Kasato Maru – a chegada ao porto de Santos
![]() |
| Jornal de Santos 16 de junho de 1908 |
A Tribuna de Santos, em edição de 01/05/1908, anunciava, mais de um mes antes, a chegada.
![]() |
| O depoimento do governador Jorge Tibiriça 01 |
![]() |
| O depoimento do govenador Jorge Tibiriça 02 |
![]() |
| O depoimento do governador Jorge Tibiriça 3 |
O Kasato Maru nessa viagem foi capitaneado pelo ingles Alfred G. Stevens.
Partiu do porto de Kobe, em 28 de abril e chegou a Santos no dia 17 de junho de 1908. A travessia oceânica durou portanto 52 dias.
Na hora da chegada era noite, o porto estava fechado e por isso o navio ficou parado a
certa distância, esperando o raiar do dia. A noite deste dia, observando as
luzes da cidade de Santos ao longe, foi um misto de grande júbilo pelo final da penosa viagem e muita ansiedade.
Muitos choraram de saudades da pátria e dos parentes e amigos que ficaram para trás. .
No dia seguinte, 18 de junho de 1908 (data oficial do inicio da imigração japonesa ao Brasil) aconteceu a atracação, porém os
imigrantes permaneceram ainda a bordo. Funcionários da saúde pública paulista subiram
a bordo e deram uma rápida inspeção nos imigrantes.
Uma pequena comitiva, vinda de São Paulo, subiu a bordo para recepcionar
os imigrantes: Arajiro Miura, Ministro Plenipotenciário Japonês, que veio de Petrópolis
(Rj); Rafael Monteiro, representante da companhia de imigração; Teijiro Suzuki,
secretário a Hospedaria dos Imigrantes; e Takeo Goto, comerciário, funcionário
das Casas Fujisaki, de São Paulo.
Era véspera do Dia de São João e na noite de 18 de junho,
ainda a bordo, ouviam-se rojões e alguns balões cortavam o céu. Comovidos, os
japoneses pensaram que eram rojões de boas-vindas.
Na manhã do dia seguinte, 19 de junho os imigrantes foram
acordados as 3:30. O café foi servido as 5:00, ainda a bordo. As 07:00 iniciou-se
o desembarque e o embarque em trem com destino a Hospedaria dos Imigrantes, em
São Paulo.
No dia 20 de junho, os imigrantes receberam na Hospedaria um
visitante ilustre: o governador do Estado de Sp Manuel Joaquim de Albuquerque
Lins, recém empossado.
Um inspetor da Secretaria da Agricultura, J. Amandio Sobral, foi a hospedaria e produziu um relatório, publicado no Jornal Paulistano foi, dando as primeiríssimas informações sobre os recém-chegados
(veja post desta reportagem neste site). Essa reportagem é histórica, muito conhecida por todos estudiosos de imigração.
![]() |
| Kasato Maru em Porto de Santos, 1908 |
![]() |
| Desembarque dos imigrantes do Kasato Maru |
O serviço aduaneiro na Hospedaria dos Imigrantes
No dia 22 de junho, funcionários da aduana iniciaram a
inspeção das bagagens, para verificar alguma possibilidade de contrabando, mas absolutamente
nada encontraram que pudesse ser taxado. A inspeção durou longos 2 dias, mais
de 1.100 malas foram verificadas. Os funcionários da aduana elogiaram a paciência,
a ordem e a colaboração dos japoneses na inspeção.
Seis dias após a chegada, um grupo de imigrantes desejou sair
da hospedaria para dar um rápido passeio. Na rua, acompanhados de um guia da
hospedaria, os japoneses foram cercados por curiosos, que nunca tinham visto japonês
na vida. As moças imigrantes foram alvos de especial atenção.
No dia 27 de junho, finalmente, os imigrantes começaram a
ser enviados para as fazendas, quase todas no norte de São Paulo, onde assinariam contrato de trabalho. Estas transferências
se estenderam até o dia 06 de julho.
A ferrovia para as fazendas tinha uma pequena estação anexa à Hospedaria dos Imigrantes.
![]() |
| Estação Ferroviária Hospedaria dos Imigrantes |
![]() |
| Estação Hospedaria dos Imigrantes, 1930 |
O inspetor da Secretaria da Agricultura (em seu relatório publicado no jornal) relatou que os japoneses deixaram a Hospedaria dos Imigrantes em absoluta ordem e limpa. “Os dormitórios quase não precisam ser varridos, mal se encontrando de longe em longe um pedacinho de papel ou um fósforo queimado...”
A reportagem da Tribuna de Santos e o preconceito contra os japoneses
A nossa lavoura, grita-se por toda a parte, está sem braços !
Pois bem. Aí vão braços novos, de uma potencia formidável.
Parabéns à lavoura paulista, apesar de que, a nosso ver, não é caso para isso.
A experiência tem demonstrado que essa colonização asiática tem dado mau resultado em toda a parte. Os japoneses não se adaptam aos países em que vivem, são refratários aos usos e costumes alheios, constituem, fora da pátria, uma sociedade sua própria, como acontece na América do Norte.
Antes o perigo germânico e o ítalo, que nos parecem imaginários. “
👉 Clique aqui para ler a reportagem do inspetor J. Amandio Sobral
👉 Clique aqui para ir ao mapa deste site




























-Getulio-Vargas-Dourados-Ms-c.1953.jpg)
















