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terça-feira, 25 de agosto de 2026

A viagem e as paradas nos portos

 A viagem dos emigrantes ao Brasil 

Cap. 05- A viagem ao Brasil e as paradas nos portos


As viagens, partindo de Kobe duravam de 40 a 45 dias. Aconteciam paradas nos portos de Hong Kong, Saigon (Vietnã), Colombo (Sri Lanka); em Singapura (onde moravam muitos japoneses que para lá imigraram); e ainda nos portos de Durban ou Cidade do Cabo (Africa do Sul), Buenos Aires e Rio de Janeiro.

 

Os navios não obrigatoriamente paravam em todos esses portos, cada um tinha um itinerário próprio. Como os navios faziam também o papel de cargueiros, tinham que parar em algum desses portos para carga e descarga de mercadorias.

 

As paradas serviam para reabastecimento de combustível (carvão mineral), água doce e comida.

 

Os doentes graves a bordo eram deixados em hospitais nessas paradas. Esses casos de doença provocavam atraso na viagem, visto que era necessário providenciar internamento, assistência médica, repatriamento, etc. do doente.

 

As rotas e os portos de parada


A parada no porto de Hong Kong
 

A parada em Hong Kong era sempre para abastecimentos, cargas e descargas, e  causava grande alvoroço a bordo. Todos solicitavam aos supervisores da companhia de emigração permissão para desembarcar e passear pela cidade. Cansados de viagem, queriam espairecer e, pela primeira vez na vida, pisar em um país estrangeiro, e ver uma pessoa não-japonesa.

 

Obviamente, era proibido desembarcar, pois naquele momento da viagem havia o perigo de desistência, do emigrante se perder na cidade, de contrair uma doença, etc.  Com certeza, causaria atraso na partida do navio e grande confusão se fosse liberado o desembarque de todos. 

 

Os supervisores espalhavam a bordo a fake news dizendo que Hong Kong  era insalubre, cheio pessoas com doenças contagiosas, e que era, portanto, perigoso desembarcar.


Havia mais um agravante nessa parada. Hong Kong era território inglês, entretanto era habitado por chineses. Muitos deles odiavam os japoneses devido as duas Guerras Sino-Japonesas de 1895 e 1934. Temia-se que fanáticos chineses contaminassem a comida ou a água servida aos japoneses. Por isso, muitos navios proibiam a compra de alimentos e o consumo de água nesse porto. 

 

Muitos alegavam que precisavam desembarcar para fazer compra de algum item indispensável (cobertor, por exemplo). Outros diziam que tinham amigos imigrantes no porto e que desejavam vê-los.

 

Entretanto, a alguns poucos emigrantes era permitido o desembarque. Em geral eram aqueles que trabalhavam afinco no navio, e o desembarque era uma espécie de prêmio. Esse privilégio gerava protestos. Os viajantes da primeira classe desembarcavam sem problema.

 

O que desembarcavam deveriam andar em grupo, sempre vigiados e guiados por um supervisor da agência. Quando paravam numa loja, todos entravam, causando alvoroço no estabelecimento.  Era o mesmo que um grupo de excursionistas nos dias de hoje, com um guia carregando uma bandeirinha na frente.

 

Vários barquinhos se aproximavam no casco do navio. Eram chineses vendendo banana, cigarros e laranjas. Eles fixavam cestos em varas longas de bambu e içavam os cestos com as mercadorias e o preço até a borda do convés do navio. O passageiro que quisesse comprar, retirava a mercadoria e deixava o dinheiro no cesto. Comprava-se muitos cigarros, pois eram baratos. 

 

Alguns navios permitiam que vendedores ambulantes chineses subissem a bordo. Estes ofereciam bugigangas, cachimbos, cigarros, souvenires, etc. Mas os japoneses ficavam mais fascinados com a aparência e o linguajar dos vendedores do que com as mercadorias.

 

Os preços das mercadorias eram bem baixos em relação aos preços do Japão, e variavam de acordo com a cara do freguês, e também baixavam muito quando se aproximava a hora do navio zarpar. Alguns japoneses pagavam até 3 vezes mais o preço normal e mesmo assim achavam barato.

 

Algumas mercadorias trazidas do Japão, por encomenda, eram desembarcadas nos portos.


Imigrantes se aglomeram na borda do navio para observarem a aproximação de um porto

 

As paradas em Singapura

 

Com todos já cansados da viagem, alguns navios permitiam o desembarque dos emigrantes em Singapura, para espairecer. Eram orientados a andarem em grupo e sempre na avenida beira-mar, sempre em linha reta, para não se perderem.


As paradas na Africa do Sul


Durban era a última parada. Dali para frente era só oceano, o Atlântico. O navio reabastecia com água, comida e combustível para o resto da viagem. 

As paradas na Cidade do Cabo em geral eram para carga e descarga. 


Imigrantes chineses no deck inferior do navio, 1876


 👉 Continua no próximo capitulo....

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