Os primeiros núcleos coloniais
As primeiras colônias, de
imigrantes independentes, surgiram a partir de 1914. As grandes colônias localizavam-se em locais remotos, como se fossem um mundo à
parte. Os vizinhos mais próximos ficaram a quilômetros de distância. Os colonos
não tinham acesso à informação, na zona rural não chegavam jornais ou revistas,
e não existia a Tv. As correspondências (correio) não chegavam na zona rural.
Para evitar o isolamento total,
as famílias costumavam construir casas próximas, e assim cada uma poderia
socorrer outra em caso de necessidade.
O índice de mortalidade era
grande. Morria se principalmente de malária, além de picadas de cobras e
ferimentos não tratados adequadamente. Doenças infecciosas como gripe, varíola,
sarampo etc. não eram comuns devido ao isolamento. Pegava-se essas doenças
somente quando iam a cidade.
Uma estrada rústica que ligava a
colônia à cidade servia para escoar a produção. Isso era feito a cavalo, em
carroças de madeira. Nas temporadas de chuva a estrada poderia ficar lamacenta,
dificultando ou impossibilitando o deslocamento. As chuvas mais fortes
provocavam erosão na estradinha, que ficava cheia de valas.
A implantação de uma colônia
As colônias surgiam da iniciativa
de um empreendedor, que poderia ser uma pessoa ou uma empresa de colonização.
Sempre envolvia o estado (Sp, Pr, Es, Ms, Am) ou o município, que davam apoio,
fazendo estradas de acesso à nova colônia, cedendo grandes extensões de terras
ao empreendedor ou colonizadora.
Essas terras eram então divididas
em lotes e vendidas a prestações anuais e em longo prazo. Naqueles tempos, a
maioria das terras pertenciam ao governo.
Em geral os empreendedores davam
preferência às terras próximas a uma estação ferroviária.
Quem eram os empreendedores
Haviam três tipos de
empreendedores.
O tipo de empreendedor mais bem
estruturado eram as companhias de imigração subsidiadas pelo governo
brasileiro, tais como a Kaigai Kyokai (Associação Ultramarina de Emigração), a
Takushoku Kumiai (Cooperativa de Colonização), que providenciavam infra
estrutura e suporte econômico.
O segundo tipo era um líder
que reunia em torno de si um grupo de imigrantes independentes (que já
cumpriram o contrato com as fazendas de café). Esse líder estruturava a colônia
juntamente com o governo ou prefeitura. Eram colônias alavancadas por ideais,
ambições pessoais. Envolvia coragem, riscos e sofrimentos. Não tinham muito
apoio. Os exemplos desse tipo de empreendedor líder são Saburo Kumabe, Unpei Hirano,
Shuhei Uetsuka, Ryu Mizuno e Yassutaro Matsubara.
O terceiro tipo de empreendedor
era um latifundiário, que loteava suas terras com intuito de vender os
lotes aos imigrantes. Esse modelo foi o mais popular de todos. Um exemplo desse
tipo de loteamento é a colônia de Antonio Prado, em Ribeirão Preto.
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| Topografico do Nucleo Colonial Antonio Prado |
Como era o começo
O empreendedor em parceria com a
prefeitura, com recursos próprios ou advindos de financiamento de instituição
bancária fazia a agrimensura, delimitando os lotes de terras. Eram então feitas
instalações provisórias para receber o colono. Essas instalações constituíam de
um barracão com uma cozinha e algumas camas, um depósito de ferramentas
agrícolas, mantimentos, etc Ali o recém-chegado
se instalava e ficava até construir uma casa própria em seu lote.
O empreendedor convidava
imigrantes para se instalar na colônia. Em geral vinham em grupos, em várias
famílias. Era comum os adultos homens irem primeiro, para construírem a casa,
cavar o poço, construir uma horta, etc e após isso vinham as mulheres e
crianças.
Os grandes projetos das companhias de imigração tinham melhores estruturas para receber os colonos.
O topógrafo e a agrimensura da colônia
O serviço de agrimensura (levantamento
topográfico), feito por topógrafos era o primeiro passo da implantação da
colônia. O topógrafo determinava os limites da área e as linhas de delimitação
dos lotes a serem vendidos aos imigrantes. Muitas vezes recebia informações
vagas a respeito da área, do tipo “esta linha de delimitação começa na beira do
Rio Baiano, ali onde os meninos tomam banho e segue em linha reta até um cedro
gigante, e chegando nesse cedro a linha quebra levemente a esquerda e segue em
linha reta até a uma casinha, onde mora o seu Sebastião. Chegando a essa
casinha, pergunte ao Sebastião e ele vai te levar até a um palanque de cimento
fincado no meio do mato, que é a
continuação da linha...”
O agrimensor chefiava uma equipe,
que montava um acampamento no meio da mata. Esse acampamento era o quartel
general, e para montá-lo era preciso levar tudo em lombo de mulas:
equipamentos, comida, cobertores, lonas para montar barraca, cordas, etc Era indispensável no acampamento uma fogueira,
que ardia a noite inteira. Ela servia para aquecer o trabalhador, para assar
carne (as vezes de alguma caça), cozinhar, espantar os mosquitos e as onças,
iluminar, etc
Frequentemente era conveniente
transferir o acampamento para outro local.
Havia casos em que, seguindo as instruções do
proprietário, o agrimensor acabava invadindo terras do vizinho, gerando
conflitos.
As medições e estabelecimento das linhas eram feitas na base da foice e facão, entrando mata adentro. Era um trabalho dificílimo, e feito nas estações secas.
Os colonos imigrantes japoneses
Após cumprir o contrato
empregatício com as fazendas, os imigrantes estavam livres para alguma
iniciativa privada, para tornarem-se colonos.
Muitos, durante o transcorrer do
contrato, praticaram atividades paralelas com fins lucrativos. Era comum o
imigrante, com autorização do fazendeiro, plantar feijão entre as carreiras de
café (essas carreiras eram pedaços improdutivos durante a entressafra), e ficar com parte da venda desse feijão.
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| Entre as fileiras de pés de café havia um corredor de terra improdutiva |
Alguns imigrantes arrendavam terras, como meeiros.
E assim juntaram dinheiro suficiente para, no fim do
contrato, comprarem um lote de terras de algum projeto de colonização. Este foi
o caso o meu avô paterno: ele arrendou terras e plantou arroz. Com o dinheiro
do arroz, comprou terras no sul do estado de São Paulo.
Alguns projetos de colonização não prosperaram, principalmente por causa da malária, e outros não saíram do papel. Entretanto, a maioria das colonias prosperou. Algumas colônias promoveram progresso tal que a cidade vizinha cresceu em função dela. Nestas cidades, esses colonos são carinhosamente chamados de “pioneiros”.
Algumas colônias japonesas no Brasil
Núcleo Juqueri (atual
Mairiporã, periferia de São Paulo) – implantada em 1913 e 1914
Nucleo Colonia Cotia
(atual Cotia, periferia de São Paulo), surgiu com um grupo de jovens arrendando
terras da Igreja.
Fazenda São Joaquim –
colônia fundada próximo a Estação Tibiriçá, Bauru (Sp) por imigrantes que se
retiraram da Fazenda Dumont.
Colonia Hirano –
implantada em 1915, por iniciativa de Unpei Hirano, próximo à Estação
Ferroviaria Presidente Pena (atual Cafelândia, Sp)
Nucleo Barbosa, próximo a
Estação Ferroviária Albuquerque Lins (Lins, Sp)
Nucleo Itacolomi – implantada
em 1918, por iniciativa de Shuhei Uetsuka com a colaboração de Teijiru Suzuki, atual
Promissão (Sp).
Colonia Katsura - Considerada a primeira colônia japonesa
oficialmente organizada no país, localizada no Vale do Ribeira. Destacou-se
inicialmente no cultivo de arroz e mais tarde, de banana e chá.
Tomé-Açu (PA): Fundada em
1929 na região amazônica, tornou-se famosa pela introdução e pelo sucesso no
cultivo da pimenta-do-reino. Produz ainda cacau e juta.
Fazenda Bastos (SP):
Fundada em 1928, destacou-se fortemente na avicultura (produção de ovos) e na
sericicultura (criação do bicho da seda).
Colônia Aliança (SP):
Localizada nos municípios de Promissão e Guaimbê, fundada na década de 1920 com
foco na policultura e no cooperativismo.
Fazenda Tres Barras (Pr) – foi
um empreendimento da BRATAC – Sociedade Colonizadora do Brasil Ltda, que em 1928
adquiriu 13.600 alqueires no município de São Jerônimo da Serra (Pr) com apoio
da Administração Pública do Estado do Paraná e do capital de investidores japoneses.
A Fazenda Tres Barras deu origem a cidade de Assaí.
Colonia Cacatu - Antonina (Pr) - fundada a partir de 1917, foi a primeira colônia japonesa do Paraná.
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| Colonia de Registro (Sp) da Cia de Colonização KKKK |
























