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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Kobe Imigration Center

 Kobe Imigration Center - Kobe, Japão

O National Kobe Emigration Center foi estabelecido em 1928, para servir de suporte para os emigrantes que deixaram o Japão, principalmente aqueles que foram para a América do Sul. 

National Kobe Emigration Center

Antes da existência desse centro, os emigrantes  ficavam a espera de embarque em dezenas de pequenos hotéis, em condições precárias e a um custo muito alto para as companhias de emigração. 

No dia do embarque, era difícil reunir todos os viajantes, pois ficavam espalhados pelos hotéis cidade. Eram vários os casos em que o traslado chegava no hotel e não encontrava algum emigrante, que tinha dado uma saidinha.

Após a inauguração do Kobe Emigration Center, muitos hoteis encerraram as atividades, visto que o centro absolveu todos os clientes.

 

A hospedagem no Kobe Emigration Center era gratuita, e a estadia máxima era de 10 dias. Ali eram ministradas palestras e cursos sobre o novo país; e os emigrantes recebiam as devidas vacinas e tinham aulas do idioma do país a acolher eles.


Ali eram orientados também sobre quem pagaria as despesas do processo de imigração (taxas portuárias, alimentação, hospedagens, transportes até às fazendas, etc). Eram alertados para não serem cobrados indevidamente ao chegar no país escolhido.

 

Na periferia do centro funcionavam várias lojinhas que vendiam conveniências baratas: sabonetes, lenços, toalhas de banho, canecos, chinelos, chapeis, etc. 


Se estabeleceram também nos arredores alfaiates que confeccionavam roupas ocidentais. Os imigrantes encomendavam “roupa de trabalho”, que eram roupas simples feitas de tecidos rústicos. As mulheres encomendavam vestidos e os homens paletós. Os alfaiates se apressavam, tinham prazo curto, pois muitas encomendas chegavam de última hora e a partida do navio era as vezes eminente.


 

O estado de ansiedade no centro


No local, reinava a ansiedade, o medo, a  dúvida e ao mesmo tempo a esperança. Como é o Brasil ? Como são as fazendas ? Seriam bem tratados ? Ganhariam dinheiro?

Muitos ficavam em estado de dúvida, a beira da desistência, mas não tinham dinheiro para retornar para casa. Outros não podiam desistir, pois tinham que acompanhar familiares.

 

Ocorriam muitas manifestações de paixões, de amor. Moças e rapazes recebiam cartas com pedidos de casamento de ultima hora: “desista de ir ao Brasil, não me abandone e se case comigo”. Paixões secretas eram reveladas : “não quero que vá embora sem voce saber que te amo…”, promessas de fidelidade aconteciam: “esperarei a sua volta…”. Essas manifestações de amor geravam dúvidas, angústias, choros e até desistências.

 

Moças que eram obrigadas a se casar em esquema de casamento simulado para formar família de imigrante montada ficavam em dúvida. O casamento fajuto seria anulado mais tarde? Os agentes da companhias de emigração garantiam que sim, que o casamento forjado era apenas uma formalidade.


Emigrantes em frente ao Kobe Emigration Center

A rotina do dia a dia no Kobe Emigration Center

 

Muitos rapazes recorriam ao centro, na esperança de serem adotados, e assim poderem se esconder no Brasil, fugindo da convocação militar e consequente envio à ocupação da Coreia ou Manchuria.

 

Os emigrantes faziam e refaziam cálculos, de quanto iam ganhar em um ano (o contrato de trabalho firmado por eles com as fazendas de café era de um ano). Era crucial esse primeiro ano: se não desse certo a vida no Brasil, precisavam de ganhar, no primeiro ano, o suficiente para pelo menos pagar a passagem de volta ao Japão.

 

Alguns funcionários da emigração faziam inspeções nas bagagens. Procuravam por produtos que poderiam ser barrados no Brasil, ou serem sujeitos a tributação fiscal.  As bagagens eram guardadas em depósitos, ficando o emigrante somente com uma bolsa com algumas mudas de roupas e uma nècessaire com objetos de uso pessoal.

 

Os médicos e enfermeiras trabalhavam em ritmo forte, nenhum emigrante poderia embarcar doente. Haviam casos de subnutrição entre as crianças. E algumas épocas, o tracoma era epidêmico no Japão. Havia o trabalho incessante de vacinações.

 

Por vezes, aparecia um padre católico no Kobe Imigration Center, para pregar o Cristianismo. Explicava que o Brasil era um país de católicos e tentava, sem sucesso, incutir nos japoneses xintoístas e budistas os dogmas da Igreja Católica.

 

Na última noite na hospedagem, às vésperas do embarque, os homens promoviam “festa de despedida do Japão”. Bebia-se então muito saquê e se embebedavam e promoviam cantorias.


Embarque em Kobe, c. 1908



 Histórico do Kobe Emigration Center


Em 1932 o local foi rebatizado para “Kobe Emigrant Education Center".  

Durante a Segunda Guerra, foi fechado e transformado em um centro de treinamento dos civis que eram enviados em territórios militarmente ocupados pelo Japão, recebendo então o nome de "Greater East Asia Personnel Training Center".

Terminada a Segunda Guerra, foi reaberto em 1952, rebatizado novamente, como "Kobe Emigration Mediation Center".

Em 1956, foi aberto um novo centro de apoio aos emigrantes em Yokohama ("Yokohama Emigration Mediation Center"), fato que diminuiu a importância do centro de Kobe.

Em 1964, foi novamente rebatizado, como “Kobe Emigration Center”. Em 1971, devido ao final das correntes migratórias, encerrou as atividades. Calcula-se que cerca de 250 mil emigrantes passaram por ele.


Kobe Emigration Center hoje 


O local foi reaberto em 2009, apos algumas reformas. Foi dividido em tres secções, como segue :


“Sailing for Hopes and Unknown Field”, um museu da emigração japonesa. Na sua entrada, em 1995 foi colocado um monumento em homenagem ao imigrante japones que emigrou para o Brasil.


“Field of Association with Multiple Cultures”, uma associação para dar suporte aos imigrantes locais.


“Creation Field of Art”, um centro cultural e escola de artes, multi étnico.

Memorial aos Emigrantes, Kobe, Japão

Grupo de emigrantes no Kobe Emigration Center