O inicio desta história - as concessões de Yamanishi e Awazu
Em 11 de março de 1927, Genzaburo Yamanishi, um jovem
empresário de Tóquio, veio ao Brasil e se juntou a Kinroku Awazu, que havia emigrado
para o Brasil em 1914 e residia no Rio de Janeiro.
Os dois, assessorados
pelo então embaixador japonês no Brasil Akira Ariyoshi, com Awazu fazendo papel
de intérprete, firmaram um acordo com o Estado do Amazonas, na época governado
por Ephigenio Ferreira de Salles, para a concessão gratuita de terras.
Conseguiram inacreditáveis 14 milhões de
hectares de terras estatais, uma área absurdamente gigante, equivalente a
140.000 km2, ou seja, uma área do tamanho do estado do Amapá.
Entretanto, essa doação seria consolidada dentro das
seguintes condições: a área deveria ser dividida em 14 lotes de 1 milhão de
hectares; cada um desses lotes deveria ser explorado por uma empresa
investidora diferente (uma empresa não poderia ter dois lotes); apresentar
investidor no prazo de 2 anos e iniciar a vinda de colonos no terceiro ano.
A empresa deveria firmar um acordo com o Governo do Estado do Amazonas para a construção de uma colônia japonesa no lote demarcado, e deveria ser povoada por pelo menos 10.000 famílias de imigrantes japoneses dentro de 50 anos. A média seria então de 100 hectares por família (cerca de 40 alqueires paulista).
Sem tempo para reunir 14 investidores, Yamanishi e Awazu deveriam
portanto, às suas próprias custas, demarcar um total de um milhão de hectares
de terras estatais no Amazonas, dentro de um prazo de dois anos. Após a seleção
da área, Yamanishi e Awazu deveriam constituir uma empresa no Japão, para
investir na Amazonia, no prazo de um ano. Mas não tinham recursos para esses
trabalhos.
Yamanishi retornou ao Japão e tentou convencer investidores
para alavancar o projeto de desenvolvimento de 1 milhão de hectares, mas não foi
bem sucedido, devido à crise financeira.

Akira Ariyoshi - embaixador japones no Brasil
Yamanishi e Awasu cedem a concessão
Sem conseguir investidores, Yamanishi e Awazu cederam os
direitos ao membro da Câmara dos Representantes Tsukasa Uetsuka. Este, era um
profundo estudioso de ocupação e colonização ultramarina japonesa, se
entusiasmou pelo projeto, e conseguiu investidores de peso, entre eles Mitsui,
Sumitomo e Mitsubishi.
Foi fundada então uma escola em Tóquio, a Kokushikan Koto Takushoku Gakko, para atender aos objetivos do projeto (veja página específica sobre esta escola).
Uetsuka enviou ao Amazonas equipes de levantamento
topográfico para analisar e selecionar terras em 1928 e em 1930 (a segunda
equipe, liderada pelo próprio Uetsuka, foi enviada com uma verba do governo).

Missão topográfica de Tsukaza Uetsuka no Amazonas, 1930
Fundação da Vila Amazonia e do Centro de Pesquisa Industrial da Amazônia
Após a seleção, um terreno a dois quilômetros rio abaixo da
cidade de Parintins foi adquirido e denominado "Vila Amazônia". Ironicamente,
o projeto tinha 1 milhão de hectares, mas Uetsuka teve que comprar a área da
vila, pois ela estava fora da concessão.
O Centro de Pesquisa Industrial da Amazônia (ou "Instituto Amazonas") foi estabelecido
nesse local em 21 de outubro de 1930, com uma estação experimental agrícola,
uma estação de observação meteorológica, um hospital, alojamentos, kaikan, etc. Também
foi criada na vila a escola "Jitsugyou Renshu-Sho" (Centro de
Treinamento de Práticas Agrícolas).

Fotograma do Centro Industrial ("Instituto Amazonas")
O Currículo da escola era o seguinte:
(1)
-Moral e ética da nação japonesa, 1 hora por semana;127
(2)
-Língua portuguesa, 18 horas por semana;
(3)
-História de colonização do mundo, 1 hora por semana;
(4)
-Política de colonização do mundo, 1 hora por semana;
(5)
-Aspectos econômicos da América do Sul, 2 horas por semana;
(6)
-Geografia e história da América do Sul, 2 horas por semana;
(7)
-Noçõesde agricultura, 1 hora por semana;
(8)
-Noções de pecuária, 1 hora por semana;
(9)
-Noções de engenharia civil e arquitetura, 1hora por semana;
(10)
-Noções de agrimensura, 1 hora por semana;
(11)
-Noções de cooperativismo, 1 hora por semana;
(12)
-Treinamento de judô e kendô, 2 horas por semana;
![]() |
| Kaikan da Vila Amazônia |
Dos 14 milhões, Uetsuka conseguiu oficialmente a concessão de
1 milhão. Os demais 13 milhões, foram “perdidos”, pois não houve investidores
interessados.
Em outubro de 1940, Uetsuka veio ao Brasil, e foi recebido
pelo presidente Vargas.

Getulio Vargas recebe Uetsuka (no centro)
Em uma reportagem na revista King, de grande circulação no
Japão, Uetsuka descreve a concessão e convida mais investidores.



