A
chegada no porto de Santos
No dia
anterior a chegada a companhia de emigração reunia todos a bordo. Era feito
então discursos de agradecimentos a todos pelo esforço e por terem suportado as
duras condições da viagem. Algumas homenagens eram concedidas, àqueles que
colaboraram com grande empenho nos trabalhos da travessia. Os mais idosos eram também
homenageados.
Eram feitas orações àqueles que padeceram na viagem.
A todos era
ordenado que antes de dormirem recolhessem os pertences no dormitório, de forma
que na manhã seguinte as bagagens de mão já estariam prontas. A agitação tomava
conta dos dormitórios.
Os
supervisores distribuíam formulários a alguns imigrantes, escolhidos a dedo,
para a famosa avaliação de desempenho (o atual 0 a 5) para serem encaminhados à
matriz. Os formulários com avaliações ruins eram rasgados.
A câmara fria
da cozinha era aberta para liquidação do estoque e um generoso banquete de
comemoração era oferecido aos imigrantes.
Os jornais, avisados pelas agencias de imigração, anunciavam a chegada do navio.
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| Correio Paulistano anunciando chegada de navio de imigrante, 1910 |
Terra à vista !
“Burajiru à
vista!”. Todos iam eufóricos ao convés para ver as primeiras visões do
Brasil. Era sem dúvida um momento de muita emoção e euforia. O navio se aproximava do porto, mas não tinha ainda autorização para atracar.
Era preciso antes a inspeção sanitária.
Uma comissão
de agentes sanitários brasileiros, subia no navio para as inspeções de saúde.
Quem estivesse com doença contagiosa não poderia desembarcar.
Uma fila era
organizada a bordo, e um a um eram inspecionados. Os olhos recebiam especial
atenção, devido ao tracoma.
As agências de
emigração do Japão costumavam reservar um valor para subornarem os chefes das
comissões de agentes sanitários, para eles não serem muito rigorosos. Por isso,
raramente aconteciam deportações por problemas de saúde.
Finalmente, liberados
pelos agentes sanitários, o navio atracava no porto!
Era descida a
rampa de acesso e os imigrantes começavam a descer do navio!
Alguns
brasileiros curiosos se aglomeravam no cais para ver o desembarque.
Eventualmente
algum político comparecia para dar as boas-vindas.
Agentes da
companhia de imigração no Brasil, todos japoneses, responsáveis pela leva de
imigrantes que chegava, se apresentavam aos gritos e com cartazes, davam as boas-vindas. A
partir dali eram eles os responsáveis pelos imigrantes, e deviam encaminhá-los
até ao destino final: as fazendas.
Apesar da
inspeção sanitária, existia, da parte da cidade de Santos, a preocupação de que
algum imigrante trouxesse alguma doença infecciosa do país de origem, por isso todos
saiam do porto e embarcavam num trem direto para a Hospedaria dos Imigrantes de
São Paulo, no bairro do Brás, capital.
A dispersão dos imigrantes – as despedidas
Na Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo,
as agências de imigração dividiam os emigrantes em grupos, e cada grupo seguia
para uma fazenda, em número determinado por contrato.
Na divisão, a
agência de imigração procurava afinidades, como, por exemplo, as famílias
originarias de uma determinada região do Japão eram destinadas à mesma fazenda.
Nessa divisão em grupos, ocorriam as separações. Casais de namorados podiam se
separar, cada um sendo enviado a fazendas diferentes.
O embarque de
grupos para as fazendas marcava um momento das despedidas, de choro e emoção, com
muitas promessas de reencontros futuros.
E aqui termina
a grande aventura dos emigrantes em sua travessia dos oceanos.


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