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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Os koutakussei e a produção de juta na Amazônia


A introdução da juta no Brasil

A juta é uma planta, de cujo caule se extrai uma fibra, muito resistente. Ela era usada para fabricação de fios para fabricação de sacos para cereais (“sacaria”).

Plantação de juta

Na época dos koutakussei, toda as sacarias vinham da India, grande produtora de juta. Existia no Brasil uma demanda gigantesca de sacarias, para ensacamento de café, e mais tarde também para soja.

Café em sacaria de juta

Sacas de café ensacadas com sacaria de juta

A produção da juta pelos kouakussei foi o maior sucesso do projeto.

Kotaru Tsuji sugere Uetsuka a levar a juta a Amazônia

Kotaru Tsuji, formado em 1927 na Escola Superior do Comercio de Kobe, partiu para o Brasil em viagem de pesquisa científica promovida pelo Ministério da Cultura do Japão.

Na Amazônia, na área de Igarapé Açu (PA), notou que a malva, um planta muito parecida com a juta, crescia com abundância. A malva produz a fibra usada para fabricação do linho Tsuji, supôs então que a juta poderia também, tal como a malva, se adaptar bem a região.

De volta ao Japão, Tsuji foi convidado por Uetsuka para lecionar na recém-inaugurada escola Superior de Colonização Kokushikan, onde viriam a ser formados os kotakuseis enviados à Amazônia. Tsuji passou a Uetsuka a sugestão de produzir a juta na Amazônia.

Convencido por Tsuji, em 1933 Uetsuka enviou a Índia um especialista em agricultura, Isaku Kino, professor da Kokushikan, para estudar tudo o que fosse necessário sobre o cultivo e industrialização da juta. Em agosto desse mesmo ano, segundo o relato de Uetsuka, Kino retornou ao Japão e foi enviado imediatamente ao Amazonas com sementes adquiridas em Calcutá, as quais foram plantadas em terras da Colônia Modelo do Andirá.

Mas deu tudo errado. A juta não se desenvolvia como o esperado e não atingia a altura ideal para viabilidade de exploração econômica (cerca de 4 metros).

Os espécimes de juta trazidos, deveriam ser plantados em locais alagados, e muitas vezes a colheita era feita em época de cheias, obrigando os koutakussei colherem  os ramos com meio corpo submerso.

Ryota Oyama descobre dois espécimes viáveis

Os estudos da planta se estenderam por dois anos, quando então o koutakussei Ryota Oyama (1882-1972) observou que duas mudas haviam crescido à altura desejada. Ele teve a ideai de transplantar essas mudas para um local mais alto, livre de enchentes. Por um golpe da má sorte, acabou quebrando uma das mudas no caminho. Restava, então, um único espécime que poderia gerar hastes longas. Essa haste se desenvolveu bem e gerou sementes, que Oyama colheu.

Oyama dividiu as sementes com outro koutakussei, Yoshimasa. Em 1937, Ryota Oyama colheu seis toneladas de juta e Yoshimasa, quatro toneladas, gerando também sementes do novo espécime, dando início ao clico econômico da juta.

Casa de koutakussei produtor de juta (no varal, secando)

Em Manaus, duas tecelagens foram instaladas, a Brasiljuta e a Fitejuta.

Em 1937, o Brasil comprou 37, 5 toneladas de juta indiana. Dez anos depois, as sementes de Oyama já haviam tornado o Brasil autossuficiente na produção dessa fibra. Entre 1937 até 1942 o Brasil produziu 5.000 toneladas de juta.

Ryota Oyama ficou conhecido como “o pai da juta brasileira”.

Ryota Oyama

Tsukaza Uetsuka e fibras de juta


O fim do ciclo da juta na Amazônia

A partir dos anos 70 a sacaria de fibra de juta passou a ser substituída por um saco feito de um tecido (rafia) de  fios sintéticos (polipropileno PP). Essa nova saca era mais resistente e mais barata que a de juta. Aliado a isso, o processo logístico da soja começou a ser realizado por containers, não mais por sacaria. 

Saco de rafia

Hoje a fibra de juta é usada em baixíssima escala, na fabricação de saquinhos decorativos e embalagem de presentes.

 

Saquinho de rafia 

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