A reportagem de Tsukaza Uetsuka na revista King
Tsukaza Uetsuka publicou uma reportagem, em julho
de 1931, numa revista de grande circulação no Japão (King). Ela começa com essas manchetes :
Irmãos! Vá para o reino ideal da América do Sul
A nova colônia japonesa na Grande Amazônia
Uma vasta terra intocada que abrange o tamanho de Taiwan,
Kyushu e Shikoku aguarda seu desenvolvimento como uma nova colônia japonesa.
Líder da Equipe de Investigação da Amazonia, Ex-Membro do
Parlamento Tsukasa Uetsuka
Uetsuka na reportagem comemora efusivamente a doação, pelo governo do
Amazonas de quase 14 milhões de hectares
de terras. Descreve sua viagem ao Brasil e suas providencias para que a doação
acontecesse.
A reportagem foi publicada já com o projeto em andamento e
Uetsuka fala com entusiasmo e orgulho as etapas já vencidas, fala do projeto já
em andamento.
Descreve o tamanho da
Amazonia, “maior que a Europa inteira” e que tinha apenas 300 mil habitantes.
Por isso Uetsuka prometia ao interessado em investir em colonização no Brasil
“forneceremos quantas terras você quiser”.
Uma área absurdamente grande
Explica que o governo do Amazonas cedeu até 14 milhões de
hectares, em 14 lotes de 1 milhão, sendo que cada empresa de colonização tinha
direito a 1 lote. A empresa investidora teria no Brasil 10 anos de isenção de
impostos e o governo japonês iria providenciar escola e hospital no projeto. Um mapa demonstra as terras cedidas, uma area absurdamente grande.
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| Mapa publicado na Revista demarcando a area cedida |
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| A area projetada em um mapa do Maps |
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| A area, dentro do mapa do Brasil |
Um centro de apoio e treinamento (Vila Amazonia) foi
construído e contava com 19 funcionários. Uetsuka revela que os grupos de
koutakusei deviam ter sempre um líder, para manter um espírito de equipe.
Cita com orgulho que organizou a escola de colonização Kokushikan Koto Takushoku Gakko com o
único intuito de atender ao projeto.
Demonstrou admiração pelos rios da Amazonia, da
grandiosidade dos rios.
Uetsuka garantiu que não faltaria comida, pois havia muitos
peixes de bom sabor, destacando o pirarucu, e que havia muitas frutas na
floresta. Comenta, com exagero, sobre a fertilidade da terra, afirmando que
“uma semente semeada hoje, brota amanhã”.
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| Koutakussei e pirarucus |
A reportagem segue descrevendo as atividades na Vila Amazonia.
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| Vila Amazonas |
Uetsuka, de forma preconceituosa explica por que os
brasileiros não aproveitam esse paraíso? Ele afirma que “pessoas brancas que
vivem em países tropicais não têm confiança nem força física para suportar o
trabalho” e que “se quiserem acessar as fontes de riqueza da Amazonia, eles
mesmos precisam trabalhar. Essa é uma situação muito dolorosa para eles”. E
acrescenta então, que diante da omissão do povo brasileiro, “repousa sobre nós,
japoneses, a missão de desbravar esse tesouro infinito”.
Tendo passado em Manaus e não tendo foto do Teatro Amazonas, Uetsuka publicou um desenho.
No final da reportagem, Uetsuka publica seu endereço em Toquio, convidando investidores a desbravar a Amazônia.
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