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terça-feira, 18 de agosto de 2026

O incidente no Buenos Aires Maru

 

O incidente no navio Buenos Aires Maru

Uma pequena curiosidade na história da imigração japonesa ao Brasil.

Em dezembro de 1929 o navio Buenos Aires Maru, que estava levando emigrantes para o Brasil, aportou na Cidade do Cabo, como era de praxe. Era a parada obrigatória para abastecimento de combustível, comida, água, etc.

No mesmo dia, o navio Manila Maru, vindo do Brasil, onde deixara emigrantes, atracou também em Cidade do Cabo.

Alguns imigrantes que estavam no Manila Maru, voltando para o Japão, resolveram visitar os conterrâneos no Buenos Aires. Perguntados, explicaram então os motivos deles estarem voltando ao Japão: o trabalho nas fazendas do Brasil era árduo, os ganhos eram poucos, os imigrantes ficavam endividados, a possibilidade de enriquecer era nula. Os repatriados pintaram o Brasil como o inferno na Terra.

Esse quadro nada animador rapidamente se espalhou no Buenos Aires. Em questão de horas, o navio inteiro já estava a par das informações. As esperanças e os sonhos dos emigrantes viraram pó. A noite a bordo foi de insônia, desespero, discussões e caos.

Na manhã seguinte, quando o Buenos Aires se preparava para zarpar, aconteceu uma grande aglomeração no convéns do navio. Por unanimidade, os emigrantes a bordo exigiram que o Buenos Aires fizesse meia volta e retornasse ao Japão. Alegaram que foram enganados pela propaganda das companhias de emigração.

Os agentes de emigração passaram a convencer todos que, apesar das enormes dificuldades a enfrentar no Brasil, era um lugar, para eles, ainda melhor que o Japão. Explicou a eles as possibilidades a longo prazo, a enormidade territorial do Brasil, com terras baratas para todos, etc.

Apesar da propaganda enganosa no Japão, os agentes de emigração não estavam errados. A prova é que os imigrantes em sua maioria tiveram uma vida bem melhor no Brasil do que teriam no Japão.

Convencidos os imigrantes a continuar, o navio prosseguiu então sua viagem ao Brasil, chegando em Santos em 29/12/1929.

Há uma nota no jornal Folha da Manhã anunciando a chegada do navio no Rio de Janeiro, no dia 25/01/1930. Ele aportou em Buenos Aires (Argentina), e em seguida, Santos.

Folha da Manhã, 26/01/1930


Buenos Aires Maru

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Kobe Imigration Center

A viagem dos emigrantes ao Brasil

Cap. 03 -  Kobe Imigration Center - Kobe, Japão

O National Kobe Emigration Center foi estabelecido em 1928, para servir de suporte para os emigrantes que deixaram o Japão, principalmente aqueles que foram para a América do Sul. 

National Kobe Emigration Center

Antes da existência desse centro, os emigrantes  ficavam a espera de embarque em dezenas de pequenos hotéis, em condições precárias e a um custo muito alto para as companhias de emigração. 

No dia do embarque, era difícil reunir todos os viajantes, pois ficavam espalhados pelos hotéis cidade. Eram vários os casos em que o traslado chegava no hotel e não encontrava algum emigrante, que tinha dado uma saidinha.

Após a inauguração do Kobe Emigration Center, muitos hoteis encerraram as atividades, visto que o centro absolveu todos os clientes.

 

A hospedagem no Kobe Emigration Center era gratuita, e a estadia máxima era de 10 dias. Ali eram ministradas palestras e cursos sobre o novo país; e os emigrantes recebiam as devidas vacinas e tinham aulas do idioma do país a acolher eles.


Ali eram orientados também sobre quem pagaria as despesas do processo de imigração (taxas portuárias, alimentação, hospedagens, transportes até às fazendas, etc). Eram alertados para não serem cobrados indevidamente ao chegar no país escolhido.

 

Na periferia do centro funcionavam várias lojinhas que vendiam conveniências baratas: sabonetes, lenços, toalhas de banho, canecos, chinelos, chapeis, etc. 


Se estabeleceram também nos arredores alfaiates que confeccionavam roupas ocidentais. Os imigrantes encomendavam “roupa de trabalho”, que eram roupas simples feitas de tecidos rústicos. As mulheres encomendavam vestidos e os homens paletós. Os alfaiates se apressavam, tinham prazo curto, pois muitas encomendas chegavam de última hora e a partida do navio era as vezes eminente.


 

O estado de ansiedade no centro


No local, reinava a ansiedade, o medo, a  dúvida e ao mesmo tempo a esperança. Como é o Brasil ? Como são as fazendas ? Seriam bem tratados ? Ganhariam dinheiro?

Muitos ficavam em estado de dúvida, a beira da desistência, mas não tinham dinheiro para retornar para casa. Outros não podiam desistir, pois tinham que acompanhar familiares.

 

Ocorriam muitas manifestações de paixões, de amor. Moças e rapazes recebiam cartas com pedidos de casamento de ultima hora: “desista de ir ao Brasil, não me abandone e se case comigo”. Paixões secretas eram reveladas : “não quero que vá embora sem voce saber que te amo…”, promessas de fidelidade aconteciam: “esperarei a sua volta…”. Essas manifestações de amor geravam dúvidas, angústias, choros e até desistências.

 

Moças que eram obrigadas a se casar em esquema de casamento simulado para formar família de imigrante montada ficavam em dúvida. O casamento fajuto seria anulado mais tarde? Os agentes da companhias de emigração garantiam que sim, que o casamento forjado era apenas uma formalidade.


Emigrantes em frente ao Kobe Emigration Center

A rotina do dia a dia no Kobe Emigration Center

 

Muitos rapazes recorriam ao centro, na esperança de serem adotados, e assim poderem se esconder no Brasil, fugindo da convocação militar e consequente envio à ocupação da Coreia ou Manchuria.

 

Os emigrantes faziam e refaziam cálculos, de quanto iam ganhar em um ano (o contrato de trabalho firmado por eles com as fazendas de café era de um ano). Era crucial esse primeiro ano: se não desse certo a vida no Brasil, precisavam de ganhar, no primeiro ano, o suficiente para pelo menos pagar a passagem de volta ao Japão.

 

Alguns funcionários da emigração faziam inspeções nas bagagens. Procuravam por produtos que poderiam ser barrados no Brasil, ou serem sujeitos a tributação fiscal.  As bagagens eram guardadas em depósitos, ficando o emigrante somente com uma bolsa com algumas mudas de roupas e uma nècessaire com objetos de uso pessoal.

 

Os médicos e enfermeiras trabalhavam em ritmo forte, nenhum emigrante poderia embarcar doente. Haviam casos de subnutrição entre as crianças. E algumas épocas, o tracoma era epidêmico no Japão. Havia o trabalho incessante de vacinações.

 

Por vezes, aparecia um padre católico no Kobe Imigration Center, para pregar o Cristianismo. Explicava que o Brasil era um país de católicos e tentava, sem sucesso, incutir nos japoneses xintoístas e budistas os dogmas da Igreja Católica.

 

Na última noite na hospedagem, às vésperas do embarque, os homens promoviam “festa de despedida do Japão”. Bebia-se então muito saquê e se embebedavam e promoviam cantorias.


A conferencia da lista


Os supervisores faziam a confirmação de presença na hospedaria. Tinham já a lista de bordo, com todos os emigrantes contratados. Os ausentes eram procurados. Se não fossem encontrados, seus nomes eram eram riscados na lista. Alguns assistentes observavam "não embarcou". 


Famílias inteiras não embarcavam, muitas vezes porque um dos membros ficou doente e não podia ser deixado para trás sozinho. 


Lista de passageiros Buenos Aires Maru, 12-1929



 Histórico do Kobe Emigration Center


Em 1932 o local foi rebatizado para “Kobe Emigrant Education Center".  

Durante a Segunda Guerra, foi fechado e transformado em um centro de treinamento dos civis que eram enviados em territórios militarmente ocupados pelo Japão, recebendo então o nome de "Greater East Asia Personnel Training Center".

Terminada a Segunda Guerra, foi reaberto em 1952, rebatizado novamente, como "Kobe Emigration Mediation Center".

Em 1956, foi aberto um novo centro de apoio aos emigrantes em Yokohama ("Yokohama Emigration Mediation Center"), fato que diminuiu a importância do centro de Kobe.

Em 1964, foi novamente rebatizado, como “Kobe Emigration Center”. Em 1971, devido ao final das correntes migratórias, encerrou as atividades. Calcula-se que cerca de 250 mil emigrantes passaram por ele.


Kobe Emigration Center hoje 


O local foi reaberto em 2009, apos algumas reformas. Foi dividido em tres secções, como segue :


“Sailing for Hopes and Unknown Field”, um museu da emigração japonesa. Na sua entrada, em 1995 foi colocado um monumento em homenagem ao imigrante japones que emigrou para o Brasil.


“Field of Association with Multiple Cultures”, uma associação para dar suporte aos imigrantes locais.


“Creation Field of Art”, um centro cultural e escola de artes, multi étnico.

Memorial aos Emigrantes, Kobe, Japão

Grupo de emigrantes no Kobe Emigration Center





sexta-feira, 31 de julho de 2026

Kasato Maru - a chegada no Porto de Santos

Kasato Maru – a chegada ao porto de Santos

Antes da chegada - os noticiários

As saídas dos navios de imigrantes no Japão eram avisadas ao porto, às ferrovias, aos fazendeiros, à Hospedaria dos Imigrantes, etc com antecedência, para assim todos terem tempo suficiente para os preparativos para recebê-los. Os jornais da época acabavam também sendo informados.

O Jornal de Santos, em edição do dia 16/06/1908 noticiava a breve chegada do Kasato Maru: 

Jornal de Santos 16 de junho de 1908

A Tribuna de Santos, em edição de 01/05/1908, anunciava, mais de um mes antes, a chegada.

Tribuna de Santos 01/05/1908

O Jornal A Noticia (de Curitiba, Pr), anunciava com bastante antecedência (04/04/1908) a chegada do Kasato Maru e lamentava o fato, pois o país em geral era contra a imigração de orientais para o Brasil.


A Noticia, Pr, edição de 04/04/1908

A manifestação do governador Jorge Tibiriça

Em um depoimento ao jornal Correio Paulistano, edição 04/05/1908, o então governador do Estado de São Paulo Jorge Tibiriça anunciou que o primeiro navio de imigrantes estava prestes a chegar, graças ao apoio do governo dele. Salienta que o japonês foi escolhido, pois a Itália não permitia mais a emigração para o Brasil.
O depoimento do governador Jorge Tibiriça 01

O depoimento do govenador Jorge Tibiriça 02

O depoimento do governador Jorge Tibiriça 3


A chegada do Kasato Maru

O Kasato Maru nessa viagem foi capitaneado pelo ingles Alfred G. Stevens.

Partiu do porto de Kobe, em 28 de abril e chegou a Santos no dia 17 de junho de 1908. A travessia oceânica durou portanto 52 dias. 

Na hora da chegada era noite, o porto estava fechado e por isso o navio ficou parado a certa distância, esperando o raiar do dia. A noite deste dia, observando as luzes da cidade de Santos ao longe, foi um misto de grande júbilo pelo final da penosa viagem e muita ansiedade. Muitos choraram de saudades da pátria e dos parentes e amigos que ficaram para trás. .

No dia seguinte, 18 de junho de 1908 (data oficial do inicio da imigração japonesa ao Brasil) aconteceu a atracação, porém os imigrantes permaneceram ainda a bordo. Funcionários da saúde pública paulista subiram a bordo e deram uma rápida inspeção nos imigrantes.

Uma pequena comitiva, vinda de São Paulo, subiu a bordo para recepcionar os imigrantes: Arajiro Miura, Ministro Plenipotenciário Japonês, que veio de Petrópolis (Rj); Rafael Monteiro, representante da companhia de imigração; Teijiro Suzuki, secretário a Hospedaria dos Imigrantes; e Takeo Goto, comerciário, funcionário das Casas Fujisaki, de São Paulo.

Era véspera do Dia de São João e na noite de 18 de junho, ainda a bordo, ouviam-se rojões e alguns balões cortavam o céu. Comovidos, os japoneses pensaram que eram rojões de boas-vindas.

Na manhã do dia seguinte, 19 de junho os imigrantes foram acordados as 3:30. O café foi servido as 5:00, ainda a bordo. As 07:00 iniciou-se o desembarque e o embarque em trem com destino a Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo.

No dia 20 de junho, os imigrantes receberam na Hospedaria um visitante ilustre: o governador do Estado de Sp Manuel Joaquim de Albuquerque Lins, recém empossado. 

Um inspetor da Secretaria da Agricultura, J. Amandio Sobral, foi a hospedaria e produziu um relatório, publicado no Jornal Paulistano foi,  dando as primeiríssimas informações sobre os recém-chegados (veja post desta reportagem neste site). Essa reportagem é histórica, muito conhecida por todos estudiosos de imigração.

Kasato Maru em Porto de Santos, 1908

Desembarque dos imigrantes do Kasato Maru

O serviço aduaneiro na Hospedaria dos Imigrantes

No dia 22 de junho, funcionários da aduana iniciaram a inspeção das bagagens, para verificar alguma possibilidade de contrabando, mas absolutamente nada encontraram que pudesse ser taxado. A inspeção durou longos 2 dias, mais de 1.100 malas foram verificadas. Os funcionários da aduana elogiaram a paciência, a ordem e a colaboração dos japoneses na inspeção.

Seis dias após a chegada, um grupo de imigrantes desejou sair da hospedaria para dar um rápido passeio. Na rua, acompanhados de um guia da hospedaria, os japoneses foram cercados por curiosos, que nunca tinham visto japonês na vida. As moças imigrantes foram alvos de especial atenção.

No dia 27 de junho, finalmente, os imigrantes começaram a ser enviados para as fazendas, quase todas no norte de São Paulo,  onde assinariam contrato de trabalho. Estas transferências se estenderam até o dia 06 de julho.

A ferrovia para as fazendas tinha uma pequena estação anexa à Hospedaria dos Imigrantes. 

Estação Ferroviária Hospedaria dos Imigrantes

Estação Hospedaria dos Imigrantes, 1930

O inspetor da Secretaria da Agricultura (em seu relatório publicado no jornal) relatou que os japoneses deixaram a Hospedaria dos Imigrantes em absoluta ordem e limpa. “Os dormitórios quase não precisam ser varridos, mal se encontrando de longe em longe um pedacinho de papel ou um fósforo queimado...”

A reportagem da Tribuna de Santos e o preconceito contra os japoneses

O jornal A Tribuna de Santos, edição de 18 de junho de 1908, noticiou a chegada, acrescentado uma nota de insatisfação com a presença dos japoneses.



A Tribuna de Santos, 18 de junho de 1908.
(transcrição)

As 9:30 da manhã de ontem, entrou em nosso porto o vapor japonês Kasato Maru, consignado á casa Wilson Sons & Cia., desta praça. E' esta a primeira viagem que esse vapor faz para portos do Brasil, tendo levado 51 dias de Kobe a este porto, tocando em Singapura e Capetown.
O Kasato Maru, que tem 3.823 toneladas de registro e 01 homens (sic) de tripulação, e é comando pelo capitão A. O. Stevens, trouxe 781 imigrantes japoneses para nosso Estado, que hoje devem seguir para a capital em trem especial, que partirá às 9 horas da manhã.
O Kasato Maru tambem traz a seu bordo vinte e poucos passageiros de classe, em viagem de recreio.
As 5 horas da tarde o Kasato Maru atracou no cais das Docas, em frente ao armazém no. 14.
Durante a viagem desse vapor, e já em águas brasileiras, deu-se no dia 15 do corrente, as 11 horas da noite, um lamentável facto, que vai noticiado noutra parte desta folha.

    (N.R. Infelizmente, não consegui encontrar a “noutra parte desta folha”)

O nosso solo é tão vasto e está na maior parte desabitado, que de qualquer modo precisa povoamento.
A nossa lavoura, grita-se por toda a parte, está sem braços !
Pois bem. Aí vão braços novos, de uma potencia formidável.
Parabéns à lavoura paulista, apesar de que, a nosso ver, não é caso para isso.
A experiência tem demonstrado que essa colonização asiática tem dado mau resultado em toda a parte. Os japoneses não se adaptam aos países em que vivem, são refratários aos usos e costumes alheios, constituem, fora da pátria, uma sociedade sua própria, como acontece na América do Norte.
Antes o perigo germânico e o ítalo, que nos parecem imaginários. 

👉 Clique aqui para ler a reportagem do inspetor J. Amandio Sobral

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domingo, 26 de julho de 2026

Shindo Renmei - atentados terroristas-junho sangrento

 Shindo Renmei - os atentados terroristas 

A Folha da Manhã, em sua edição de 26 de julho de 1946 publicou uma reportagem a respeito dos atentados. O mes de julho de 1946 foi especialmente violento na colônia japonesa. A reportagem faz um levantamento de diversos atos ocorridos no mes de abril e junho de 1946, em várias cidades do estado de Sp.

Manchete da edição


Considerando que a legibilidade está ruim, fiz a transcrição.

Texto 01 da reportagem

"Continua em crescendo impressionante (sic) a série de atentados terroristas japoneses praticados no interior do Estado, principalmente na zona noroeste. Metodicamente em proporção de um por dia os atentados estão deixando toda a colônia em estado de permanente terror, sem que, para contornar a situação, bastem as providencias cada vez mais enérgicas das autoridades competentes. Ao que se sabe, bem poucos criminosos caíram, até agora, nas mãos da Polícia. A maioria que está detida constitui-se de simples suspeitos. Basta dizer que o japonês que é tido como chefe visível do chamado “Pelotão Suicida”, já identificado como sendo Sunao Shi??hiki e que tem participado pessoalmente de todos os atentados ainda não foi preso, sendo totalmente desconhecido o seu paradeiro. 

Texto da reportagem (2)

Por outro lado, sabe-se que os principais e mais dispostos elementos encarregados das execuções vivem internados no mato, sem nunca aparecer nas cidades ou centros populares, a não ser com o fim único de levar a efeito o atentado.

ADMITE-SE O RECRUDESCIMENTO INTENSIVO DOS ATENTADOS

Pelos dados que podemos colher no Serviço Secreto da Ordem Pública e Social, confrontada com ...

Texto da reportagem (3)


... a opinião unânime de numerosos japoneses que prestam sua colaboração decidida às autoridades, admite-se o recrudescimento intensivo dos atentados. Podemos adiantar que muitos japoneses, já tendo iniciado uma ação defensiva, estudam a possibilidade de instituir, também, um regime de verdadeiro contra-terror, escalando grupos de patrícios decididos para dar caça aos criminosos, embrenhando-se igualmente na mata, a fim de apresenta-los à Justiça.

23 ATENTADOS ATÉ O DIA 23

Texto da reportagem (4)

Há dias, a “Folha da Noite” publicou o total do balanço trágico, anotando 22 atentados com 34 vítima. Hoje graças à gentileza do delegado Geraldo Cardoso de Melo, que chefia o Serviço Secreto do Departamento de Ordem Pública, podemos resumir cada um desses atentados, cujo total foi acrescido de mais um. Ei-los:
 
A SERIE DE CRIMES

Em 7 de março do corrente ano, na cidade de Bastos, foi assassinado a tiros por japoneses desconhecidos, o gerente da Cooperativa Agrícola da localidade, Ikuta Mizobe. Em 1º. de abril, pelas 5 horas da madrugada, foi assaltada a ...

Texto (5)

... residência do ex-diplomata nipônico, sr. Shiguetsuna Furuya. A (endereço, ilegível), nesta Capital. Ao que ficou apurado, os assaltantes pertenciam ao 1.o grupo do “Pelotão Suicida”, que, pelas janelas e portas do edifício, fizeram numerosos disparos, tentando assassinar o patrício, o qual, porém, não foi atingido. Quando tentaram...

Texto 6

... tentaram fugir, foram presos por guardas-noturnos os assaltantes Tatsuo Watan(ilegível), chefe do bando, e Mitsuro Ikeda.

No mesmo dia, uma hora depois, isto é, as 6 horas, o jornalista e industrial japonês Tsuzaburo Nomura, foi assassinado em sua residência, à rua Zacarias Klein, 15, nesta Capital. A esposa da vítima, que presenciou a cena, foi também agredida e subjugada pelos criminosos. Em 17 do mesmo mês, as 9 horas, em (ilegível) foram vitimas de um atentado os nipônicos Kanezo Shibuia, Hisamitsu Hayashi e Issamu Miura. Os autores do delito Tadashi Fukuma e Shugui (Shogi?) Nakamura foram presos em flagante depois de uma espetacular tentativa de fuga.

No dia 30, em Presidente Prudente, quando passava pelo quilometro 10, da estrada de (ilegível), o japonês Eikiti Tsuzuki foi alvejado a tiros por nipônicos desconhecidos, escapando, porem, ileso. 

Texto 7


EM BASTOS

A partir do mesmo dia e hora os terroristas tentaram passarem a agir de preferencia na cidade de Bastos. Ali o japonês Massao Ikeda foi vítima de um atentado, tendo sofrido ferimentos leves, pela explosão de uma bomba de mostarda, que se achava escondida em numa caixinha. Um menor foi quem entregou a caixinha, declarando que a  mesma lhe fora entregue por um japonês de identidade iganorada.

Em 1º. de abril, ainda na cidade de Bastos, os nipônicos Massao Honda e Yoshimatsu Kussahara também foram vítimas de uma bomba de mostarda remetida por indivíduos desconhecidos. As vítimas sofreram ferimentos de natureza leve. No mesmo dia e na mesma cidade João Hayashi, Hitiro Oba e Gonkiti Yamanaka residentes nos bairros de Monteiro, Esperança e Cascata, respectivamente também receberam caixinhas idênticas, contendo bombas de mostarda...

Texto 8

Todos sofreram ferimentos leves não tendo sido identificado os remetentes. No dia seguinte Bastos foi teatro de outro atentado, na pessoa de Hatiro Abe, que recebeu a mesma caixinha, sofrendo ferimentos leves em virtude da explosão da tal bomba de mostarda. Como em outros casos, foi portador da caixinha uma criança que não soube identificar a pessoa que lhe mandara entregar a mortífera encomenda. 

Texto 9 

NESTA CAPITAL E EM DIVERSOS MUNICIPIOS

Deixando a cidade de Bastos em paz por algum tempo, os terroristas escolheram outras zonas para campo de ação. Em 2 de junho, foi morto a tiros a golpes de faca na sua residência, nesta Capital, (ilegível) Jinsaku Wakiyama. Os assaltantes invadira a casa da vitima e, depois de praticado o delito, procuraram a autoridade de plantão na Polícia Central. Verificou-se que os assassinos eram remanescentes dos bandos autores dos dois primeiros atentados registrados nesta Capital. As 16h30m do dia 10 de julho em Brauna, município de Glicério, Katsu Yaghi foi atacado por três japoneses, não sofrendo porem qualquer ferimento. A vítima reconheceu entre os assaltantes os patrícios (ilegível) Heba, ......

Texto 10

...Itchiro Negahiro. Duas horas depois desse atentado um outro era registrado na cidade de Bilac deixando vítimas Oishi Mori e Meichi Mori(*), ambos comerciantes assassinados por patrícios desconhecidos.

Em 12 do mesmo mês na localidade de Mil Alqueires, município de Coroados dois japoneses desconhecidos assaltaram uma residência familiar ferindo a faca e a tiros o dono da casa Kasuke Tominaga, sua esposa Kazuke Tominaga, Shutoshi Tominaga e mais duas pessoas, sendo uma delas Shigueo Tsuda que morreu dias depois, no (ilegível) . Outro japonês que foi assassinado pelas 10 horas do mesmo dia no bairro de (ilegível), antigo Bela Vista, município de Bilac, foi Issamu Sahanai. Em 16...

(*) N.R. os mortos em Bilac foram Milton Mori e Kazuhiro Mori, o repórter não citou corretamente os nomes.

Texto 11

....de abril, entrando novamente na cidade de Bastos, os terroristas, que usavam máscaras, feriram a tiros de revolver e pistola “Mauser” o ex-gerente do Banco da América, Hiroshi Yamanaka e sua esposa.

As 18h30 do dia imediato, em Cafelândia, foi assassinado o japonês Shohei Kusunoki e ferido gravemente o dentista Kiso Imai, ambos residentes na cidade. Os criminosos foram presos em flagrante. Nesse mesmo dia, registraram-se mais dois assaltos sendo um deles em Cafelândia. Cinco fanáticos assaltaram os japoneses Takeuchi e um outro de identidade ignorada, saindo ambos ilesos. O segundo assalto teve lugar em Getulina às 10 horas. Japoneses desconhecidos assassinaram Tosi Horiuchi, diretor da Cooperativa 2ª. Uetsuka.No dia seguinte, em Borborema, 

Texto 12

... o japonês Takuso Iwata foi assassinado. Às 21h20 do mesmo dia, no Patrimônio de Inúbia, em Lucélia, japoneses não identificados tentaram assassinar Toshimi Assano, que ficou gravemente ferido. Em 23 do mesmo mês às 2h45, em Osvaldo Cruz houve um atentado à residência de Izuro Suzuki. Os assaltantes atiraram uma bomba ou garrafa de querosene provocando incêndio na casa. Finalmente as 22h30 de 23 do corrente, no bairro de Cascata em Bastos verificou-se o último atentado. O japonês Kasuhara de tal saindo ao quintal de sua residência para verificar o motivo porque os cachorros latiam foi alvejado por disparo de revolver, não sendo, porem atingido.

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