domingo, 4 de outubro de 2026

Tsukaza Uetsuka e a reportagem na revista King

 A reportagem de Tsukaza Uetsuka na revista King

Tsukaza Uetsuka publicou uma reportagem, em julho de 1931, numa revista de grande circulação no Japão (King). Ela começa com essas manchetes :  

Irmãos! Vá para o reino ideal da América do Sul

A nova colônia japonesa na Grande Amazônia

Uma vasta terra intocada que abrange o tamanho de Taiwan, Kyushu e Shikoku aguarda seu desenvolvimento como uma nova colônia japonesa.

Líder da Equipe de Investigação da Amazonia, Ex-Membro do Parlamento Tsukasa Uetsuka



Uetsuka na reportagem comemora  efusivamente a doação, pelo governo do Amazonas de quase 14 milhões  de hectares de terras. Descreve sua viagem ao Brasil e suas providencias para que a doação acontecesse.

A reportagem foi publicada já com o projeto em andamento e Uetsuka fala com entusiasmo e orgulho as etapas já vencidas, fala do projeto já em andamento.

 Descreve o tamanho da Amazonia, “maior que a Europa inteira” e que tinha apenas 300 mil habitantes. Por isso Uetsuka prometia ao interessado em investir em colonização no Brasil “forneceremos quantas terras você quiser”.

Uma área absurdamente grande 

Explica que o governo do Amazonas cedeu até 14 milhões de hectares, em 14 lotes de 1 milhão, sendo que cada empresa de colonização tinha direito a 1 lote. A empresa investidora teria no Brasil 10 anos de isenção de impostos e o governo japonês iria providenciar escola e hospital no projeto. Um mapa demonstra as terras cedidas, uma area absurdamente grande.

Mapa publicado na Revista demarcando a area cedida


A area projetada em um mapa do Maps

A area, dentro do mapa do Brasil

Um centro de apoio e treinamento (Vila Amazonia) foi construído e contava com 19 funcionários. Uetsuka revela que os grupos de koutakusei deviam ter sempre um líder, para manter um espírito de equipe.

Cita com orgulho que organizou a escola de colonização Kokushikan Koto Takushoku Gakko com o único intuito de atender ao projeto.

Demonstrou admiração pelos rios da Amazonia, da grandiosidade dos rios.


Uetsuka garantiu que não faltaria comida, pois havia muitos peixes de bom sabor, destacando o pirarucu, e que havia muitas frutas na floresta. Comenta, com exagero, sobre a fertilidade da terra, afirmando que “uma semente semeada hoje, brota amanhã”.

Koutakussei e pirarucus


A reportagem segue descrevendo as  atividades na Vila Amazonia.

Vila Amazonas

Uetsuka, de forma preconceituosa explica por que os brasileiros não aproveitam esse paraíso? Ele afirma que “pessoas brancas que vivem em países tropicais não têm confiança nem força física para suportar o trabalho” e que “se quiserem acessar as fontes de riqueza da Amazonia, eles mesmos precisam trabalhar. Essa é uma situação muito dolorosa para eles”. E acrescenta então, que diante da omissão do povo brasileiro, “repousa sobre nós, japoneses, a missão de desbravar esse tesouro infinito”.

Tendo passado em Manaus e não tendo foto do Teatro Amazonas, Uetsuka publicou um desenho.



No final da reportagem, Uetsuka publica seu endereço em Toquio, convidando investidores a desbravar a Amazônia.

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Kokushikan Koto Takushoku Gakko - a escola dos Koutakussei

 

A Universidade Takushoku Gakko

A atual Universidade Takushoku em Tóquio foi fundada originalmente em 1900 sob o nome de Taiwan Association School. Inicialmente era uma escola voltada para treinamento de japoneses a serem enviados a Taiwan, na época ocupada pelo Japão.

Em 1918, adotou o nome atual de Universidade Takushoku. Literalmente, "Takushoku" significa "desenvolvimento e industrialização" assim como "colonização", porque o Japão tinha, além de Taiwan, outras colônias em Sacalina do Sul e Coreia. O Japão tinha na época planos de expansão imperialista no Pacífico, e uma escola de colonização ultramarina era indispensável.

Ao longo de sua história, a Universidade operou sob um sistema de Escolas de Cursos Especiais (Semmon Gakko) e Escolas Superiores (Koto Gakko) do antigo sistema educacional japonês.

Kokushikan Koto Takushoku Gakko

A Kokushikan Koto Takushoku Gakko foi um curso desenvolvido dentro da Universidade Takushoku, em Tóquio, em abril de 1930, por Shuhei Uetsuka, primo do líder do projeto da Amazonia, o parlamentar Tsukaza Uetsuka.

O curso durava um ano nas instalações da Kokushikan em Tóquio, e tinha o fim específico de treinar jovens dispostos a desenvolver uma colónia agrícola na Amazônia. Dentro do sistema oficial de ensino japonês, o curso foi classificado de algo como “ensino médio profissionalizante”.

Apenas os que haviam se formado no ensino fundamental eram admitidos nessa escola.

A primeira turma de 47 graduados partiu para a Amazônia em abril de 1931 e chegou a Vila Amazônia em junho, onde treinou por mais um ano no centro de treinamento da vila antes de assumirem seus lotes de terra.

Em junho de 1932, Uetsuka rompeu os laços com a universidade, que na época estava envolvida na expansão militar na Manchúria, renomeou a escola para Nippon Koto Takushoku Gakko (Escola de Colonização do Japão) e transferiu a escola para Noborito, na província de Kanagawa.


A Escola de Colonização enviou sete turmas de seus graduados para a Amazônia, com a última turma em 1937.

Nippon Koto Takushoku Gakko

O projeto da Amazônia fez parte do plano de expansão da influência japonesa em países estrangeiros.

Os jovens formados pela Koto Takushoku Gakko foram batizados de “ koutakusseis”. Formaram-se sete turmas para o projeto brasileiro. Após isso, não há registros em que constam a continuidade da escola.

As sete turmas do Kakushikan Koto Takushoku Gakko

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Sétima e última turma koutakussei

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sábado, 3 de outubro de 2026

Koutakusei e Vila Amazonia - o inicio

 

O inicio desta história - as concessões de Yamanishi e Awazu

Em 11 de março de 1927, Genzaburo Yamanishi, um jovem empresário de Tóquio, veio ao Brasil e se juntou a Kinroku Awazu, que havia emigrado para o Brasil em 1914 e residia no Rio de Janeiro.

 Os dois, assessorados pelo então embaixador japonês no Brasil Akira Ariyoshi, com Awazu fazendo papel de intérprete, firmaram um acordo com o Estado do Amazonas, na época governado por Ephigenio Ferreira de Salles, para a concessão gratuita de terras. Conseguiram inacreditáveis 14 milhões  de hectares de terras estatais, uma área absurdamente gigante, equivalente a 140.000 km2, ou seja, uma área do tamanho do estado do Amapá.

Entretanto, essa doação seria consolidada dentro das seguintes condições: a área deveria ser dividida em 14 lotes de 1 milhão de hectares; cada um desses lotes deveria ser explorado por uma empresa investidora diferente (uma empresa não poderia ter dois lotes); apresentar investidor no prazo de 2 anos e iniciar a vinda de colonos no terceiro ano.

A empresa deveria firmar um acordo com o Governo do Estado do Amazonas para a construção de uma colônia japonesa no lote demarcado, e deveria ser povoada por pelo menos 10.000 famílias de imigrantes japoneses dentro de 50 anos. A média seria então de 100 hectares por família (cerca de 40 alqueires paulista).

Sem tempo para reunir 14 investidores, Yamanishi e Awazu deveriam portanto, às suas próprias custas, demarcar um total de um milhão de hectares de terras estatais no Amazonas, dentro de um prazo de dois anos. Após a seleção da área, Yamanishi e Awazu deveriam constituir uma empresa no Japão, para investir na Amazonia, no prazo de um ano. Mas não tinham recursos para esses trabalhos.

Yamanishi retornou ao Japão e tentou convencer investidores para alavancar o projeto de desenvolvimento de 1 milhão de hectares, mas não foi bem sucedido, devido à crise financeira.

Akira Ariyoshi - embaixador japones no Brasil

Yamanishi e Awasu cedem a concessão

Sem conseguir investidores, Yamanishi e Awazu cederam os direitos ao membro da Câmara dos Representantes Tsukasa Uetsuka. Este, era um profundo estudioso de ocupação e colonização ultramarina japonesa, se entusiasmou pelo projeto, e conseguiu investidores de peso, entre eles Mitsui, Sumitomo e Mitsubishi.

Foi fundada então uma escola em Tóquio, a Kokushikan Koto Takushoku Gakko, para atender aos objetivos do projeto (veja página específica sobre esta escola).

As duas missões de levantamento topográfico

Uetsuka enviou ao Amazonas equipes de levantamento topográfico para analisar e selecionar terras em 1928 e em 1930 (a segunda equipe, liderada pelo próprio Uetsuka, foi enviada com uma verba do governo).

A segunda equipe de topografia, 1930

Missão topográfica de Tsukaza Uetsuka no Amazonas, 1930

Fundação da Vila Amazonia e do  Centro de Pesquisa Industrial da Amazônia

Após a seleção, um terreno a dois quilômetros rio abaixo da cidade de Parintins foi adquirido e denominado "Vila Amazônia". Ironicamente, o projeto tinha 1 milhão de hectares, mas Uetsuka teve que comprar a área da vila, pois ela estava fora da concessão.

O Centro de Pesquisa Industrial da Amazônia (ou "Instituto Amazonas") foi estabelecido nesse local em 21 de outubro de 1930, com uma estação experimental agrícola, uma estação de observação meteorológica, um hospital, alojamentos, kaikan, etc. Também foi criada na vila a escola  "Jitsugyou Renshu-Sho" (Centro de Treinamento de Práticas Agrícolas).

Fotograma do Centro Industrial ("Instituto Amazonas")

O Currículo da escola era o seguinte:

(1) -Moral e ética da nação japonesa, 1 hora por semana;

(2) -Língua portuguesa, 18 horas por semana;

(3) -História de colonização do mundo, 1 hora por semana;

(4) -Política de colonização do mundo, 1 hora por semana;

(5) -Aspectos econômicos da América do Sul, 2 horas por semana;

(6) -Geografia e história da América do Sul, 2 horas por semana;

(7) -Noções de agricultura, 1 hora por semana;

(8) -Noções de pecuária, 1 hora por semana;

(9) -Noções de engenharia civil e arquitetura, 1hora por semana;

(10) -Noções de agrimensura, 1 hora por semana;

(11) -Noções de cooperativismo, 1 hora por semana;

(12) -Treinamento de judô e kendô, 2 horas por semana;


Kaikan da Vila Amazônia

Dos 14 milhões, Uetsuka conseguiu oficialmente a concessão de 1 milhão. Os demais 13 milhões, foram “perdidos”, pois não houve investidores interessados.

 

Galeria de fotos .

Getulio Vargas recebe Uetsuka (no centro)

Em outubro de 1940, Uetsuka veio ao Brasil, e foi recebido pelo presidente Vargas. Pouco depois, em 1942, Vargas confiscou as terras e expulsou os japoneses do projeto Koutakussei. 

Vila Amazonia, c. 1930

Hospital da Vila Amazonia, construído pelos japoneses, sem data

O médico Dr. Toda, na Vila Amazonas,  c. 1933

Fotograma - c. 1933 - Vila Amazonia - estação meteorológica
Vila Amazonia - 2026 

Vila Amazônia - 2026

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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Os koutakussei - indice

 👉 01 - Quem eram os koutakussei ? 

 👉 02 - O inicio da história dos koutakussei- a Vila Amazonia

 👉 03 - Kokushikan Koto Takushoku Gakko

 👉 04 - Tsukaza Uetsuka e sua reportagem na revista King




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Koutakussei treinando capina


Os koutakussei - quem foram ?

 
Os koutakussei – quem eram?

Os jovens formados pela escola de colonização Koto Takushoku Gakko foram batizados de “ koutakussei”. Essa escola foi fundada com o objetivo de formar jovens imigrantes dispostos a fazer parte de um projeto de colonização no Amazonas. O curso durava um ano, e entre outras coisas, ensinava lingua portuguesa, técnicas agrícolas, geografia do Brasil. 

Eles diferiam dos demais imigrantes da época por terem preparo técnico prévio, a intenção voluntária (não forçada pela pobreza) de se emigrar a Amazonia com o compromisso de se estabelecerem definitivamente no Brasil. Aliado a isso, vieram dentro de um plano pré-concebido, fazendo parte de um investimento agrícola-fundiário, e chegaram ao Brasil com uma estrutura já formalizada para os receberem.

Outra diferença era que ao contrário dos demais imigrantes da época, a maioria dos koutakussei eram jovens de classe média. Portanto, trocaram uma vida confortável e com certo sucesso no futuro no Japão pela opção de vir ao Brasil.

O projeto trouxe ao Brasil 541 imigrantes, destes 248 eram koutakussei, 240 agregados (esposas, etc) e os demais eram funcionários da empresa colonizadora ou técnicos.

Os koutakussei não entendiam o porquê dos brasileiros não terem disposição nem vontade de explorar tanta terra disponível.

 

As turmas koutakussei

Vieram sete levas (“turmas”) de koutakussei ao Brasil

1ª. turma – 42 koutakussei – 1931

2ª. turma – 52 koutakussei – 1932

3ª. turma – 70 koutakussei – 1933

4ª. turma – 49 koutakussei - 1934

5ª. turma – 14 koutakussei – 1935

6ª. turma – 13 koutakussei - 1936

7ª. turma –  5 koutakussei – 1937


A primeira turma koutakussei

Casamento e família do koutakussei

Praticamente todos vieram solteiros, e se casaram mais tarde por omiai, com noivas vindas do Japão. Essas esposas sofreram dobrado, pois imaginavam encontrar condições melhores de vida.

Os casais koutakussei tiveram muitos filhos, de 6 a 10, e muitos deles ficaram órfãos de pai, de mãe ou de ambos, muito precocemente. Os órfãos eram distribuídos entre orfanatos e famílias da colônia.

Por quê decidiram emigrar ?

Por que um jovem de classe média, com bom nível escolar, vivendo muito bem em Tóquio, se mudaria para o interior de uma floresta desbravada, no outro lado do mundo?

A resposta me parece ser única: tomaram a decisão por arroubo, entusiasmo de juventude; por desejo de realizar um projeto sério, de realizar um sonho.

Acima de tudo, provar que era uma pessoa ousada, capaz e ferrenha em seus propósitos, de ser dono do próprio nariz; coisas típicas da juventude japonesa da época.

O koutakussei desejava dar um significado maior ao seu futuro, ser proprietário de uma propriedade idílica, cheia de arvores frutíferas, lago, plantações; vieram para fazer alguma coisa grandiosa na vida.

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sábado, 26 de setembro de 2026

A expulsão dos japoneses da Liberdade

 

A Rua Conde de Sarzedas

Em 1912 os imigrantes japoneses passaram a residir na rua Conde de Sarzedas, uma ladeira íngreme, em cuja parte baixa havia um riacho e uma área de mangue.

Quase todas as casas dessa rua tinham porão, e os aluguéis dos quartos nos porões eram muito baratos. Evidente, não eram nada confortáveis, os porões eram mal iluminados e mal ventilados.

Para aqueles imigrantes, aquele cantinho ignorado da cidade de São Paulo significava esperança por dias melhores. Por ser um bairro central, de lá poderiam se locomover facilmente para os locais, onde poderiam trabalhar.

Aos poucos começaram a surgir as atividades comerciais voltadas ao imigrante japonês: empório, uma casa que fabricava tofu, outra que fabricava manju, agencia de empregos, tornando a Conde de Sarzedas “a rua da japonesada”.

Já em 1915 foi fundada a Taisho Shogakko (Escola Primária Taisho), chegando a ter aproximadamente 300 alunos. 

Os japoneses começam a se aglomerar na Liberdade

Em 1932 eram cerca de 2 mil os japoneses em São Paulo, vindos do Japão ou de fazendas, de onde fugiram ou não renovaram contrato com os fazendeiros. Os semelhantes se atraem, e eles se estabeleceram na Liberdade, atraídos pela turma da Conde de Sarzeda.

Naquele ano, cerca de 600 japoneses moravam na rua Conde de Sarzedas. Outros se espalhavam nas ruas Irmã Simpliciana, Tabatinguera, Conde do Pinhal, Conselheiro Furtado, Tomás de Lima (Hoje Mituto Mizumoto) e Rua dos Estudantes.

Funcionava na região um micro sistema econômico, com os estabelecimentos comerciais de propriedade de japoneses, que atendiam principalmente a “colônia” ali estabelecida.

A vida não era fácil para nenhum imigrante que viviam em São Paulo, mas havia trabalho, comida e moradia. Nos anos 20 e 30, eles já estavam integrados à vida da cidade, alguns trabalhando em bancos, em construção civil, etc.. Havia treinos de beisebol nos fins de semana, as crianças podiam estudar em nihon-gakko. Podia-se saborear comida japonesa nos pequenos restaurantes da Liberdade, e ler publicações em japonês. A vida, apesar de difícil, transcorria tranquila e estável.

Bairro Liberdade (parcial)

A expulsão

Em julho de 1941, o governo Vargas ordenou a suspensão da publicação dos jornais em língua estrangeira em todo Brasil. Era o início do nacionalismo.

Com o estouro da guerra no Pacífico, em 1942, o governo de Getúlio Vargas rompeu relações diplomáticas com o Japão, fechando o Consulado Geral do Japão em São Paulo, iniciando um período de perseguição aos imigrantes do “eixo”.

Pouco tempo depois, em 06/09/1942, moradores japoneses das ruas Ladeira Conde de Sarzedas, Conselheiro Furtado, Tabatinguera  e rua dos Estudantes, foram surpreendidos pelos agentes da DOPS, com a ordem de desocupar a área em um prazo de 12 horas. 

Cerca de 400 famílias japonesas viviam na região da Liberdade, algumas há mais de 30 anos. A maior concentração de japoneses era na Conde de Sarzedas. Tiveram que sair às pressas, procurando abrigo em casa de parentes e amigos. 

No inicio de março de 1943 um grupo de 4 brasileiros inspecionaram casa a casa na Sarzedas em busca de japoneses que haviam desobedecido a ordem de retirada. Segundo relatos, os 4 poderiam ser falsos agentes do governo, e fizeram rapa nas casas, levando objetos de valor. Episódios semelhantes devem ter acontecido repetidas vezes.

Essa expulsão integrou uma série de medidas de perseguição e dispersão forçada contra a comunidade japonesa durante o governo de Getúlio Vargas no contexto da Segunda Guerra Mundial.

Este triste e injusto episódio tem pouquíssimos registros, com a imprensa calando-se completamente, provavelmente por medo de represálias. 

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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A ação da Sakuragumi Teishin-tai em Marilia

 

A ação da Sakuragumi Teishin-tai em Marilia

O Jornal o Globo, de 19/09/1953 noticiou que a Sakuragumi estava agindo na região de  Marilia-Sp. Teriam influenciado 2.500 japoneses na região, e deles exigiam uma contribuição. Segundo o jornal, os imigrantes  já estavam de malas prontas para voltar ao Japão, a fim de juntar-se a um “exercito da ONU”, numa luta na Coreia. A reportagem não especifica os motivos desta tal luta.

Outros jornais afirmam que seria “lutar contra o imperialismo americano que ocupou a Coreia”, ou “lutar contra os comunistas que estão ocupando a Coreia”. Enfim, qualquer história fantasiosa servia para enganar os imigrantes.