O Dojinkai e o Hospital Santa Cruz
Seria grande injustiça desse site não mencionar o Dojinkai
e o Hospital Japonês Santa Cruz.
Nas primeiras décadas da emigração dos japoneses ao Brasil
os imigrantes tinham grandes dificuldades com acesso a assistência médica, por vários
motivos: financeiro, barreira linguística, distância dos pontos de assistência
médica e meios de transporte. Não existiam estradas e nem ambulância. Um
problema simples de saúde já era um grande transtorno.
A Sociedade Beneficente Dojinkai foi uma instituição beneficente, criada em 1924, com o intuito de prestar assistência médica aos imigrantes japoneses. O Dojinkai foi criado pelo Consulado Geral do Japão de São Paulo, com verba doada pelo governo japonês.
A criação do Dōjinkai movimentou as lideranças da
comunidade japonesa da cidade de São Paulo, e os subsídios enviados pelo Japão
despertou na comunidade japonesa a suspeita da possibilidade de um futuro
hospital.
Muitos pioneiros região noroeste de São Paulo, entre eles
Shūhei Uetsuka e Teijirō Suzuki pressionaram o Dojinkai, dando início a um
movimento pela criação do hospital na região noroeste do estado de São Paulo.
Afinal era ali que se concentrava o maior número de imigrantes japoneses.
Entretanto, decidiu-se, enfim, construir o hospital na
cidade de São Paulo.
Não foi inútil a pressão das lideranças do interior do
estado, o Dojinkai abriu postos de saúde em Bauru e Lins no ano 1930; e em
Santos e Presidente Prudente, em 1932.
Caravanas médicas do Dojinkai passaram a circular pelo
estado, prestando assistência médica e promovendo palestras e cursos.
O
Hospital Japonês Santa Cruz
Em 1934, compadecido com a situação dos imigrantes, o Imperador do Japão fez uma
doação no valor de 50 mil ienes para a construção de um hospital para
atender os imigrantes japoneses no Brasil.
A idéia do Imperador era dar o exemplo, e o primeiro
passo.
Seguindo o exemplo do Imperador, em 1935,
foi criado o Comitê de Construção do Hospital Japonês de São Paulo. Calculou-se
que os custos da construção desse hospital chegariam a 800 mil ienes.
Esse custo seria rateado da seguinte
maneira:
- Doação do Imperador, 50 mil ienes
- Subsídio oferecido pelo governo
japonês, 250 mil ienes;
- Donativos arrecadados no Japão 400 mil ienes;
-
Donativos arrecadados entre os japoneses no Brasil, 100 mil ienes.
Eram tempos de pouca burocracia, de
poucos empecilhos, e por isso o hospital foi inaugurado em 1939, apenas 4 anos
depois da formação do Comitê de Construção e campanha de arrecadação.
Oficialmente, a instituição ostentava o
nome “Sociedade Brasileira e Japonesa de Beneficência Santa Cruz”. O prédio
ocupava uma área de 1.460 m2, com 5 andares e um subsolo, 76
apartamentos e 200 leitos, sendo o maior edifício da comunidade nipo-brasileira
até então.
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| Hospital Japones Santa Cruz, 1939 |
Em 1936 o Dojinkai inaugurou o Sanatório São Francisco Xavier, em Campos de Jordão, para tratamento de pacientes com tuberculose.
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| Sanatorio São Francisco Xavier |
Em 1945 o Hospital Japones Santa Cruz
inaugurou um curso de enfermagem.
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| Enfermeiras do hospital, sem data |
O confisco do Hospital Santa Cruz
Com o advento da Segunda Guerra Mundial o
Hospital Santa Cruz, na época controlado e explorado pela colônia japonêsa, foi colocado sob controle do governo federal em 1942. Foi nomeado um interventor e essa situação perdurou até 1945, mas foi, depois de
muito tempo, em 1989 que a comunidade nipo-brasileira reivindicou e reinstaurou
a gestão pelos japoneses.
O Dr. Shizuo Hosoe
Shizuo Hosoe nasceu no dia 4 de julho de
1901, em Wasa, Gero-cho, no Japão e veio ao Brasil em 1930, como
médico-bolsista enviado pelo Ministério de Relações Exteriores do Japão.
Ingressou na Faculdade de Medicina da
Universidade Keio, formando-se em 1930. Recém-formado, aceitou o convite do
governo japonês para trabalhar por três anos na região de Bastos, a fim de
atender os imigrantes japoneses do local. Os três anos se transformaram em
45.
Em 1935 participou na formação do Centro de Assistência
Médica Dojinkai.
Entretanto, seu diploma não era válido
no Brasil, por isso decidiu novamente estudar Medicina em faculdade brasileira.
Passou no vestibular da Faculdade de Medicina da USP, onde se formou em 1940.
Conciliou os estudos com o trabalho na
construção do Sanatório de Campos de Jordão (1937) e do Hospital Santa Cruz
(1939).
Tendo adquirido a nacionalidade
brasileira, em 1941 alistou-se e cumpriu o serviço militar obrigatório em 1942,
aos 41 anos de idade.
Costumava ir ao Rio de Janeiro e
acompanhava os imigrantes japoneses até o porto de Santos no navio. Durante a
viagem, transmitia-lhes os cuidados a serem observados com respeito à saúde e
higiene na colônia.
Publicou vários folhetos e manuais sobre
puericultura, prevenção e tratamento de doenças e guia de medicamentos
Em 1951, o Dr. Shizuo Hosoe recebeu o japonês
Mishiharu Mishima, que difundia o escotismo entre os japoneses no mundo, e com
ele fundou um núcleo de escotismo em São Paulo. O Dr. Hosoe foi praticante fervoroso do escotismo.
Sr. Hosoe faleceu em 28 de agosto de 1975, 45 anos depois de desembarcar no Brasil.
Alem de Shizuo Hosoe, os médicos Sentaro
Takaoka e Yoshinobu Takeda, além de outros, foram importantes profissionais no
atendimento aos emigrantes, nas décadas de 20 a 40.
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| Dr. Shizuo Hosoe |
O Hospital Nipo-Brasileiro
Em 18 de junho de 1988, por ocasião do
80º. Aniversário da Imigração, foi inaugurado o Hospital Nipo-Brasileiro, com
30 leitos, sofrendo ampliações posteriores. Tal como o Santa Cruz, foi construído com verbas doadas pela
comunidade japonesa no Brasil e do governo do Japão.
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| Hospital Nipo-Brasileiro, em São Paulo, Sp |












