumprimento de série de providências preventivas levadas a efeito, com o propósito de neutralizar possíveis atividades dos nossos inimigos, disfarçados. O Major Vieira de Melo, de acordo com o interventor Fernando Costa, e o Secretário de Segurança, senhor Coriniano de Góes, ver presidindo, com grande êxito, aos trabalhos de varredura do litora, conseguindo assim que os súditos do Eixo deixem seus domicílios, localizados em pontos estratégicos, para outras casas, onde não oferecem perigos à segurança nacional. A medida atinge particularmente, japoneses e alemães, os quais serão removidos rapidamente de toda a costa paulista para o interior. Os italianos foram colocados sob rigoroso controle sendo os suspeitos remetidos para São Paulo. Nestas condições, calculam-se em cerca de 10.000 famílias os que serão removidos, acabando-se, definitivamente com a presença de italianos e japoneses na área litorânea paulista. Hoje, começam as levas de retirantes, os quais viajam em trem especial. Foram encaminhados para Imigração, onde serão registrados, para depois seguirem para o interior, onde possam desenvolver suas atividades habituais, gozando relativa liberdade. Acredita-se que em poucos dias será completada a operação de limpeza, ação em que estão cooperando, turmas especiais de investigadores em toda a extenção da faixa litorânea, de norte a sul, fazendo paciente trabalho de sindicância na extensa zona. As providencias preventidas da Policia não se limitam apenas ao litoral, estendendo-se igualmente a toda a faixa da represa de Santo Amaro, de onde, também, estão sendo removidos todos os súditos do eixo. A medida teve grande repercussão, dado seu grande alcance, visto como completou (sic) o excelente trabalho das autoridades paulistas no sentido de evitar que os eventuais quint-colunistas, aproveitando-se de sua localização, pudessem servir de qualquer modo, aos inimigos do Brasil. 


Expulsao japoneses - Hospedaria dos Imigrantes
Imigrantes em fila, no desembarque na Hospedaria dos Imigrantes


Familia de imigrantes japoneses descendo do trem, em Hospedaria dos Imigrantes
Familia de imigrantes japoneses descendo do trem, em Hospedaria dos Imigrantes

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O abandono dos bens e o perigo de saques

Os camponeses japoneses evacuados do litoral tiveram que vender a qualquer preço e com urgência as suas criações (porcos, galinhas, cavalos, muares, etc), e também as suas safras.

As casas residenciais e comerciais foram fechadas e deixadas para trás, sob o risco de saques. Entretanto, esses bens não foram confiscados, e a polícia de Santos solicitou à população que respeitassem as propriedades, como pode ser visto nessa reportagem da Folha da Noite, edição de 09 de julho de 1943.

Nunca ouvi falar de casos de saques ou invasão de propriedades, e nem de litígios judiciais para reintegração de posse, de forma que supostamente as propriedades foram respeitadas.

Folha da Noite, 09 de julho de 1943.


Folha da Noite, 09 de julho de 1943

Enérgicas providências da polícia para garantir as propriedades dos súditos do eixo.

É grande o número de fazendas, chácaras e casas comerciais de japoneses, alemães no litoral paulista – comunicação do Delegado Auxiliar de Santos à população da cidade.

 

SANTOS, 9 – Do enviado especial da “Folha da Noite” – O delegado auxiliar de Santos, sr. Affonso Celso de Paula Lima, está adotando enérgicas providencias no sentido de que, com a remoção de cidadãos japoneses e alemães de Santos e de toda a orla litorânea, suas propriedades sejam perfeitamente garantidas, e a ulterior determinação das autoridades competentes. Essas propriedades incluem fazendas, chácaras, casas de negócio e outros bens.

O encargo que a referida autoridade está assumindo é da mais alta importância, pois são numerosos os súditos do “eixo” que possuem as mais diversas propriedades no litoral.

Em complemento às medidas tomadas nesse particular, o sr. Affonso Celso de Paula Lima acaba de fazer a seguinte comunicação, por intermédio da imprensa, ao povo santista: “A Delegacia Auxiliar de Polícia desta cidade espera e confia que o povo de Santos tome a si a vigilância e a guarda das propriedades, bens semoventes e plantações que estiverem nas suas vizinhanças e que foram deixados pelos seus proprietários, sem uma pessoa encarregada de zelar pelos mesmos, e apela para que cada um dos moradores da cidade se torne um auxiliar desta delegacia, fazendo chegar ao seu conhecimento, da maneira mais clara e urgente possível, a notícia de qualquer fato que possa desmentir a nobreza e a civilização que sempre caracterizam os habitantes desta terra de Santos.”


Continua no próximo post.... clique aqui 


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Imigração japonesa ao Brasil

 

Introdução

Tendo já algum conhecimento no assunto e uma razoavel biblioteca a respeito, resolvi montar este blog. Ele tem mais carater lúdico, pelo menos minha tentativa foi essa, fazer um blog de leitura rápida, com bastante fotos. Não fiz planejamento nenhum, os assuntos foram postados de aleatoriamente.

O blog ficou com cara de almanaque, e acho que era esse mesmo o objetivo; assuntos diversos sobre o tema, com pouca interligação entre eles.

Tendo a maioria dos assuntos retirados da internet, e que esse meio é cheio de meias-verdades, invencionices e suposições, tive o cuidado de filtrar ao maximo as informações encontradas. Este trabalho de checar a veridicidade das informações encontradas foi muitas vezes dificil.

Em geral, as informações neste blog são de trabalhos academicos de estudantes de História, Ciencias Sociais, etc., de livros que apresentam confiabilidade, de sites governamentais,  de museus e de reportagens de jornais de tradição. O  blog tem também uma pitada pessoal, já que sou descendente de imigrantes, e cresci sob forte influencia da cultura japonesa.

E para os que navegam com celular, para facilitar a navegação, fiz um indice das postagens, cujo link segue abaixo.

Meus agradecimentos a Alvorada Autopeças, pela valiosa colaboração na construção deste site.

Boa leitura !

Clique aqui para ir ao indice do blog


Indice1

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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Imigração Japonesa ao Brasil–indice


Histórias sobre a imigração japonesa ao Brasil - indice


Clique 👉sobre o assunto desejado

Introdução - sobre o blog e o autor



Os primórdios da história da imigração japonesa



    

Ryu Mizuno e Kasato Maru



👉Kasato Maru - o navio e os planos para o resgate


👉Kasato Maru - a lista dos imigrantes, 1908 








Diversos assuntos sobre a imigração japonesa





👉Ibaraki Tomojiro, o monge milagroso do Kasato Maru




Preconceito, nacionalismo e perseguição









Antecedentes da história da imigração


Antecedentes da história da imigração

A preferencia pelo imigrante europeu


Em 1819, cerca de 400 chineses vieram ao Brasil (então colônia portuguesa) na qualidade de imigrantes contratados. A idéia da Vossa Majestade D. João VI, que aqui se encontrava refugiado, era introduzir o cultivo do chá no Jardim Botânico na Fazenda Imperial Santa Cruz, no Rio de Janeiro. A essa experiência envolvendo os chineses, seguiram-se outras, e todas acabaram em fracassos.

Imigrantes chineses no Rio de Janeiro, c. 1823

Chineses no Rio de Janeiro, gravura de Johann M Rugendas, c 1823

Baseados nesses fracassos com os primeiros imigrantes chineses, e observando-se a experiência dos Estados Unidos (que utilizara chineses na Califórnia), criou-se entre as autoridades brasileiras a idéia de que o asiático (incluiu-se aí os japoneses que sequer ainda tinham presença no Brasil) era uma “etnia inadequada aos interesses do Brasil”. Portanto, até ao desembarque do Kasato Maru, os japoneses não eram benquistos no Brasil. 

Os argumentos, bem fundamentados,  eram vários : que os orientais não se fixariam às terras brasileiras, seriam meros aventureiros que aqui chegariam “nús e famintos” para mais tarde se retirarem “bem vestidos e afortunados”; que não aceitavam a religião católica nem a língua portuguesa. Que conservavam seus costumes e comidas, preterindo as nacionais.

Houve quem dissesse que eram “...raças propensas ao uso do ópio e à prática do suicídio”, o que não deixava de ter certa verdade, considerando que a China nesta época era devastada pelo vício do ópio introduzido pelos ingleses, e ainda existia a lembrança da  prática do sepukku (haraquiri) entre os samurais. .
Outros diziam que o asiático “era fisicamente inferior, portanto não estaria apto aos trabalhos pesados da lavoura”.

A preferência pelos europeus

No entanto, a principal causa desse desprezo aos asiáticos era a preferência pelos europeus. Havia um forte ingrediente racial nesta preferência: a elite brasileira desejava “branquear” a população brasileira, nesta época bastante miscigenada entre portugueses, índios e negros. Entendiam então que os asiáticos, vistos como “raça inferior”, poderia “macular” ainda mais a população brasileira.

Tanto que em 28 de junho de 1890 (pouco depois da proclamação da República), foi aprovado o Decreto número 528, que proibia o ingresso de imigrantes oriundos da Ásia e África. A fim de assegurar os ditames deste decreto, foi estabelecido que a polícia portuária deveria fiscalizar os desembarques. Pesadas multas seriam imputadas aos comandantes das embarcações que desobedecessem tal decreto. Este decreto trata os asiáticos e africanos de "indígenas".


Texto do decreto leo 528 de 28 junho de 1890



Entretanto, no final do século XIX, em consequência da Lei Áurea de 1888, uma séria crise de falta de mão-de-obra assolou as fazendas de café no interior do estado de São Paulo. Os europeus contratados para tal (principalmente os italianos) não se adaptaram ao trabalho e migraram as cidades ou foram para outros países;  ou passaram a exercer outras atividades. Ouve então grande pressão para que o Decreto 528 fosse revogado.

Lei número 97 de 24 de setembro de 1892


Diante disso foi sancionada a Lei numero 97 (24/09/1892), de autoria do deputado Monteiro de Barros, autorizando finalmente a entrada dos asiáticos. 

No entanto, essa lei não determinava que o estado iria subvencionar, promover ou organizar essa imigração, ficando subentendido que a iniciativa privada é que deveria fazer todo trabalho de recrutar, providenciar o transporte, recepcionar, encaminhar, etc. os imigrantes.

Apesar desta lei ser promulgada, não havia ainda um tratado formal entre o Brasil e o Japão, estabelecendo relações diplomáticas e regras para reger a entrada de emigrantes e navios japoneses nos portos brasileiros. Isso aconteceu somente 3 anos depois, em 1895.

LEI N° 97, DE 5 DE OUTUBRO DE 1892 

Permitte livre entrada no território da Republica de immigrantes de nacionalidade chineza e japoneza; autorisa o governo a promover a execucao do tratado de 5 de setembro de 1890 com a China; a celebrar tratado de commercio, paz e amizade com o Japao, e da outras providencias attinentes immigracao daquellas procedencias. 

0 Vice-Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brazil: 

Faco saber que o Congresso Nacional decretou e eu sancciono a seguinte lei: 

Art. 1° É permittida a livre entrada, no territorio da Republica, a immigrantes de nacionalidade chineza e japoneza, comtanto que, nao sendo indigentes, mendigos, piratas, nem sujeitos a accao criminal em seus paizes, sejam validos e aptos para trabalhos de qualquer industria. 

Art. 2° 0 governo fica autorisado: 

1° A promover a execucao do tratado celebrado com a China ern 5 de setembro de 1880; 
 2° A celebrar tratado de commercio, paz e amizade com o Japao; 
3° A estabelecer agentes diplomáticos e consulares nesses paizes, afim de manter com elles boas relacões e especialmente encarregados esses ou outros agentes de fiscalizar, de modo efficaz a evitar abusos, a immigracao que desses paizes se dirigir para o Brazil. 

Art. 3° Revogam-se as disposicOes em contrario. 

0 Ministro de Estado dos Negocios da Agricultura, Commercio e Obras Publicas o faca executar. 

Capital Federal, 5 de outubro de 1892, 4° da Republica. 

Floriano Peixoto. Serzedello Correa. 


Outro fato decisivo para a vinda e aceitação dos japoneses foi a proibição na Italia do envio de emigrantes ao Brasil, em 1902. O governo italiano alegou que os imigrantes italianos estavam sendo vitimas de maus tratos e semi-escravidão aqui no Brasil.

A partir do inicio do século XX, surgiram as companhias de imigração no Brasil, e as de emigração no Japão, dando início a história da imigração japonesa no Brasil.

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Indice1













Os primeiros japoneses a pisar no Brasil

Kasato Maru


Primeiros Japoneses a pisar no Brasil

Os quatro náufragos 


Em 1793, um veleiro japonês chamado Wakimiyamaru, partiu de Ishinomaki, porto ao norte do Japão, com destino a capital, Edo (atual Tokyo). A tripulação era de 16 marinheiros, e a carga comercial : arroz, corda, madeira, etc.

Apanhados por um tufão, tiveram sérias avarias no barco, que ficou sem velas e sem leme, a deriva. Após 5 meses vagando em situação de penúria e sem destino, episódio digno desses filmes de sobrevivência, conseguiram chegar a uma das ilhas do arquipélago Aleutas (Russia). Entretanto, exaurido pela aventura e doente, o capitão não resistiu e faleceu.

Foram bem recebidos pelos habitantes da ilha, e algum tempo depois soldados russos levaram os 15 sobreviventes para uma instalação militar numa ilha, Unalaska, próximo ao Alaska, que na época pertencia a Rússia. Dois anos depois, em 1795, foram levados para Okhostk, onde foram orientados a buscar trabalho e fixarem residência. Porem alguns deles foram enviados a Irkustk, no interior do país, próximo a Mongólia.

Os que ficaram em Okhostk desistiram do local e seguiram para Irkustk, a fim de se reagruparem novamente. Lá chegaram em 1796, porem durante a viagem, um dos marinheiros, Ishigoru, faleceu; reduzindo o grupo a 14 pessoas.

Com alguma ajuda do governo russo, o grupo se estabeleceu em Irkustk, prosperaram trabalhando com pesca e fabricação de sakê.

Tudo ia correndo bem, quando em 1803 foram convocados pelo Imperador Alexandre I a comparecerem na então capital, São Petersburgo. Somente 10 obedeceram a ordem, os demais continuaram em Irkustk.

Chegando em São Petersburgo, foram indagados se queriam voltar ao Japão. Somente quatro marinheiros aceitaram a oferta : Tsudayu, Gihei, Sahei e Tajyuro.

No dia 7 de agosto de 1803, a bordo dos navios Nadiezhda e Neva, os 4 partiram do porto de Kronstadt, dando inicio a uma viagem de circunavegação, com destino ao Japão, numa missão diplomática. Revelou-se então o motivo da convocação pelo Imperador : ele precisava de interpretes para a comitiva, na chegada ao Japão. A missão tinha também o objetivo de cartografar as regiões da rota, e reabastecer algumas colônias russas em solo americano.

mapa-mundi

Em 21 de dezembro de 1803 o Nadiezhda ancorou próximo a Ilha do Ainhatomirim, Santa Catarina, provavelmente para reabastecimentos. No dia seguinte, um bote foi lançado às águas e nele embarcaram os japoneses, Tsudayu, Gihei, Sahei e Tajyuro, e mais Zenroku, um japonês que já residia em São Petersburgo antes da chegada do grupo de marinheiros. Desembarcaram no Forte Santana, na então Vila Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis (Sc). Foram esses cinco os primeiros japoneses a pisarem no Brasil, com prova documental.
     
Forte Santana local

Forte do Santana-Florianopolis Sc
Forte do Santana, Florianópolis, Sc – aqui pisaram os primeiros japoneses a chegar no Brasil

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