terça-feira, 11 de agosto de 2026

O martírio de Shuhei Uetsuka em São Paulo

 

O martírio de Shuhei Uetsuka em São Paulo

Shuhei Uetsuka


Em 1909 Ryo Mizuno decidiu voltar ao Japão. A primeira leva de imigrantes, Kasato Maru, resultou em um fracasso redundante, com mais de 70% deles abandonando ou fugindo das fazendas. Ainda assim, Mizuno não desistiu e retornou  ao Japão a fim de recrutar uma nova leva. Afinal, bem ou mal, sabia já o caminho das pedras, tinha adquirido algum know-how.

Deixou aqui no Brasil Shuhei Uetsuka cuidando do escritório da sua empresa de emigração, a Cia. Imperial de Emigração, na cidade de São Paulo. O escritório tinha por objetivo prestar assistência aos primeiros imigrantes do Kasato. E também seria a base de apoio para a segunda leva, que Mizuno iria tentar organizar no Japão.

Mizuno, sem dinheiro (como de costume), ao chegar no Japão tentou junto ao governo e grandes empresas levantar fundos para a segunda leva, mas não logrou êxito. Tinha prometido enviar certa quantia a Uetsuka, a fim de manter as despesas do escritório e pagar o seu salário, mas não conseguiu esse dinheiro.

Como o dinheiro não chegou, Uetsuka foi despejado do escritório. Acontece que dormia ali, e ficou ao relento. Cinco outros imigrantes perdidos em São Paulo também dormiam espremidos no local, e da mesma forma ficaram na rua.

Os seis conseguiram então alugar um quartinho fétido, úmido e imundo. Para sobreviver, fabricavam brinquedos japoneses e vendiam na rua. A certa altura, sem dinheiro algum, passaram a se alimentar de bananas. Mesmo assim, não conseguiam o suficiente, e segundo Uetsuka, chegaram a passar de dois a três dias sem nada comer.

Mesmo na negra penúria, Uetsuka continuou fiel a Mizuno, atendendo a todos os imigrantes do Kasato que o procuravam. Fez o que pode.

Felizmente, Uetsuka e sua turma contou com a ajuda de Takeo Goto (das Casas Fujisaki) e de Nayoma Sumejima, um carpinteiro do Kasato que já tinha alguma clientela em São Paulo.

Após um ano nessa situação precária, foi socorrido pelo Ministro Plenipotenciario Sadatsuchi Uchida.

Finalmente, em 28 de junho de 1910 chegou a segunda leva de imigrantes, a bordo do Ryojun Maru . Esta leva foi organizada por Mizuno, contratado para realizar esse trabalho por uma companhia de imigração (colonizadora Takemura Shokumin Shokan). Mizuno telegrafou para Uetsuka avisando a chegada dos imigrantes, e solicitou a ele as providencias na recepção. 

Mas, as aventuras de Shuhei Uetsuka não terminaram aqui. Ele mais tarde conseguiu financiamento para fundar uma colônia.

Uetsuka foi um grande herói da Historia da Imigração Japonesa no Brasil. 

👉 Clique aqui para ir ao mapa deste site

👉 Clique aqui para ir ao Portal do Claudio

Nenhum comentário:

Postar um comentário