O estado geral de falta de informação - as fake news
O cenário de desinformação em que viveu a colônia japonesa retrata bem o perigo da censura ou de fontes de informações não confiáveis (é por isso que eu não acredito em nada que é postado em redes sociais)..
Basicamente o Shindo Renmei se
aproveitou do precário acesso que a colônia japonesa tinha à informação. Os
jornais em língua japonesa foram extintos pelo governo Vargas, e a maioria da
colônia não entendia o português. Por isso, as informações sobre a guerra, que
eram propagadas principalmente via rádio e pelos jornais das grandes cidades
não eram entendidas pelos japoneses.
Os aparelhos de rádio de ondas
curtas (que captavam sinais do exterior) foram confiscados, bem como as cartas
vindas do Japão. Por isso, a colônia ficou sem fontes confiáveis de informação.
A derrota do Japão era então
propagada boca a boca, e o Shindo Renmei afirmava que tudo não se passava de
boatos, mentiras (fake news), e quem acreditava nelas eram considerados
traidores da pátria, derrotistas.
Entre a comunidade japonesa havia muitas pessoas que reconheciam
a derrota do Japão. Entretanto, boa parte dos japoneses mais humildes —
especialmente aqueles que viviam em áreas mais remotas — continuou a acreditar
na vitória ou continuidade da guerra.
Esse fenômeno não se limitou ao Brasil; japoneses que viviam no Peru e Havaí, militares que eram mantidos como prisioneiros de guerra também não acreditavam na derrota do Japão, pelos mesmos motivos: a falta de informação segura e verdadeira.
Um exemplo de distorção da verdade, o Shindo usou a histórica foto da
cerimônia da rendição do Japão, a bordo do Missouri, para afirmar que era o
contrário: os aliados eram ali os derrotados. Argumentavam que na foto os
japoneses apareciam bem vestidos, de cabeça erguida, em uniformes militares,
exibindo medalhas no peito e desfilando diante dos soldados inimigos, estes
desarmados e submissos.
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| A comissão japonesa, no ato da rendição do Japão |
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