segunda-feira, 24 de agosto de 2026

As empresas de emigração e imigração e os navios

 

A viagem dos imigrantes ao Brasil

Cap. 02 - As empresas de emigração / imigração e os navios

 

Para melhor entendimento, esclareço alguns pontos sobre as empresas envolvidas nas emigrações/imigrações.

 

Emigrante é o termo usado para “pessoa que está deixando o país para morar em outro”. É, no caso deste site, o japonês saindo do Japão.


Imigrante é o termo para “pessoa vinda de outro país”.

 

As empresas de emigração no Japão faziam o recrutamento de emigrantes, e trabalhavam sob encomenda de empresas de imigração no Brasil. Eram duas empresas diferentes e sem relação entre si, exceto as contratuais.

 

As empresas de emigração tinham grande apoio do governo japonês, e dele recebiam subsídios por emigrante recrutado. A empresa de emigração de Ryu Midzuno no Japão se chamava Kōkoku Shokumin Gaisha.

 

No processo de emigração participava também empresas de transporte marítimo, que eram donas dos navios. Eram contratadas pelas agencias de emigração no Japão. 


Anuncio de uma empresa de emigração no Japão

 

Os supervisores das agências de emigração

 

As empresas de emigração contratavam funcionários para acompanhar, apoiar, organizar os emigrantes nas viagens, os chamados supervisores. Estes exerciam papel crucial nas viagens. Sem eles, seria impossível a viagem.

 

Ao final da viagem, dependendo dos acontecimentos no percurso e das circunstâncias, alguns supervisores eram benquistos pelos viajantes, e outros eram vistos como arrogantes, ruindades.

 

Os supervisores tinham que ser hábeis no trato das pessoas, pacientes e emocionalmente bem equilibrados.

 

Os navios que serviram a emigração japonesa

 

Os navios de emigrantes japoneses partiam de Kobe e Yokohama.

Eram cargueiros antigos, não apropriados para transporte de passageiros. O porão do navio era dividido em 4 ou 5 partes, que serviam de dormitórios separados.

 

Este porão era chamado de 3ª. classe, e ali eram os emigrantes, acomodados em beliches de madeira, sem ventilação adequada e com pouca luz natural. Os que tinham melhores condições, poderiam pagar para viajar na 2ª. classe, mas eram casos raríssimos.

 

Os supervisores das agências e a tripulação do navio ficavam na 2ª. classe.

 

Os navios tinham uma lojinha a bordo, onde se vendia principalmente cigarros e saquê.

 

O número de imigrantes por navio variava muito, de 300 a 800. Porém ocorriam viagens com superlotações, com navios trazendo até 1.700 passageiros (como foi o caso das viagens do Wakasa Maru).

 

A primeira classe

 

Os navios tinham quartos de primeira classe. Os viajantes dela tinham refeitórios próprios, com cardápio diferenciado. Nessa classe viajavam grandes empresários, agentes do governo e os abastados.

 

Muitos da primeira classe, em primeiro momento,ficavam atônitos com a situação da terceira, a dos imigrantes. 

Eles sempre compareciam para assistir aos eventos dos emigrantes (teatrinhos, undokai, odori, etc), coisas que apreciavam muito. Ficavam também impressionados com a disciplina e ordem dos emigrantes japoneses.

Por golpe de sorte, alguma imigrante poderia ser contratada para servir de babá de alguma criança na primeira classe. 


Quarto de primeira classe do navio Buenos Aires Maru

👉 Continua no Capitulo III - o porto de Kobe 


Veja também :


👉 Capitulo I  - Considerações Gerais - introdução


👉 A viagem dos imigrantes ao Brasil - todos os capitulos


 


Nenhum comentário:

Postar um comentário