A viagem dos emigrantes ao Brasil
Cap 07 - A organização e o dia a dia a bordo
Algumas
companhias fundavam a bordo associações do tipo seinenkai (associação de
jovens) e fujinkai (associação de senhoras). A cada associação era designado um
chefe e também atribuídas algumas obrigações: organização de eventos culturais
e festivos, atividades físicas, vigilância a disciplina, limpeza, cozinha, aula
de português, etc.
Também eram
eleitos alguns imigrantes para cuidar da distribuição da água, da lavagem do
convés, da lavagem das louças após as refeições, etc. O objetivo da companhia
de emigração era promover a auto-gestão da viagem.
Os eventos
e entretenimentos
Para amenizar
as árduas condições da viagem, manter a ordem e para passar o tempo, eram
realizados muitos eventos.
As companhias
de emigração traziam materiais para organizar eventos de esporte e
entretenimento a bordo. Quimonos de judô, tatames, mimeógrafos, papelaria, cadernos,
espadas de kendô, brinquedos, etc. eram materiais trazidos para organizar treinos,
competições, edição de
jornaizinhos, cursos, etc. Algumas companhias tinham até projetor de
cinema.
Eram
organizados ainda eventos como undokai,
teatrinhos, competições de sumô e kendô; concursos de cantos, apresentações
musicais, odôri, etc. Haviam torneios de Go e Shogi (espécies de jogo de
tabuleiro).
Havia muita
prática do judô e ginástica. As aulas de ginástica eram muito incentivadas e
tinham bastante participação dos emigrantes. Em geral, ocorriam duas sessões de
ginástica ao dia.
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Eram
organizados também cursos de panificação, de corte e costura de roupas
ocidentais, de Língua Portuguesa, origami e outros. Não raro, era organizado um
curso para as crianças, preparando-as para morar no Brasil.
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| Aula de Lingua Portuguesa a bordo |
Até a década
de 40 a vitrola e os discos de vinil eram raros, e por isso não se ouvia a
música mecânica no navio. Os que tocavam bem algum instrumento musical eram convidados
a dar palhinhas.
Eventos eram
promovidos sempre quando ocorriam ameaças de rebelião, ou clima de
descontentamento a bordo
Eram raros os
cultos religiosos, pois as companhias de emigração raramente contratavam monges
budistas/xintoístas.
Os navios
mantinham uma pequena biblioteca, de forma que muitos livros e revistas ficavam
disponíveis a todos.
Essa permissão
era feita em uma festa, com apresentações de teatros, dança, música, etc.
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| Sekido Matsuri - mortal pede permissão aos deuses para cruzar o Equador |
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Emigrantes fantasiados para o Sekido Matsuri
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Segundo alguns
historiadores, apesar da superlotação de algumas dessas viagens, as companhias
de emigração japonesas eram bastante responsáveis e tomavam providencias para
tornar a viagem menos penosa. Acredito que amenizar as agruras das viagens era
uma exigência do governo japonês, que era um grande incentivador da saída do
japonês (pobre) para o exterior.
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| Shogi - jogo japones de tabuleiro |
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| Go - jogo japones de tabuleiro |
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