Kobe Imigration Center - Kobe, Japão
O National Kobe Emigration Center foi estabelecido em 1928, para servir de suporte para os emigrantes que deixaram o Japão, principalmente aqueles que foram para a América do Sul.

National Kobe Emigration Center
Antes da existência desse centro, os emigrantes ficavam a espera de embarque em dezenas de pequenos hotéis, em condições precárias e a um custo muito alto para as companhias de emigração.
No dia do embarque, era difícil reunir todos os viajantes, pois ficavam espalhados pelos hotéis cidade. Eram vários os casos em que o traslado chegava no hotel e não encontrava algum emigrante, que tinha dado uma saidinha.
Após a
inauguração do Kobe Emigration Center, muitos hoteis encerraram as atividades,
visto que o centro absolveu todos os clientes.
A hospedagem no
Kobe Emigration Center era gratuita, e a estadia máxima era de 10 dias. Ali
eram ministradas palestras e cursos sobre o novo país; e os emigrantes recebiam
as devidas vacinas e tinham aulas do idioma do país a acolher eles.
Ali eram
orientados também sobre quem pagaria as despesas do processo de imigração
(taxas portuárias, alimentação, hospedagens, transportes até às fazendas, etc).
Eram alertados para não serem cobrados indevidamente ao chegar no país
escolhido.
Na periferia do centro funcionavam várias lojinhas que vendiam conveniências baratas: sabonetes, lenços, toalhas de banho, canecos, chinelos, chapeis, etc.
Se
estabeleceram também nos arredores alfaiates que confeccionavam roupas
ocidentais. Os imigrantes encomendavam “roupa de trabalho”, que eram roupas
simples feitas de tecidos rústicos. As mulheres encomendavam vestidos e os
homens paletós. Os alfaiates se apressavam, tinham prazo curto, pois muitas
encomendas chegavam de última hora e a partida do navio era as vezes eminente.
O estado de
ansiedade no centro
No local,
reinava a ansiedade, o medo, a dúvida e
ao mesmo tempo a esperança. Como é o Brasil ? Como são as fazendas ?
Seriam bem tratados ? Ganhariam dinheiro?
Muitos ficavam
em estado de dúvida, a beira da desistência, mas não tinham dinheiro para
retornar para casa. Outros não podiam desistir, pois tinham que acompanhar familiares.
Ocorriam muitas
manifestações de paixões, de amor. Moças e rapazes recebiam cartas com pedidos
de casamento de ultima hora: “desista de ir ao Brasil, não me abandone e se
case comigo”. Paixões secretas eram reveladas : “não quero que vá embora sem voce
saber que te amo…”, promessas de fidelidade aconteciam: “esperarei a sua volta…”.
Essas manifestações de amor geravam dúvidas, angústias, choros e até desistências.
Moças que eram
obrigadas a se casar em esquema de casamento simulado para formar família de
imigrante montada ficavam em dúvida. O casamento fajuto seria anulado mais
tarde? Os agentes da companhias de emigração garantiam que sim, que o casamento
forjado era apenas uma formalidade.

Emigrantes em frente ao Kobe Emigration Center
A rotina do dia a dia no Kobe Emigration Center
Muitos rapazes
recorriam ao centro, na esperança de serem adotados, e assim poderem se
esconder no Brasil, fugindo da convocação militar e consequente envio à
ocupação da Coreia ou Manchuria.
Os emigrantes
faziam e refaziam cálculos, de quanto iam ganhar em um ano (o contrato de trabalho
firmado por eles com as fazendas de café era de um ano). Era crucial esse
primeiro ano: se não desse certo a vida no Brasil, precisavam de ganhar, no
primeiro ano, o suficiente para pelo menos pagar a passagem de volta ao Japão.
Alguns funcionários
da emigração faziam inspeções nas bagagens. Procuravam por produtos que poderiam
ser barrados no Brasil, ou serem sujeitos a tributação fiscal. As bagagens eram guardadas em depósitos,
ficando o emigrante somente com uma bolsa com algumas mudas de roupas e uma nècessaire
com objetos de uso pessoal.
Os médicos e
enfermeiras trabalhavam em ritmo forte, nenhum emigrante poderia embarcar
doente. Haviam casos de subnutrição entre as crianças. E algumas épocas, o
tracoma era epidêmico no Japão. Havia o trabalho incessante de vacinações.
Por vezes,
aparecia um padre católico no Kobe Imigration Center, para pregar o
Cristianismo. Explicava que o Brasil era um país de católicos e tentava, sem
sucesso, incutir nos japoneses xintoístas e budistas os dogmas da Igreja Católica.
Na última noite
na hospedagem, às vésperas do embarque, os homens promoviam “festa de despedida
do Japão”. Bebia-se então muito saquê e se embebedavam e promoviam cantorias.
Histórico do Kobe Emigration Center
Em 1964, foi novamente rebatizado, como “Kobe
Emigration Center”. Em 1971, devido ao final das correntes migratórias,
encerrou as atividades. Calcula-se que cerca de 250 mil emigrantes passaram por
ele.
Kobe Emigration Center hoje
O local foi
reaberto em 2009, apos algumas reformas. Foi dividido em tres secções, como
segue :
“Sailing for
Hopes and Unknown Field”, um museu da emigração japonesa. Na sua entrada, em
1995 foi colocado um monumento em homenagem ao imigrante japones que emigrou
para o Brasil.
“Field of
Association with Multiple Cultures”, uma associação para dar suporte aos
imigrantes locais.
“Creation Field
of Art”, um centro cultural e escola de artes, multi étnico.

Memorial aos Emigrantes, Kobe, Japão 
Grupo de emigrantes no Kobe Emigration Center
