segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Os koutakussei e a produção de juta na Amazônia


A introdução da juta no Brasil

A juta é uma planta, de cujo caule se extrai uma fibra, muito resistente. Ela era usada para fabricação de fios para fabricação de sacos para cereais (“sacaria”).

Plantação de juta

Na época dos koutakussei, toda as sacarias vinham da India, grande produtora de juta. Existia no Brasil uma demanda gigantesca de sacarias, para ensacamento de café, e mais tarde também para soja.

Café em sacaria de juta

Sacas de café ensacadas com sacaria de juta

A produção da juta pelos kouakussei foi o maior sucesso do projeto.

Kotaru Tsuji sugere Uetsuka a levar a juta a Amazônia

Kotaru Tsuji, formado em 1927 na Escola Superior do Comercio de Kobe, partiu para o Brasil em viagem de pesquisa científica promovida pelo Ministério da Cultura do Japão.

Na Amazônia, na área de Igarapé Açu (PA), notou que a malva, um planta muito parecida com a juta, crescia com abundância. A malva produz a fibra usada para fabricação do linho Tsuji, supôs então que a juta poderia também, tal como a malva, se adaptar bem a região.

De volta ao Japão, Tsuji foi convidado por Uetsuka para lecionar na recém-inaugurada escola Superior de Colonização Kokushikan, onde viriam a ser formados os kotakuseis enviados à Amazônia. Tsuji passou a Uetsuka a sugestão de produzir a juta na Amazônia.

Convencido por Tsuji, em 1933 Uetsuka enviou a Índia um especialista em agricultura, Isaku Kino, professor da Kokushikan, para estudar tudo o que fosse necessário sobre o cultivo e industrialização da juta. Em agosto desse mesmo ano, segundo o relato de Uetsuka, Kino retornou ao Japão e foi enviado imediatamente ao Amazonas com sementes adquiridas em Calcutá, as quais foram plantadas em terras da Colônia Modelo do Andirá.

Mas deu tudo errado. A juta não se desenvolvia como o esperado e não atingia a altura ideal para viabilidade de exploração econômica (cerca de 4 metros).

Os espécimes de juta trazidos, deveriam ser plantados em locais alagados, e muitas vezes a colheita era feita em época de cheias, obrigando os koutakussei colherem  os ramos com meio corpo submerso.

Ryota Oyama descobre dois espécimes viáveis

Os estudos da planta se estenderam por dois anos, quando então o koutakussei Ryota Oyama (1882-1972) observou que duas mudas haviam crescido à altura desejada. Ele teve a ideai de transplantar essas mudas para um local mais alto, livre de enchentes. Por um golpe da má sorte, acabou quebrando uma das mudas no caminho. Restava, então, um único espécime que poderia gerar hastes longas. Essa haste se desenvolveu bem e gerou sementes, que Oyama colheu.

Oyama dividiu as sementes com outro koutakussei, Yoshimasa. Em 1937, Ryota Oyama colheu seis toneladas de juta e Yoshimasa, quatro toneladas, gerando também sementes do novo espécime, dando início ao clico econômico da juta.

Casa de koutakussei produtor de juta (no varal, secando)

Em Manaus, duas tecelagens foram instaladas, a Brasiljuta e a Fitejuta.

Em 1937, o Brasil comprou 37, 5 toneladas de juta indiana. Dez anos depois, as sementes de Oyama já haviam tornado o Brasil autossuficiente na produção dessa fibra. Entre 1937 até 1942 o Brasil produziu 5.000 toneladas de juta.

Ryota Oyama ficou conhecido como “o pai da juta brasileira”.

Ryota Oyama

Tsukaza Uetsuka e fibras de juta


O fim do ciclo da juta na Amazônia

A partir dos anos 70 a sacaria de fibra de juta passou a ser substituída por um saco feito de um tecido (rafia) de  fios sintéticos (polipropileno PP). Essa nova saca era mais resistente e mais barata que a de juta. Aliado a isso, o processo logístico da soja começou a ser realizado por containers, não mais por sacaria. 

Saco de rafia

Hoje a fibra de juta é usada em baixíssima escala, na fabricação de saquinhos decorativos e embalagem de presentes.

 

Saquinho de rafia 

~~~~~~~~~~~~~~~~

👉 Clique aqui para saber mais sobre o projeto koutakussei

 👉 Clique aqui para ir ao mapa deste site

domingo, 11 de outubro de 2026

A Colonia Koutakussei Andirá no Amazonas

 

A Colônia Andirá dos koutakussei na Amazônia

Em 1933, Kotaro Tuji e Sakae Ochi foram os encarregados a organizar a Colônia Modelo de Andirá na área da concessão, situada entre os rios Uaicurapá e Andirá para onde eram encaminhados os colonos e koutakusseis para levar avante a colonização agrícola. A Colônia Andirá ficava a mais ou menos 30 km da Vila Amazônia, por via fluvial.

A Colônia Andirá

O encaminhamento para a colônia era feito após longo treinamento na Vila Amazônia, no Centro de Pesquisas Industriais da Vila Amazonas, conhecido por Instituto Amazonas.

A ida da Colônia Andirá até Vila Amazônia era em direção à jusante (foz) do rio Mamuru e em seguida pelo Rio Paraná do Ramos, também em direção a jusante. Portanto a ida era toda a favor da corrente.

A colônia foi elaborada em 5 grandes glebas (mapa), cada uma recebendo turmas diferentes de koutakussei.

As cinco glebas da Colônia Andirá

Apesar da concessão ser de 1 milhão de hectares, a Colônia Andirá não representava mais que 5% desse milhão.

A destinação das terras

Boa Esperança - 1a. turma de koutakussei
Boa Fonte - 2a. e 3a. turmas de koutakussei
Santa Luzia - 4a. turma 
Doce - 5a. e 6a. turmas
Taubaquera - 7a. turma

A vida difícil nas colônias

Como era de imaginar, a vida no interior da mata Amazônicas nos anos 30 era duríssima. A Colônia Andirá era isolada, não existiam estradas. O único meio de transporte era fluvial, feita por barcos, e a única estrutura de apoio era na Vila Amazônia, a aproximadamente 30 km por via fluvial.

Os japoneses subestimaram a floresta. Por isso muitos koutakusei faleceram precocemente, antes dos 40 anos, de malária, febre amarela ou outras infecções desconhecidas. Aconteceram muitos suicídios. Enfrentaram o problema dos insetos (pernilongos, formigas, borrachudos e mosquitos pólvora), o perigo dos animais selvagens (cobras e aranhas), e a falta de assistência médica. Não havia água encanada, telefone, eletricidade, farmácia, posto de emergência médica, mercados, etc.

“Passamos a viver como povos primitivos, sem eletricidade, à luz de lamparinas, cortando lenha para cozinhar e se aquecer. Cozinhar era perigoso, pois havia o perigo de se queimar...”, escreveu o koutakusei Ochi Sakae.

Muitos kutakusei, diante das condições precárias, abandonaram o projeto e se migraram para cidades.

Para piorar, foram os imigrantes que mais sofreram perseguições durante a Segunda Guerra Mundial. Tendo inclusive o seu grande centro de apoio, a Vila Amazônia, confiscada pelo governo e fechada.

A situação melhorou para alguns quando obtiveram sucesso com o plantio da juta.

Colônia Andirá - Google Maps

Colônia Andirá no Brasil 

~~~~~~~~~~~~~~~~

👉 Clique aqui para saber mais sobre o projeto koutakussei

 👉 Clique aqui para ir ao mapa deste site


terça-feira, 6 de outubro de 2026

Vida do koutakussei no Instituto de Pesquisa Industrial

Vida do koutakussei no Instituto de Pesquisa Industrial

A maior fonte deste post foram as memórias do diretor do Instituto, Sakae Ochi. Foram publicadas no site da NDL (National Diet Library), entre 1984 e 1985.

As memórias foram escritas em japonês e por isso tive que usar o tradutor nativo do Edge. Entretanto esse tradutor não conseguiu fazer a tradução para o português com exatidão, por isso resultou em um texto muito incompreensível.

Lembrando que o presente post é de tradução livre, de redação minha, não literal.

Memórias de Sakae Ochi, diretor do Instituto Amazonas

(Vila Amazonia, 1932)

A Vila Amazonia tinha um centro de treinamento e Pesquisas, denominado "Instituto de Pesquisa Industrial da Amazonia", onde os koutakussei estudavam e treinavam por um período de um ano antes de serem enviados para as colonias. 

A rotina diária

O local e o funcionamento era de certa forma parecido com um acampamento militar.

A rotina diária era sob disciplina estabelecida, com horários de início, descansos para lanche e almoço e final de expediente. O toque de alvorada era as 5:00, e o dia começava com atividades esportivas e ginástica. As 7:00 era servido o café. As 8:00 começavam as aulas teóricas, em sala.

Após um almoço e intervalo, começavam as aulas em campo, os treinamentos práticos, construção de casas, de caminhos, derrubada da floresta da Vila Amazonia, etc  

Havia treinamentos de capinagem, de montagem e manutenção de equipamentos (enxadas, rastelos, forcas, etc), de arar a terra e de derrubada de árvores.

Treinamento de capinagem na Vila Amazonas

O “expediente” terminava as 18:00, ao som de um tiro de espingarda, quando então tomavam banho em rio e iam jantar. 

Após o jantar costumavam se reunir para conversar banalidades, e comentar fatos sobre o trabalho do dia.

Aproveitavam o restante livre da noite para estudar. O toque de recolher era 21:00 quando então as lamparinas deveriam ser apagadas.

Havia vigilância noturna, feita por revezamento.

Não havia férias, apenas um recesso de 15 dias no fim do ano. Para prática esportiva havia um pavilhão onde se treinava kendô, judô e sumô.

Pavilhão da Vila Amazonas - acervo de Camilo Ramos


A cozinha e a comida

O refeitório e a cozinha eram coletivos. Era um trabalho perigoso, pois envolvia manipulação de grandes panelas. Ochi Sakae conta que um cozinheiro se queimou com agua quente e o caso foi bastante complicado, sendo o queimado enviado para o Japão para tratamento. 

Havia um pasto e um pequeno rebanho de 40 vacas leiteiras, para produção de leite e derivados, que também servia de aprendizado sobre pecuária. Além de hortaliças e frutas, comia-se muito pirarucu (é um peixe que se faz bacalhau) e provavelmente mandioca e carne de caça.

Atividades agrícolas na Vila Amazonas – treinamento e pesquisas

A atividade de grande importância era a do cultivo experimental de culturas como soja, algodão, arroz, amendoim, banana, milho, gergelim, sorgo, tabaco e algodão, e de algumas árvores como seringueira, cacau e castanha.

Praticavam a prototipagem agrícola.  Consistia em fazer a seleção de sementes geneticamente melhores. Faziam estudos de adensamento (quantas mudas por metro quadrado), de irrigação específica para cada planta, do seu tempo de desenvolvimento (estudo do tipo: quantos dias leva tal variedade de  laranja para frutificar?), controle de pragas, etc. A prototipagem do arroz era considerada a mais importante.

Existia um jardim botânico para observação das espécies, e uma horta onde se plantava cenoura, daikon, rabanete, etc

As derrubadas e queimadas

O trabalho mais árduo e importante de todos eram as das derrubadas. Colonizar é derrubar mata virgem. 

Consistia em duas etapas, a primeira era de limpar a floresta, cortando os arbustos, as árvores menores e cipós. Em seguida vinha o corte das arvores maiores. Era um trabalho perigoso e o grande problema era o ataque de cobras,  carrapatos,  mosquitos e formigas.

Após derrubada, algumas árvores eram desgalhadas, pois atrapalhavam a circulação. Havia uma época apropriada para a derrubada, que antecedia a época seca. Após dois meses secando, as arvores, já no solo, eram queimadas.

A falta da companhia feminina

A maioria dos koutakussei vieram solteiros e o diretor do Instituto repetidamente alertava para não se envolver com as mulheres nativas, as amazonenses. Ele espalhava uma informação falsa, dizendo que se os pais da moça descobrissem eram obrigados a casar na delegacia, sob ameaça de armas.

A prática do homossexualismo era punida com severidade.

Alguns vieram já casados, e tiveram filhos na Vila. Um nihongakko (escola de japones) foi construído, para atender essas crianças. 

Crianças na Vila Amazonia, sem data


Inauguração do Nihongakko, sem data

As visitas a Parintins

A maior diversão dos koutakussei era visitar a cidade de Parintins, naquela época uma vila. Havia um barco a motor que ia até a essa vila para fazer compras, pegar correspondências, etc. e os rapazes pediam repetidamente ao diretor para ir a Parintins, para ajudar a carregar o barco e  “treinar o portugues”. O diretor sempre consentia alguns a irem, porém com a exigência de usarem sapato, paletó e gravata, além de chapéu social. O intuito era passar a impressão de que o povo japonês era refinado e elegante, mesmo nos confins da Amazônia.  E tinham a ordem de retirar o chapéu sempre que uma moça os saudasse. Esses rapazes viravam alvo de grande curiosidade na vila.

Quando tinham algum dinheiro, a grande compra em Parintins era a cachaça, e voltavam a Vila Amazônia com garrafas de cachaça como se fossem tesouros.

~~~~~~~~~~~~~~~~

👉 Clique aqui para saber mais sobre o projeto koutakussei

 👉 Clique aqui para ir ao mapa deste site


domingo, 4 de outubro de 2026

Tsukaza Uetsuka e a reportagem na revista King

 A reportagem de Tsukaza Uetsuka na revista King

Tsukaza Uetsuka publicou uma reportagem, em julho de 1931, numa revista de grande circulação no Japão (King). Ela começa com essas manchetes :  

Irmãos! Vá para o reino ideal da América do Sul

A nova colônia japonesa na Grande Amazônia

Uma vasta terra intocada que abrange o tamanho de Taiwan, Kyushu e Shikoku aguarda seu desenvolvimento como uma nova colônia japonesa.

Líder da Equipe de Investigação da Amazonia, Ex-Membro do Parlamento Tsukasa Uetsuka



Uetsuka na reportagem comemora  efusivamente a doação, pelo governo do Amazonas de quase 14 milhões  de hectares de terras. Descreve sua viagem ao Brasil e suas providencias para que a doação acontecesse.

A reportagem foi publicada já com o projeto em andamento e Uetsuka fala com entusiasmo e orgulho as etapas já vencidas, fala do projeto já em andamento.

 Descreve o tamanho da Amazonia, “maior que a Europa inteira” e que tinha apenas 300 mil habitantes. Por isso Uetsuka prometia ao interessado em investir em colonização no Brasil “forneceremos quantas terras você quiser”.

Uma área absurdamente grande 

Explica que o governo do Amazonas cedeu até 14 milhões de hectares, em 14 lotes de 1 milhão, sendo que cada empresa de colonização tinha direito a 1 lote. A empresa investidora teria no Brasil 10 anos de isenção de impostos e o governo japonês iria providenciar escola e hospital no projeto. Um mapa demonstra as terras cedidas, uma area absurdamente grande.

Mapa publicado na Revista demarcando a area cedida


A area projetada em um mapa do Maps


Um centro de apoio e treinamento (Vila Amazonia) foi construído e contava com 19 funcionários. Uetsuka revela que os grupos de koutakusei deviam ter sempre um líder, para manter um espírito de equipe.

Cita com orgulho que organizou a escola de colonização Kokushikan Koto Takushoku Gakko com o único intuito de atender ao projeto.

Demonstrou admiração pelos rios da Amazonia, da grandiosidade dos rios.


Uetsuka garantiu que não faltaria comida, pois havia muitos peixes de bom sabor, destacando o pirarucu, e que havia muitas frutas na floresta. Comenta, com exagero, sobre a fertilidade da terra, afirmando que “uma semente semeada hoje, brota amanhã”.

Koutakussei e pirarucus


A reportagem segue descrevendo as  atividades na Vila Amazonia.

Vila Amazonas

Uetsuka, de forma preconceituosa explica por que os brasileiros não aproveitam esse paraíso? Ele afirma que “pessoas brancas que vivem em países tropicais não têm confiança nem força física para suportar o trabalho” e que “se quiserem acessar as fontes de riqueza da Amazonia, eles mesmos precisam trabalhar. Essa é uma situação muito dolorosa para eles”. E acrescenta então, que diante da omissão do povo brasileiro, “repousa sobre nós, japoneses, a missão de desbravar esse tesouro infinito”.

Tendo passado em Manaus e não tendo foto do Teatro Amazonas, Uetsuka publicou um desenho.



No final da reportagem, Uetsuka publica seu endereço em Toquio, convidando investidores a desbravar a Amazônia.

~~~~~~~~~~~~~~~~

👉 Clique aqui para saber mais sobre o projeto koutakussei

 👉 Clique aqui para ir ao mapa deste site


Kokushikan Koto Takushoku Gakko - a escola dos Koutakussei

 

A Universidade Takushoku Gakko

A atual Universidade Takushoku em Tóquio foi fundada originalmente em 1900 sob o nome de Taiwan Association School. Inicialmente era uma escola voltada para treinamento de japoneses a serem enviados a Taiwan, na época ocupada pelo Japão.

Em 1918, adotou o nome atual de Universidade Takushoku. Literalmente, "Takushoku" significa "desenvolvimento e industrialização" assim como "colonização", porque o Japão tinha, além de Taiwan, outras colônias em Sacalina do Sul e Coreia. O Japão tinha na época planos de expansão imperialista no Pacífico, e uma escola de colonização ultramarina era indispensável.

Ao longo de sua história, a Universidade operou sob um sistema de Escolas de Cursos Especiais (Semmon Gakko) e Escolas Superiores (Koto Gakko) do antigo sistema educacional japonês.

Kokushikan Koto Takushoku Gakko

A Kokushikan Koto Takushoku Gakko foi um curso desenvolvido dentro da Universidade Takushoku, em Tóquio, em abril de 1930, por Shuhei Uetsuka, primo do líder do projeto da Amazonia, o parlamentar Tsukaza Uetsuka.

O curso durava um ano nas instalações da Kokushikan em Tóquio, e tinha o fim específico de treinar jovens dispostos a desenvolver uma colónia agrícola na Amazônia. Dentro do sistema oficial de ensino japonês, o curso foi classificado de algo como “ensino médio profissionalizante”.

Apenas os que haviam se formado no ensino fundamental eram admitidos nessa escola.

A primeira turma de 47 graduados partiu para a Amazônia em abril de 1931 e chegou a Vila Amazônia em junho, onde treinou por mais um ano no centro de treinamento da vila antes de assumirem seus lotes de terra.

Em junho de 1932, Uetsuka rompeu os laços com a universidade, que na época estava envolvida na expansão militar na Manchúria, renomeou a escola para Nippon Koto Takushoku Gakko (Escola de Colonização do Japão) e transferiu a escola para Noborito, na província de Kanagawa.


A Escola de Colonização enviou sete turmas de seus graduados para a Amazônia, com a última turma em 1937.

Nippon Koto Takushoku Gakko

O projeto da Amazônia fez parte do plano de expansão da influência japonesa em países estrangeiros.

Os jovens formados pela Koto Takushoku Gakko foram batizados de “ koutakusseis”. Formaram-se sete turmas para o projeto brasileiro. Após isso, não há registros em que constam a continuidade da escola.

As sete turmas do Kakushikan Koto Takushoku Gakko

Clique para engrandecer ou dê zoom

Sétima e última turma koutakussei

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

👉 Clique aqui para saber mais sobre o projeto koutakussei

 👉 Clique aqui para ir ao mapa deste site

sábado, 3 de outubro de 2026

Koutakusei e Vila Amazonia - o inicio

 

O inicio desta história - as concessões de Yamanishi e Awazu

Em 11 de março de 1927, Genzaburo Yamanishi, um jovem empresário de Tóquio, veio ao Brasil e se juntou a Kinroku Awazu, que havia emigrado para o Brasil em 1914 e residia no Rio de Janeiro.

 Os dois, assessorados pelo então embaixador japonês no Brasil Akira Ariyoshi, com Awazu fazendo papel de intérprete, firmaram um acordo com o Estado do Amazonas, na época governado por Ephigenio Ferreira de Salles, para a concessão gratuita de terras. Conseguiram inacreditáveis 14 milhões  de hectares de terras estatais, uma área absurdamente gigante, equivalente a 140.000 km2, ou seja, uma área do tamanho do estado do Amapá.

Entretanto, essa doação seria consolidada dentro das seguintes condições: a área deveria ser dividida em 14 lotes de 1 milhão de hectares; cada um desses lotes deveria ser explorado por uma empresa investidora diferente (uma empresa não poderia ter dois lotes); apresentar investidor no prazo de 2 anos e iniciar a vinda de colonos no terceiro ano.

A empresa deveria firmar um acordo com o Governo do Estado do Amazonas para a construção de uma colônia japonesa no lote demarcado, e deveria ser povoada por pelo menos 10.000 famílias de imigrantes japoneses dentro de 50 anos. A média seria então de 100 hectares por família (cerca de 40 alqueires paulista).

Sem tempo para reunir 14 investidores, Yamanishi e Awazu deveriam portanto, às suas próprias custas, demarcar um total de um milhão de hectares de terras estatais no Amazonas, dentro de um prazo de dois anos. Após a seleção da área, Yamanishi e Awazu deveriam constituir uma empresa no Japão, para investir na Amazonia, no prazo de um ano. Mas não tinham recursos para esses trabalhos.

Yamanishi retornou ao Japão e tentou convencer investidores para alavancar o projeto de desenvolvimento de 1 milhão de hectares, mas não foi bem sucedido, devido à crise financeira.

Akira Ariyoshi - embaixador japones no Brasil

Yamanishi e Awasu cedem a concessão

Sem conseguir investidores, Yamanishi e Awazu cederam os direitos ao membro da Câmara dos Representantes Tsukasa Uetsuka. Este, era um profundo estudioso de ocupação e colonização ultramarina japonesa, se entusiasmou pelo projeto, e conseguiu investidores de peso, entre eles Mitsui, Sumitomo e Mitsubishi.

Foi fundada então uma escola em Tóquio, a Kokushikan Koto Takushoku Gakko, para atender aos objetivos do projeto (veja página específica sobre esta escola).

As duas missões de levantamento topográfico

Uetsuka enviou ao Amazonas equipes de levantamento topográfico para analisar e selecionar terras em 1928 e em 1930 (a segunda equipe, liderada pelo próprio Uetsuka, foi enviada com uma verba do governo).

A segunda equipe de topografia, 1930

Missão topográfica de Tsukaza Uetsuka no Amazonas, 1930

Fundação da Vila Amazonia e do  Centro de Pesquisa Industrial da Amazônia

Após a seleção, um terreno a dois quilômetros rio abaixo da cidade de Parintins foi adquirido e denominado "Vila Amazônia". Ironicamente, o projeto tinha 1 milhão de hectares, mas Uetsuka teve que comprar a área da vila, pois ela estava fora da concessão.

O Centro de Pesquisa Industrial da Amazônia (ou "Instituto Amazonas") foi solenemente implantado, com cerimônia xintoísta Rittyushiki, na Vila Amazônia em 21 de outubro de 1930. Iniciou-se então a construção de uma estação experimental agrícola, uma estação de observação meteorológica, hospital, alojamentos, kaikan, etc. Também foi criada na vila a escola  "Jitsugyou Renshu-Sho" (Centro de Treinamento de Práticas Agrícolas).


Fotograma do Centro Industrial ("Instituto Amazonas")

O Currículo da escola era o seguinte:

(1) -Moral e ética da nação japonesa, 1 hora por semana;

(2) -Língua portuguesa, 18 horas por semana;

(3) -História de colonização do mundo, 1 hora por semana;

(4) -Política de colonização do mundo, 1 hora por semana;

(5) -Aspectos econômicos da América do Sul, 2 horas por semana;

(6) -Geografia e história da América do Sul, 2 horas por semana;

(7) -Noções de agricultura, 1 hora por semana;

(8) -Noções de pecuária, 1 hora por semana;

(9) -Noções de engenharia civil e arquitetura, 1hora por semana;

(10) -Noções de agrimensura, 1 hora por semana;

(11) -Noções de cooperativismo, 1 hora por semana;

(12) -Treinamento de judô e kendô, 2 horas por semana;


Kaikan da Vila Amazônia

Dos 14 milhões, Uetsuka conseguiu oficialmente a concessão de 1 milhão. Os demais 13 milhões, foram “perdidos”, pois não houve investidores interessados, e a concessão foi anulada pelo governo federal em 1934. 

Galeria de fotos .

Getulio Vargas recebe Uetsuka (no centro)

Em outubro de 1940, Uetsuka veio ao Brasil, e foi recebido pelo presidente Vargas. Pouco depois, em 1942, Vargas confiscou as terras e expulsou os japoneses do projeto Koutakussei. 

Vila Amazonia, c. 1930

Hospital da Vila Amazonia, construído pelos japoneses, sem data

O médico Dr. Toda, na Vila Amazonas,  c. 1933

Fotograma - c. 1933 - Vila Amazonia - estação meteorológica
Vila Amazonia - 2026 

Vila Amazônia - 2026

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

👉 Clique aqui para saber mais sobre o projeto koutakussei