Kasato Maru – a chegada ao porto de Santos
Antes da chegada - os noticiários
As saídas dos navios de imigrantes no Japão eram avisadas ao porto, às ferrovias, aos fazendeiros, à Hospedaria dos Imigrantes, etc com antecedência, para assim todos terem tempo suficiente para os preparativos para recebê-los. Os jornais da época acabavam também sendo informados.
O Jornal de Santos, em edição do dia 16/06/1908 noticiava a breve chegada do Kasato Maru:
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| Jornal de Santos 16 de junho de 1908 |
A Tribuna de Santos, em edição de 01/05/1908, anunciava, mais de um mes antes, a chegada.
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| Tribuna de Santos 01/05/1908 |
O Jornal A Noticia (de Curitiba, Pr), anunciava com bastante antecedência (04/04/1908) a chegada do Kasato Maru e lamentava o fato, pois o país em geral era contra a imigração de orientais para o Brasil.
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| A Noticia, Pr, edição de 04/04/1908 |
A manifestação do governador Jorge Tibiriça
Em um depoimento ao jornal Correio Paulistano, edição 04/05/1908, o então governador do Estado de São Paulo Jorge Tibiriça anunciou que o primeiro navio de imigrantes estava prestes a chegar, graças ao apoio do governo dele. Salienta que o japonês foi escolhido, pois a Itália não permitia mais a emigração para o Brasil.
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| O depoimento do governador Jorge Tibiriça 01 |
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| O depoimento do govenador Jorge Tibiriça 02 |
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| O depoimento do governador Jorge Tibiriça 3 |
A chegada do Kasato Maru
O Kasato Maru nessa viagem foi capitaneado pelo ingles Alfred G. Stevens.
Partiu do porto de Kobe, em 28 de abril e chegou a Santos no dia 17 de junho de 1908. A travessia oceânica durou portanto 52 dias.
Na hora da chegada era noite, o porto estava fechado e por isso o navio ficou parado a
certa distância, esperando o raiar do dia. A noite deste dia, observando as
luzes da cidade de Santos ao longe, foi um misto de grande júbilo pelo final da penosa viagem e muita ansiedade.
Muitos choraram de saudades da pátria e dos parentes e amigos que ficaram para trás. .
No dia seguinte, 18 de junho de 1908 (data oficial do inicio da imigração japonesa ao Brasil) aconteceu a atracação, porém os
imigrantes permaneceram ainda a bordo. Funcionários da saúde pública paulista subiram
a bordo e deram uma rápida inspeção nos imigrantes.
Uma pequena comitiva, vinda de São Paulo, subiu a bordo para recepcionar
os imigrantes: Arajiro Miura, Ministro Plenipotenciário Japonês, que veio de Petrópolis
(Rj); Rafael Monteiro, representante da companhia de imigração; Teijiro Suzuki,
secretário a Hospedaria dos Imigrantes; e Takeo Goto, comerciário, funcionário
das Casas Fujisaki, de São Paulo.
Era véspera do Dia de São João e na noite de 18 de junho,
ainda a bordo, ouviam-se rojões e alguns balões cortavam o céu. Comovidos, os
japoneses pensaram que eram rojões de boas-vindas.
Na manhã do dia seguinte, 19 de junho os imigrantes foram
acordados as 3:30. O café foi servido as 5:00, ainda a bordo. As 07:00 iniciou-se
o desembarque e o embarque em trem com destino a Hospedaria dos Imigrantes, em
São Paulo.
No dia 20 de junho, os imigrantes receberam na Hospedaria um
visitante ilustre: o governador do Estado de Sp Manuel Joaquim de Albuquerque
Lins, recém empossado.
Um inspetor da Secretaria da Agricultura, J. Amandio Sobral, foi a hospedaria e produziu um relatório, publicado no Jornal Paulistano foi, dando as primeiríssimas informações sobre os recém-chegados
(veja post desta reportagem neste site). Essa reportagem é histórica, muito conhecida por todos estudiosos de imigração.
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| Kasato Maru em Porto de Santos, 1908 |
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| Desembarque dos imigrantes do Kasato Maru |
O serviço aduaneiro na Hospedaria dos Imigrantes
No dia 22 de junho, funcionários da aduana iniciaram a
inspeção das bagagens, para verificar alguma possibilidade de contrabando, mas absolutamente
nada encontraram que pudesse ser taxado. A inspeção durou longos 2 dias, mais
de 1.100 malas foram verificadas. Os funcionários da aduana elogiaram a paciência,
a ordem e a colaboração dos japoneses na inspeção.
Seis dias após a chegada, um grupo de imigrantes desejou sair
da hospedaria para dar um rápido passeio. Na rua, acompanhados de um guia da
hospedaria, os japoneses foram cercados por curiosos, que nunca tinham visto japonês
na vida. As moças imigrantes foram alvos de especial atenção.
No dia 27 de junho, finalmente, os imigrantes começaram a
ser enviados para as fazendas, quase todas no norte de São Paulo, onde assinariam contrato de trabalho. Estas transferências
se estenderam até o dia 06 de julho.
A ferrovia para as fazendas tinha uma pequena estação anexa à Hospedaria dos Imigrantes.
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| Estação Ferroviária Hospedaria dos Imigrantes |
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| Estação Hospedaria dos Imigrantes, 1930 |
O inspetor da Secretaria da Agricultura (em seu relatório publicado no jornal) relatou que os japoneses
deixaram a Hospedaria dos Imigrantes em absoluta ordem e limpa. “Os dormitórios
quase não precisam ser varridos, mal se encontrando de longe em longe um
pedacinho de papel ou um fósforo queimado...”
A reportagem da Tribuna de Santos e o preconceito contra os japoneses
O jornal A Tribuna de Santos, edição de 18 de junho de 1908, noticiou a chegada, acrescentado uma nota de insatisfação com a presença dos japoneses.
A Tribuna de Santos, 18 de junho de 1908.
(transcrição)
“As 9:30 da manhã de ontem, entrou em nosso porto o vapor japonês Kasato Maru, consignado á casa Wilson Sons & Cia., desta praça. E' esta a primeira viagem que esse vapor faz para portos do Brasil, tendo levado 51 dias de Kobe a este porto, tocando em Singapura e Capetown.
O Kasato Maru, que tem 3.823 toneladas de registro e 01 homens (sic) de tripulação, e é comando pelo capitão A. O. Stevens, trouxe 781 imigrantes japoneses para nosso Estado, que hoje devem seguir para a capital em trem especial, que partirá às 9 horas da manhã.
O Kasato Maru tambem traz a seu bordo vinte e poucos passageiros de classe, em viagem de recreio.
As 5 horas da tarde o Kasato Maru atracou no cais das Docas, em frente ao armazém no. 14.
Durante a viagem desse vapor, e já em águas brasileiras, deu-se no dia 15 do corrente, as 11 horas da noite, um lamentável facto, que vai noticiado noutra parte desta folha. “
(N.R. Infelizmente, não consegui encontrar a “noutra parte desta folha”)
“O nosso solo é tão vasto e está na maior parte desabitado, que de qualquer modo precisa povoamento.
A nossa lavoura, grita-se por toda a parte, está sem braços !
Pois bem. Aí vão braços novos, de uma potencia formidável.
Parabéns à lavoura paulista, apesar de que, a nosso ver, não é caso para isso.
A experiência tem demonstrado que essa colonização asiática tem dado mau resultado em toda a parte. Os japoneses não se adaptam aos países em que vivem, são refratários aos usos e costumes alheios, constituem, fora da pátria, uma sociedade sua própria, como acontece na América do Norte.
Antes o perigo germânico e o ítalo, que nos parecem imaginários. “
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