O martírio de Shuhei Uetsuka em São Paulo
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| Shuhei Uetsuka |
Em 1909 Ryo
Mizuno decidiu voltar ao Japão. A primeira leva de imigrantes, Kasato Maru,
resultou em um fracasso redundante, com mais de 70% deles abandonando ou
fugindo das fazendas. Ainda assim, Mizuno não desistiu e retornou ao Japão a fim de recrutar uma nova leva.
Afinal, bem ou mal, sabia já o caminho das pedras, tinha adquirido algum
know-how.
Deixou aqui
no Brasil Shuhei Uetsuka cuidando do escritório da sua empresa de emigração, a
Cia. Imperial de Emigração, na cidade de São Paulo. O escritório tinha por
objetivo prestar assistência aos primeiros imigrantes do Kasato. E também seria
a base de apoio para a segunda leva, que Mizuno iria tentar organizar no Japão.
Mizuno, sem
dinheiro (como de costume), ao chegar no Japão tentou junto ao governo e
grandes empresas levantar fundos para a segunda leva, mas não logrou êxito.
Tinha prometido enviar certa quantia a Uetsuka, a fim de manter as despesas do
escritório e pagar o seu salário, mas não conseguiu esse dinheiro.
Como o
dinheiro não chegou, Uetsuka foi despejado do escritório. Acontece que dormia
ali, e ficou ao relento. Cinco outros imigrantes perdidos em São Paulo também dormiam
espremidos no local, e da mesma forma ficaram na rua.
Os seis
conseguiram então alugar um quartinho fétido, úmido e imundo. Para sobreviver,
fabricavam brinquedos japoneses e vendiam na rua. A certa altura, sem dinheiro
algum, passaram a se alimentar de bananas. Mesmo assim, não conseguiam o
suficiente, e segundo Uetsuka, chegaram a passar de dois a três dias sem nada comer.
Mesmo na
negra penúria, Uetsuka continuou fiel a Mizuno, atendendo a todos os imigrantes
do Kasato que o procuravam. Fez o que pode.
Felizmente,
Uetsuka e sua turma contou com a ajuda de Takeo Goto (das Casas Fujisaki) e de
Nayoma Sumejima, um carpinteiro do Kasato que já tinha alguma clientela em São
Paulo.
Após um ano nessa situação precária, foi socorrido pelo Ministro Plenipotenciario Sadatsuchi Uchida.
Finalmente, em 28 de junho de 1910 chegou a segunda leva de imigrantes, a bordo do Ryojun Maru . Esta leva foi organizada por Mizuno, contratado para realizar esse trabalho por uma companhia de imigração (colonizadora Takemura Shokumin Shokan). Mizuno telegrafou para Uetsuka avisando a chegada dos imigrantes, e solicitou a ele as providencias na recepção.
Mas, as aventuras de Shuhei Uetsuka não terminaram aqui. Ele mais tarde conseguiu financiamento para fundar uma colônia.
Uetsuka foi um grande herói da Historia da Imigração Japonesa no Brasil.

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