quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Emigrantes japoneses - a chegada no porto de Santos

 

A chegada no porto de Santos

 

No dia anterior a chegada a companhia de emigração reunia todos a bordo. Era feito então discursos de agradecimentos a todos pelo esforço e por terem suportado as duras condições da viagem. Algumas homenagens eram concedidas, àqueles que colaboraram com grande empenho nos trabalhos da travessia. Os mais idosos eram também homenageados.


Eram feitas orações àqueles que padeceram na viagem. 

 

A todos era ordenado que antes de dormirem recolhessem os pertences no dormitório, de forma que na manhã seguinte as bagagens de mão já estariam prontas. A agitação tomava conta dos dormitórios.

 

Os supervisores distribuíam formulários a alguns imigrantes, escolhidos a dedo, para a famosa avaliação de desempenho (o atual 0 a 5) para serem encaminhados à matriz. Os formulários com avaliações ruins eram rasgados.

 

A câmara fria da cozinha era aberta para liquidação do estoque e um generoso banquete de comemoração era oferecido aos imigrantes.


Os jornais, avisados pelas agencias de imigração, anunciavam a chegada do navio. 


Correio Paulistano anunciando chegada de navio de imigrante, 1910

Terra à vista !

 

Burajiru à vista!”. Todos iam eufóricos ao convés para ver as primeiras visões do Brasil. Era sem dúvida um momento de muita emoção e euforia. O navio se aproximava do porto, mas não tinha ainda autorização para atracar. Era preciso antes a inspeção sanitária.



 

Uma comissão de agentes sanitários brasileiros, subia no navio para as inspeções de saúde. Quem estivesse com doença contagiosa não poderia desembarcar.

 

Uma fila era organizada a bordo, e um a um eram inspecionados. Os olhos recebiam especial atenção, devido ao tracoma.

 

As agências de emigração do Japão costumavam reservar um valor para subornarem os chefes das comissões de agentes sanitários, para eles não serem muito rigorosos. Por isso, raramente aconteciam deportações por problemas de saúde.

 

Finalmente, liberados pelos agentes sanitários, o navio atracava no porto!

 

Era descida a rampa de acesso e os imigrantes começavam a descer do navio!

 

Alguns brasileiros curiosos se aglomeravam no cais para ver o desembarque.

 

Eventualmente algum político comparecia para dar as boas-vindas.

 

Agentes da companhia de imigração no Brasil, todos japoneses, responsáveis pela leva de imigrantes que chegava, se apresentavam aos gritos e com cartazes, davam as boas-vindas. A partir dali eram eles os responsáveis pelos imigrantes, e deviam encaminhá-los até ao destino final: as fazendas.  

 

Apesar da inspeção sanitária, existia, da parte da cidade de Santos, a preocupação de que algum imigrante trouxesse alguma doença infecciosa do país de origem, por isso todos saiam do porto e embarcavam num trem direto para a Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, no bairro do Brás, capital.

 

A dispersão dos imigrantes – as despedidas

 

Na Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, as agências de imigração dividiam os emigrantes em grupos, e cada grupo seguia para uma fazenda, em número determinado por contrato.

 

Na divisão, a agência de imigração procurava afinidades, como, por exemplo, as famílias originarias de uma determinada região do Japão eram destinadas à mesma fazenda. Nessa divisão em grupos, ocorriam as separações. Casais de namorados podiam se separar, cada um sendo enviado a fazendas diferentes.

 

O embarque de grupos para as fazendas marcava um momento das despedidas, de choro e emoção, com muitas promessas de reencontros futuros.

 

E aqui termina a grande aventura dos emigrantes em sua travessia dos oceanos.


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