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sábado, 25 de julho de 2026

A Colonia Gleba Rio Ferro - Dourados-Ms

 

A colônia Gleba Rio Ferro de Dourados Ms

Posteriormente à inauguração da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, de Bauru (Sp) a Porto Esperança (Ms), um ramal foi construído, ligando Campo Grande até Ponta Porã, ao sul do Ms, passando por Dourados. A estação ferroviária de Dourados (Estação Ministro Pestana) foi inaugurada em 1949.

Esse ramal permitiu a instalação da Gleba Rio Ferro, projeto de um grande empreendedor, Yasutaro Matsubara.

Estrada de Ferro Noroeste do Brasil

Yassutaro Matsubara e a Colonizadora Rio Ferro

(Fonte: Carlos Tomonaga, em Facebook; e outros)

No dia 01 julho 1952 Yassutaro Matsubara, residente em Marilia (SP), recebeu autorização do presidente da República Getúlio Vargas para introduzir 4 mil famílias japonesas para uma nova colônia em Dourados Ms. Alem da autorização, recebeu um gigantesco lote de 300 mil hectares, batizada de Gleba Rio Ferro. Ele mesmo coordena a vinda, do Japão, das primeiras famílias para a gleba que chegam no dia 07/07/1953.

Yassutaro Masubara fundou então uma empresa, a Colonizadora Rio Ferro para coordenar a colonização.

Os imigrantes trazidos por Yassutaro Matsubara alcançaram a marca de 202 famílias (1.073 pessoas) e 158 imigrantes solteiros (totalizando 1.231 imigrantes), entre os anos de 1953 a 1961. Estes foram se estabeleceram no noroeste do Paraná, oeste de São Paulo e na Gleba Rio Ferro.

Observem que o perfil dessa leva de imigrantes foi bem diferente das primeiras. Os primeiros imigrantes foram trabalhar como empregados de fazendas, passando por grandes dificuldades. Os imigrantes de Yassutaro vieram com maior apoio, na qualidade de adquirentes de terras, com apoio e financiamento, etc. e com a proposta de se fixarem no Brasil definitivamente.

Com a morte de Getúlio Vargas (1954), a Colonizadora Rio Ferro perdeu seu maior apoiador; e por ser amigo intimo de Getúlio e também por intrigas políticas, foi alvo de ataques da imprensa, que insinuava (de forma caluniosa) estar ele envolvido em um esquema que desviou recursos da campanha Vargas.

Ressentido, Yassutaro Matsubara transfere a empresa para o filho e retorna em 1955 para o Japão, onde permaneceu até morrer.

Yassutaro Matsubara e Getulio Vargas

Getúlio Vargas, como já sabemos, no período da Segunda Guerra Mundial era ferrenho anti nipônico. Entretanto, mantinha fortes laços com Matsubara, seu contribuinte e cabo eleitoral importante, tendo o apoiado mesmo durante a Segunda Guerra.

A Comissão Especial de Imigração e o governador de Mt

Interessado em promover a vinda de imigrantes ao Brasil, Getúlio Vargas (que na segunda guerra, para puxar saco dos americanos perseguiu imigrantes), formou a Comissão Especial de Imigração, para tratar do assunto.

Esta comissão procurou o governador do estado do Mato Grosso (naquela época, Mt e Ms eram um só estado), que a recebeu com muito entusiasmo. 

A reportagem da Folha da Manhã, de 12 de novembro de 1951

Através dessa reportagem, foi possível levantar os seguintes fatos: o governo Vargas formou a Comissão Especial de Imigração, que tinha a missão de procurar e determinar locais para formação de colônias agrícolas de imigrantes. 

Esta comissão, federal, procurou o governador do estado do Mato Grosso, Fernando Correia Costa. Esse se dispôs a doar uma gigantesca área 300.000 alqueires na região de Dourados, para projetos de colonização. Entusiasmado, prometeu ainda dar apoio aos futuros imigrantes. Nesta visita ao governador, estava junto com a comissão Yassutaro Matsubara.

Naquela época já existia uma colônia bem-sucedida em Dourados, a Colônia Agrícola Nacional de Dourados, constituída em 1943..

Num rompante de entusiasmo, a Comissão Especial de Imigração anunciou um plano tão mirabolante quanto impossível:  trazer do Japão nada menos que 100 mil imigrantes, instalá-los nas terras cedidas pelo governador, isso em um prazo de apenas 6 meses. 

Folha da Manhã, 12 de setembro de 1951

Segue o texto da reportagem :













Yassutaro Matsubara

Matsubara Futebol Clube

Este time de futebol profissional, que esteve em atividade entre 1974 a 2011, com sede em Cambará, Pr, não tem relação com Yassutaro Matsubara e seus descendentes. Trata-se de outro ramo da família. 


sexta-feira, 24 de julho de 2026

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil

 

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) foi inaugurada em 1914 até a estação Porto Esperança, as margens do Rio Paraguai. Posteriormente, foi continuada, chegando a Corumbá em 1952.

Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB)

A NOB foi concebida também para promover a integração entre o Brasil, a Bolívia e o Paraguai, além de estabelecer ligação desses dois últimos ao Oceano Atlântico.

A construção iniciou-se em 1907 e foi dividida em dois lotes: de Bauru (Sp) até Itapura (Sp, na divisa com Ms), e de Itapura até Porto Esperança (Ms), próximo à divisa com o Paraguai. A construção do primeiro lote foi privatizada, ficando a cargo da construtora , e o segundo lote (Itapura-Porto Esperança) ficou a cargo da União.

Duas frentes de trabalho foram estabelecidas, uma construindo a partir de Porto Esperança até Campo Grande(Ms), e outra no lado oposto, de Bauru a Campo Grande. As duas pontas se encontraram na Estação Ligação, próximo a Campo Grande, em 1914, data da inauguração, totalizando 1272 km de ferrovia. A obra estendeu-se por apenas 7 anos.

A construção enfrentou os desafios da época - ataques de índios, malária, deficiência alimentar, leichmaniose, etc. O maior problema enfrentado foi o logístico, com todo material de construção sendo levado às obras as duras penas.

Não há estatísticas a respeito, porém é certo que centenas ou talvez milhares de operários pereceram nessa obra. Essa alta mortandade era comum em obras desse gênero naqueles tempos.

Estação Ligação - Campo Grande, Ms

Estação Bauru

Os japoneses na construção da ferrovia

Segundo um levantamento feito por Ryodi Noda, um intérprete dos imigrantes do Kasato Maru, dos 781 imigrantes pioneiros desse navio, 120 foram trabalhar na construção dessa ferrovia. Eram imigrantes que abandonaram as fazendas de café e foram levados ao ponto inicial da empreitada, em Porto Esperança (Ms), próximo a Corumbá. Ali se encontraram com outros imigrantes japoneses, vindos do Peru.

Alguns historiadores afirmam que por deficiência alimentar, ocorreram muitos problemas de saúde relacionados a falta de vitaminas e minerais (zinco, magnésio, ferro, etc). Entretanto, os japoneses não tiveram essa deficiência, pois tinham o costume de comer muitas verduras e legumes, que eles mesmos cultivavam.

Legado e fixação dos japoneses

Ao final da construção da ferrovia, em 1914, a maioria dos japoneses que nela trabalharam decidiram se fixar nas terras adjacentes a nova ferrovia. Campo Grande, atraiu um bom número de japoneses, onde adquiriram boas terras para se estabelecerem. Nos anos seguintes vários imigrantes se mudaram para Campo Grande, atraídos pelas boas notícias dos trabalhadores da ferrovia. Hoje a cidade abriga uma das maiores concentrações de descendentes de japoneses do Brasil.

A ferrovia NOB hoje ainda é usada para transporte de minérios e mercadorias. Entretanto, o transporte de passageiros foi desativado e por esse motivo as estações ferroviárias estão atualmente abandonadas.

NOB-Turistas em viagem inaugural de trecho - 1910

Viajantes na NOB - sem data

O ramal até Ponta Porã – a colônia japonesa de Dourados

Posteriormente à inauguração da NOB Bauru-Porto Esperança, um ramal foi construído, ligando Campo Grande até Ponta Porã, ao sul do Ms, passando por Dourados. A estação ferroviária de Dourados (Estação Ministro Pestana) foi inaugurada em 1949.

Esse ramal atraiu milhares de imigrantes, graças a iniciativa de um grande empreendedor, Yasutaro Matsubara. 

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