Cotia Seinen - os jovens imigrantes japoneses
Nos meados dos anos 50 o Japão
estava em reconstrução, era um país ainda devastado pela guerra. Não havia
emprego, trabalho para os mais jovens, principalmente para os filhos mais novos
de agricultores.
Por outro lado, no Brasil, os
nisseis estavam abandonando a agricultura, migrando para cidades a fim de se
formarem em cursos universitários. Esse êxodo rural por parte dos nisseis foi muito incentivado pelos próprios pais, que não desejavam ver o filho trabalhando na lavoura.
Por esse motivo a Cooperativa
Agrícola de Cotia previa um enfraquecimento da instituição, causada pela falta
de mão de obra no campo. Trazer jovens do Japão seria uma solução, tanto para a
CAC como para os jovens desempregados.
Entre 1955 até 1966 2.508 jovens
japoneses vieram ao Brasil, na condição de “Cotia seinen”.
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| Fonte: "Cotia Seinen: 60 anos de imigração", diversos autores |
Como funcionava o programa Cotia Seinen
O programa foi oferecido às
famílias de associados da C.A.C., que deveriam acolher o jovem imigrante em
suas propriedades rurais, e firmar com ele um contrato de trabalho com duração
de 4 anos. Findo este contrato, o imigrante tornaria-se independente, poderia optar em renová-lo ou não.
O programa foi apresentado em
várias cidades onde a C.A.C. atuava, e no inicio poucas famílias aderiram. A
maioria das famílias preferiram observar e avaliar a experiência das famílias pioneiras,
para então mais tarde decidir a respeito.
Como não poderia ser diferente, os
jovens saíram do Japão com planos ambiciosos, entusiasmados e sonhadores, porém
quando aqui chegaram foram enviados para as propriedades rurais, onde
trabalharam com empregados muito mal remunerados, vivendo em péssimas condições,
muitas vezes análogas a semiescravidão. A rigor, ocorreu exatamente como com os
imigrantes anteriores.
Os conflitos e problemas
Muitos Cotia Seinen se revoltaram com a situação, ocorrendo muitos
conflitos com os patrões. A situação chegou ao ponto da CAC ser obrigado a se formar, em vários núcleos, uma comissão permanente para realizar a mediação
entre as partes. Ocorreram muitos abandonos de emprego, fugas, conflitos, e até
vários suicídios (20). Em algumas regiões, as fugas constituíram em quase
metade dos Cotia Seinen contratados.
Entretanto, muitos deles, após o
cumprimento do contrato de 4 anos tornaram-se independentes. A estes eram
concedidas algumas facilidades, como financiamento para adquirir uma pequena
propriedade. Alguns preferiram abandonar o campo, indo tentar a sorte na cidade. Outros, se integraram com a família empregadora, acabaram por tornar-se
em espécie de filho adotivo ou até mesmo se casaram com a filha ou parente do
patrão.
Os casamentos e as hanayome
imin
Os Cotia Seinen, ao contrário das
primeiras levas de imigrantes, vieram ao Brasil com intuito de aqui ficarem
para sempre. Não tinham planos de retornar ao Japão. Por isso, tinham o desejo
de se casar e constituir família no Brasil. Entretanto, naquela época era
sólida a idéia de se casar com uma conterrânea, não com uma não-japonesa.
Os Cotia Seinen se casavam
somente após a independência, isto é depois de cumprido o contrato de 4 anos.
Alguns, como já foi dito, se casaram com a filha ou parente do patrão, e outros
por omiai.
Os que desejavam e não conseguiram casar, recorreram ao casamento arranjado por correspondência. Convidavam então moças solteiras no Japão, para se casarem. Este esquema de convite tinha o apoio e a organização da C.A.C., um projeto que se iniciou em 1959.
Observem que havia
forte preconceito contra as moças brasileiras não-japonesas, ou simplesmente
era uma questão de preferência (casar-se somente com moça japonesa).
Cerca de 500 moças (chamadas de hanayome
imin, "noivas imigrantes") aceitaram o convite de casamento. Eram moças em geral de personalidade firme, determinadas, e a maioria veio ao Brasil contra a vontade da família.
Alguns Cotia Seinen chamaram para
casar moças que já conheciam no Japão, e esses casamentos foram na maioria bem
sucedidos.
Entretanto, cerca de 70% das moças
não conheciam pessoalmente o noivo, apenas por carta de apresentação e
fotografias. Aconteceram diversos problemas com esse tipo de esquema, pois muitas
moças alegavam que o moço não se parecia com a fotografia, outras alegavam que
esperavam encontrar condições de vida melhor que aquela prometida na carta de
apresentação do pretendente. Nessas ocasiões um funcionário da C.A.C.,
encarregado dos assuntos do programa intervia e tentava convencer a moça a se
casar assim mesmo. Algumas se recusavam e fugiam. Mas os casos desse tipo eram
raros.
Quase todas as moças ficaram
chocadas com as condições de vida encontradas aqui. Esperavam uma casa, um lar aconchegante,
e encontraram cabanas rurais, casinhas de sapê, de chão batido e telhados com
goteiras.
O programa Cotia Sensei foi
desativado pela C.A.C. em dezembro de 1966, por falta de candidatos. Nessa época, o Japão estava em
grande crescimento econômico, e não era mais interessante para os jovens imigrarem ao Brasil.
Em seu contexto geral, apesar dos
percalços, tanto o programa Cotia Seinen quando ao programa Hanayome Imin foram muito bem sucedidos.
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| Nota do Primeiro Ministro Japonês Shinzo Abe, parabenizando o programa Cotia Seinen |
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