Sakuragumi Teishin-tai - a violencia policial
Conta o jornal Folha da Manhã que uma força policial foi até ao Sitio Guaraciaba para retirar dali os japoneses. Levaram os até a Delegacia de Policia de Santo Andre, antes de alojá-los num pavilhão.
Apareceu na delegacia um japonês, vindo de São Paulo, com um veículo. Ele foi lá buscar a irmã e 5 filhos dela. Entretanto, a mulher era esposa de um dos 9 presos no episódio da invasão da embaixada e por isso julgou que deveria permanecer no seio da seita, em solidariedade ao marido preso.
Os policiais tiveram que usar a força para embarcar ela no veículo do irmão. Estava ali um reporter da Folha da Manhã, que fez uma reportagem indignada.
Apesar dos exageros do reporter, a polícia as vezes precisa agir com certo rigor. Alias, é por isso que ela é chamada, quando a situação não se resolve, a policia é chamada para intimidar, e se for necessário, usar a força.
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| Folha da Manhã, 22-04-1955 |
O enviado especial à delegacia
Em 22/05/1955 compareceu na redação do Jornal
Folha da Tarde, Sadakazu Fukazawa. Ele foi a mando do trio, que preferiam não
se expor ao público. Seguindo instruções dos chefes, amistosamente solicitou a
devolução do dinheiro confiscado da Saguragumi, e protestou contra a série de
reportagens que o jornal vinha publicando contra os líderes da seita,
Yoshitani, Amano e Ando.
Um repórter tentou convencê-lo de
que tudo não se tratava de um esquema criminoso, porém Sadakazu se negou a
acreditar. Diante da insistência do repórter, ficou inseguro e afirmou que “se
o diplomata do consulado confirmar suas palavras, eu acreditarei”. Este episódio demonstra uma fortíssima característica
dos imigrantes japoneses da época: eles obedeciam e acreditavam cegamente num “shiyatyou-san”
(chefe, comandante). Tinham senso de disciplina, e acreditavam ser parte de uma
hierarquia, onde a obediência deveria ser mantida. Para o imigrante, em
qualquer estrutura, social, religiosa, profissional, etc, era indispensável a existência
de um shiyatyou. Para Sadakazu, o consul, dentro dessa hierarquia, o diplomata seria
superior aos chefes da quadrilha.
| Sadakazu Fukasawa na Folha da Manhã |
Esse episódio demonstra o quão perigoso é o fanatismo cego. Por vezes, ele atinge a um ponto em que a razão, o raciocínio e o juízo são subjugados pela paixão, pelo fanatismo. Nesse ponto, a pessoa perde a noção das coisas e toma decisões erradas e as vezes perigosas.
A Folha da Manhã de 06/12/1955 publicou essa reportagem, em que os 6 presos do atentado ao consulado do Japão pretendiam assassinar o diretor do presídio, e com isso ganhar publicidade, projeção na opinião pública.
As intenções foram desmascaradas, e o próprio diretor, Fernando José Fernandes, informado, conversou com os japoneses e tomou providencias. Ficaram a partir daí isolados uns de outros, incomunicáveis.
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Considerações finais (do autor deste site)
O movimento Sakuragumi Teishintai
tem as mesmíssimas características da Guerra dos Canudos e a Guerra do
Contestado.
Um grupo grande de pessoas,
vitimadas por um mal ou circunstâncias comuns passam a ter uma vida atormentada
pela pobreza extrema (foi o caso da Canudos e a Contestado), ou por um estado
de grande decepção por não conseguir alcançar um objetivo.
O caso da Sakuragumi foi esse, a grande
decepção dos japoneses envolvidos por não conseguir realizar seu grande sonho: voltar ao Japão, mesmo que para se envolver em
luta armada, para defender os ideais do país.
Nesse estado de emoção coletiva, surge exatamente o que eles tanto sonham: um grande líder que os conduzirá em direção ao porto seguro, ao grande objetivo desejado. O líder que vai elaborar o plano, tomar as providencias, falar com as pessoas certas e... arrecadar os fundos para execução do grande sonhado plano.
A credibilidade cresce com o senso de segurança de grupo, como um cardume de peixes, "se 10 estão acreditando, então deve ser verdade", e assim a seita vai engrossando de adeptos.

















