quinta-feira, 27 de agosto de 2026

 As tragédias na Historia da Imigração Japonesa no Brasil 

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👉 A tragédia do cólera no navio Hawai Maru, 1928

👉 A tragédia da colônia Hirano

👉 A tragédia do cólera no navio Buenos Aires Maru, 1929


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A tragédia do cólera no Hawai Maru

 

O cólera - o que é ?

O cólera é causado por uma infecção no intestino provocada pela bactéria Vibrio cholerae, que faz as células que revestem o intestino produzirem uma grande quantidade de fluidos, causando diarreia e vômitos.

A infecção é por ingestão de alimentos ou água contaminada com fezes ou vômito de uma pessoa infectada com a doença.

Normalmente, a infecção por cólera é leve e assintomática, mas, por vezes, pode ser grave, resultando em diarreia aquosa profusa, vômito e câimbras nas pernas. O paciente rapidamente perde fluidos corporais, o que leva à desidratação e ao choque. Sem tratamento, a infecção pode levar à morte em questão de horas.

A infecção era comum nos navios de emigrantes. Um comunicado foi emitido pelo Reino Unido aos emigrantes que se dirigiam aos Estados Unidos, em 1858.

 

Alerta do Reino Unido


A tragedia do cólera no Hawai Maru, 1928

O navio Hawai Maru partiu de Kobe com 721 emigrantes, em 16/03/1928.

Um surto de cólera irrompeu a bordo, obrigando o navio a fazer parada de emergência em Singapura em 04/04/1928.

Porém não foram autorizados a desembarcarem no porto, e tiveram que se isolar na ilha Saint John, à distância de 2km do porto.

Esta ilha já tinha uma estrutura para quarentena de emigrantes, que funcionou de 1874 até 1973. Contava com um lazareto, instalação hospitalar para tratamento de doenças contagiosas. A designação da ilha como isolamento de emigrantes foi estabelecida após uma epidemia de cólera fez 357 vitimas em Singapura, em 1873.

 

Emigrantes em quarentena em Saint John Island, 1930

O cólera causou a morte de 19 emigrantes do Hawai Maru. Dezessete emigrantes retornaram ao Japão, desistindo da viagem.

O navio chegou ao Brasil em 18/06/1928, após exaustivos 94 dias de viagem.

Tragédia familiar

Consta na lista de passageiros do Hawai Maru que a família de emigrantes Hoshino teve tres mortes por cólera. O chefe da família (pai), mãe e um filho pereceram e três filhos sobreviventes voltaram ao Japão.

 

Pagina da lista de bordo do Hawai Maru


A vacina contra cólera

Existia uma vacina contra cólera na época, porem ela não tinha eficácia plena comprovada. Não há registros de que o Centro de Imigração de Kobe tenha adotado essa vacina nos protocolos de emigração. As vacinas contra cólera mais eficazes surgiram após os anos 70.

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Emigrantes japoneses - a chegada no porto de Santos

 

A chegada no porto de Santos

 

No dia anterior a chegada a companhia de emigração reunia todos a bordo. Era feito então discursos de agradecimentos a todos pelo esforço e por terem suportado as duras condições da viagem. Algumas homenagens eram concedidas, àqueles que colaboraram com grande empenho nos trabalhos da travessia. Os mais idosos eram também homenageados.


Eram feitas orações àqueles que padeceram na viagem. 

 

A todos era ordenado que antes de dormirem recolhessem os pertences no dormitório, de forma que na manhã seguinte as bagagens de mão já estariam prontas. A agitação tomava conta dos dormitórios.

 

Os supervisores distribuíam formulários a alguns imigrantes, escolhidos a dedo, para a famosa avaliação de desempenho (o atual 0 a 5) para serem encaminhados à matriz. Os formulários com avaliações ruins eram rasgados.

 

A câmara fria da cozinha era aberta para liquidação do estoque e um generoso banquete de comemoração era oferecido aos imigrantes. Os homens, com um bom motivo para beber, se embebedavam e cantavam alto. Os supervisores as vezes tinham que intervir para acalmar a animação. 


A turma da primeira classe comemorava com o capitão e o chefe da agencia de emigração, com bebidas finas, queijos e outros quitutes. 


Os jornais, avisados pelas agencias de imigração, anunciavam as chegadas dos navios. 


Correio Paulistano anunciando chegada de navio de imigrante, 1910

Jornal O Globo, edição de 29 de abril de 1930


Terra à vista !

 

Burajiru à vista!”. Todos iam eufóricos ao convés para ver as primeiras visões do Brasil. Era sem dúvida um momento de muita emoção e euforia. O navio se aproximava do porto, mas não tinha ainda autorização para atracar. Era preciso antes a inspeção sanitária.



 

Uma comissão de agentes sanitários brasileiros, subia no navio para as inspeções de saúde. Quem estivesse com doença contagiosa não poderia desembarcar.

 

Uma fila era organizada a bordo, e um a um eram inspecionados. Os olhos recebiam especial atenção, devido ao tracoma.

 

As agências de emigração do Japão costumavam reservar um valor para subornarem os chefes das comissões de agentes sanitários, para eles não serem muito rigorosos. Por isso, raramente aconteciam deportações por problemas de saúde.

 

Finalmente, liberados pelos agentes sanitários, o navio atracava no porto!

 

Era descida a rampa de acesso e os imigrantes começavam a descer do navio!

Imigrantes japoneses descem do navio em Santos

Alguns brasileiros curiosos se aglomeravam no cais para ver o desembarque.

 

Eventualmente algum político comparecia para dar as boas-vindas.

 

Agentes da companhia de imigração no Brasil, todos japoneses, responsáveis pela leva de imigrantes que chegava, se apresentavam aos gritos e com cartazes, davam as boas-vindas. A partir dali eram eles os responsáveis pelos imigrantes, e deviam encaminhá-los até ao destino final: as fazendas.  

 

Apesar da inspeção sanitária, existia, da parte da cidade de Santos, a preocupação de que algum imigrante trouxesse alguma doença infecciosa do país de origem, por isso todos saiam do porto e embarcavam num trem direto para a Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, no bairro do Brás, capital.

 

A dispersão dos imigrantes – as despedidas

 

Na Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, as agências de imigração dividiam os emigrantes em grupos, e cada grupo seguia para uma fazenda, em número determinado por contrato.

 

Na divisão, a agência de imigração procurava afinidades, como, por exemplo, as famílias originarias de uma determinada região do Japão eram destinadas à mesma fazenda. Nessa divisão em grupos, ocorriam as separações. Casais de namorados podiam se separar, cada um sendo enviado a fazendas diferentes.

 

O embarque de grupos para as fazendas marcava um momento das despedidas, de choro e emoção, com muitas promessas de reencontros futuros.

 

E aqui termina a grande aventura dos emigrantes em sua travessia dos oceanos.


👉 A viagem dos emigrantes ao brasil – todos os capítulos

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Navio emigrantes japoneses - ocorrencias a bordo

 

Cap. 09 - As ocorrências a bordo

 

O clima de estresse e cansaço

 

A partir da metade da viagem, o cansaço, a falta de privacidade, a superlotação, o tédio, etc  geravam o estresse e alguns ficavam com o pavio curto. Era comum então os descontentamentos e brigas por coisas simples. Um banheiro sujo era motivo para protestos, brigas. Uma conversa entre um rapaz e uma moça era motivo para ciúmes. Não convidar alguém para tomar saquê se tornava ofensa.


Os supervisores tinham que acalmar os nervosinhos.

 

Ocorriam a bordo casos desagradáveis, tais como emigrantes que surtavam, brigas, desavenças, acusações de roubos, importunação sexual, etc. 

 

Era comum os passageiros da primeira classe implicarem com os emigrantes, principalmente por causa do barulho.

 

Entretanto, coisas boas também aconteciam. Namoros se iniciavam a bordo, famílias e pessoas faziam amizades, informações úteis eram trocadas, e até ocorriam nascimentos de bebês a bordo.

 

Alguns casais arranjados (casamentos forjados) procuravam, por curiosidade se conhecerem melhor e acabavam discutindo a possibilidade de continuarem juntos no Brasil.


A agencia de emigração procuravam manter o emigrante ocupado com eventos, cursos, leituras, etc. para amenizar a situação. Afinal, é correto aquele ditado, "o Diabo gosta de mentes desocupadas". 

 

O lado obscuro das viagens

 

Embora raros, ocorriam assédio e até abuso sexual. Na época a sociedade japonesa era extremamente patriarcal e machista, e as mulheres submissas. Por isso, esses delitos não eram denunciados pelas mulheres, que pensavam “é normal, coisa de homem.”

 

Esses abusos ocorriam principalmente por parte da tripulação do navio. Não raro, algum marinheiro propunha às moças melhores condições de viagem a troco de favores sexuais.

 

As mulheres emigrantes

 

Por ser o Japão (e o mundo todo) nos tempos de imigração um país patriarcal, não restavam às mulheres alternativa senão a de seguir o marido, o namorado ou o pai. Por isso, para muitas delas a viagem era mais penosa, por ser imposta por vontade alheia. 

 

A decisão de emigrar era unilateral e tomada pelo pai, marido ou até mesmo noivo. Não era decisão consensual.

 

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Navio emigrantes - informaçoes a bordo

Cap. 08 -  A informação e comunicação a bordo

 

As cartas ao Japão

 

O emigrante poderia escrever uma carta a alguém do Japão, que era postada nos portos de parada (Hong Kong, Cingapura, Cidade do Cabo, etc). Um supervisor recolhia as cartas e a tarifa postal e cabia a ele a tarefa de postar a carta nas agencias de correios. 

 

Os comunicados mimeografados

 

Os navios tinham mimeógrafo, aparelho importantíssimo, que fazia as vezes de Whatsapp. Trata-se de uma pequena impressora, inventada por Thomas Alva Edison,  que faz reproduções de páginas (cópias, como se fosse uma maquina Xerox).

 

Com ele, eram impressos os comunicados aos emigrantes, tais como as datas e horários dos eventos, a descrição do evento, solicitação de melhor asseio nos banheiros, nomeações de pessoas para cargos, proibições de desembarque nos portos de escala, instruções sobre o desembarque em Santos, etc. 


O anúncio romântico


Muito provável que esses comunicados, por encomenda de rapazes solteiros, publicavam  a seguinte frase :,


"Atenção senhorita Fulana de Tal. Tem um rapaz interessada em você."


Isso era bem típico nesses tipos de comunicados.

Mimeógrafo antigo, da época das imigrações


Notícias do Brasil e Japão

 

Alguns navios davam notícias do Japão, que recebiam via rádio. Mas elas eram ignoradas pelos emigrantes: o Japão, na época para eles era sinônimo de pobreza, sofrimento e de terra sem futuro promissor.


Os emigrantes não tinham nenhuma noção do Brasil, que era uma incógnita. Por isso perguntavam sobre o país a alguns supervisores que já tinham viajado ao Brasil. Entretanto, eles respondiam que só conheciam o porto de Santos.

 

Se um emigrante a bordo já estivesse no Brasil e estaria retornando, era alvo de constante perguntas. Ele consistia em um problema enorme para a companhia de emigração, pois sabia das duras condições que os emigrantes iriam enfrentar. Por isso, eram orientados a não se manifestarem a respeito, ou se manifestarem favoravelmente sobre o Brasil.

 

A angústia de não conhecer o destino final

 

Os emigrantes que já tinham parentes ou amigos no Brasil desejavam se juntar a eles, e perguntavam aos supervisores se era possível eles interferirem nesse sentido, solicitarem o envio deles para as fazendas desses parentes e amigos.

 

 Os supervisores explicavam que não podiam fazer nada, que eles seriam enviados às fazendas de café designadas pelas agências de imigração do Brasil, que já tinham contrato assinado com algumas fazendas.


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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Organização e o cotidiano a bordo

 A viagem dos emigrantes ao Brasil

Cap 07 - A organização e o dia a dia a bordo

Algumas companhias fundavam a bordo associações do tipo seinenkai (associação de jovens) e fujinkai (associação de senhoras). A cada associação era designado um chefe e também atribuídas algumas obrigações: organização de eventos culturais e festivos, atividades físicas, vigilância a disciplina, limpeza, cozinha, aula de português, etc.
 
Também eram eleitos alguns imigrantes para cuidar da distribuição da água, da lavagem do convés, da lavagem das louças após as refeições, etc. O objetivo da companhia de emigração era promover a auto-gestão da viagem.
 

Os eventos e entretenimentos

 
Para amenizar as árduas condições da viagem, manter a ordem e para passar o tempo, eram realizados muitos eventos.
 
As companhias de emigração traziam materiais para organizar eventos de esporte e entretenimento a bordo. Quimonos de judô, tatames, mimeógrafos, papelaria, cadernos, espadas de kendô, brinquedos, etc. eram materiais trazidos para organizar treinos, competições, edição de jornaizinhos, cursos, etc.  Algumas companhias tinham até projetor de cinema.
 
Eram organizados ainda eventos como undokai, teatrinhos, competições de sumô e kendô; concursos de cantos, apresentações musicais, odôri, etc. Haviam torneios de Go e Shogi (espécies de jogo de tabuleiro).
 
Havia muita prática do judô e ginástica. As aulas de ginástica eram muito incentivadas e tinham bastante participação dos emigrantes. Em geral, ocorriam duas sessões de ginástica ao dia.
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Eram organizados também cursos de panificação, de corte e costura de roupas ocidentais, de Língua Portuguesa, origami e outros. Não raro, era organizado um curso para as crianças, preparando-as para morar no Brasil.
Aula de Lingua Portuguesa a bordo


Até a década de 40 a vitrola e os discos de vinil eram raros, e por isso não se ouvia a música mecânica no navio. Os que tocavam bem algum instrumento musical eram convidados a dar palhinhas.
 
Eventos eram promovidos sempre quando ocorriam ameaças de rebelião, ou clima de descontentamento a bordo
 
Eram raros os cultos religiosos, pois as companhias de emigração raramente contratavam monges budistas/xintoístas.
 
Os navios mantinham uma pequena biblioteca, de forma que muitos livros e revistas ficavam disponíveis a todos.
 
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Apresentação de odori a bordo

Apresentação de odori a bordo

Undokai - corrida das "3 pernas" - os competidores em dupla amarram a perna direita de um na esquerda de outro


Cena de undokai

Undokai - aqui o objetivo da equipe é acender todos os cigarros

Undokai - procure a noiva - rapaz recebe dicas sobre uma moça e vai procurar ela

Undokai - procure a noiva - elas ficam enfileiradas esperando o "noivo"

Undokai - procure o noivo - nessa versão, é a moça que procura o "noivo"

Sekido Matsuri – o Festival do Equador
 

A travessia da linha do equador representava mais ou menos 1/3 da viagem, e era comemorado com entusiasmo, com um evento chamado Sekido Matsuri (Festival do Equador). Segundo crença dos japoneses, era preciso pedir permissão aos deuses dos mares para cruzar a linha.

Essa permissão era feita em uma festa, com apresentações de teatros, dança, música, etc.
 
Sekido Matsuri - mortal pede permissão aos deuses para cruzar o Equador

Emigrantes fantasiados para o Sekido Matsuri


Segundo alguns historiadores, apesar da superlotação de algumas dessas viagens, as companhias de emigração japonesas eram bastante responsáveis e tomavam providencias para tornar a viagem menos penosa. Acredito que amenizar as agruras das viagens era uma exigência do governo japonês, que era um grande incentivador da saída do japonês (pobre) para o exterior.

Shogi - jogo japones de tabuleiro

Go - jogo japones de tabuleiro

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As condições de higiene e saúde a bordo

 

Cap. 06 - As condições de higiene, saúde e nutrição a bordo

As condições de higiene eram relativamente boas pois todos zelavam pela limpeza. Era questão primordial o zelo, pois todos temiam a proliferação de doenças. O banho era esporádico e com água racionada, por isso reinava o mal cheiro.

 

Mesmo com os cuidados, a falta de saneamento ideal causava proliferação de piolhos e diarreia. A manutenção da limpeza dos banheiros (W.C.) era alvos de especial atenção, com a vantagem de poder ser feita com água salgada. Banheiro sujo era motivo de protestos junto aos supervisores.

 

Alguns tinham enjoo de mar e por isso passavam a maior parte do tempo deitados, e tinham dificuldades em se alimentar. Algumas mulheres grávidas recentes sofriam duplo enjoo, o da gravidez e o do mar.

 

Contrair uma doença significava ter que retornar ao Japão, na chegada ao porto de Santos. Não era permitido a entrada de pessoas com doenças infectocontagiosas no Brasil.

 

 

Havia o medo permanente de surgir algum surto de doença a bordo. Temia-se principalmente a cólera, o sarampo, o tracoma e o tifo. Surtos de gripe eram comuns, devido a aglomeração e má ventilação dos dormitórios.

 

Temia-se o beribéri, pois naquela época os brasileiros consideravam a como doença transmissível (na realidade é uma deficiência nutricional), e por isso quem desembarcava com sintomas de beribéri era repatriado.

 

A taxa de mortalidade das viagens era em média de 0,5 a 1%.


Dormitório (imagem gerada por I.A.) 
 fonte : Fragmentos da Historia, Youtube

Dormitório (imagem gerada por I.A.) 
 fonte : Fragmentos da Historia, Youtube

O serviço médico a bordo

 

Todos os navios vinham com um médico e enfermeiras a bordo, que aplicavam vacinas, entre elas a da cólera. Os médicos alertavam aos doentes que era preciso se curar durante a viagem, para não chegar doente em Santos e ser repatriado. O consultório médico vivia sempre lotado.

 

Pelo menos uma sala no navio era reservada para servir de internamento de doentes mais graves.

 

 
A morte de emigrante a bordo

 

Os que morriam a bordo eram enrolados em lençóis com alguns pesos, e após breve cerimônia religiosa, lançados ao mar. Os pesos evitavam que o cadáver boiasse. 


A morte de um emigrante deixava o representante da agência arrasado. Para ele, chegar ao Brasil com todos sãos e salvos era responsabilidade dele, e por isso sentia certo sentimento de culpa e de fracasso.

 

Imigrante morto é lançado ao mar (imagem gerada por I.A.)
Fonte: Fragmentos da Historia, Youtube

O calor nos dormitórios no navio

 

O calor nos dormitórios era um grande problema, principalmente quando a viagem se iniciava no verão japonês e se agravava quando no navio se aproximava à linha do equador.

 

A ventilação era muito precária, pois os porões tinham apenas pequenas escotilhas. Os ventiladores ficavam permanentemente ligados, e por isso sempre queimavam. Para piorar ainda mais, o japonês fumava muito nos dormitórios, piorando a qualidade do ar.

 

Nas noites quentes, todos dormiam descobertos e isso era embaraçoso para as mulheres, pois tinham a privacidade prejudicada.

 

 Algumas crianças desenvolviam brotoejas de forma severa.

 

Devido a impossibilidade de banho e de lavagem de lençóis com frequência, aliado ao calor abafado dos dormitórios, ocorriam surtos de piolho. As mulheres, por terem mais cabelos, sofriam mais com os piolhos. 

 

Eventualmente eram feitas sanitizações de dormitórios. Os colchões eram retirados e o dormitório era pulverizado.


Emigrantes italianos no porão de um navio (sem data)


Um doente recebe refeição no dormitório dos emigrantes

A alimentação do emigrante

 

Peixe seco salgado, mingau de cevada, arroz, pão, soja e conserva de nabo eram a base alimentar, e eram servidos de forma racionada.


É muito provável que era servido ainda picles, biscoitos, geleias de frutas, chás e porco defumado.


Eventualmente eram servidos peixes pescados a bordo.

 

A falta de vitamina C causava escorbuto. Eram servidas três refeições por dia, café da manhã, almoço e chá da tarde.

 

Na falta de arroz, o mingau de cevada era o prato principal, a base da alimentação.

 

O serviço de catering (alimentação a bordo) era terceirizado e os mantimentos eram por conta desse terceirizado. Muitos acusavam o contratado de economizar nas refeições (servindo pouca comida e/ou de qualidade inferior) para assim sobrar mais dinheiro.

 

A empresa não contratava pessoal suficiente, espertamente esperava que ajudantes voluntários se apresentassem para ajudar na cozinha e no refeitório, sem renumeração.

 

Os da primeira classe tinham refeições servidas em refeitório próprio, e menu diferenciado. A eles eram servidos frango e carne bovina.


Refeição de emigrantes na terceira classe do navio


Refeitório de um navio de emigrantes  (Imagem gerada por I.A.) 
 fonte: Fragmentos da Historia, Youtube.

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