terça-feira, 25 de agosto de 2026

As condições de higiene e saúde a bordo

 

Cap. 06 - As condições de higiene, saúde e nutrição a bordo

As condições de higiene eram relativamente boas pois todos zelavam pela limpeza. Era questão primordial o zelo, pois todos temiam a proliferação de doenças. O banho era esporádico e com água racionada, por isso reinava o mal cheiro.

 

Mesmo com os cuidados, a falta de saneamento ideal causava proliferação de piolhos e diarreia. A manutenção da limpeza dos banheiros (W.C.) era alvos de especial atenção, com a vantagem de poder ser feita com água salgada. Banheiro sujo era motivo de protestos junto aos supervisores.

 

Alguns tinham enjoo de mar e por isso passavam a maior parte do tempo deitados, e tinham dificuldades em se alimentar. Algumas mulheres grávidas recentes sofriam duplo enjoo, o da gravidez e o do mar.

 

Contrair uma doença significava ter que retornar ao Japão, na chegada ao porto de Santos. Não era permitido a entrada de pessoas com doenças infectocontagiosas no Brasil.

 

 

Havia o medo permanente de surgir algum surto de doença a bordo. Temia-se principalmente a cólera, o sarampo, o tracoma e o tifo. Surtos de gripe eram comuns, devido a aglomeração e má ventilação dos dormitórios.

 

Temia-se o beribéri, pois naquela época os brasileiros consideravam a como doença transmissível (na realidade é uma deficiência nutricional), e por isso quem desembarcava com sintomas de beribéri era repatriado.

 

A taxa de mortalidade das viagens era em média de 0,5 a 1%.


Dormitório (imagem gerada por I.A.) 
 fonte : Fragmentos da Historia, Youtube

Dormitório (imagem gerada por I.A.) 
 fonte : Fragmentos da Historia, Youtube

O serviço médico a bordo

 

Todos os navios vinham com um médico e enfermeiras a bordo, que aplicavam vacinas, entre elas a da cólera. Os médicos alertavam aos doentes que era preciso se curar durante a viagem, para não chegar doente em Santos e ser repatriado. O consultório médico vivia sempre lotado.

 

Pelo menos uma sala no navio era reservada para servir de internamento de doentes mais graves.

 

 
A morte de emigrante a bordo

 

Os que morriam a bordo eram enrolados em lençóis com alguns pesos, e após breve cerimônia religiosa, lançados ao mar. Os pesos evitavam que o cadáver boiasse. 


A morte de um emigrante deixava o representante da agência arrasado. Para ele, chegar ao Brasil com todos sãos e salvos era responsabilidade dele, e por isso sentia certo sentimento de culpa e de fracasso.

 

Imigrante morto é lançado ao mar (imagem gerada por I.A.)
Fonte: Fragmentos da Historia, Youtube

O calor nos dormitórios no navio

 

O calor nos dormitórios era um grande problema, principalmente quando a viagem se iniciava no verão japonês e se agravava quando no navio se aproximava à linha do equador.

 

A ventilação era muito precária, pois os porões tinham apenas pequenas escotilhas. Os ventiladores ficavam permanentemente ligados, e por isso sempre queimavam. Para piorar ainda mais, o japonês fumava muito nos dormitórios, piorando a qualidade do ar.

 

Nas noites quentes, todos dormiam descobertos e isso era embaraçoso para as mulheres, pois tinham a privacidade prejudicada.

 

 Algumas crianças desenvolviam brotoejas de forma severa.

 

Devido a impossibilidade de banho e de lavagem de lençóis com frequência, aliado ao calor abafado dos dormitórios, ocorriam surtos de piolho. As mulheres, por terem mais cabelos, sofriam mais com os piolhos. 

 

Eventualmente eram feitas sanitizações de dormitórios. Os colchões eram retirados e o dormitório era pulverizado.


Emigrantes italianos no porão de um navio (sem data)


Um doente recebe refeição no dormitório dos emigrantes

A alimentação do emigrante

 

Peixe seco salgado, mingau de cevada, arroz, pão, soja e conserva de nabo eram a base alimentar, e eram servidos de forma racionada.


É muito provável que era servido ainda picles, biscoitos, geleias de frutas, chás e porco defumado.


Eventualmente eram servidos peixes pescados a bordo.

 

A falta de vitamina C causava escorbuto. Eram servidas três refeições por dia, café da manhã, almoço e chá da tarde.

 

Na falta de arroz, o mingau de cevada era o prato principal, a base da alimentação.

 

O serviço de catering (alimentação a bordo) era terceirizado e os mantimentos eram por conta desse terceirizado. Muitos acusavam o contratado de economizar nas refeições (servindo pouca comida e/ou de qualidade inferior) para assim sobrar mais dinheiro.

 

A empresa não contratava pessoal suficiente, espertamente esperava que ajudantes voluntários se apresentassem para ajudar na cozinha e no refeitório, sem renumeração.

 

Os da primeira classe tinham refeições servidas em refeitório próprio, e menu diferenciado. A eles eram servidos frango e carne bovina.


Refeição de emigrantes na terceira classe do navio


Refeitório de um navio de emigrantes  (Imagem gerada por I.A.) 
 fonte: Fragmentos da Historia, Youtube.

👉 Continua no próximo capitulo....

 

👉 A viagem dos emigrantes ao brasil – todos os capítulos

👉 Clique aqui para ir ao mapa do site


Nenhum comentário:

Postar um comentário