A viagem dos emigrantes ao Brasil
Cap. 05- A viagem ao Brasil e as paradas nos portos
As viagens,
partindo de Kobe duravam de 40 a 45 dias. Aconteciam paradas nos portos de Hong
Kong, Saigon (Vietnã), Colombo (Sri Lanka); em Singapura (onde moravam muitos
japoneses que para lá imigraram); e ainda nos portos de Durban ou Cidade do
Cabo (Africa do Sul), Buenos Aires e Rio de Janeiro.
Os navios não
obrigatoriamente paravam em todos esses portos, cada um tinha um itinerário
próprio. Como os navios faziam também o papel de cargueiros, tinham que parar
em algum desses portos para carga e descarga de mercadorias.
As paradas
serviam para reabastecimento de combustível (carvão mineral), água doce e
comida.
Os doentes
graves a bordo eram deixados em hospitais nessas paradas. Esses casos de doença
provocavam atraso na viagem, visto que era necessário providenciar
internamento, assistência médica, repatriamento, etc. do doente.
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| As rotas e os portos de parada |
A parada no
porto de Hong Kong
A parada em
Hong Kong era sempre para abastecimentos, cargas e descargas, e causava grande alvoroço a bordo. Todos solicitavam aos supervisores
da companhia de emigração permissão para desembarcar e passear pela cidade.
Cansados de viagem, queriam espairecer e, pela primeira vez na vida, pisar em
um país estrangeiro, e ver uma pessoa não-japonesa.
Obviamente,
era proibido desembarcar, pois naquele momento da viagem havia o perigo de desistência,
do emigrante se perder na cidade, de contrair uma doença, etc. Com certeza, causaria atraso na partida do
navio e grande confusão se fosse liberado o desembarque de todos.
Os
supervisores espalhavam a bordo a fake news dizendo que Hong Kong era insalubre, cheio pessoas com doenças
contagiosas, e que era, portanto, perigoso desembarcar.
Havia mais um agravante nessa parada. Hong Kong era território inglês, entretanto era habitado por chineses. Muitos deles odiavam os japoneses devido as duas Guerras Sino-Japonesas de 1895 e 1934. Temia-se que fanáticos chineses contaminassem a comida ou a água servida aos japoneses. Por isso, muitos navios proibiam a compra de alimentos e o consumo de água nesse porto.
Muitos
alegavam que precisavam desembarcar para fazer compra de algum item
indispensável (cobertor, por exemplo). Outros diziam que tinham amigos
imigrantes no porto e que desejavam vê-los.
Entretanto, a
alguns poucos emigrantes era permitido o desembarque. Em geral eram aqueles que
trabalhavam afinco no navio, e o desembarque era uma espécie de prêmio. Esse
privilégio gerava protestos. Os viajantes da primeira classe desembarcavam sem
problema.
O que
desembarcavam deveriam andar em grupo, sempre vigiados e guiados por um
supervisor da agência. Quando paravam numa loja, todos entravam, causando
alvoroço no estabelecimento. Era o mesmo
que um grupo de excursionistas nos dias de hoje, com um guia carregando uma
bandeirinha na frente.
Vários
barquinhos se aproximavam no casco do navio. Eram chineses vendendo banana,
cigarros e laranjas. Eles fixavam cestos em varas longas de bambu e içavam os
cestos com as mercadorias e o preço até a borda do convés do navio. O
passageiro que quisesse comprar, retirava a mercadoria e deixava o dinheiro no
cesto. Comprava-se muitos cigarros, pois eram baratos.
Alguns navios
permitiam que vendedores ambulantes chineses subissem a bordo. Estes ofereciam
bugigangas, cachimbos, cigarros, souvenires, etc. Mas os japoneses ficavam mais
fascinados com a aparência e o linguajar dos vendedores do que com as
mercadorias.
Os preços das
mercadorias eram bem baixos em relação aos preços do Japão, e variavam de
acordo com a cara do freguês, e também baixavam muito quando se aproximava a
hora do navio zarpar. Alguns japoneses pagavam até 3 vezes mais o preço normal
e mesmo assim achavam barato.
Algumas
mercadorias trazidas do Japão, por encomenda, eram desembarcadas nos portos.
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| Imigrantes se aglomeram na borda do navio para observarem a aproximação de um porto |
As paradas
em Singapura
Com todos já cansados
da viagem, alguns navios permitiam o desembarque dos emigrantes em Singapura,
para espairecer. Eram orientados a andarem em grupo e sempre na avenida
beira-mar, sempre em linha reta, para não se perderem.
As paradas na Africa do Sul
Durban era a última parada. Dali para frente era só oceano, o Atlântico. O navio reabastecia com água, comida e combustível para o resto da viagem.
As paradas na Cidade do Cabo em geral eram para carga e descarga.
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| Imigrantes chineses no deck inferior do navio, 1876 |
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