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domingo, 11 de outubro de 2026

A Colonia Koutakussei Andirá no Amazonas

 

A Colônia Andirá dos koutakussei na Amazônia

Em 1933, Kotaro Tuji e Sakae Ochi foram os encarregados a organizar a Colônia Modelo de Andirá na área da concessão, situada entre os rios Uaicurapá e Andirá para onde eram encaminhados os colonos e koutakusseis para levar avante a colonização agrícola. A Colônia Andirá ficava a mais ou menos 30 km da Vila Amazônia, por via fluvial.

A Colônia Andirá

O encaminhamento para a colônia era feito após longo treinamento na Vila Amazônia, no Centro de Pesquisas Industriais da Vila Amazonas, conhecido por Instituto Amazonas.

A ida da Colônia Andirá até Vila Amazônia era em direção à jusante (foz) do rio Mamuru e em seguida pelo Rio Paraná do Ramos, também em direção a jusante. Portanto a ida era toda a favor da corrente.

A colônia foi elaborada em 5 grandes glebas (mapa), cada uma recebendo turmas diferentes de koutakussei.

As cinco glebas da Colônia Andirá

Apesar da concessão ser de 1 milhão de hectares, a Colônia Andirá não representava mais que 5% desse milhão.

A destinação das terras

Boa Esperança - 1a. turma de koutakussei
Boa Fonte - 2a. e 3a. turmas de koutakussei
Santa Luzia - 4a. turma 
Doce - 5a. e 6a. turmas
Taubaquera - 7a. turma

A vida difícil nas colônias

Como era de imaginar, a vida no interior da mata Amazônicas nos anos 30 era duríssima. A Colônia Andirá era isolada, não existiam estradas. O único meio de transporte era fluvial, feita por barcos, e a única estrutura de apoio era na Vila Amazônia, a aproximadamente 30 km por via fluvial.

Os japoneses subestimaram a floresta. Por isso muitos koutakusei faleceram precocemente, antes dos 40 anos, de malária, febre amarela ou outras infecções desconhecidas. Aconteceram muitos suicídios. Enfrentaram o problema dos insetos (pernilongos, formigas, borrachudos e mosquitos pólvora), o perigo dos animais selvagens (cobras e aranhas), e a falta de assistência médica. Não havia água encanada, telefone, eletricidade, farmácia, posto de emergência médica, mercados, etc.

“Passamos a viver como povos primitivos, sem eletricidade, à luz de lamparinas, cortando lenha para cozinhar e se aquecer. Cozinhar era perigoso, pois havia o perigo de se queimar...”, escreveu o koutakusei Ochi Sakae.

Muitos kutakusei, diante das condições precárias, abandonaram o projeto e se migraram para cidades.

Para piorar, foram os imigrantes que mais sofreram perseguições durante a Segunda Guerra Mundial. Tendo inclusive o seu grande centro de apoio, a Vila Amazônia, confiscada pelo governo e fechada.

A situação melhorou para alguns quando obtiveram sucesso com o plantio da juta.

Colônia Andirá - Google Maps

Colônia Andirá no Brasil 

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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Vida do koutakussei no Instituto de Pesquisa Industrial

Vida do koutakussei no Instituto de Pesquisa Industrial

A maior fonte deste post foram as memórias do diretor do Instituto, Sakae Ochi. Foram publicadas no site da NDL (National Diet Library), entre 1984 e 1985.

As memórias foram escritas em japonês e por isso tive que usar o tradutor nativo do Edge. Entretanto esse tradutor não conseguiu fazer a tradução para o português com exatidão, por isso resultou em um texto muito incompreensível.

Lembrando que o presente post é de tradução livre, de redação minha, não literal.

Memórias de Sakae Ochi, diretor do Instituto Amazonas

(Vila Amazonia, 1932)

A Vila Amazonia tinha um centro de treinamento e Pesquisas, denominado "Instituto de Pesquisa Industrial da Amazonia", onde os koutakussei estudavam e treinavam por um período de um ano antes de serem enviados para as colonias. 

A rotina diária

O local e o funcionamento era de certa forma parecido com um acampamento militar.

A rotina diária era sob disciplina estabelecida, com horários de início, descansos para lanche e almoço e final de expediente. O toque de alvorada era as 5:00, e o dia começava com atividades esportivas e ginástica. As 7:00 era servido o café. As 8:00 começavam as aulas teóricas, em sala.

Após um almoço e intervalo, começavam as aulas em campo, os treinamentos práticos, construção de casas, de caminhos, derrubada da floresta da Vila Amazonia, etc  

Havia treinamentos de capinagem, de montagem e manutenção de equipamentos (enxadas, rastelos, forcas, etc), de arar a terra e de derrubada de árvores.

Treinamento de capinagem na Vila Amazonas

O “expediente” terminava as 18:00, ao som de um tiro de espingarda, quando então tomavam banho em rio e iam jantar. 

Após o jantar costumavam se reunir para conversar banalidades, e comentar fatos sobre o trabalho do dia.

Aproveitavam o restante livre da noite para estudar. O toque de recolher era 21:00 quando então as lamparinas deveriam ser apagadas.

Havia vigilância noturna, feita por revezamento.

Não havia férias, apenas um recesso de 15 dias no fim do ano. Para prática esportiva havia um pavilhão onde se treinava kendô, judô e sumô.

Pavilhão da Vila Amazonas - acervo de Camilo Ramos


A cozinha e a comida

O refeitório e a cozinha eram coletivos. Era um trabalho perigoso, pois envolvia manipulação de grandes panelas. Ochi Sakae conta que um cozinheiro se queimou com agua quente e o caso foi bastante complicado, sendo o queimado enviado para o Japão para tratamento. 

Havia um pasto e um pequeno rebanho de 40 vacas leiteiras, para produção de leite e derivados, que também servia de aprendizado sobre pecuária. Além de hortaliças e frutas, comia-se muito pirarucu (é um peixe que se faz bacalhau) e provavelmente mandioca e carne de caça.

Atividades agrícolas na Vila Amazonas – treinamento e pesquisas

A atividade de grande importância era a do cultivo experimental de culturas como soja, algodão, arroz, amendoim, banana, milho, gergelim, sorgo, tabaco e algodão, e de algumas árvores como seringueira, cacau e castanha.

Praticavam a prototipagem agrícola.  Consistia em fazer a seleção de sementes geneticamente melhores. Faziam estudos de adensamento (quantas mudas por metro quadrado), de irrigação específica para cada planta, do seu tempo de desenvolvimento (estudo do tipo: quantos dias leva tal variedade de  laranja para frutificar?), controle de pragas, etc. A prototipagem do arroz era considerada a mais importante.

Existia um jardim botânico para observação das espécies, e uma horta onde se plantava cenoura, daikon, rabanete, etc

As derrubadas e queimadas

O trabalho mais árduo e importante de todos eram as das derrubadas. Colonizar é derrubar mata virgem. 

Consistia em duas etapas, a primeira era de limpar a floresta, cortando os arbustos, as árvores menores e cipós. Em seguida vinha o corte das arvores maiores. Era um trabalho perigoso e o grande problema era o ataque de cobras,  carrapatos,  mosquitos e formigas.

Após derrubada, algumas árvores eram desgalhadas, pois atrapalhavam a circulação. Havia uma época apropriada para a derrubada, que antecedia a época seca. Após dois meses secando, as arvores, já no solo, eram queimadas.

A falta da companhia feminina

A maioria dos koutakussei vieram solteiros e o diretor do Instituto repetidamente alertava para não se envolver com as mulheres nativas, as amazonenses. Ele espalhava uma informação falsa, dizendo que se os pais da moça descobrissem eram obrigados a casar na delegacia, sob ameaça de armas.

A prática do homossexualismo era punida com severidade.

Alguns vieram já casados, e tiveram filhos na Vila. 

As visitas a Parintins

A maior diversão dos koutakussei era visitar a cidade de Parintins, naquela época uma vila. Havia um barco a motor que ia até a essa vila para fazer compras, pegar correspondências, etc. e os rapazes pediam repetidamente ao diretor para ir a Parintins, para ajudar a carregar o barco e  “treinar o portugues”. O diretor sempre consentia alguns a irem, porém com a exigência de usarem sapato, paletó e gravata, além de chapéu social. O intuito era passar a impressão de que o povo japonês era refinado e elegante, mesmo nos confins da Amazônia.  E tinham a ordem de retirar o chapéu sempre que uma moça os saudasse. Esses rapazes viravam alvo de grande curiosidade na vila.

Quando tinham algum dinheiro, a grande compra em Parintins era a cachaça, e voltavam a Vila Amazônia com garrafas de cachaça como se fossem tesouros.

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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Os koutakussei - indice

 👉 01 - Quem eram os koutakussei ? 

 👉 02 - O inicio da história dos koutakussei- a Vila Amazonia

 👉 03 - Kokushikan Koto Takushoku Gakko

 👉 04 - Tsukaza Uetsuka e sua reportagem na revista King

 👉 05- A vida do koutakussei na Vila Amazônia

 👉 06 - A Colônia Koutakussei Andirá

 👉 07 - O sucesso dos koutakussei na produção da juta




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Koutakussei treinando capina


Os koutakussei - quem foram ?

 
Os koutakussei – quem eram?

Os jovens formados pela escola de colonização Koto Takushoku Gakko foram batizados de “ koutakussei”. Essa escola foi fundada com o objetivo de formar jovens imigrantes dispostos a fazer parte de um projeto de colonização no Amazonas. O curso durava um ano, e entre outras coisas, ensinava lingua portuguesa, técnicas agrícolas, geografia do Brasil. 

Eles diferiam dos demais imigrantes da época por terem preparo técnico prévio, a intenção voluntária (não forçada pela pobreza) de se emigrar a Amazonia com o compromisso de se estabelecerem definitivamente no Brasil. Aliado a isso, vieram dentro de um plano pré-concebido, fazendo parte de um investimento agrícola-fundiário, e chegaram ao Brasil com uma estrutura já formalizada para os receberem.

Outra diferença era que ao contrário dos demais imigrantes da época, a maioria dos koutakussei eram jovens de classe média. Portanto, trocaram uma vida confortável e com certo sucesso no futuro no Japão pela opção de vir ao Brasil.

O projeto trouxe ao Brasil 541 imigrantes, destes 248 eram koutakussei, 240 agregados (esposas, etc) e os demais eram funcionários da empresa colonizadora ou técnicos.

Os koutakussei não entendiam o porquê dos brasileiros não terem disposição nem vontade de explorar tanta terra disponível.


As turmas koutakussei

Vieram sete levas (“turmas”) de koutakussei ao Brasil

1ª. turma – 42 koutakussei – 1931

2ª. turma – 52 koutakussei – 1932

3ª. turma – 70 koutakussei – 1933

4ª. turma – 49 koutakussei - 1934 ano da nova Constituição  (*)

5ª. turma – 14 koutakussei – 1935

6ª. turma – 13 koutakussei - 1936

7ª. turma –  5 koutakussei – 1937


(*) Ao que tudo indica, a partir de 1935 o projeto sofreu um severo golpe: a nova Constituição Brasileira de 1984 limitou o número de entrada de imigrantes ao Brasil, e também limitou as concessões de terras à estrangeiros em um máximo de 10 mil hectares. Por esse motivo, nesse ano vieram apenas 14 koutakussei e nos anos seguintes o projeto parece ter perdido força. Na época não existia os conceitos de direito adquirido (antes da lei) e de irretroatividade. Diante do clima de incerteza, o projeto deu uma minguada. 

Esse tipo de coisa (leis prejudiciais a quem já goza de direitos adquiridos, já investiu) é extremamente prejudicial a qualquer país, cria algo chamado de "insegurança jurídica". Os investidores fogem desse tipo de país, que não dá segurança.

A primeira turma koutakussei

Casamento e família do koutakussei

Praticamente todos vieram solteiros, e se casaram mais tarde por omiai, com noivas vindas do Japão. Essas esposas sofreram dobrado, pois imaginavam encontrar condições melhores de vida.

Os casais koutakussei tiveram muitos filhos, de 6 a 10, e muitos deles ficaram órfãos de pai, de mãe ou de ambos, muito precocemente. Os órfãos eram distribuídos entre orfanatos e famílias da colônia.

Por quê decidiram emigrar ?

Por que um jovem de classe média, com bom nível escolar, vivendo muito bem em Tóquio, se mudaria para o interior de uma floresta desbravada, no outro lado do mundo?

A resposta me parece ser única: tomaram a decisão por arroubo, entusiasmo de juventude; por desejo de realizar um projeto sério, de realizar um sonho.

Acima de tudo, provar que era uma pessoa ousada, capaz e ferrenha em seus propósitos, de ser dono do próprio nariz; coisas típicas da juventude japonesa da época.

O koutakussei desejava dar um significado maior ao seu futuro, ser proprietário de uma propriedade idílica, cheia de arvores frutíferas, lago, plantações; vieram para fazer alguma coisa grandiosa na vida.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A tragédia do cólera no Hawai Maru

 

O cólera - o que é ?

O cólera é causado por uma infecção no intestino provocada pela bactéria Vibrio cholerae, que faz as células que revestem o intestino produzirem uma grande quantidade de fluidos, causando diarreia e vômitos.

A infecção é por ingestão de alimentos ou água contaminada com fezes ou vômito de uma pessoa infectada com a doença.

Normalmente, a infecção por cólera é leve e assintomática, mas, por vezes, pode ser grave, resultando em diarreia aquosa profusa, vômito e câimbras nas pernas. O paciente rapidamente perde fluidos corporais, o que leva à desidratação e ao choque. Sem tratamento, a infecção pode levar à morte em questão de horas.

A infecção era comum nos navios de emigrantes. Um comunicado foi emitido pelo Reino Unido aos emigrantes que se dirigiam aos Estados Unidos, em 1858.

 

Alerta do Reino Unido


A tragedia do cólera no Hawai Maru, 1928

O navio Hawai Maru partiu de Kobe com 721 emigrantes, em 16/03/1928.

Um surto de cólera irrompeu a bordo, obrigando o navio a fazer parada de emergência em Singapura em 04/04/1928.

Porém não foram autorizados a desembarcarem no porto, e tiveram que se isolar na ilha Saint John, à distância de 2km do porto.

Esta ilha já tinha uma estrutura para quarentena de emigrantes, que funcionou de 1874 até 1973. Contava com um lazareto, instalação hospitalar para tratamento de doenças contagiosas. A designação da ilha como isolamento de emigrantes foi estabelecida após uma epidemia de cólera fez 357 vitimas em Singapura, em 1873.

 

Emigrantes em quarentena em Saint John Island, 1930

O cólera causou a morte de 19 emigrantes do Hawai Maru. Dezessete emigrantes retornaram ao Japão, desistindo da viagem.

O navio chegou ao Brasil em 18/06/1928, após exaustivos 94 dias de viagem.

Tragédia familiar

Consta na lista de passageiros do Hawai Maru que a família de emigrantes Hoshino teve tres mortes por cólera. O chefe da família (pai), mãe e um filho pereceram e três filhos sobreviventes voltaram ao Japão.

 

Pagina da lista de bordo do Hawai Maru


A vacina contra cólera

Existia uma vacina contra cólera na época, porem ela não tinha eficácia plena comprovada. Não há registros de que o Centro de Imigração de Kobe tenha adotado essa vacina nos protocolos de emigração. As vacinas contra cólera mais eficazes surgiram após os anos 70.

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Emigrantes japoneses - a chegada no porto de Santos

 

A chegada no porto de Santos

 

No dia anterior a chegada a companhia de emigração reunia todos a bordo. Era feito então discursos de agradecimentos a todos pelo esforço e por terem suportado as duras condições da viagem. Algumas homenagens eram concedidas, àqueles que colaboraram com grande empenho nos trabalhos da travessia. Os mais idosos eram também homenageados.


Eram feitas orações àqueles que padeceram na viagem. 

 

A todos era ordenado que antes de dormirem recolhessem os pertences no dormitório, de forma que na manhã seguinte as bagagens de mão já estariam prontas. A agitação tomava conta dos dormitórios.

 

Os supervisores distribuíam formulários a alguns imigrantes, escolhidos a dedo, para a famosa avaliação de desempenho (o atual 0 a 5) para serem encaminhados à matriz. Os formulários com avaliações ruins eram rasgados.

 

A câmara fria da cozinha era aberta para liquidação do estoque e um generoso banquete de comemoração era oferecido aos imigrantes. Os homens, com um bom motivo para beber, se embebedavam e cantavam alto. Os supervisores as vezes tinham que intervir para acalmar a animação. 


A turma da primeira classe comemorava com o capitão e o chefe da agencia de emigração, com bebidas finas, queijos e outros quitutes. 


Os jornais, avisados pelas agencias de imigração, anunciavam as chegadas dos navios. 


Correio Paulistano anunciando chegada de navio de imigrante, 1910

Jornal O Globo, edição de 29 de abril de 1930


Terra à vista !

 

“Burajiru à vista!”. Todos iam eufóricos ao convés para ver as primeiras visões do Brasil. Era sem dúvida um momento de muita emoção e euforia. O navio se aproximava do porto, mas não tinha ainda autorização para atracar. Era preciso antes a inspeção sanitária.



 

Imigrantes no Wakasa Maru avistam o Brasil, 1921

Uma comissão de agentes sanitários brasileiros, subia no navio para as inspeções de saúde. Quem estivesse com doença contagiosa não poderia desembarcar.

 

Uma fila era organizada a bordo, e um a um eram inspecionados. Os olhos recebiam especial atenção, devido ao tracoma.

 

As agências de emigração do Japão costumavam reservar um valor para subornarem os chefes das comissões de agentes sanitários, para eles não serem muito rigorosos. Por isso, raramente aconteciam deportações por problemas de saúde.

 

Finalmente, liberados pelos agentes sanitários, o navio atracava no porto!

 

Era descida a rampa de acesso e os imigrantes começavam a descer do navio!

Imigrantes japoneses descem do navio em Santos

Alguns brasileiros curiosos se aglomeravam no cais para ver o desembarque.

 

Eventualmente algum político comparecia para dar as boas-vindas.

 

Agentes da companhia de imigração no Brasil, todos japoneses, responsáveis pela leva de imigrantes que chegava, se apresentavam aos gritos e com cartazes, davam as boas-vindas. A partir dali eram eles os responsáveis pelos imigrantes, e deviam encaminhá-los até ao destino final: as fazendas.  

 

Apesar da inspeção sanitária, existia, da parte da cidade de Santos, a preocupação de que algum imigrante trouxesse alguma doença infecciosa do país de origem, por isso todos saiam do porto e embarcavam num trem direto para a Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, no bairro do Brás, capital.

 

A dispersão dos imigrantes – as despedidas

 

Na Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, as agências de imigração dividiam os emigrantes em grupos, e cada grupo seguia para uma fazenda, em número determinado por contrato.

 

Na divisão, a agência de imigração procurava afinidades, como, por exemplo, as famílias originarias de uma determinada região do Japão eram destinadas à mesma fazenda. Nessa divisão em grupos, ocorriam as separações. Casais de namorados podiam se separar, cada um sendo enviado a fazendas diferentes.

 

O embarque de grupos para as fazendas marcava um momento das despedidas, de choro e emoção, com muitas promessas de reencontros futuros.

 

E aqui termina a grande aventura dos emigrantes em sua travessia dos oceanos.


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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Organização e o cotidiano a bordo

 A viagem dos emigrantes ao Brasil

Cap 07 - A organização e o dia a dia a bordo

Algumas companhias fundavam a bordo associações do tipo seinenkai (associação de jovens) e fujinkai (associação de senhoras). A cada associação era designado um chefe e também atribuídas algumas obrigações: organização de eventos culturais e festivos, atividades físicas, vigilância a disciplina, limpeza, cozinha, aula de português, etc.
 
Também eram eleitos alguns imigrantes para cuidar da distribuição da água, da lavagem do convés, da lavagem das louças após as refeições, etc. O objetivo da companhia de emigração era promover a auto-gestão da viagem.
 

Os eventos e entretenimentos

 
Para amenizar as árduas condições da viagem, manter a ordem e para passar o tempo, eram realizados muitos eventos.
 
As companhias de emigração traziam materiais para organizar eventos de esporte e entretenimento a bordo. Quimonos de judô, tatames, mimeógrafos, papelaria, cadernos, espadas de kendô, brinquedos, etc. eram materiais trazidos para organizar treinos, competições, edição de jornaizinhos, cursos, etc.  Algumas companhias tinham até projetor de cinema.
 
Eram organizados ainda eventos como undokai, teatrinhos, competições de sumô e kendô; concursos de cantos, apresentações musicais, odôri, etc. Haviam torneios de Go e Shogi (espécies de jogo de tabuleiro).
 
Havia muita prática do judô e ginástica. As aulas de ginástica eram muito incentivadas e tinham bastante participação dos emigrantes. Em geral, ocorriam duas sessões de ginástica ao dia.
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Eram organizados também cursos de panificação, de corte e costura de roupas ocidentais, de Língua Portuguesa, origami e outros. Não raro, era organizado um curso para as crianças, preparando-as para morar no Brasil.
Aula de Lingua Portuguesa a bordo


Até a década de 40 a vitrola e os discos de vinil eram raros, e por isso não se ouvia a música mecânica no navio. Os que tocavam bem algum instrumento musical eram convidados a dar palhinhas.
 
Eventos eram promovidos sempre quando ocorriam ameaças de rebelião, ou clima de descontentamento a bordo
 
Eram raros os cultos religiosos, pois as companhias de emigração raramente contratavam monges budistas/xintoístas.
 
Os navios mantinham uma pequena biblioteca, de forma que muitos livros e revistas ficavam disponíveis a todos.
 
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Apresentação de odori a bordo

Apresentação de odori a bordo

Undokai - corrida das "3 pernas" - os competidores em dupla amarram a perna direita de um na esquerda de outro


Cena de undokai

Undokai - aqui o objetivo da equipe é acender todos os cigarros

Undokai - procure a noiva - rapaz recebe dicas sobre uma moça e vai procurar ela

Undokai - procure a noiva - elas ficam enfileiradas esperando o "noivo"

Undokai - procure o noivo - nessa versão, é a moça que procura o "noivo"

Sekido Matsuri – o Festival do Equador
 

A travessia da linha do equador representava mais ou menos 1/3 da viagem, e era comemorado com entusiasmo, com um evento chamado Sekido Matsuri (Festival do Equador). Segundo crença dos japoneses, era preciso pedir permissão aos deuses dos mares para cruzar a linha.

Essa permissão era feita em uma festa, com apresentações de teatros, dança, música, etc.
 
Sekido Matsuri - mortal pede permissão aos deuses para cruzar o Equador

Emigrantes fantasiados para o Sekido Matsuri


Segundo alguns historiadores, apesar da superlotação de algumas dessas viagens, as companhias de emigração japonesas eram bastante responsáveis e tomavam providencias para tornar a viagem menos penosa. Acredito que amenizar as agruras das viagens era uma exigência do governo japonês, que era um grande incentivador da saída do japonês (pobre) para o exterior.

Shogi - jogo japones de tabuleiro

Go - jogo japones de tabuleiro

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