A introdução da juta no Brasil
A juta é uma planta, de cujo
caule se extrai uma fibra, muito resistente. Ela era usada para fabricação de
fios para fabricação de sacos para cereais (“sacaria”).
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| Plantação de juta |
Na época dos koutakussei, toda
as sacarias vinham da India, grande produtora de juta. Existia no Brasil uma
demanda gigantesca de sacarias, para ensacamento de café, e mais tarde também
para soja.
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| Café em sacaria de juta |
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| Sacas de café ensacadas com sacaria de juta |
A produção da juta pelos
kouakussei foi o maior sucesso do projeto.
Kotaru Tsuji sugere Uetsuka a
levar a juta a Amazônia
Kotaru Tsuji, formado em 1927
na Escola Superior do Comercio de Kobe, partiu para o Brasil em viagem de
pesquisa científica promovida pelo Ministério da Cultura do Japão.
Na Amazônia, na área de
Igarapé Açu (PA), notou que a malva, um planta muito parecida com a juta, crescia
com abundância. A malva produz a fibra usada para fabricação do linho Tsuji,
supôs então que a juta poderia também, tal como a malva, se adaptar bem a
região.
De volta ao Japão, Tsuji foi convidado por Uetsuka para lecionar na recém-inaugurada escola Superior de Colonização Kokushikan, onde viriam a ser formados os kotakuseis enviados à Amazônia. Tsuji passou a Uetsuka a sugestão de produzir a juta na Amazônia.
Convencido por Tsuji, em 1933
Uetsuka enviou a Índia um especialista em agricultura, Isaku Kino, professor da
Kokushikan, para estudar tudo o que fosse necessário sobre o cultivo e
industrialização da juta. Em agosto desse mesmo ano, segundo o relato de
Uetsuka, Kino retornou ao Japão e foi enviado imediatamente ao Amazonas com
sementes adquiridas em Calcutá, as quais foram plantadas em terras da Colônia
Modelo do Andirá.
Mas deu tudo errado. A juta
não se desenvolvia como o esperado e não atingia a altura ideal para
viabilidade de exploração econômica (cerca de 4 metros).
Os espécimes de juta trazidos,
deveriam ser plantados em locais alagados, e muitas vezes a colheita era feita
em época de cheias, obrigando os koutakussei colherem os ramos com meio corpo submerso.
Ryota Oyama descobre dois
espécimes viáveis
Os estudos da planta se
estenderam por dois anos, quando então o koutakussei Ryota Oyama (1882-1972) observou
que duas mudas haviam crescido à altura desejada. Ele teve a ideai de
transplantar essas mudas para um local mais alto, livre de enchentes. Por um
golpe da má sorte, acabou quebrando uma das mudas no caminho. Restava, então,
um único espécime que poderia gerar hastes longas. Essa haste se desenvolveu
bem e gerou sementes, que Oyama colheu.
Oyama dividiu as sementes com
outro koutakussei, Yoshimasa. Em 1937, Ryota Oyama colheu seis toneladas de
juta e Yoshimasa, quatro toneladas, gerando também sementes do novo espécime, dando
início ao clico econômico da juta.
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| Casa de koutakussei produtor de juta (no varal, secando) |
Em Manaus, duas tecelagens
foram instaladas, a Brasiljuta e a Fitejuta.
Em 1937, o Brasil comprou 37,
5 toneladas de juta indiana. Dez anos depois, as sementes de Oyama já haviam
tornado o Brasil autossuficiente na produção dessa fibra. Entre 1937 até 1942 o
Brasil produziu 5.000 toneladas de juta.
Ryota Oyama ficou conhecido
como “o pai da juta brasileira”.
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| Ryota Oyama |
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| Tsukaza Uetsuka e fibras de juta |
O fim do ciclo da juta na Amazônia
A partir dos anos 70 a sacaria
de fibra de juta passou a ser substituída por um saco feito de um tecido
(rafia) de fios sintéticos
(polipropileno PP). Essa nova saca era mais resistente e mais barata que a de
juta. Aliado a isso, o processo logístico da soja começou a ser realizado por containers, não mais por sacaria.
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| Saco de rafia |
Hoje a fibra de juta é usada
em baixíssima escala, na fabricação de saquinhos decorativos e embalagem de presentes.
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| Saquinho de rafia |
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