segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Imigraçao japonesa - primeiros nucleos coloniais

 
Os primeiros núcleos coloniais

As primeiras colônias, de imigrantes independentes, surgiram a partir de 1914. As grandes colônias localizavam-se  em locais remotos, como se fossem um mundo à parte. Os vizinhos mais próximos ficaram a quilômetros de distância. Os colonos não tinham acesso à informação, na zona rural não chegavam jornais ou revistas, e não existia a Tv. As correspondências (correio) não chegavam na zona rural.

Para evitar o isolamento total, as famílias costumavam construir casas próximas, e assim cada uma poderia socorrer outra em caso de necessidade.

O índice de mortalidade era grande. Morria se principalmente de malária, além de picadas de cobras e ferimentos não tratados adequadamente. Doenças infecciosas como gripe, varíola, sarampo etc. não eram comuns devido ao isolamento. Pegava-se essas doenças somente quando iam a cidade.

Uma estrada rústica que ligava a colônia à cidade servia para escoar a produção. Isso era feito a cavalo, em carroças de madeira. Nas temporadas de chuva a estrada poderia ficar lamacenta, dificultando ou impossibilitando o deslocamento. As chuvas mais fortes provocavam erosão na estradinha, que ficava cheia de valas.

A implantação de uma colônia

As colônias surgiam da iniciativa de um empreendedor, que poderia ser uma pessoa ou uma empresa de colonização. Sempre envolvia o estado (Sp, Pr, Es, Ms, Am) ou o município, que davam apoio, fazendo estradas de acesso à nova colônia, cedendo grandes extensões de terras ao empreendedor ou colonizadora.

Essas terras eram então divididas em lotes e vendidas a prestações anuais e em longo prazo. Naqueles tempos, a maioria das terras pertenciam ao governo.

Em geral os empreendedores davam preferência às terras próximas a uma estação ferroviária.

Quem eram os empreendedores

Haviam três tipos de empreendedores.

O tipo de empreendedor mais bem estruturado eram as companhias de imigração subsidiadas pelo governo brasileiro, tais como a Kaigai Kyokai (Associação Ultramarina de Emigração), a Takushoku Kumiai (Cooperativa de Colonização), que providenciavam infra estrutura e suporte econômico.

O segundo tipo era um líder que reunia em torno de si um grupo de imigrantes independentes (que já cumpriram o contrato com as fazendas de café). Esse líder estruturava a colônia juntamente com o governo ou prefeitura. Eram colônias alavancadas por ideais, ambições pessoais. Envolvia coragem, riscos e sofrimentos. Não tinham muito apoio. Os exemplos desse tipo de empreendedor líder são Saburo Kumabe, Unpei Hirano, Shuhei Uetsuka, Ryu Mizuno e Yassutaro Matsubara.

O terceiro tipo de empreendedor era um latifundiário, que loteava suas terras com intuito de vender os lotes aos imigrantes. Esse modelo foi o mais popular de todos. Um exemplo desse tipo de loteamento é a colônia de Antonio Prado, em Ribeirão Preto.

Topografico do Nucleo Colonial Antonio Prado

Como era o começo

O empreendedor em parceria com a prefeitura, com recursos próprios ou advindos de financiamento de instituição bancária fazia a agrimensura, delimitando os lotes de terras. Eram então feitas instalações provisórias para receber o colono. Essas instalações constituíam de um barracão com uma cozinha e algumas camas, um depósito de ferramentas agrícolas, mantimentos, etc  Ali o recém-chegado se instalava e ficava até construir uma casa própria em seu lote.

O empreendedor convidava imigrantes para se instalar na colônia. Em geral vinham em grupos, em várias famílias. Era comum os adultos homens irem primeiro, para construírem a casa, cavar o poço, construir uma horta, etc e após isso vinham as mulheres e crianças.

Os grandes projetos das companhias de imigração tinham melhores estruturas para receber os colonos.

O topógrafo e a agrimensura da colônia

O serviço de agrimensura (levantamento topográfico), feito por topógrafos era o primeiro passo da implantação da colônia. O topógrafo determinava os limites da área e as linhas de delimitação dos lotes a serem vendidos aos imigrantes. Muitas vezes recebia informações vagas a respeito da área, do tipo “esta linha de delimitação começa na beira do Rio Baiano, ali onde os meninos tomam banho e segue em linha reta até um cedro gigante, e chegando nesse cedro a linha quebra levemente a esquerda e segue em linha reta até a uma casinha, onde mora o seu Sebastião. Chegando a essa casinha, pergunte ao Sebastião e ele vai te levar até a um palanque de cimento fincado  no meio do mato, que é a continuação da linha...”

O agrimensor chefiava uma equipe, que montava um acampamento no meio da mata. Esse acampamento era o quartel general, e para montá-lo era preciso levar tudo em lombo de mulas: equipamentos, comida, cobertores, lonas para montar barraca, cordas, etc  Era indispensável no acampamento uma fogueira, que ardia a noite inteira. Ela servia para aquecer o trabalhador, para assar carne (as vezes de alguma caça), cozinhar, espantar os mosquitos e as onças, iluminar, etc

Frequentemente era conveniente transferir o acampamento para outro local.

 Havia casos em que, seguindo as instruções do proprietário, o agrimensor acabava invadindo terras do vizinho, gerando conflitos.

As medições e estabelecimento das linhas eram feitas na base da foice e facão, entrando mata adentro. Era um trabalho dificílimo, e feito nas estações secas.

Os colonos imigrantes japoneses

Após cumprir o contrato empregatício com as fazendas, os imigrantes estavam livres para alguma iniciativa privada, para tornarem-se colonos.

Muitos, durante o transcorrer do contrato, praticaram atividades paralelas com fins lucrativos. Era comum o imigrante, com autorização do fazendeiro, plantar feijão entre as carreiras de café (essas carreiras eram pedaços improdutivos durante a entressafra), e ficar com parte da venda desse feijão.

Entre as fileiras de pés de café havia um corredor de terra improdutiva

Alguns imigrantes arrendavam terras, como meeiros. 

E assim juntaram dinheiro suficiente para, no fim do contrato, comprarem um lote de terras de algum projeto de colonização. Este foi o caso o meu avô paterno: ele arrendou terras e plantou arroz. Com o dinheiro do arroz, comprou terras no sul do estado de São Paulo.

Alguns projetos de colonização não prosperaram, principalmente por causa da malária, e outros não saíram do papel. Entretanto, a maioria das colonias prosperou. Algumas colônias promoveram progresso tal que a cidade vizinha cresceu em função dela. Nestas cidades, esses colonos são carinhosamente chamados de “pioneiros”.

Algumas colônias japonesas no Brasil

Núcleo Juqueri (atual Mairiporã, periferia de São Paulo) – implantada em 1913 e 1914

Nucleo Colonia Cotia (atual Cotia, periferia de São Paulo), surgiu com um grupo de jovens arrendando terras da Igreja.

Fazenda São Joaquim – colônia fundada próximo a Estação Tibiriçá, Bauru (Sp) por imigrantes que se retiraram da Fazenda Dumont.

Colonia Hirano – implantada em 1915, por iniciativa de Unpei Hirano, próximo à Estação Ferroviaria Presidente Pena (atual Cafelândia, Sp)

Nucleo Barbosa, próximo a Estação Ferroviária Albuquerque Lins (Lins, Sp)

Nucleo Itacolomi – implantada em 1918, por iniciativa de Shuhei Uetsuka com a colaboração de Teijiru Suzuki, atual Promissão (Sp).

Colonia Katsura -  Considerada a primeira colônia japonesa oficialmente organizada no país, localizada no Vale do Ribeira. Destacou-se inicialmente no cultivo de arroz e mais tarde, de banana e chá.

Tomé-Açu (PA): Fundada em 1929 na região amazônica, tornou-se famosa pela introdução e pelo sucesso no cultivo da pimenta-do-reino. Produz ainda cacau e juta.

Fazenda Bastos (SP): Fundada em 1928, destacou-se fortemente na avicultura (produção de ovos) e na sericicultura (criação do bicho da seda).

Colônia Aliança (SP): Localizada nos municípios de Promissão e Guaimbê, fundada na década de 1920 com foco na policultura e no cooperativismo.

Fazenda Tres Barras (Pr) – foi um empreendimento da BRATAC – Sociedade Colonizadora do Brasil Ltda, que em 1928 adquiriu 13.600 alqueires no município de São Jerônimo da Serra (Pr) com apoio da Administração Pública do Estado do Paraná e do capital de investidores japoneses. A Fazenda Tres Barras deu origem a cidade de Assaí.

Colonia Cacatu - Antonina (Pr) - fundada a partir de 1917, foi  a primeira colônia japonesa do Paraná.

Colonia de Registro (Sp) da Cia de Colonização KKKK


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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Carta de chamada da imigrante italiana Angela R Annunziata

 Carta de chamada da imigrante Angela Rosa Annunziata

Essa carta de chamada foi emitida no Consulado Italiano de Campinas, em 1912. Compareceu nesse consulado o sr. Francesco Cadini de Lucca e duas testemunhas, Paulino Caselli e Rocco Pauliello.

As testemunhas, legalmente necessárias, confirmaram que conhecem o declarante, Francesco; e também a imigrante a ser chamada, Angela Rosa Annunziata, sogra de Francesco. 

Carta de chamada

Tradução livre da primeira página (acima)

REGIO CONSULATO D´ITALIA IN CAMPINAS, BRASILE

Ato de chamamento numero 28.

Reinando sua Majestade Vittorio Emanuele III por graça de Deus e vontade da Nação Rei d´Itália.

No ano de mil novecentos e doze, aos 10 do mês de março, em Campinas e na Chancelaria Consular da Itália.

Avante a nós, Giovanni Moscardi, Regente e Vice Consul nomeado pela Majestade nesta residência.

Presentes os senhores Paulino Casselli, filho de Angelo, 72 anos, nascido em Lucca, província de Lucca, de profissão industrial, residente em Campinas; e Rocco Pauliello, filho de Antonio, 42 anos, nascido em Maschiogadena, província de Campobelli, profissão empregado, residente em Campinas, testemunhas identificadas, idôneas, e pessoas legalmente requisitadas para confirmar a identidade (richiesti fidefacenti dell´identitá) da pessoa diante de nós (comparente) descrita abaixo.

É pessoalmente constituído o senhor....


Texto do certificado de Angela Rosa Annunziata

Tradução livre da segunda página (acima)

Francesco Cadini di Lucca, 46 anos, nascido em Lucca, profissão industrial, residente em Campinas (Sp). O qual declarou que é sua intenção chamar para morar em sua casa no Brasil a seguinte pessoa:

Rosa Angela Annunziata, viúva de Graziano, sua sogra, de 60 anos; acrescentado que é capaz de prover sustento para ela; e que pagará as despesas da viagem de volta à Italia (spese di rimpatrio) em caso seja obrigada a retornar por motivo de saúde ou outros motivos. (*)

As testemunhas presentes declararam ter conhecimento que ela na Itália tem condição de se manter empregada (**).

E se faz a presente declaração de forma que a pessoa acima citada possa mais facilmente obter da RR. Autoridade competente o relativo passaporte regular para o Brasil.

Diante dos pedidos, havemos legalmente realizado (rogato) o presente ato que foi por mim lido diante de todos os abaixo assinados.

(N.R. a tradução é minha, entretanto o italiano dessa carta é arcaico, de 1912, e o estilo da escrita e os termos dela são de jargão jurídico da época; por esses motivos pode a tradução ter pequenas incorreções; entretanto em sua tradução o teor geral da carta está correta. )

(*) N.R. consta em várias cartas de chamada esta condição, de que haveria meios de repatriar a pessoa para tratamento médico no país de origem, isentando assim o Brasil das obrigações de assistência de saúde do imigrante, ou juridicamente, brindando o Brasil contra alguma omissão ou negligência no tratamento do imigrante.

(**) e, portanto, está apta a trabalhar no Brasil. Era uma informação salientando que ela poderia até mesmo se sustentar sozinha. 

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Carta de chamada do imigrante Gennari Onorato

 O certificado de Gennari Onorato

O certificado, na íntegra

Texto do certificado

Tradução livre :

CERTIFICA che Gennari Onorato filho dos falecidos  Federico e Messina Maria, nascido em Boffrigheli em 24 de março de 1842, titular do passaporte no. 14 emitido em 23 de fevereiro do ano corrente, emitido pela R. Prefettura de Adria, vai se juntar aos filhos em suas residências, os quais são capazes de prover a ele o sustento.

Pádua, 27 de fevereiro de 1913.

O Prefeito


Este é um documento, em forma de certificado, emitido pela prefeitura de Pádua. Este tipo de documento tinha fé pública, e era aceito pela Inspetoria de Imigração do porto de Santos. Tinha os mesmos efeitos da carta de chamada.

Analisando o texto, Gennari, aos 71 anos,  tirou o passaporte dia 24/03/1913 e três dias depois foi à prefeitura solicitar este certificado, necessário para entrar no Brasil.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Carta de chamada de Maria Vidale

 

Carta de chamada da imigrante Maria Vittalle

Esse documento foi emitido pelo prefeito de Padova (Pádoa), Itália, em 05/02/1920. As declarações de autoridades estrangeiras (neste caso, o prefeito) tinham crédito na Inspetoria de Imigração do porto de Santos. 

Carta de chamada de Maria Vidale pag. 01
 
Carta de chamada de Maria Vidale 02

Consta que Idelmonte, Andrea e Umberto Brotto, residentes em São Paulo e visitando a Italia, no dia 05/02/1920 foram a Prefeitura de Padova e declaram ao prefeito que iriam cuidar da mãe Maria Vittalle  (“... tengono a próprio cari la madre Vidale Maria...”). É provável que foram à Italia com o intuito de buscara a mãe, na época com 64 anos de idade.

A carta descreve Maria:  filha de Setpano e viúva de Brotto, nascida em Vicenza em 08/08/1856, e que ela ia unir-se aos filhos tão logo se mude ao Brasil  (...que la stessa rimpatrió unitalmente ai figli in seguito alla mobilitazione.)

De posse deste documento, a imigrante desembarcaria no Brasil e o apresentaria ao serviço de imigração do porto.

Curiosamente, o documento tem duas páginas, sendo que na segunda declara nula as 7 primeiras linhas da primeira página.

Há declaração de que uma via ficava arquivada na prefeitura.

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Cartas de chamada de imigrantes

 As cartas de chamada de imigrantes

O que eram as  cartas de chamada


Eram apenas declarações escritas, chamando parentes (em geral pais, filhos e irmãos) para virem morar no Brasil. Servia como uma espécie de pedido de visto de entrada (VISA), e eram apresentados aos agentes de imigração na chegada ao Brasil. Lembrando que o visto de entrada não era emitido nos mesmos moldes de hoje. 

 

As cartas de chamada serviam como documento comprobatório de que o convidado seria acolhido no Brasil pela pessoa que chamou, que este providenciaria moradia e comida do recém-chegado.

A carta de chamada também era um sinal de que o recém-chegado não era um aventureiro qualquer, um fugitivo; ou um andarilho que, sem teto garantido no Brasil, que ia morar nas ruas. E o recém-chegado, através da carta tinha o aval, a recomendação da pessoa que o chamou. Para deixar a carta “mais forte”, era acrescentado a profissão do convidado.

A carta de chamada ainda é usada hoje, mas é conhecida como “carta convite”. Se você vai viajar para o exterior e vai ficar hospedado em casa de amigo ou parente, pode solicitar a ele que envie a você uma carta convite, pois você não vai reservar hotel de chegada, exigido pela imigração de quase todos os países.

Como funciona a carta de chamada

O anfitrião escreve a carta convidando o futuro imigrante e envia a ele (via correio). Ao chegar ao Brasil, o imigrante apresenta a carta aos órgãos de controle de imigração.
Entretanto, eram também aceitas cartas de chamadas feitas no país de origem, no estilo “estou sendo chamado no Brasil”. Eram declarações lavradas por entidades públicas dignas de fé (prefeituras, igrejas, delegacias, consulados, etc).

Carta de chamada de Marianna von Kolben, emitida por Pe. Estanislau Irzebiatanski

 

Carta de chamada de Marianna von Kalben


 Transcrição da carta :

"Numero 105 da lista de passageiros

Exmo sr. Ministro do Brasil
Ou ao substituto legal

Eu abaixo assinado, (ilegivel) dos Polacos desta Capital, vem declarar, que recebe toda a responsabilidade sobre a pessoa Marianna von Kalben, que contando com sesenta e oito annos, pretende vir para o Brasil e ficar na minha casa. Por isso peço favor dar sua licença ou Visto no passa-porte.
Com todo o respeito,

Pe. Estanislau Irzebiatanski
Curityba, 18 de novembro de 1824."

Os dizeres “numero 105 da lista de passageiros” foi escrita por alguém da tripulação do navio (notem que a caligrafia é diferente), por ocasião do embarque da sra. Marianna.

A carta foi escrita em 18/11/1924, entretanto a imigrante Marianna chegou ao porto de Santos em 10/09/1925, quase um ano depois, como pode ser visto no carimbo da Inspetoria da Imigração de Santos, no alto da carta, a esquerda. 

Em que situações as cartas de chamada eram usadas

As empresas de imigração exigiam que o imigrante viajasse em grupos familiares (de no mínimo três, pai, mãe e filho/a). O grupo familiar era garantia de estabilidade (de emprego) nas fazendas, pois dificultava as fugas (abandono de emprego).

 

Entretanto, algumas pessoas no Japão (ou outro país) desejavam imigrar ao Brasil sozinhos, para juntarem-se à um grupo familiar já instalado aqui no Brasil. Poderia ser, por exemplo, um filho que foi deixado sozinho no Japão;  ou pais que foram deixados para trás, se tornaram idosos e necessitavam de assistência do filho imigrante no Brasil. 


A carta de chamada garantiria que o imigrante se agregaria a uma família aqui no Brasil.

Os tipos de cartas de chamada

1) Cartas privadas, em geral escritas à mão pelo anfitrião, aqui no Brasil. Eram enviadas, por correio, ao convidado (a imigrar), e apresentadas às inspetorias de imigração por ocasião do desembarque. Era um documento aceito, mas na base da confiança da veridicidade dos termos da carta, não tinham a força dos outros tipos de cartas. É o caso da carta acima, chamando Marianna von Kolben. 

2) Declarações redigidas por qualquer autoridade de confiança (naquela época as pessoas eram mais confiáveis), como por exemplo o prefeito da cidade do imigrante chamado, o delegado de polícia (do Brasil ou do pais do chamado), os agentes consulares etc. Por serem formais e assinadas por testemunhas, eram aceitas pelos controles de imigração sem questionamentos.

3) Documento oficial, emitido pelo DEOPS, embaixadas ou por serviços públicos de imigração.

 

Todos esses documentos tinham caráter declaratório, e de requerimento, não de autorização (visto de entrada no Brasil), pois os emitentes e declarantes não tinham essa prerrogativa.

 

O acervo do Museu da Imigração do Estado de São Paulo guarda 30 mil cartas de chamadas.


Veja neste site, exemplos de cartas de chamada.


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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Kasato Maru - o retorno ao Japão

 Kasato Maru - o retorno ao Japão

O navio partiu de Santos e fez uma parada no Rio de Janeiro, de onde zarpou para o porto de Yokohama em 03 de julho de 1908. Essa data foi noticiada no Jornal do Commercio de Sp, edição 04/07/1908.

Anúncio da partida do Kasato Maru, do Rio de Janeiro

Aproveitando a oportunidade, o Museu Commercial enviou para o Japão amostras de produtos brasileiros, na esperança de despertar algum interesse nos consumidores japoneses. A notícia é do jornal A Noticia (de Curitiba, Pr).

Jornal A Noticia (Pr) em edição de 06/08/1908

A notícia menciona um certo "Museu Commercial", provavelmente sediado em Santos. Não encontrei nenhuma referencia sobre esse museu. O jornal noticiou em 06 de agosto, com bastante atraso, o navio já havia zarpado em 03 de julho.

Curiosamente, foram enviados 12 amostras de paraty, certamente secos e salgados.

As barreiras fitossanitárias internacionais ainda não existiam, de forma que os produtos foram embarcados sem nenhum empecilho. 

Foi anunciado a intenção de enviar 1.000 sacas de café, entretanto somente 500 foram embarcadas, sendo 250 destinadas a Kobe e 250 a Yokohama, como foi noticiado na Tribuna de Santos :

Tribuna de Santos, 25 de junho de 1908


Registro do embarque de café - 500 sacas


A tentativa de viciar os japoneses com café não funcionou. 

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo e os elogios do Inspetor

 

Hospedaria dos Emigrantes de São Paulo – os elogios do Inspetor

O então Inspetor da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, J. Amandio Sobral, um mês após a chegada do Kasato Maru, em uma reportagem no Correio Paulistano, edição de 17/07/1908,  fez largos elogios à Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo.

Apesar de bastante tendencioso (já que a Hospedaria era vinculada à sua Secretaria), o depoimento nos dá certa ideia de como funcionava a Hospedaria.

Correio Paulistano, 17/07/1908 (01)

Correio Paulistano, 17/07/1908 (02)

Correio Paulistano, 17/07/1908 (03)

Correio Paulistano, 17/07/1908 (04)

Correio Paulistano, 17/07/1908(05) 

Correio Paulistano, 17/07/1908 (06)

Correio Paulistano, 17/07/1908 (07)

Correio Paulistano, 17/07/1908 (08)

Correio Paulistano, 17/07/1908 (09)

Correio Paulistano, 17/07/1908 (10)

Correio Paulistano, 17/07/1908 (11)

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