Cap. 06 - As
condições de higiene, saúde e nutrição a bordo
As condições
de higiene eram relativamente boas pois todos zelavam pela limpeza. Era questão
primordial o zelo, pois todos temiam a proliferação de doenças. O banho era esporádico
e com água racionada, por isso reinava o mal cheiro.
Mesmo com os
cuidados, a falta de saneamento ideal causava proliferação de piolhos e diarreia.
A manutenção da limpeza dos banheiros (W.C.) era alvos de especial atenção, com
a vantagem de poder ser feita com água salgada. Banheiro sujo era motivo de
protestos junto aos supervisores.
Alguns tinham
enjoo de mar e por isso passavam a maior parte do tempo deitados, e tinham
dificuldades em se alimentar. Algumas mulheres grávidas recentes sofriam duplo
enjoo, o da gravidez e o do mar.
Contrair uma
doença significava ter que retornar ao Japão, na chegada ao porto de Santos.
Não era permitido a entrada de pessoas com doenças infectocontagiosas no Brasil.
Havia o medo
permanente de surgir algum surto de doença a bordo. Temia-se principalmente a
cólera, o sarampo, o tracoma e o tifo. Surtos de gripe eram comuns, devido a
aglomeração e má ventilação dos dormitórios.
Temia-se o
beribéri, pois naquela época os brasileiros consideravam a como doença
transmissível (na realidade é uma deficiência nutricional), e por isso quem
desembarcava com sintomas de beribéri era repatriado.
A taxa de
mortalidade das viagens era em média de 0,5 a 1%.
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Dormitório (imagem gerada por I.A.) fonte : Fragmentos da Historia, Youtube |
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Dormitório (imagem gerada por I.A.) fonte : Fragmentos da Historia, Youtube
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O serviço
médico a bordo
Todos os
navios vinham com um médico e enfermeiras a bordo, que aplicavam vacinas, entre
elas a da cólera. Os médicos alertavam aos doentes que era preciso se curar
durante a viagem, para não chegar doente em Santos e ser repatriado. O
consultório médico vivia sempre lotado.
Pelo menos uma
sala no navio era reservada para servir de internamento de doentes mais graves.
A morte de emigrante a
bordo
Os que morriam
a bordo eram enrolados em lençóis com alguns pesos, e após breve cerimônia
religiosa, lançados ao mar. Os pesos evitavam que o cadáver boiasse.
A morte de
um emigrante deixava o representante da agência arrasado. Para ele, chegar ao
Brasil com todos sãos e salvos era responsabilidade dele, e por isso sentia
certo sentimento de culpa e de fracasso.
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Imigrante morto é lançado ao mar (imagem gerada por I.A.) Fonte: Fragmentos da Historia, Youtube |
O calor nos
dormitórios no navio
O calor nos
dormitórios era um grande problema, principalmente quando a viagem se iniciava
no verão japonês e se agravava quando no navio se aproximava à linha do
equador.
A ventilação
era muito precária, pois os porões tinham apenas pequenas escotilhas. Os
ventiladores ficavam permanentemente ligados, e por isso sempre queimavam. Para
piorar ainda mais, o japonês fumava muito nos dormitórios, piorando a qualidade
do ar.
Nas noites
quentes, todos dormiam descobertos e isso era embaraçoso para as mulheres, pois
tinham a privacidade prejudicada.
Algumas crianças desenvolviam brotoejas de
forma severa.
Devido a
impossibilidade de banho e de lavagem de lençóis com frequência, aliado ao
calor abafado dos dormitórios, ocorriam surtos de piolho. As mulheres, por
terem mais cabelos, sofriam mais com os piolhos.
Eventualmente
eram feitas sanitizações de dormitórios. Os colchões eram retirados e o
dormitório era pulverizado.
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| Emigrantes italianos no porão de um navio (sem data) |
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| Um doente recebe refeição no dormitório dos emigrantes |
A
alimentação do emigrante
Peixe seco
salgado, mingau de cevada, arroz, pão, soja e conserva de nabo eram a base
alimentar, e eram servidos de forma racionada.
É muito
provável que era servido ainda picles, biscoitos, geleias de frutas, chás e
porco defumado.
Eventualmente
eram servidos peixes pescados a bordo.
A falta de
vitamina C causava escorbuto. Eram servidas três refeições por dia, café da manhã,
almoço e chá da tarde.
Na falta de
arroz, o mingau de cevada era o prato principal, a base da alimentação.
O serviço de
catering (alimentação a bordo) era terceirizado e os mantimentos eram por conta
desse terceirizado. Muitos acusavam o contratado de economizar nas refeições
(servindo pouca comida e/ou de qualidade inferior) para assim sobrar mais
dinheiro.
A empresa não
contratava pessoal suficiente, espertamente esperava que ajudantes voluntários
se apresentassem para ajudar na cozinha e no refeitório, sem renumeração.
Os da primeira
classe tinham refeições servidas em refeitório próprio, e menu diferenciado. A
eles eram servidos frango e carne bovina.
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| Refeição de emigrantes na terceira classe do navio |
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Refeitório de um navio de emigrantes (Imagem gerada por I.A.) fonte: Fragmentos da Historia, Youtube. |
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