domingo, 26 de julho de 2026

Shindo Renmei - atentados terroristas-junho sangrento

 Shindo Renmei - os atentados terroristas 

A Folha da Manhã, em sua edição de 26 de julho de 1946 publicou uma reportagem a respeito dos atentados. O mes de julho de 1946 foi especialmente violento na colônia japonesa. A reportagem faz um levantamento de diversos atos ocorridos no mes de abril e junho de 1946, em várias cidades do estado de Sp.

Manchete da edição


Considerando que a legibilidade está ruim, fiz a transcrição.

Texto 01 da reportagem

"Continua em crescendo impressionante (sic) a série de atentados terroristas japoneses praticados no interior do Estado, principalmente na zona noroeste. Metodicamente em proporção de um por dia os atentados estão deixando toda a colônia em estado de permanente terror, sem que, para contornar a situação, bastem as providencias cada vez mais enérgicas das autoridades competentes. Ao que se sabe, bem poucos criminosos caíram, até agora, nas mãos da Polícia. A maioria que está detida constitui-se de simples suspeitos. Basta dizer que o japonês que é tido como chefe visível do chamado “Pelotão Suicida”, já identificado como sendo Sunao Shi??hiki e que tem participado pessoalmente de todos os atentados ainda não foi preso, sendo totalmente desconhecido o seu paradeiro. 

Texto da reportagem (2)

Por outro lado, sabe-se que os principais e mais dispostos elementos encarregados das execuções vivem internados no mato, sem nunca aparecer nas cidades ou centros populares, a não ser com o fim único de levar a efeito o atentado.

ADMITE-SE O RECRUDESCIMENTO INTENSIVO DOS ATENTADOS

Pelos dados que podemos colher no Serviço Secreto da Ordem Pública e Social, confrontada com ...

Texto da reportagem (3)


... a opinião unânime de numerosos japoneses que prestam sua colaboração decidida às autoridades, admite-se o recrudescimento intensivo dos atentados. Podemos adiantar que muitos japoneses, já tendo iniciado uma ação defensiva, estudam a possibilidade de instituir, também, um regime de verdadeiro contra-terror, escalando grupos de patrícios decididos para dar caça aos criminosos, embrenhando-se igualmente na mata, a fim de apresenta-los à Justiça.

23 ATENTADOS ATÉ O DIA 23

Texto da reportagem (4)

Há dias, a “Folha da Noite” publicou o total do balanço trágico, anotando 22 atentados com 34 vítima. Hoje graças à gentileza do delegado Geraldo Cardoso de Melo, que chefia o Serviço Secreto do Departamento de Ordem Pública, podemos resumir cada um desses atentados, cujo total foi acrescido de mais um. Ei-los:
 
A SERIE DE CRIMES

Em 7 de março do corrente ano, na cidade de Bastos, foi assassinado a tiros por japoneses desconhecidos, o gerente da Cooperativa Agrícola da localidade, Ikuta Mizobe. Em 1º. de abril, pelas 5 horas da madrugada, foi assaltada a ...

Texto (5)

... residência do ex-diplomata nipônico, sr. Shiguetsuna Furuya. A (endereço, ilegível), nesta Capital. Ao que ficou apurado, os assaltantes pertenciam ao 1.o grupo do “Pelotão Suicida”, que, pelas janelas e portas do edifício, fizeram numerosos disparos, tentando assassinar o patrício, o qual, porém, não foi atingido. Quando tentaram...

Texto 6

... tentaram fugir, foram presos por guardas-noturnos os assaltantes Tatsuo Watan(ilegível), chefe do bando, e Mitsuro Ikeda.

No mesmo dia, uma hora depois, isto é, as 6 horas, o jornalista e industrial japonês Tsuzaburo Nomura, foi assassinado em sua residência, à rua Zacarias Klein, 15, nesta Capital. A esposa da vítima, que presenciou a cena, foi também agredida e subjugada pelos criminosos. Em 17 do mesmo mês, as 9 horas, em (ilegível) foram vitimas de um atentado os nipônicos Kanezo Shibuia, Hisamitsu Hayashi e Issamu Miura. Os autores do delito Tadashi Fukuma e Shugui (Shogi?) Nakamura foram presos em flagante depois de uma espetacular tentativa de fuga.

No dia 30, em Presidente Prudente, quando passava pelo quilometro 10, da estrada de (ilegível), o japonês Eikiti Tsuzuki foi alvejado a tiros por nipônicos desconhecidos, escapando, porem, ileso. 

Texto 7


EM BASTOS

A partir do mesmo dia e hora os terroristas tentaram passarem a agir de preferencia na cidade de Bastos. Ali o japonês Massao Ikeda foi vítima de um atentado, tendo sofrido ferimentos leves, pela explosão de uma bomba de mostarda, que se achava escondida em numa caixinha. Um menor foi quem entregou a caixinha, declarando que a  mesma lhe fora entregue por um japonês de identidade iganorada.

Em 1º. de abril, ainda na cidade de Bastos, os nipônicos Massao Honda e Yoshimatsu Kussahara também foram vítimas de uma bomba de mostarda remetida por indivíduos desconhecidos. As vítimas sofreram ferimentos de natureza leve. No mesmo dia e na mesma cidade João Hayashi, Hitiro Oba e Gonkiti Yamanaka residentes nos bairros de Monteiro, Esperança e Cascata, respectivamente também receberam caixinhas idênticas, contendo bombas de mostarda...

Texto 8

Todos sofreram ferimentos leves não tendo sido identificado os remetentes. No dia seguinte Bastos foi teatro de outro atentado, na pessoa de Hatiro Abe, que recebeu a mesma caixinha, sofrendo ferimentos leves em virtude da explosão da tal bomba de mostarda. Como em outros casos, foi portador da caixinha uma criança que não soube identificar a pessoa que lhe mandara entregar a mortífera encomenda. 

Texto 9 

NESTA CAPITAL E EM DIVERSOS MUNICIPIOS

Deixando a cidade de Bastos em paz por algum tempo, os terroristas escolheram outras zonas para campo de ação. Em 2 de junho, foi morto a tiros a golpes de faca na sua residência, nesta Capital, (ilegível) Jinsaku Wakiyama. Os assaltantes invadira a casa da vitima e, depois de praticado o delito, procuraram a autoridade de plantão na Polícia Central. Verificou-se que os assassinos eram remanescentes dos bandos autores dos dois primeiros atentados registrados nesta Capital. As 16h30m do dia 10 de julho em Brauna, município de Glicério, Katsu Yaghi foi atacado por três japoneses, não sofrendo porem qualquer ferimento. A vítima reconheceu entre os assaltantes os patrícios (ilegível) Heba, ......

Texto 10

...Itchiro Negahiro. Duas horas depois desse atentado um outro era registrado na cidade de Bilac deixando vítimas Oishi Mori e Meichi Mori(*), ambos comerciantes assassinados por patrícios desconhecidos.

Em 12 do mesmo mês na localidade de Mil Alqueires, município de Coroados dois japoneses desconhecidos assaltaram uma residência familiar ferindo a faca e a tiros o dono da casa Kasuke Tominaga, sua esposa Kazuke Tominaga, Shutoshi Tominaga e mais duas pessoas, sendo uma delas Shigueo Tsuda que morreu dias depois, no (ilegível) . Outro japonês que foi assassinado pelas 10 horas do mesmo dia no bairro de (ilegível), antigo Bela Vista, município de Bilac, foi Issamu Sahanai. Em 16...

(*) N.R. os mortos em Bilac foram Milton Mori e Kazuhiro Mori, o repórter não citou corretamente os nomes.

Texto 11

....de abril, entrando novamente na cidade de Bastos, os terroristas, que usavam máscaras, feriram a tiros de revolver e pistola “Mauser” o ex-gerente do Banco da América, Hiroshi Yamanaka e sua esposa.

As 18h30 do dia imediato, em Cafelândia, foi assassinado o japonês Shohei Kusunoki e ferido gravemente o dentista Kiso Imai, ambos residentes na cidade. Os criminosos foram presos em flagrante. Nesse mesmo dia, registraram-se mais dois assaltos sendo um deles em Cafelândia. Cinco fanáticos assaltaram os japoneses Takeuchi e um outro de identidade ignorada, saindo ambos ilesos. O segundo assalto teve lugar em Getulina às 10 horas. Japoneses desconhecidos assassinaram Tosi Horiuchi, diretor da Cooperativa 2ª. Uetsuka.No dia seguinte, em Borborema, 

Texto 12

... o japonês Takuso Iwata foi assassinado. Às 21h20 do mesmo dia, no Patrimônio de Inúbia, em Lucélia, japoneses não identificados tentaram assassinar Toshimi Assano, que ficou gravemente ferido. Em 23 do mesmo mês às 2h45, em Osvaldo Cruz houve um atentado à residência de Izuro Suzuki. Os assaltantes atiraram uma bomba ou garrafa de querosene provocando incêndio na casa. Finalmente as 22h30 de 23 do corrente, no bairro de Cascata em Bastos verificou-se o último atentado. O japonês Kasuhara de tal saindo ao quintal de sua residência para verificar o motivo porque os cachorros latiam foi alvejado por disparo de revolver, não sendo, porem atingido.

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sábado, 25 de julho de 2026

A Colonia Gleba Rio Ferro - Dourados-Ms

 

A colônia Gleba Rio Ferro de Dourados Ms

Posteriormente à inauguração da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, de Bauru (Sp) a Porto Esperança (Ms), um ramal foi construído, ligando Campo Grande até Ponta Porã, ao sul do Ms, passando por Dourados. A estação ferroviária de Dourados (Estação Ministro Pestana) foi inaugurada em 1949.

Esse ramal permitiu a instalação da Gleba Rio Ferro, projeto de um grande empreendedor, Yasutaro Matsubara.

Estrada de Ferro Noroeste do Brasil

Yassutaro Matsubara e a Colonizadora Rio Ferro

(Fonte: Carlos Tomonaga, em Facebook; e outros)

No dia 01 julho 1952 Yassutaro Matsubara, residente em Marilia (SP), recebeu autorização do presidente da República Getúlio Vargas para introduzir 4 mil famílias japonesas para uma nova colônia em Dourados Ms. Alem da autorização, recebeu um gigantesco lote de 300 mil hectares, batizada de Gleba Rio Ferro. Ele mesmo coordena a vinda, do Japão, das primeiras famílias para a gleba que chegam no dia 07/07/1953.

Yassutaro Masubara fundou então uma empresa, a Colonizadora Rio Ferro para coordenar a colonização.

Os imigrantes trazidos por Yassutaro Matsubara alcançaram a marca de 202 famílias (1.073 pessoas) e 158 imigrantes solteiros (totalizando 1.231 imigrantes), entre os anos de 1953 a 1961. Estes foram se estabeleceram no noroeste do Paraná, oeste de São Paulo e na Gleba Rio Ferro.

Observem que o perfil dessa leva de imigrantes foi bem diferente das primeiras. Os primeiros imigrantes foram trabalhar como empregados de fazendas, passando por grandes dificuldades. Os imigrantes de Yassutaro vieram com maior apoio, na qualidade de adquirentes de terras, com apoio e financiamento, etc. e com a proposta de se fixarem no Brasil definitivamente.

Com a morte de Getúlio Vargas (1954), a Colonizadora Rio Ferro perdeu seu maior apoiador; e por ser amigo intimo de Getúlio e também por intrigas políticas, foi alvo de ataques da imprensa, que insinuava (de forma caluniosa) estar ele envolvido em um esquema que desviou recursos da campanha Vargas.

Ressentido, Yassutaro Matsubara transfere a empresa para o filho e retorna em 1955 para o Japão, onde permaneceu até morrer.

Yassutaro Matsubara e Getulio Vargas

Getúlio Vargas, como já sabemos, no período da Segunda Guerra Mundial era ferrenho anti nipônico. Entretanto, mantinha fortes laços com Matsubara, seu contribuinte e cabo eleitoral importante, tendo o apoiado mesmo durante a Segunda Guerra.

A Comissão Especial de Imigração e o governador de Mt

Interessado em promover a vinda de imigrantes ao Brasil, Getúlio Vargas (que na segunda guerra, para puxar saco dos americanos perseguiu imigrantes), formou a Comissão Especial de Imigração, para tratar do assunto.

Esta comissão procurou o governador do estado do Mato Grosso (naquela época, Mt e Ms eram um só estado), que a recebeu com muito entusiasmo. 

A reportagem da Folha da Manhã, de 12 de novembro de 1951

Através dessa reportagem, foi possível levantar os seguintes fatos: o governo Vargas formou a Comissão Especial de Imigração, que tinha a missão de procurar e determinar locais para formação de colônias agrícolas de imigrantes. 

Esta comissão, federal, procurou o governador do estado do Mato Grosso, Fernando Correia Costa. Esse se dispôs a doar uma gigantesca área 300.000 alqueires na região de Dourados, para projetos de colonização. Entusiasmado, prometeu ainda dar apoio aos futuros imigrantes. Nesta visita ao governador, estava junto com a comissão Yassutaro Matsubara.

Naquela época já existia uma colônia bem-sucedida em Dourados, a Colônia Agrícola Nacional de Dourados, constituída em 1943..

Num rompante de entusiasmo, a Comissão Especial de Imigração anunciou um plano tão mirabolante quanto impossível:  trazer do Japão nada menos que 100 mil imigrantes, instalá-los nas terras cedidas pelo governador, isso em um prazo de apenas 6 meses. 

Folha da Manhã, 12 de setembro de 1951

Segue o texto da reportagem :













Yassutaro Matsubara

Matsubara Futebol Clube

Este time de futebol profissional, que esteve em atividade entre 1974 a 2011, com sede em Cambará, Pr, não tem relação com Yassutaro Matsubara e seus descendentes. Trata-se de outro ramo da família. 


sexta-feira, 24 de julho de 2026

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil

 

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) foi inaugurada em 1914 até a estação Porto Esperança, as margens do Rio Paraguai. Posteriormente, foi continuada, chegando a Corumbá em 1952.

Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB)

A NOB foi concebida também para promover a integração entre o Brasil, a Bolívia e o Paraguai, além de estabelecer ligação desses dois últimos ao Oceano Atlântico.

A construção iniciou-se em 1907 e foi dividida em dois lotes: de Bauru (Sp) até Itapura (Sp, na divisa com Ms), e de Itapura até Porto Esperança (Ms), próximo à divisa com o Paraguai. A construção do primeiro lote foi privatizada, ficando a cargo da construtora , e o segundo lote (Itapura-Porto Esperança) ficou a cargo da União.

Duas frentes de trabalho foram estabelecidas, uma construindo a partir de Porto Esperança até Campo Grande(Ms), e outra no lado oposto, de Bauru a Campo Grande. As duas pontas se encontraram na Estação Ligação, próximo a Campo Grande, em 1914, data da inauguração, totalizando 1272 km de ferrovia. A obra estendeu-se por apenas 7 anos.

A construção enfrentou os desafios da época - ataques de índios, malária, deficiência alimentar, leichmaniose, etc. O maior problema enfrentado foi o logístico, com todo material de construção sendo levado às obras as duras penas.

Não há estatísticas a respeito, porém é certo que centenas ou talvez milhares de operários pereceram nessa obra. Essa alta mortandade era comum em obras desse gênero naqueles tempos.

Estação Ligação - Campo Grande, Ms

Estação Bauru

Os japoneses na construção da ferrovia

Segundo um levantamento feito por Ryodi Noda, um intérprete dos imigrantes do Kasato Maru, dos 781 imigrantes pioneiros desse navio, 120 foram trabalhar na construção dessa ferrovia. Eram imigrantes que abandonaram as fazendas de café e foram levados ao ponto inicial da empreitada, em Porto Esperança (Ms), próximo a Corumbá. Ali se encontraram com outros imigrantes japoneses, vindos do Peru.

Alguns historiadores afirmam que por deficiência alimentar, ocorreram muitos problemas de saúde relacionados a falta de vitaminas e minerais (zinco, magnésio, ferro, etc). Entretanto, os japoneses não tiveram essa deficiência, pois tinham o costume de comer muitas verduras e legumes, que eles mesmos cultivavam.

Legado e fixação dos japoneses

Ao final da construção da ferrovia, em 1914, a maioria dos japoneses que nela trabalharam decidiram se fixar nas terras adjacentes a nova ferrovia. Campo Grande, atraiu um bom número de japoneses, onde adquiriram boas terras para se estabelecerem. Nos anos seguintes vários imigrantes se mudaram para Campo Grande, atraídos pelas boas notícias dos trabalhadores da ferrovia. Hoje a cidade abriga uma das maiores concentrações de descendentes de japoneses do Brasil.

A ferrovia NOB hoje ainda é usada para transporte de minérios e mercadorias. Entretanto, o transporte de passageiros foi desativado e por esse motivo as estações ferroviárias estão atualmente abandonadas.

NOB-Turistas em viagem inaugural de trecho - 1910

Viajantes na NOB - sem data

O ramal até Ponta Porã – a colônia japonesa de Dourados

Posteriormente à inauguração da NOB Bauru-Porto Esperança, um ramal foi construído, ligando Campo Grande até Ponta Porã, ao sul do Ms, passando por Dourados. A estação ferroviária de Dourados (Estação Ministro Pestana) foi inaugurada em 1949.

Esse ramal atraiu milhares de imigrantes, graças a iniciativa de um grande empreendedor, Yasutaro Matsubara. 

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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Os Cotia Seinen e as Hanayome Imin

 

Cotia Seinen - os jovens imigrantes japoneses

Nos meados dos anos 50 o Japão estava em reconstrução, era um país ainda devastado pela guerra. Não havia emprego, trabalho para os mais jovens, principalmente para os filhos mais novos de agricultores.

Por outro lado, no Brasil, os nisseis estavam abandonando a agricultura, migrando para cidades a fim de se formarem em cursos universitários. Esse êxodo rural por parte dos nisseis foi muito incentivado pelos próprios pais, que não desejavam ver o filho trabalhando na lavoura.

Por esse motivo a Cooperativa Agrícola de Cotia previa um enfraquecimento da instituição, causada pela falta de mão de obra no campo. Trazer jovens do Japão seria uma solução, tanto para a CAC como para os jovens desempregados.

Entre 1955 até 1966 2.508 jovens japoneses vieram ao Brasil, na condição de “Cotia seinen”. 

Fonte: "Cotia Seinen: 60 anos de imigração", diversos autores

Como funcionava o programa Cotia Seinen

O programa foi oferecido às famílias de associados da C.A.C., que deveriam acolher o jovem imigrante em suas propriedades rurais, e firmar com ele um contrato de trabalho com duração de 4 anos. Findo este contrato, o imigrante tornaria-se independente,  poderia optar em renová-lo ou não.

O programa foi apresentado em várias cidades onde a C.A.C. atuava, e no inicio poucas famílias aderiram. A maioria das famílias preferiram observar e avaliar a experiência das famílias pioneiras, para então mais tarde decidir a respeito.

Como não poderia ser diferente, os jovens saíram do Japão com planos ambiciosos, entusiasmados e sonhadores, porém quando aqui chegaram foram enviados para as propriedades rurais, onde trabalharam com empregados muito mal remunerados, vivendo em péssimas condições, muitas vezes análogas a semiescravidão. A rigor, ocorreu exatamente como com os imigrantes anteriores.

Os conflitos e problemas

Muitos Cotia Seinen  se revoltaram com a situação, ocorrendo muitos conflitos com os patrões. A situação chegou ao ponto da CAC ser obrigado a se formar, em vários núcleos, uma comissão permanente para realizar a mediação entre as partes. Ocorreram muitos abandonos de emprego, fugas, conflitos, e até vários suicídios (20). Em algumas regiões, as fugas constituíram em quase metade dos Cotia Seinen contratados.

Entretanto, muitos deles, após o cumprimento do contrato de 4 anos tornaram-se independentes. A estes eram concedidas algumas facilidades, como financiamento para adquirir uma pequena propriedade. Alguns preferiram abandonar o campo, indo tentar a sorte na cidade. Outros, se integraram com a família empregadora, acabaram por tornar-se em espécie de filho adotivo ou até mesmo se casaram com a filha ou parente do patrão.

Os casamentos e as hanayome imin

Os Cotia Seinen, ao contrário das primeiras levas de imigrantes, vieram ao Brasil com intuito de aqui ficarem para sempre. Não tinham planos de retornar ao Japão. Por isso, tinham o desejo de se casar e constituir família no Brasil. Entretanto, naquela época era sólida a idéia de se casar com uma conterrânea, não com uma não-japonesa.

Os Cotia Seinen se casavam somente após a independência, isto é depois de cumprido o contrato de 4 anos. Alguns, como já foi dito, se casaram com a filha ou parente do patrão, e outros por omiai.

Os que desejavam e não conseguiram casar, recorreram ao casamento arranjado por correspondência. Convidavam então moças solteiras no Japão, para se casarem. Este esquema de convite tinha o apoio e a organização da C.A.C., um projeto que se iniciou em 1959. 

Observem que havia forte preconceito contra as moças brasileiras não-japonesas, ou simplesmente era uma questão de preferência (casar-se somente com moça japonesa). 

Cerca de 500 moças (chamadas de hanayome imin, "noivas imigrantes") aceitaram o convite de casamento. Eram moças em geral de personalidade firme, determinadas,  e a maioria veio ao Brasil contra a vontade da família. 

Alguns Cotia Seinen chamaram para casar moças que já conheciam no Japão, e esses casamentos foram na maioria bem sucedidos. 

Entretanto, cerca de 70% das moças não conheciam pessoalmente o noivo, apenas por carta de apresentação e fotografias. Aconteceram diversos problemas com esse tipo de esquema, pois muitas moças alegavam que o moço não se parecia com a fotografia, outras alegavam que esperavam encontrar condições de vida melhor que aquela prometida na carta de apresentação do pretendente. Nessas ocasiões um funcionário da C.A.C., encarregado dos assuntos do programa intervia e tentava convencer a moça a se casar assim mesmo. Algumas se recusavam e fugiam. Mas os casos desse tipo eram raros.

Quase todas as moças ficaram chocadas com as condições de vida encontradas aqui. Esperavam uma casa, um lar aconchegante, e encontraram cabanas rurais, casinhas de sapê, de chão batido e telhados com goteiras.

O programa Cotia Sensei foi desativado pela C.A.C. em dezembro de 1966, por falta de candidatos. Nessa época, o Japão estava em grande crescimento econômico, e não era mais interessante para os jovens imigrarem ao Brasil. 

Em seu contexto geral, apesar dos percalços, tanto o programa Cotia Seinen quando ao programa Hanayome Imin foram muito bem sucedidos. 


Nota do Primeiro Ministro Japonês Shinzo Abe, parabenizando o programa Cotia Seinen

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quinta-feira, 16 de julho de 2026

O ministro Plenipotenciário Narinori Okoshi

 Ministro Plenipotenciário no Brasil Narinori Okoshi

Narinori Okoshi (1845–1922) foi um diplomata, atuou como o Ministro Plenipotenciário do Japão no Brasil (sediado em Petrópolis, Rj) e tratou das primeiras discussões sobre a imigração japonesa para terras brasileiras no final do século XIX .

Okoshi Narinori, 1888

História de Narinori Okoshi no Brasil

No final da década de 1890, após o "Incidente Tosa-maru" (um desastroso projeto de navio de imigrantes), Okoshi, juntamente com Sutemi Chinda, adotou uma postura extremamente cautelosa e negativa em relação ao envio de trabalhadores japoneses ao Brasil. Ele desaconselhou o governo japonês a promover a imigração para o Brasil.

Obra Publicada

Além de sua carreira diplomática e Okoshi é conhecido pela autoria do livro A Sketch of the Fisheries of Japan, publicado em 1883.

A sketch of the fisheries of Japan


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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Shindo Renmei-o ministro sueco e o General Gois Monteiro

 

Impressões do Ministro Plenipotenciario Sueco Ragner Kumlin

Após a histórica reunião no Palácio Campos Elíseos,  sede do governo do estado de São Paulo, o Ministro Plenipotenciário Sueco Ragnar Kumlin, se encontrou com o General Goes Monteiro, no dia 22/07/1946, no Rio de Janeiro.

O encontro foi alvo de uma reportagem do Correio Paulistano, edição do dia seguinte.

Kumlin declarou que não saiu muito seguro da reunião, que o evento não convenceu os japoneses, estes permaneceram calados, sem demonstrar qualquer sentimento a respeito do assunto da reunião.

O ministro revelou um detalhe interessante: houve um pedido de troca de correspondência (para os mais jovens, troca de cartas escritas em papel, via correios) entre os imigrantes e seus parentes residentes no Japão, a fim de que estes esclarecessem a real situação do país.

Por sua vez o General Gois Monteiro comenta sobre a possibilidade de intervenção militar contra o grupo terrorista, e declara que os imigrantes tinham "baixissimo nível de instrução". O general tinha razão, de fato, os imigrantes, em termos de cultura japonesa tinham certo nível de instrução (quase todos liam kanji). Entretanto, boa parte era analfabeta na lingua portuguesa, e muitos deles sequer falavam o idioma português.


Correio Paulistano, 23/07/1946 - Manchete

Segue o texto da reportagem :











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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Shindo Renmei - A reunião em Campos Eliseos - O Rescrito Imperial Japones

 A reunião em Campos Eliseos (2)

Encontrei mais essa reportagem, do Correio Paulistano, edição de 29/07/1946. O jornal se indignou pelo fato de alguns japoneses exigirem a retirada das palavras "rendição incondicional" e "derrota" da ata da reunião. Bobagem, tanto a indignação do jornal quanto as exigências dos japoneses. Pela insignificância das exigências o governo atendeu, mesmo porque não ia alterar em nada a situação. 

Nessa reportagem o Jornal publicou o Rescrito Imperial Japonês da rendição, que foi lida pelo ministro plenipotenciário da Suécia, Ragnar Kumlin.

Manchetes - clique na imagem para melhor visualização

Numa manifestação tendenciosa e passional, o jornal deu à manchete mais importância a um pequeno detalhe que a reunião em si. 

A reunião dos Campos Eliseos - texto 


A reunião dos Campos Eliseos - texto 



A reunião dos Campos Eliseos - texto 


O Rescrito Imperial Japonês da rendição


O Rescrito Imperial Japonês


O Rescrito Imperial Japonês


O Rescrito Imperial Japonês


O Rescrito Imperial Japonês


O Rescrito Imperial Japonês


O Rescrito Imperial Japonês


Infelizmente, não consegui localizar a 6a. pagina dessa edição.