terça-feira, 11 de agosto de 2026

Imigração japonesa-desbravamento da colonia


Imigração - O desmatamento da mata virgem

Implantada a colônia, feito o trabalho de delimitações pelos agrimensores, estabelecida as vias de acesso, etc o empreendedor colocava então os lotes de terra ("sítio") a venda. Algumas colônias, planejadas, já tinham alguns compradores, esperando a implantação, o chamado.

Comprado o lote, o imigrante começava o trabalho de estabelecimento definitivo no local, de mudança. A primeira tarefa era o de desmatamento do seu pedaço. A compra do lote era um ato de enraizamento no Brasil, o sonho de voltar ao Japão já não existia mais. 

O imigrante se sentia no céu: finalmente um pedaço de terra seu, a sua independência ! A sua aquisição representava uma vitória, após anos de luta e sofrimento nas fazendas de café. Era motivo de júbilo e muito orgulho, eram extensões de terra que ele jamais ia possuir no Japão.

O trabalho de desmatamento

A maioria das terras eram florestas, mata virgem, que eram derrubadas a foice,  machado ou trançador. Ainda não existiam os motosserras. 

Na derrubada, havia o perigo de picada de cobras, aranhas e outros insetos. Também havia o perigo de ser atingido por um tronco, na caída.

O desmatamento era sempre feito nas estações secas, pois era praticamente impossível trabalhar debaixo de chuva. Algumas colônias tinham mata composta de pequenas árvores, o que facilitava muito o trabalho.

O trabalho era duríssimo e perigoso, feito somente por homens e quase sempre em regime de mutirão. Uma cabana improvisada, rústica, era erguida no meio da mata, para servir de acampamento.

Japoneses desmatando e sua cabana de apoio

Desmatamento - gravura de Percy Lau

Desmatamento - alemães - interior de Santa Catarina

Desmatamento por colono russo - 1908 - Colonia Odessa - Sp

As queimadas

Após o desmatamento, esperava-se um tempo para as folhas e galhos secarem. Era então feita a queimada, que deixava só os troncos maiores, chamuscados. A queimada dizimava a fauna, e junto com ela as cobras e insetos venenosos, que morriam ou fugiam.

Da mesma forma, a flora era dizimada com o fogo. Havia um lado benéfico: a terra ficava estéril, pois as ervas daninhas e suas raízes e sementes eram queimadas. A imagem era de devastação, mas na época não se falava em preservação ambiental.

Terminada a queimada, restavam somente as toras (troncos principais da árvore). Elas constituíam um estorvo, atrapalhava o trabalho agrícola. Com sorte, o colono poderia encontrar alguma madeireira (serraria) que levava as toras, sem nada cobrar (!).

Queimada - gravura de Percy Lau

A terra, depois da queimada

Depois da queimada

O “destocamento” - retirada dos tocos

Depois de desmatado e queimado, era feita ao longo dos anos a limpeza do terreno, com a retirada dos troncos maiores e o trabalho mais difícil de todos: a retirada dos tocos e raízes. Consistia em arrancar os tocos das arvores, enraizadas. Para isso era preciso da força dos cavalos, bois ou humanos, ou a utilização de alavancas. 

Os tocos e raizes eram empecilhos, pois não permitiam, a agricultura mecanizada.

Esse trabalho era feito sempre depois de se colher alguma safra, e depois de uma chuva, pois o solo molhado ficava mais fofo.

Como era feito o trabalho de destocamento

Um método era cavar em volta do tronco, expor as raízes. Era então cortada as raizes e extraído o tronco. As raízes poderiam então ser mais facilmente retiradas, uma a uma. 

Expostas as raízes, eram recortadas

Outra maneira, usada em arvores menores,  era simplesmente arrancar o toco com o uso da força, utilizando-se bois e cavalos.

Existia também um equipamento especial, que na verdade era um suporte para alavanca. Nunca vi esse equipamento, nem ouvi falar dele. 



Havia também o recurso de queimar lentamente a base do toco, desprendendo-o das raízes. As raízes, soltas do toco, eram mais fáceis de serem arrancadas.

Depois das queimadas, mesmo antes da destocagem, entre os tocos, troncos e galhos, já era possível praticar a agricultura: plantava-se feijão, milho, hortelã pimenta, etc.

Galeria de fotos

Foto do imigrante Kunimatsu Hagy, Oscar Bressane, Sp, 1946

 

Após a queimada, Paraguaçu Paulista, 1923

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