quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Proibição do imigrante comprar terras

Segunda Guerra Mundial - As proibições  

Proibição do imigrante comprar terras da União


Uma determinação do órgão do governo federal, o Dominio da União, proibiu a venda de terras de domínio da União, cedidas para projetos de colonização, aos imigrantes dos países do eixo. Alegava que essa proibição estava amparada pelo Decreto Lei 4.166, o do confisco.

A União disponibilizava às empresas de colonização vastas áreas de terras para venda aos imigrantes. O valor da venda era repassado à União.

Embora essa proibição não figurasse no Decreto, os tramites de transferência eram feitos por aquele órgão. Entretanto, era uma determinação sem fundamento jurídico, já que não havia determinação legal.

Provável que os projetos de colonização japonesa, italiana e alemã ficaram paralisados.

Folha da Manhã, 01/04/1942



 


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Proibição de viajar


No inicio da Segunda Guerra Mundial, o japonês não podia viajar sem autorização (salvo-conduto).

Salvo-conduto

Entretanto, em 11 de março de 1942 os salvo-condutos para os japoneses paulistas tiveram sua emissão suspensa. Dessa forma, os japoneses ficaram "ilhados", não podendo mais sair de suas cidades. 

O Globo, 11 de março de 1942


Outras proibições ao imigrante japonês:


- Possuir aparelho de rádio;
- Possuir armas de fogo;
- Ensinamento do idioma japonês (aulas);
- Expressar-se no idioma japonês;

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Confisco de bens - Decreto Lei


O Decreto-lei 4.166, de  11 de março de 1942

 

O Decreto, assinado por Getúlio Vargas,  declarava o confisco de bens dos “súditos” da Alemanha, Itália e Japão. Os bens serviriam para cobrir os danos da perda do navio brasileiro "Taubaté" que foi  atacado, no mar Mediterrâneo, por forças de guerra da Alemanha.


O Decreto foi escrito sob forte emoção e certamente para atender o clamor popular, agradar os americanos e... na lata, data venia,, extorquir.


O valor de um navio, comparado com os bens de todos os imigrantes apenados, representava uma migalha. Portanto, o episódio do ataque alemão foi apenas um argumento descabido. Seria a troca de todos os bens dos imigrantes por um mero e pequeno navio.


Na época o Brasil não estava em guerra contra o Japão, e também foram os alemães, não os japoneses que atacaram o Taubaté. Mesmo assim, os bens dos imigrantes japoneses (e italianos) foram incluídos no Decreto.


 

O resumo do Decreto

 

- Confiscou 10% a 30% dos saldos bancários dos atingidos, valor este foi transferido para uma conta especial no Banco do Brasil;

- Confiscou 10% a 30% dos pagamentos superiores a 2000$0 feitos aos atingidos,

- Estabeleceu imposto de 10% a 30% sobre o valor dos bens transferidos aos atingidos;

- Estabeleceu imposto de 10% a 30% sobre o lucro das empresas atingidas (o balanço era feito, na época, trimestralmente);

- Incluiu também os bens das Pessoas Juridicas (empresas de imigrantes). Em tese, até uma quitandinha de frutas foi confiscado.

- Qualquer manobra para esconder, desviar e também qualquer omissão (não declaração de bens) era punido com 1 a 5 anos de prisão;

- Proibiu alienação de quaisquer bens;

- Estabeleceu a utilização para fins de interesses públicos, mediante autorização do Ministro da Justiça e Negócios Interiores,  os bens das sociedades culturais eu recreativas formadas pelos atingidos;

 

As falhas do Decreto

 

As falhas do Decreto devem ter causado uma enxurrada de processos judiciais de defesa. A maior falha seria a definição de “súdito”. Os naturalizados seriam considerados “súditos”? Os mestiços ? Se um japonês se casasse com uma brasileira e ganhasse uma casa do sogro ?


As empresas e terras produtivas, que empregavam brasileiros não atingidos pelo Decreto, seriam atingidos? Isso abalaria a economia do país.

 

Consequências

 

O Decreto se constituiu em uma aberração jurídica, pois feriu o direito a propriedade, um dos pilares do progresso e da ordem pública. Interferiu na produção industrial e agrícola. Foi um ato de irresponsabilidade de Vargas. O resultado foi de prejuízos ao país.

 

Os imigrantes japoneses não tinham acesso à informação, pois na época a maioria era analfabeta na língua portuguesa. Também não tinham acesso às rádios, confiscados. Portanto, desconheciam o Decreto, e os que foram atingidos de alguma forma ficaram sem entender o acontecido.

Evidente, por ser inexequível, o Decreto não fez com que autoridades invadissem casas de imigrantes, sítios, casas comerciais etc, em nome do Decreto. Isso causaria um estado de convulsão social, de desordem, de saques, famílias expulsas de casa, reações violentas, etc

Entretanto o Decreto foi um instrumento para confisco monetário e alguns bens, especialmente clubes e escolas. 

 

Os imigrantes passaram, literalmente, a guardar dinheiro debaixo do colchão, pois o depósito bancário poderia causar um confisco, de 10% a 30%. Isso causou certo impacto negativo no sistema financeiro do país, pois havia muito dinheiro paralisado, que poderia estar financiando projetos.

 

Ao final da Segunda Guerra, já no governo de Dutra, o governo federal viu-se envolvido em pendências jurídicas e até protestos internacionais para a devolução dos valores e bens confiscados.

 

Abrangência  do Decreto

 

Quantos imigrantes foram atingidos, prejudicados pelo Decreto? Que bens e valores foram confiscados? Não há dados oficiais, pois o governo manteve sigilo.


Entretanto, é certo que um grande valor permaneceu retido no Banco do Brasil, após o fim da Guerra e a devolução desse dinheiro, me parece que nunca foi devolvido. 

 

Da parte dos imigrantes, diante da ditadura Vargas, da discriminação racial da sociedade e da imprensa, não se manifestaram. Preferiram, por medo, permanecerem calados, sem protestar. Afinal, eram “quintas-colunas infiltrados”.

 

Por esses motivos, não se sabe exatamente a abrangência desse Decreto.


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terça-feira, 8 de setembro de 2026

A ação contra os imigrantes no estado do Rj

 A ação contra os imigrantes no estado do Rj

Sob o argumento do perigo de formação de uma quinta coluna, a polícia do estado do Rio de Janeiro fez uma campanha, prendendo 23 imigrantes e colocando outros 300 “sob cuidados e ininterrupta vigilância”, conforme noticiou o jornal Correio Paulistano, em 29 de janeiro de 1942.

Note que o jornal diz que os vigiados eram apenas “suspeitos”. Quanto aos 23 presos, o jornal não cita exatamente os motivos da prisão, podendo ser por simples desacato e suspeita infundada. Também não cita os nomes dos presos. É provável que passaram por interrogatório rápido e foram liberados em seguida.

Alem das detenções, várias entidades de atividades relacionadas às etnias citadas foram fechadas. 

Correio Paulistano, 29 de janeiro de 1942

As ações foram contra os imigrantes alemães, judeus e italianos, já que a colônia japonesa no estado do Rio de Janeiro, na época, era quase nula. Entretanto, essa reportagem dá uma ideia de como o imigrante, inclusive o japonês, era tratado na época.

Para melhor leitura, segue o texto da reportagem.





O registro dos estrangeiros do eixo

O DOPS do estado do Rio de Janeiro obrigou todos os estrangeiros descendentes dos paises do "eixo" a se registrarem em delegacias de polícia.


O Globo, 20 de fevereiro de 1942


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A quinta coluna no Brasil

A quinta coluna no Brasil

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, era comum entre os brasileiros insinuar que cada emigrante japonês poderia, com boas probabilidades, ser um soldado, disfarçado de camponês, e que tinham armas escondidas e aguardavam ordens de Toquio para atacar o Brasil. Eram tido como espiões, e temia-se que esses elementos perigosos poderiam praticar atos de sabotagem e terrorismo. Ou seja, todo japonês poderia ser um “quinta-coluna”.

 

No auge dessa situação delirante, os imigrantes não podiam andar na rua sem serem hostilizados. Pessoalmente, sofri com isso (isso nos meados dos anos 60, com a guerra já terminada há tempos). Várias vezes fui hostilizado e até me atiravam  pedras. E eu era apenas uma criança.

 

As origens do movimento anti quinta-coluna.

 

A origem dessa balbúrdia toda deu-se por dois fatos.

O primeiro eram as ocorrências de quintas-colunas em outros países, envolvidos ou não na Segunda Guerra. “Se está acontecendo lá, aqui também estaria acontecendo”, era o pensamento do brasileiro.

 

O segundo fato era que os Estados Unidos tratavam todos os imigrantes japoneses de potenciais quintas-colunas. Obviamente, tinham forte razão para isso, afinal estavam em guerra contra o Japão. Os americanos confinaram os imigrantes japoneses em campos de concentração etc.


Propaganda americana anti quinta-coluna

Propaganda americana anti 5a. coluna


Os americanos exigiram do Brasil e de outros países aliados com colonização do eixo o mesmo cuidado, a mesma atenção ao perigo da quinta-coluna. Era a política de que todos os aliados deveriam se esforçar em conjunto. “Nós estamos fazendo nossa obrigação, vocês também devem”, era esse o argumento dos americanos.


Americanos sugerem campos de concentração no Brasil

A campanha da imprensa mal informada

 

Alguns jornais no Brasil, dirigidos e alimentados por repórteres mal-informados e tendenciosos, movidos por discriminação racial, arroubos de patriotismo e pura emoção amadora, passaram a insinuar, as vezes de forma delirante, que o Brasil estava infestado de quintas-colunas. E conclamavam o povo, a polícia e o exército a vigiar o Brasil, a bisbilhotar o vizinho, na procura e identificação desses “elementos nocivos infiltrados na nação brasileira”.


Correio da Tarde, 17-11-1942- Insinuações 


Uma reportagem do jornal Correio da Tarde da cidade de Santos é um exemplo da paranóia que tomou conta dos jornalistas. A reportagem sugere que a cidade de Santos foi alvo de "limpeza". Que os quintas-colunas foram "laçados um a um". No final insinua nada menos que fuzilamento.


Este é o texto final da reportagem:


Fuzilamento de imigrante quinta-coluna


O engajamento da sociedade

 

Nas ocasiões solenes, em discursos era chique para o orador se manifestar contra os “quintas-colunas”. Era uma demonstração de patriotismo, de preocupação com a segurança nacional, etc. Era um gancho, um exibicionismo, que resultava em palmas ao orador. Na pequena nota abaixo, publicada no jornal Correio Paulistano, num comício falou-se dos inexistentes quintas-colunas.


Correio Paulistano 11 de julho de 1942

Nas entrevistas a jornais e rádios, era o mesmo truque, o entrevistado se manifestava contra a “quinta-coluna” e isso lhe rendia elogios, e se fosse político, votos.

A exemplo de puro exibicionismo, um militar chegou a anunciar que havia erradicado o estado dos quintas-colunas. Erradicou um mal que nunca existiu, e não apresentou sequer um preso.


O Diario e Sao Paulo 13-06-1943


A paranóia chegou ao ponto de um sindicato de trabalhadores sugerir ao Ministério do Trabalho a composição de uma força de trabalho para combater a quinta coluna.


Diario de Sao Paulo, 27-08-1944


Enfim, o combate às quintas-colunas era um bom argumento para se pousar de herói da pátria.

 

Afinal, os quintas-colunas realmente existiram no Brasil?

 

Tudo não se passou de uma paranóia coletiva, incutida e martelada insistentemente pela imprensa, especialmente a paulista, pois era forte a presença dos emigrantes japoneses e italianos naquele estado.


Um ou outro caso isolado de imigrante patriota radical flagrado com material de cunho patriota, era apresentado como quinta-coluna.

Um alemão, operador de radio-amador foi acusado de espionagem e taxado de quinta-coluna.


Grupos alemães radicais existiram no Paraná e Sc., entretanto não tinham as intenções de uma quinta-coluna, tanto que não eram secretos e nem portavam armas.

 

Muito se falou sobre, mas sequer um imigrante foi preso por ser, literalmente, um legítimo quinta-coluna, secretamente a serviço de um dos países do eixo.


O assunto, por falta de embasamento sólido, caiu no esquecimento a partir de 1943. Felizmente, pois a continuidade dessa campanha infame poderia semear entre os brasileiros o ódio racial, a exemplo do que aconteceu com os judeus na Alemanha. 

 

Os quintas-colunas foram E.Ts. de Varginha, muito se falou a respeito, mas eles nunca existiram.

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O imigrante e a Segunda Guerra Mundial - indice

 

O imigrante e a Segunda Guerra Mundial


A quinta coluna




O confisco dos bens dos imigrantes



Os delírios da imprensa 

Japoneses abastecendo submarino alemão

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Quinta coluna - o que é ?

 
Quinta coluna – o que é ?

A expressão “quinta-coluna” surgiu na Guerra Civil Espanhola, quando Madrid estava sendo atacada por quatro colunas rebeldes comandadas pelo general Franco.

Uma quinta coluna existia dentro de Madrid, apoiando as tropas franquistas. Essa quinta coluna estava secretamente infiltrada dentro da capital, esperando a hora do ataque.

A expressão passou então a designar pessoa que atua secretamente num país que está em guerra, ou vai entrar em guerra, preparando ao inimigo ajuda em caso de invasão ou fazendo espionagem ou propaganda subversiva. Seriam então traidores da pátria, dissimulados de cidadãos comuns; inimigos infiltrados.

O termo , em tempos de paz, passou a ser usado para denegrir pessoas, de acusar alguém de anti-patriotismo: “você não se passa de um quinta-coluna”. Também foi usado para acusar pessoa que “joga contra o time”, que pratica sabotagem ou faz corpo mole em um time de futebol ou ambiente de trabalho numa empresa. Era uma expressão extremamente ofensiva, e caiu em desuso.

"Fifth Column" de Ernest Hemingway

Os supostos quintas-colunas no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial

Os imigrantes japoneses, alemães e italianos, durante a Segunda Guerra, passaram a ser vistos como “potenciais quintas-colunas”. A maior vítima dessa infundada suspeita recaia sobre os japoneses, por seu aspecto físico inconfundível. O Italiano era difícil de ser identificado e o alemão poderia ser visto como polonês, austríaco, etc.

Entretanto, no âmbito do exército e da polícia, os principais alvos eram os imigrantes alemães, pois os ataques aos navios brasileiros foram efetuados pelos submarinos alemães.

Folha da Noite, 09 de julho de 1942

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