Imigração - O desmatamento da mata virgem
Implantada a colônia, feito o
trabalho de delimitações pelos agrimensores, estabelecida as vias de acesso,
etc o empreendedor colocava então os lotes de terra ("sítio") a venda. Algumas colônias,
planejadas, já tinham alguns compradores, esperando a implantação, o chamado.
Comprado o lote, o imigrante
começava o trabalho de estabelecimento definitivo no local, de mudança. A
primeira tarefa era o de desmatamento do seu pedaço. A compra do lote era um ato de enraizamento no Brasil, o sonho de voltar ao Japão já não existia mais.
O imigrante se sentia no céu: finalmente um pedaço de terra seu, a sua
independência ! A sua aquisição representava uma vitória, após anos de luta e
sofrimento nas fazendas de café. Era motivo de júbilo e muito orgulho, eram
extensões de terra que ele jamais ia possuir no Japão.
O trabalho de desmatamento
A maioria das terras eram florestas, mata virgem, que eram derrubadas a foice, machado ou trançador. Ainda não existiam os motosserras.
Na derrubada, havia o perigo de picada de cobras, aranhas e outros insetos. Também havia o perigo de ser atingido por um tronco, na caída.
O desmatamento era sempre feito nas estações secas, pois era
praticamente impossível trabalhar debaixo de chuva. Algumas colônias tinham
mata composta de pequenas árvores, o que facilitava muito o trabalho.
O trabalho era duríssimo e perigoso, feito somente por
homens e quase sempre em regime de mutirão. Uma cabana improvisada, rústica,
era erguida no meio da mata, para servir de acampamento.
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| Japoneses desmatando e sua cabana de apoio |
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| Desmatamento - gravura de Percy Lau |
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| Desmatamento - alemães - interior de Santa Catarina |
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| Desmatamento por colono russo - 1908 - Colonia Odessa - Sp |
As queimadas
Após o desmatamento, esperava-se
um tempo para as folhas e galhos secarem. Era então feita a queimada, que
deixava só os troncos maiores, chamuscados. A queimada dizimava a fauna, e
junto com ela as cobras e insetos venenosos, que morriam ou fugiam.
Da mesma forma, a flora era
dizimada com o fogo. Havia um lado benéfico: a terra ficava estéril, pois as
ervas daninhas e suas raízes e sementes eram queimadas. A imagem era de
devastação, mas na época não se falava em preservação ambiental.
Terminada a queimada, restavam somente as toras (troncos principais da árvore). Elas constituíam um estorvo, atrapalhava o trabalho agrícola. Com sorte, o colono poderia
encontrar alguma madeireira (serraria) que levava as toras, sem nada cobrar
(!).
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| Queimada - gravura de Percy Lau |
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| A terra, depois da queimada |
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| Depois da queimada |
O “destocamento” - retirada dos tocos
Depois de desmatado e queimado,
era feita ao longo dos anos a limpeza do terreno, com a retirada dos troncos
maiores e o trabalho mais difícil de todos: a retirada dos tocos e raízes.
Consistia em arrancar os tocos das arvores, enraizadas. Para isso era preciso
da força dos cavalos, bois ou humanos, ou a utilização de alavancas.
Os tocos e raizes eram empecilhos, pois não permitiam, a agricultura mecanizada.
Esse trabalho era feito sempre depois de se colher alguma safra, e depois de uma chuva, pois o solo molhado ficava mais fofo.
Como era feito o trabalho de destocamento
Um método era cavar em volta do tronco, expor as raízes. Era então cortada as raizes e extraído o tronco. As raízes poderiam então ser mais facilmente retiradas, uma a uma.
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| Expostas as raízes, eram recortadas |
Outra maneira, usada em arvores menores, era simplesmente arrancar o toco com o uso da força, utilizando-se bois e cavalos.
Existia também um equipamento especial, que na verdade era um suporte para alavanca. Nunca vi esse equipamento, nem ouvi falar dele.
Havia também o recurso de queimar lentamente a base do toco, desprendendo-o das raízes. As raízes, soltas do toco, eram mais fáceis de serem arrancadas.
Depois das queimadas, mesmo antes da destocagem, entre os
tocos, troncos e galhos, já era possível praticar a agricultura: plantava-se
feijão, milho, hortelã pimenta, etc.
Galeria de fotos
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| Foto do imigrante Kunimatsu Hagy, Oscar Bressane, Sp, 1946 |

Após a queimada, Paraguaçu Paulista, 1923










