Kasato Maru – a chegada ao porto de Santos
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| Jornal de Santos 16 de junho de 1908 |
A Tribuna de Santos, em edição de 01/05/1908, anunciava, mais de um mes antes, a chegada.
O Kasato Maru chegou a Santos no dia 17 de junho de 1908.
Entretanto era noite, o porto estava fechado e por isso o navio ficou parado a
certa distância, esperando o raiar do dia. A noite deste dia, observando as
luzes da cidade de Santos ao longe, foi um misto de grande júbilo pelo final da penosa viagem e muita ansiedade.
Muitos choraram pelo fato de deixarem o Japão para trás, de saudades da pátria.
No dia seguinte, 18 de junho de 1908 (data oficial do inicio da imigração japonesa ao Brasil) aconteceu a atracação, porém os
imigrantes permaneceram ainda a bordo. Funcionários da saúde pública paulista subiram
a bordo e deram uma rápida inspeção nos imigrantes.
Uma pequena comitiva, vinda de São Paulo, subiu a bordo para recepcionar
os imigrantes: Arajiro Miura, Ministro Plenipotenciário Japonês, que veio de Petrópolis
(Rj); Rafael Monteiro, representante da companhia de imigração; Teijiro Suzuki,
secretário a Hospedaria dos Imigrantes; e Takeo Goto, comerciário, funcionário
das Casas Fujisaki, de São Paulo.
Era véspera do Dia de São João e na noite de 18 de junho,
ainda a bordo, ouviam-se rojões e alguns balões cortavam o céu. Comovidos, os
japoneses pensaram que eram rojões de boas-vindas.
Na manhã do dia seguinte, 19 de junho os imigrantes foram
acordados as 3:30. O café foi servido as 5:00, ainda a bordo. As 07:00 iniciou-se
o desembarque e o embarque em trem com destino a Hospedaria dos Imigrantes, em
São Paulo.
No dia 20 de junho, os imigrantes receberam na Hospedaria um
visitante ilustre: o governador do Estado de Sp Manuel Joaquim de Albuquerque
Lins.
Um repórter do Jornal Paulistano foi a Hospedaria, produzindo
a histórica reportagem, dando as primeiríssimas informações sobre os recém-chegados
(veja post desta reportagem neste site).
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| Kasato Maru em Porto de Santos, 1908 |
O serviço aduaneiro na Hospedaria dos Imigrantes
No dia 22 de junho, funcionários da aduana iniciaram a
inspeção das bagagens, para verificar alguma possibilidade de contrabando, mas absolutamente
nada encontraram que pudesse ser taxado. A inspeção durou longos 2 dias, mais
de 1.100 malas foram verificadas. Os funcionários da aduana elogiaram a paciência,
a ordem e a colaboração dos japoneses na inspeção.
Seis dias após a chegada, um grupo de imigrantes desejou sair
da hospedaria para dar um rápido passeio. Na rua, acompanhados de um guia da
hospedaria, os japoneses foram cercados por curiosos, que nunca tinham visto japonês
na vida. As moças imigrantes foram alvos de especial atenção.
No dia 27 de junho, finalmente, os imigrantes começaram a
ser enviados para as fazendas, onde assinariam contrato de trabalho. Estas transferências
se estenderam até o dia 06 de julho. O trem para as fazendas tinha uma pequena estação anexa à Hospedaria dos Imigrantes.
O repórter do Jornal Paulistano escreveu que os japoneses
deixaram a Hospedaria dos Imigrantes em absoluta ordem e limpa. “Os dormitórios
quase não precisam ser varridos, mal se encontrando de longe em longe um
pedacinho de papel ou um fósforo queimado...”





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