A viagem dos imigrantes ao Brasil
Cap. 02 - As empresas de emigração / imigração e os navios
Para melhor
entendimento, esclareço alguns pontos sobre as empresas envolvidas nas
emigrações/imigrações.
Emigrante é o
termo usado para “pessoa que está deixando o país para morar em outro”. É, no
caso deste site, o japonês saindo do Japão.
Imigrante é o
termo para “pessoa vinda de outro país”.
As empresas de
emigração no Japão faziam o recrutamento de emigrantes, e trabalhavam sob
encomenda de empresas de imigração no Brasil. Eram duas empresas diferentes e
sem relação entre si, exceto as contratuais.
As empresas de emigração tinham grande apoio do governo japonês, e dele recebiam subsídios por emigrante recrutado. A empresa de emigração de Ryu Midzuno no Japão se chamava Kōkoku Shokumin Gaisha.
No processo de emigração participava também empresas de transporte marítimo, que eram donas dos navios. Eram contratadas pelas agencias de emigração no Japão.
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| Anuncio de uma empresa de emigração no Japão |
Os supervisores das agências de emigração
As empresas de
emigração contratavam funcionários para acompanhar, apoiar, organizar os
emigrantes nas viagens, os chamados supervisores. Estes exerciam papel crucial
nas viagens. Sem eles, seria impossível a viagem.
Ao final da
viagem, dependendo dos acontecimentos no percurso e das circunstâncias, alguns
supervisores eram benquistos pelos viajantes, e outros eram vistos como
arrogantes, ruindades.
Os
supervisores tinham que ser hábeis no trato das pessoas, pacientes e
emocionalmente bem equilibrados.
Os navios que serviram a emigração japonesa
Os navios de
emigrantes japoneses partiam de Kobe e Yokohama.
Eram cargueiros
antigos, não apropriados para transporte de passageiros. O porão do navio era
dividido em 4 ou 5 partes, que serviam de dormitórios separados.
Este porão era
chamado de 3ª. classe, e ali eram os emigrantes, acomodados em beliches de
madeira, sem ventilação adequada e com pouca luz natural. Os que tinham
melhores condições, poderiam pagar para viajar na 2ª. classe, mas eram casos
raríssimos.
Os
supervisores das agências e a tripulação do navio ficavam na 2ª. classe.
Os navios
tinham uma lojinha a bordo, onde se vendia principalmente cigarros e saquê.
O número de
imigrantes por navio variava muito, de 300 a 800. Porém ocorriam viagens com
superlotações, com navios trazendo até 1.700 passageiros (como foi o caso das
viagens do Wakasa Maru).
A primeira
classe
Os navios
tinham quartos de primeira classe. Os viajantes dela tinham
refeitórios próprios, com cardápio diferenciado. Nessa classe viajavam grandes
empresários, agentes do governo e os abastados.
Muitos da primeira classe, em primeiro momento,ficavam atônitos com a situação da terceira, a dos imigrantes.
Eles sempre compareciam para assistir aos eventos dos emigrantes (teatrinhos, undokai, odori, etc), coisas que apreciavam muito. Ficavam também impressionados com a disciplina e ordem dos emigrantes japoneses.
Por golpe de sorte, alguma imigrante poderia ser contratada para servir de babá de alguma criança na primeira classe.
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| Quarto de primeira classe do navio Buenos Aires Maru |
👉 Continua no Capitulo III - o porto de Kobe
Veja também :
👉 Capitulo I - Considerações Gerais - introdução
👉 A viagem dos imigrantes ao Brasil - todos os capitulos

