terça-feira, 25 de agosto de 2026

Organização e o cotidiano a bordo

 A viagem dos emigrantes ao Brasil

Cap 07 - A organização e o dia a dia a bordo

Algumas companhias fundavam a bordo associações do tipo seinenkai (associação de jovens) e fujinkai (associação de senhoras). A cada associação era designado um chefe e também atribuídas algumas obrigações: organização de eventos culturais e festivos, atividades físicas, vigilância a disciplina, limpeza, cozinha, aula de português, etc.
 
Também eram eleitos alguns imigrantes para cuidar da distribuição da água, da lavagem do convés, da lavagem das louças após as refeições, etc. O objetivo da companhia de emigração era promover a auto-gestão da viagem.
 

Os eventos e entretenimentos

 
Para amenizar as árduas condições da viagem, manter a ordem e para passar o tempo, eram realizados muitos eventos.
 
As companhias de emigração traziam materiais para organizar eventos de esporte e entretenimento a bordo. Quimonos de judô, tatames, mimeógrafos, papelaria, cadernos, espadas de kendô, brinquedos, etc. eram materiais trazidos para organizar treinos, competições, edição de jornaizinhos, cursos, etc.  Algumas companhias tinham até projetor de cinema.
 
Eram organizados ainda eventos como undokai, teatrinhos, competições de sumô e kendô; concursos de cantos, apresentações musicais, odôri, etc. Haviam torneios de Go e Shogi (espécies de jogo de tabuleiro).
 
Havia muita prática do judô e ginástica. As aulas de ginástica eram muito incentivadas e tinham bastante participação dos emigrantes. Em geral, ocorriam duas sessões de ginástica ao dia.
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Eram organizados também cursos de panificação, de corte e costura de roupas ocidentais, de Língua Portuguesa, origami e outros. Não raro, era organizado um curso para as crianças, preparando-as para morar no Brasil.
Aula de Lingua Portuguesa a bordo


Até a década de 40 a vitrola e os discos de vinil eram raros, e por isso não se ouvia a música mecânica no navio. Os que tocavam bem algum instrumento musical eram convidados a dar palhinhas.
 
Eventos eram promovidos sempre quando ocorriam ameaças de rebelião, ou clima de descontentamento a bordo
 
Eram raros os cultos religiosos, pois as companhias de emigração raramente contratavam monges budistas/xintoístas.
 
Os navios mantinham uma pequena biblioteca, de forma que muitos livros e revistas ficavam disponíveis a todos.
 
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Apresentação de odori a bordo

Apresentação de odori a bordo

Undokai - corrida das "3 pernas" - os competidores em dupla amarram a perna direita de um na esquerda de outro


Cena de undokai

Undokai - aqui o objetivo da equipe é acender todos os cigarros

Undokai - procure a noiva - rapaz recebe dicas sobre uma moça e vai procurar ela

Undokai - procure a noiva - elas ficam enfileiradas esperando o "noivo"

Undokai - procure o noivo - nessa versão, é a moça que procura o "noivo"

Sekido Matsuri – o Festival do Equador
 

A travessia da linha do equador representava mais ou menos 1/3 da viagem, e era comemorado com entusiasmo, com um evento chamado Sekido Matsuri (Festival do Equador). Segundo crença dos japoneses, era preciso pedir permissão aos deuses dos mares para cruzar a linha.

Essa permissão era feita em uma festa, com apresentações de teatros, dança, música, etc.
 
Sekido Matsuri - mortal pede permissão aos deuses para cruzar o Equador

Emigrantes fantasiados para o Sekido Matsuri


Segundo alguns historiadores, apesar da superlotação de algumas dessas viagens, as companhias de emigração japonesas eram bastante responsáveis e tomavam providencias para tornar a viagem menos penosa. Acredito que amenizar as agruras das viagens era uma exigência do governo japonês, que era um grande incentivador da saída do japonês (pobre) para o exterior.

Shogi - jogo japones de tabuleiro

Go - jogo japones de tabuleiro

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As condições de higiene e saúde a bordo

 

Cap. 06 - As condições de higiene, saúde e nutrição a bordo

As condições de higiene eram relativamente boas pois todos zelavam pela limpeza. Era questão primordial o zelo, pois todos temiam a proliferação de doenças. O banho era esporádico e com água racionada, por isso reinava o mal cheiro.

 

Mesmo com os cuidados, a falta de saneamento ideal causava proliferação de piolhos e diarreia. A manutenção da limpeza dos banheiros (W.C.) era alvos de especial atenção, com a vantagem de poder ser feita com água salgada. Banheiro sujo era motivo de protestos junto aos supervisores.

 

Alguns tinham enjoo de mar e por isso passavam a maior parte do tempo deitados, e tinham dificuldades em se alimentar. Algumas mulheres grávidas recentes sofriam duplo enjoo, o da gravidez e o do mar.

 

Contrair uma doença significava ter que retornar ao Japão, na chegada ao porto de Santos. Não era permitido a entrada de pessoas com doenças infectocontagiosas no Brasil.

 

 

Havia o medo permanente de surgir algum surto de doença a bordo. Temia-se principalmente a cólera, o sarampo, o tracoma e o tifo. Surtos de gripe eram comuns, devido a aglomeração e má ventilação dos dormitórios.

 

Temia-se o beribéri, pois naquela época os brasileiros consideravam a como doença transmissível (na realidade é uma deficiência nutricional), e por isso quem desembarcava com sintomas de beribéri era repatriado.

 

A taxa de mortalidade das viagens era em média de 0,5 a 1%.


Dormitório (imagem gerada por I.A.) 
 fonte : Fragmentos da Historia, Youtube

Dormitório (imagem gerada por I.A.) 
 fonte : Fragmentos da Historia, Youtube

O serviço médico a bordo

 

Todos os navios vinham com um médico e enfermeiras a bordo, que aplicavam vacinas, entre elas a da cólera. Os médicos alertavam aos doentes que era preciso se curar durante a viagem, para não chegar doente em Santos e ser repatriado. O consultório médico vivia sempre lotado.

 

Pelo menos uma sala no navio era reservada para servir de internamento de doentes mais graves.

 

 
A morte de emigrante a bordo

 

Os que morriam a bordo eram enrolados em lençóis com alguns pesos, e após breve cerimônia religiosa, lançados ao mar. Os pesos evitavam que o cadáver boiasse. 


A morte de um emigrante deixava o representante da agência arrasado. Para ele, chegar ao Brasil com todos sãos e salvos era responsabilidade dele, e por isso sentia certo sentimento de culpa e de fracasso.

 

Imigrante morto é lançado ao mar (imagem gerada por I.A.)
Fonte: Fragmentos da Historia, Youtube

O calor nos dormitórios no navio

 

O calor nos dormitórios era um grande problema, principalmente quando a viagem se iniciava no verão japonês e se agravava quando no navio se aproximava à linha do equador.

 

A ventilação era muito precária, pois os porões tinham apenas pequenas escotilhas. Os ventiladores ficavam permanentemente ligados, e por isso sempre queimavam. Para piorar ainda mais, o japonês fumava muito nos dormitórios, piorando a qualidade do ar.

 

Nas noites quentes, todos dormiam descobertos e isso era embaraçoso para as mulheres, pois tinham a privacidade prejudicada.

 

 Algumas crianças desenvolviam brotoejas de forma severa.

 

Devido a impossibilidade de banho e de lavagem de lençóis com frequência, aliado ao calor abafado dos dormitórios, ocorriam surtos de piolho. As mulheres, por terem mais cabelos, sofriam mais com os piolhos. 

 

Eventualmente eram feitas sanitizações de dormitórios. Os colchões eram retirados e o dormitório era pulverizado.


Emigrantes italianos no porão de um navio (sem data)


Um doente recebe refeição no dormitório dos emigrantes

A alimentação do emigrante

 

Peixe seco salgado, mingau de cevada, arroz, pão, soja e conserva de nabo eram a base alimentar, e eram servidos de forma racionada.


É muito provável que era servido ainda picles, biscoitos, geleias de frutas, chás e porco defumado.


Eventualmente eram servidos peixes pescados a bordo.

 

A falta de vitamina C causava escorbuto. Eram servidas três refeições por dia, café da manhã, almoço e chá da tarde.

 

Na falta de arroz, o mingau de cevada era o prato principal, a base da alimentação.

 

O serviço de catering (alimentação a bordo) era terceirizado e os mantimentos eram por conta desse terceirizado. Muitos acusavam o contratado de economizar nas refeições (servindo pouca comida e/ou de qualidade inferior) para assim sobrar mais dinheiro.

 

A empresa não contratava pessoal suficiente, espertamente esperava que ajudantes voluntários se apresentassem para ajudar na cozinha e no refeitório, sem renumeração.

 

Os da primeira classe tinham refeições servidas em refeitório próprio, e menu diferenciado. A eles eram servidos frango e carne bovina.


Refeição de emigrantes na terceira classe do navio


Refeitório de um navio de emigrantes  (Imagem gerada por I.A.) 
 fonte: Fragmentos da Historia, Youtube.

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A viagem e as paradas nos portos

 A viagem dos emigrantes ao Brasil 

Cap. 05- A viagem ao Brasil e as paradas nos portos


As viagens, partindo de Kobe duravam de 40 a 45 dias. Aconteciam paradas nos portos de Hong Kong, Saigon (Vietnã), Colombo (Sri Lanka); em Singapura (onde moravam muitos japoneses que para lá imigraram); e ainda nos portos de Durban ou Cidade do Cabo (Africa do Sul), Buenos Aires e Rio de Janeiro.

 

Os navios não obrigatoriamente paravam em todos esses portos, cada um tinha um itinerário próprio. Como os navios faziam também o papel de cargueiros, tinham que parar em algum desses portos para carga e descarga de mercadorias.

 

As paradas serviam para reabastecimento de combustível (carvão mineral), água doce e comida.

 

Os doentes graves a bordo eram deixados em hospitais nessas paradas. Esses casos de doença provocavam atraso na viagem, visto que era necessário providenciar internamento, assistência médica, repatriamento, etc. do doente.

 

As rotas e os portos de parada


A parada no porto de Hong Kong
 

A parada em Hong Kong era sempre para abastecimentos, cargas e descargas, e  causava grande alvoroço a bordo. Todos solicitavam aos supervisores da companhia de emigração permissão para desembarcar e passear pela cidade. Cansados de viagem, queriam espairecer e, pela primeira vez na vida, pisar em um país estrangeiro, e ver uma pessoa não-japonesa.

 

Obviamente, era proibido desembarcar, pois naquele momento da viagem havia o perigo de desistência, do emigrante se perder na cidade, de contrair uma doença, etc.  Com certeza, causaria atraso na partida do navio e grande confusão se fosse liberado o desembarque de todos. 

 

Os supervisores espalhavam a bordo a fake news dizendo que Hong Kong  era insalubre, cheio pessoas com doenças contagiosas, e que era, portanto, perigoso desembarcar.


Havia mais um agravante nessa parada. Hong Kong era território inglês, entretanto era habitado por chineses. Muitos deles odiavam os japoneses devido as duas Guerras Sino-Japonesas de 1895 e 1934. Temia-se que fanáticos chineses contaminassem a comida ou a água servida aos japoneses. Por isso, muitos navios proibiam a compra de alimentos e o consumo de água nesse porto. 

 

Muitos alegavam que precisavam desembarcar para fazer compra de algum item indispensável (cobertor, por exemplo). Outros diziam que tinham amigos imigrantes no porto e que desejavam vê-los.

 

Entretanto, a alguns poucos emigrantes era permitido o desembarque. Em geral eram aqueles que trabalhavam afinco no navio, e o desembarque era uma espécie de prêmio. Esse privilégio gerava protestos. Os viajantes da primeira classe desembarcavam sem problema.

 

O que desembarcavam deveriam andar em grupo, sempre vigiados e guiados por um supervisor da agência. Quando paravam numa loja, todos entravam, causando alvoroço no estabelecimento.  Era o mesmo que um grupo de excursionistas nos dias de hoje, com um guia carregando uma bandeirinha na frente.

 

Vários barquinhos se aproximavam no casco do navio. Eram chineses vendendo banana, cigarros e laranjas. Eles fixavam cestos em varas longas de bambu e içavam os cestos com as mercadorias e o preço até a borda do convés do navio. O passageiro que quisesse comprar, retirava a mercadoria e deixava o dinheiro no cesto. Comprava-se muitos cigarros, pois eram baratos. 

 

Alguns navios permitiam que vendedores ambulantes chineses subissem a bordo. Estes ofereciam bugigangas, cachimbos, cigarros, souvenires, etc. Mas os japoneses ficavam mais fascinados com a aparência e o linguajar dos vendedores do que com as mercadorias.

 

Os preços das mercadorias eram bem baixos em relação aos preços do Japão, e variavam de acordo com a cara do freguês, e também baixavam muito quando se aproximava a hora do navio zarpar. Alguns japoneses pagavam até 3 vezes mais o preço normal e mesmo assim achavam barato.

 

Algumas mercadorias trazidas do Japão, por encomenda, eram desembarcadas nos portos.


Imigrantes se aglomeram na borda do navio para observarem a aproximação de um porto

 

As paradas em Singapura

 

Com todos já cansados da viagem, alguns navios permitiam o desembarque dos emigrantes em Singapura, para espairecer. Eram orientados a andarem em grupo e sempre na avenida beira-mar, sempre em linha reta, para não se perderem.


As paradas na Africa do Sul


Durban era a última parada. Dali para frente era só oceano, o Atlântico. O navio reabastecia com água, comida e combustível para o resto da viagem. 

As paradas na Cidade do Cabo em geral eram para carga e descarga. 


Imigrantes chineses no deck inferior do navio, 1876


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As despedidas e o embarque

 A viagem dos emigrantes ao Brasil

Cap. 04 - As despedidas e o embarque 

 

O dia do embarque começava bem cedo. Muitos parentes e amigos se dirigiam ao cais para as últimas despedidas. A tripulação precisava de ter o cuidado de não haver embarque de clandestinos ou de algum parente que subiu para se despedir e não desceu.

 


Todos procuravam seus dormitórios e camas, que já haviam sido designados previamente. Os supervisores trabalhavam freneticamente, indicando os dormitórios.

 

A bordo, o clima era de alegria para uns e de tristeza para outros.

 

Serpentinas eram distribuídas aos emigrantes, que a bordo do navio jogavam no cais. Eram metafóricas, e representavam a ligação do emigrante à pátria, como se fossem cordões umbilicais.

 

Uma campainha soava, anunciando a proximidade da hora da partida, como nos teatros antes de se iniciar o espetáculo.

 

A partida! A buzina a vapor do navio soava incessantemente, as máquinas eram ligadas, as cordas de atracagem recolhidas, o navio começava a se mover lentamente. A euforia tomava conta dos emigrantes, que gritavam, “banzai! Banzai!”. As serpentinas se rompiam, como se desprendessem para sempre da mãe-pátria. No cais, os parentes e amigos acenavam, se despedindo aos prantos.


A partida no porto de Kobe, Japão


A despedida do Santos Maru, 1929


Já no mesmo dia os chefes de família eram chamados para uma grande reunião no convés. O capitão apresentava a tripulação, o representante máximo da agência de emigração apresentava os supervisores. Estes explicavam as regras a bordo, os horários, a rotina do dia a dia com detalhes sobre economia de água, lavagem as roupas, uso correto dos banheiros, regras para o  banho, etc. 


Eram eleitos dois ou três representantes de cada um dos dormitórios, com a função de organizar o local, de ouvir as queixas, etc.


Os emigrantes desciam ao deck inferior, onde se situavam os dormitórios. Ficavam aterrorizados com as instalações - os dormitórios eram apertados, escuros e mal ventilados. 



Deck da terceira classe em navio de imigrantes

Dormitório emigrantes em navio, final do século 19


Alguns emigrantes começavam a sentir os primeiros sintomas de enjoo de mar.


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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

As empresas de emigração e imigração e os navios

 

A viagem dos imigrantes ao Brasil

Cap. 02 - As empresas de emigração / imigração e os navios

 

Para melhor entendimento, esclareço alguns pontos sobre as empresas envolvidas nas emigrações/imigrações.

 

Emigrante é o termo usado para “pessoa que está deixando o país para morar em outro”. É, no caso deste site, o japonês saindo do Japão.


Imigrante é o termo para “pessoa vinda de outro país”.

 

As empresas de emigração no Japão faziam o recrutamento de emigrantes, e trabalhavam sob encomenda de empresas de imigração no Brasil. Eram duas empresas diferentes e sem relação entre si, exceto as contratuais.

 

As empresas de emigração tinham grande apoio do governo japonês, e dele recebiam subsídios por emigrante recrutado. A empresa de emigração de Ryu Midzuno no Japão se chamava Kōkoku Shokumin Gaisha.

 

No processo de emigração participava também empresas de transporte marítimo, que eram donas dos navios. Eram contratadas pelas agencias de emigração no Japão. 


Anuncio de uma empresa de emigração no Japão

 

Os supervisores das agências de emigração

 

As empresas de emigração contratavam funcionários para acompanhar, apoiar, organizar os emigrantes nas viagens, os chamados supervisores. Estes exerciam papel crucial nas viagens. Sem eles, seria impossível a viagem.

 

Ao final da viagem, dependendo dos acontecimentos no percurso e das circunstâncias, alguns supervisores eram benquistos pelos viajantes, e outros eram vistos como arrogantes, ruindades.

 

Os supervisores tinham que ser hábeis no trato das pessoas, pacientes e emocionalmente bem equilibrados.

 

Os navios que serviram a emigração japonesa

 

Os navios de emigrantes japoneses partiam de Kobe e Yokohama.

Eram cargueiros antigos, não apropriados para transporte de passageiros. O porão do navio era dividido em 4 ou 5 partes, que serviam de dormitórios separados.

 

Este porão era chamado de 3ª. classe, e ali eram os emigrantes, acomodados em beliches de madeira, sem ventilação adequada e com pouca luz natural. Os que tinham melhores condições, poderiam pagar para viajar na 2ª. classe, mas eram casos raríssimos.

 

Os supervisores das agências e a tripulação do navio ficavam na 2ª. classe.

 

Os navios tinham uma lojinha a bordo, onde se vendia principalmente cigarros e saquê.

 

O número de imigrantes por navio variava muito, de 300 a 800. Porém ocorriam viagens com superlotações, com navios trazendo até 1.700 passageiros (como foi o caso das viagens do Wakasa Maru).

 

A primeira classe

 

Os navios tinham quartos de primeira classe. Os viajantes dela tinham refeitórios próprios, com cardápio diferenciado. Nessa classe viajavam grandes empresários, agentes do governo e os abastados.

 

Muitos da primeira classe, em primeiro momento,ficavam atônitos com a situação da terceira, a dos imigrantes. 

Eles sempre compareciam para assistir aos eventos dos emigrantes (teatrinhos, undokai, odori, etc), coisas que apreciavam muito. Ficavam também impressionados com a disciplina e ordem dos emigrantes japoneses.

Por golpe de sorte, alguma imigrante poderia ser contratada para servir de babá de alguma criança na primeira classe. 


Quarto de primeira classe do navio Buenos Aires Maru

👉 Continua no Capitulo III - o porto de Kobe 


Veja também :


👉 Capitulo I  - Considerações Gerais - introdução


👉 A viagem dos imigrantes ao Brasil - todos os capitulos