terça-feira, 6 de outubro de 2026

Vida do koutakussei no Instituto de Pesquisa Industrial

 

Vida do koutakussei no Instituto de Pesquisa Industrial

A maior fonte deste post foram as memórias do diretor do Instituto, Sakae Ochi. Foram publicadas no site da NDL (National Diet Library), entre 1984 e 1985.

As memórias foram escritas em japonês e por isso tive que usar o tradutor nativo do Edge. Entretanto esse tradutor não conseguiu fazer a tradução para o português com exatidão, por isso resultou em um texto muito incompreensível.

Lembrando que o presente post é de tradução livre, de redação minha, não literal.

Memórias de Sakae Ochi, diretor do Instituto Amazonas

(Vila Amazonia, 1932)

A Vila Amazonia tinha um centro de treinamento e Pesquisas, denominado "Instituto de Pesquisa Industrial da Amazonia", onde os koutakussei estudavam e treinavam por um período de um ano antes de serem enviados para as colonias. 

A rotina diária

O local e o funcionamento era de certa forma parecido com um acampamento militar.

A rotina diária era sob disciplina estabelecida, com horários de início, descansos para lanche e almoço e final de expediente. O toque de alvorada era as 5:00, e o dia começava com atividades esportivas e ginástica. As 7:00 era servido o café. As 8:00 começavam as aulas teóricas, em sala.

Após um almoço e intervalo, começavam as aulas em campo, os treinamentos práticos, construção de casas, de caminhos, derrubada da floresta da Vila Amazonia, etc  

Havia treinamentos de capinagem, de montagem e manutenção de equipamentos (enxadas, rastelos, forcas, etc), de arar a terra e de derrubada de árvores.

Treinamento de capinagem na Vila Amazonas

O “expediente” terminava as 18:00, ao som de um tiro de espingarda, quando então tomavam banho em rio e iam jantar. 

Após o jantar costumavam se reunir para conversar banalidades, e comentar fatos sobre o trabalho do dia.

Aproveitavam o restante livre da noite para estudar. O toque de recolher era 21:00 quando então as lamparinas deveriam ser apagadas.

Havia vigilância noturna, feita por revezamento.

Não havia férias, apenas um recesso de 15 dias no fim do ano. Para prática esportiva havia um pavilhão onde se treinava kendô, judô e sumô.

Pavilhão da Vila Amazonas - acervo de Camilo Ramos


A cozinha e a comida

O refeitório e a cozinha eram coletivos. Era um trabalho perigoso, pois envolvia manipulação de grandes panelas. Ochi Sakae conta que um cozinheiro se queimou com agua quente e o caso foi bastante complicado, sendo o queimado enviado para o Japão para tratamento. 

Havia um pasto e um pequeno rebanho de 40 vacas leiteiras, para produção de leite e derivados, que também servia de aprendizado sobre pecuária. Além de hortaliças e frutas, comia-se muito pirarucu (é um peixe que se faz bacalhau) e provavelmente mandioca e carne de caça.

Atividades agrícolas na Vila Amazonas – treinamento e pesquisas

A atividade mais importante era a do cultivo experimental de culturas como soja, algodão, arroz, amendoim, banana, milho, gergelim, sorgo, tabaco e algodão, e de algumas árvores como seringueira, cacau e castanha.

Praticavam a prototipagem agrícola.  Consistia em fazer a seleção de sementes geneticamente melhores. Faziam estudos de adensamento (quantas mudas por metro quadrado), de irrigação específica para cada planta, do seu tempo de desenvolvimento (estudo do tipo: quantos dias leva tal variedade de  laranja para frutificar?), controle de pragas, etc. A prototipagem do arroz era considerada a mais importante.

Existia um jardim botânico para observação das espécies, e uma horta onde se plantava cenoura, daikon, rabanete, etc

As derrubadas e queimadas

O trabalho mais árduo e importante de todos eram as das derrubadas. Colonizar é derrubar mata virgem. 

Consistia em duas etapas, a primeira era de limpar a floresta, cortando os arbustos, as árvores menores e cipós. Em seguida vinha o corte das arvores maiores. Era um trabalho perigoso e o grande problema era o ataque de cobras,  carrapatos,  mosquitos e formigas.

Após derrubada, algumas árvores eram desgalhadas, pois atrapalhavam a circulação. Havia uma época apropriada para a derrubada, que antecedia a época seca. Após dois meses secando, as arvores, já no solo, eram queimadas.

A falta da companhia feminina

A maioria dos koutakussei vieram solteiros e o diretor do Instituto repetidamente alertava para não se envolver com as mulheres nativas, as amazonenses. Ele espalhava uma informação falsa, dizendo que se os pais da moça descobrissem eram obrigados a casar na delegacia, sob ameaça de armas.

A prática do homossexualismo era punida com severidade.

Alguns vieram já casados, e tiveram filhos na Vila. Um nihongakko (escola de japones) foi construído, para atender essas crianças. 

Crianças na Vila Amazonia, sem data


Inauguração do Nihongakko, sem data

As visitas a Parintins

A maior diversão dos koutakussei era visitar a cidade de Parintins, naquela época uma vila. Havia um barco a motor que ia até a essa vila para fazer compras, pegar correspondências, etc. e os rapazes pediam repetidamente ao diretor para ir a Parintins, para ajudar a carregar o barco e  “treinar o portugues”. O diretor sempre consentia alguns a irem, porém com a exigência de usarem sapato, paletó e gravata, além de chapéu social. O intuito era passar a impressão de que o japonês era refinado e elegante, mesmo nos confins da Amazonia.  E tinham a ordem de retirar o chapéu sempre que uma moça os saudasse. Esses rapazes viravam alvo de grande curiosidade na vila.

Quando tinham algum dinheiro, a grande compra em Parintins era a cachaça, e voltavam a Vila Amazônia com garrafas de cachaça como se fossem tesouros.

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