domingo, 12 de julho de 2026

Shindo Renmei - reunião com o interventor do estado

A reunião com o interventor do estado e a legação sueca

Para por fim ao clima de terrorismo, o interventor do estado (cargo equivalente a governador) José Carlos de Macedo Soares convocou os japoneses para uma reunião no palácio do governo (Palácio Campos Elíseos). 

Aparentemente o discurso do governador foi de advertência, com um tom mais severo. Supostamente foram convidados 1.000 japoneses, porem aproximadamente 300 compareceram. 

A reunião foi realizada em 19/07/1943 e divulgada pelos jornais da época. Surtiu o efeito desejado, a partir de então cessaram as atividades terroristas do Shindo Renmei.

Folha da Noite edição 19/07/1946


Infelizmente o texto da reportagem está quase todo ilegível. 

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Folha da Manhã - a reunião dos imigrantes


Segue a reportagem feita pela Folha de Manhã, edição de 26/07/1946, sobre o transcorrer da reunião com o interventor e a legação sueca.

Folha da Manhã, 26/07/1946


A reunião no Campos Eliseos, texto 1 

A reunião no Campos Eliseos, texto 2

A reunião no Campos Eliseos, texto 3



A reunião no Campos Eliseos, texto 4



 A reunião no Campos Eliseos, texto 5


A reunião no Campos Eliseos, texto 6


A reunião no Campos Eliseos, texto 7


A reunião no Campos Eliseos, texto 8




sexta-feira, 10 de julho de 2026

Shindo Renmei-A reunião em Promissão

 

Japoneses se reúnem em Promissão

No interior de São Paulo, na então pequena cidade de Promissão, mediante ao clima de violência promovido pela Shindo Renmei, foi organizada uma reunião a fim de compor uma campanha de esclarecimento sobre a derrota e a situação do Japão. Considerando a relação dos presentes, 77 imigrantes compareceram à reunião.

O organizador deste encontro foi Massaichi Massaki.

A reunião foi noticiado no Jornal de São Paulo, edição de 19/04/1946. Entretanto, não foi mencionada a data da reunião.

Jornal de São Paulo 19/04/1946 - fonte: National Diet Library, Tokyo

Jornal de Sao Paulo - reportagem





















Relação dos nomeados para a campanha da extinção do Shindo Renmei

Para melhor leitura, fiz a transcrição dos nomeados. A grafia dos nomes pode estar errada, pois o repórter certamente não tinha conhecimentos da língua japonesa. Além disso, infelizmente o texto está bem ilegível.

ZONA NOROESTE:


Cafelândia – Sadaji Fujizawa

Lins – Suxeo (Shigueo?) Aoki

Getulina – Noda Outaka

Guaiçara – Kazuo Moribe

Promissão – Massaichi Massaki

Penápolis – Kubota Fukuiti

Birigui – Taikyo Nishikawa

Araçatuba – (ilegível) Molibe (Moribe?)

Guararapes – Yoshio Kamakura

Valparaiso – Hiroshi Ohouchi  (Orouchi?)

Mirandópolis – Saichiro Wada

Aliança – Tikazo Kitahara

Guaraçai – Uheji Shimizu

Pereira Barretos – Shingoro Wako

Bauru – Sebehi (?) Takeda

 

ZONA ALTA PAULISTA

 

Duartina – Tatugo (?) Murakami

Garça – Hatiro Ohira

Vera Cruz – José Yamaguti

Marilia – Shuichiro Oki

Pompeia – Shigueo Kakazawa (Karazawa?)

Quintana – Noboru Tsujimoto

Tupã – Siro (Shiro?) Okazaki

Bastos – Hiroshi Yamanaka

Lucelia – Jiro Abe


Os nomeados, poderiam, certamente correr os riscos de ações dos fanáticos. Felizmente, nada lhes aconteceu. 


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quinta-feira, 9 de julho de 2026

A Legação Sueca e o comunicado oficial

 A Legação Sueca no Brasil e o fim da guerra

As legações diplomáticas eram escritórios representativos de determinados países, com patente inferior a uma embaixada. Enquanto uma embaixada era chefiada por um embaixador, uma legação era chefiada por um ministro, no Brasil denominado de "ministro plenipotenciário". 

Alguns países não tinham legação diplomática no Brasil ao final da Segunda Guerra, era o caso do Japão, devido ao rompimento de relações diplomáticas. Por isso, o Japão nomeou o ministro plenipotenciário da Suécia como representante do Japão no Brasil. O Japão enviou então ao ministro plenipotenciário sueco os termos da rendição japonesa, assinado no encouraçado Potsdam. O termo era fac simile de um documento escrito em japonês (foto).

Comunicado oficial da rendição do Japão

A Legação Sueca fez uma publicação no Jornal de São Paulo, edição de 16/04/1943, com menção aos vitoristas do Shindo Rinmei.


Fonte: National Diet Libray, Tokyo















Feita a publicação,  a Legação Sueca em conjunto com o governo do Estado de São Paulo, convocou aproximadamente mil imigrantes para uma reunião de esclarecimentos.

O trabalho da Legação Sueca foi importantíssimo e muito eficiente, pondo fim ao período de terrorismo do promovido pelo Shindo Renmei. Era necessário, entre os vitoristas, uma manifestação vinda de uma entidade neutra, que ele podiam confiar.

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terça-feira, 7 de julho de 2026

Shindo Renmei - os atentados e assassinatos

 Os atentados e assassinatos do Shindo Renmei

A Folha da Noite de 24/06/1946 fez uma extensa reportagem, enumerando as ações criminosas do Shindo Renmei, e a sua maneira de agir. 


Manchete



Para melhor legibilidade, seguem recortes do texto da reportagem:

















domingo, 5 de julho de 2026

Omiai- Casamento arranjado entre os japoneses

Omiai- o casamento arranjado entre os japoneses 

As origens do casamento arranjado (“omiai”)

No Japão, até o final da Segunda Guerra Mundial, os casamentos por livre escolha do parceiro e por paixão mútua eram raros. Acreditava-se que o amor era dispensável para o casamento, e apaixonar-se era considerado uma manifestação de fraqueza mental e moral.

Essa prática de casamentos arranjados desapareceu no Japão no final da Guerra, embora ainda hoje ocorra, mas em grau bem raro. 

Entretanto, os imigrantes japoneses que vieram ao Brasil tiveram seus pais casados em sistema “omiai”, ou eles mesmo teriam se casado nesse sistema. E deram continuidade desta prática aqui no Brasil, embora no Japão já não era mais comum.

Como funcionava o omiai

Nos casamentos arranjados, a maioria dos casais se encontravam previamente em uma apresentação formal chamada omiai (lit. "olhar um para o outro"); entretanto alguns casais se encontravam pela primeira vez no dia do casamento. 

O primeiro encontro era promovido por um casamenteiro, chamado “nakodoo”, que agia por solicitação da moça ou rapaz solteiro, ou por solicitação dos pais destes. Ocorriam casos do rapaz se apaixonar por uma moça e pedir para o nakodoo fazer o papel de Cupido. 

O primeiro encontro seria para o casal se conhecer, conversar e até mesmo avaliar os méritos e virtudes um do outro. No entanto o julgamento de ambos e suas objeções e reprovações tinham pouco peso, ou seja, as qualidades do pretendente é que prevaleciam.

Uma vez apresentados, ambos os pretendentes tinham o direito de não aceitar o outro. Porém a não aceitação  era sempre contestada pelo casamenteiro, que tentava convencer o pretendente a aceitar, enumerando as qualidades da parte rejeitada. 

A recusa deveria ser mantida em discrição, comentá-la era considerado ato de grande gravidade e desrespeito.

O omiai, desnecessário dizer, era praticado somente entre a colônia japonesa, ou seja, não era promovido o casamento inter-racial.

Supreendentemente, os casamentos por omiai tiveram baixíssimo índice de separação.

Essa prática de casamento arranjado era comum também entre os imigrantes italianos.

O tipos de omiai

Existiam dois tipos de casamento arranjado: o promovido pelo nakodoo, e o casamento por promessa (acordo prévio). Neste, os pais de um menino combinavam casamento com os pais de uma menina. Muitas vezes, tanto o menino como a menina eram recém-nascidos. Ou seja, era um casamento “por reserva”. 

Não raramente, o rapaz, não gostando da moça prometida, e não podendo fugir do compromisso assumido pelos pais, às vésperas do casamento fugia de casa. Em alguns casos, fugia junto com alguma namorada brasileira.

As razões da prática do omiai

A principal razão da prática do omiai era evitar o casamento inter-racial. 

Os imigrantes tinham o objetivo de voltar (ricos) para o Japão, juntamente com toda a família. Se um imigrante ou filho dele se casasse com uma brasileira, criaria fortes raízes com a família da esposa/marido brasileiro. Por outro lado, o cônjuge brasileiro, em caso de retorno ao Japão, seria separado da sua família. Portanto, o objetivo seria preservar o núcleo familiar integralmente japonês, perfeitamente apto a voltar a viver no Japão.

Outra razão de se apelar pelo omiai era a dificuldade de se iniciar um namoro, causado pelo isolamento típico da época. Os solteiros da zona rural não tinham pontos de encontros regulares (bares, igrejas, clubes, escolas, etc) onde poderiam encontrar um parceiro e iniciar um romance. Não existia sequer o telefone.

O nakodoo

O casamenteiro (nakodoo) era um espécie de Tinder-man. Ele mantinha uma lista de solteiros, e muitos pais recorriam a ele, colocando o filho/a na lista. Era uma pessoa sempre discreta. Era sempre homem, e um dos mais velhos da colônia. As tratativas do primeiro encontro eram sempre com os pais dos pretendentes. 

Casamentos inter-raciais

Os casamentos inter raciais, de rapaz de origem japonesa com moça brasileira (ou vice-versa) eram raríssimos entre os isseis (imigrantes) e também relativamente raro entre os nisseis.

Entre os nisseis, a pouca ocorrência de casamento inter-racial se deve aos seguintes motivos:

a)  a) Pressão dos pais. Embora não fosse exigência obrigatória, os pais discretamente manifestavam aos filhos suas preferências por genros/noras japonesas; entretanto, davam a liberdade aos filhos de decidir quem namorar;

Id      b) Embora alguns pais apenas manifestavam suas preferências (a), haviam pais que não admitiam relacionamentos dos filhos com brasileiros; existindo nesses casos uma forte pitada de preconceito contra os “gaijins” (brasileiros); 

        c) Identificação étnica – por natureza, italianos tem mais interesses por italianas, alemãos por alemãs, japoneses por japonesas, etc.

c)   d) Meio social – os japoneses entre eles, formavam grupos sociais, clubes, escolas de língua japonesa, times de beisebol, etc e era então natural que os romances acontecessem neste meio.

d)   e) Desejo de se manter no meio étnico, familiar, social e cultural – para os fortemente identificados como nipônicos, casar-se com uma brasileira significava abdicar parcialmente dos valores típicos da etnia, e se afastar da família e da colônia.  Se um japonês se casasse com uma italiana, por exemplo, de certa forma abriria a mão do sushi, do sashimi, do missô shiro e passaria a comer pizza e pasta.

A composição dos casamentos inter raciais

Os casamentos inter-raciais entre os isseis (imigrantes nascidos no Japão), curiosamente eram todos de rapaz japonês com moça brasileira, dificilmente o oposto (moça japonesa com rapaz brasileiro). Este perfil continuou entre os nisseis, porém com algumas exceções.

A partir da geração sansei (que é a minha) os casamentos inter-raciais começaram a acontecer e serem bem aceitos pela colônia. Já não existia a possibilidade e nem o desejo de retorno ao Japão. 

Entre a geração seguinte, yonsei (quarta geração), o jogo virou: é raro o casamento não inter-racial.

Os casados inter-raciais não sofreram nenhum tipo de discriminação junto a colônia. Pelo contrário, eram admirados por terem a coragem de quebrar um costume enraizado. E o cônjuge não japonês foi, e ainda é, sempre bem tratado e aceito com carinho pela família e colônia.

Casamento inter racial - Curitiba

O primeiro casamento inter-racial no Brasil envolvendo cônjuge japonês ocorreu em 1930 (foto), em Curitiba, casaram-se Tetsunosuke Yamamoto e Maria da Luz Santos. 

Experiência pessoal (do autor deste site)

Os meus pais, ambos nisseis, se casaram por omiai. Eles se conheceram na semana do casamento. 

Meus avós paternos, imigrantes, também se casaram, no Brasil, por omiai, por intervenção de um nakodoo (casamenteiro). Meu avô teria se apaixonado pela minha avó já no primeiro encontro, e se casaram 2 meses depois. 

Um dos meus tios se casou com uma italiana, nos anos 50, o que era raro na época.

Eu me casei por “rennai” (casamento por amor e namoro). Os pais da minha esposa se casaram também por rennai.

Meus filhos, yonseis, se casaram com descendentes de italianos. Todos os meus sobrinhos não se casaram com descendentes de japoneses. 

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