quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Primórdios da Historia da Imigração Japonesa no Brasil - Indice
sexta-feira, 24 de julho de 2026
A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil
A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil
A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) foi inaugurada em 1914 até a estação Porto Esperança, as margens do Rio Paraguai. Posteriormente, foi continuada, chegando a Corumbá em 1952.
![]() |
| Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) |
A NOB foi concebida também para promover a integração entre
o Brasil, a Bolívia e o Paraguai, além de estabelecer ligação desses dois
últimos ao Oceano Atlântico.
A construção iniciou-se em 1907 e foi dividida em dois
lotes: de Bauru (Sp) até Itapura (Sp, na divisa com Ms), e de Itapura até Porto
Esperança (Ms), próximo à divisa com o Paraguai. A construção do primeiro lote
foi privatizada, ficando a cargo da construtora , e o segundo lote (Itapura-Porto
Esperança) ficou a cargo da União.
Duas frentes de trabalho foram estabelecidas, uma
construindo a partir de Porto Esperança até Campo Grande(Ms), e outra no lado
oposto, de Bauru a Campo Grande. As duas pontas se encontraram na Estação
Ligação, próximo a Campo Grande, em 1914, data da inauguração, totalizando 1272
km de ferrovia. A obra estendeu-se por apenas 7 anos.
A construção enfrentou os desafios da época - ataques de
índios, malária, deficiência alimentar, leichmaniose, etc. O maior problema
enfrentado foi o logístico, com todo material de construção sendo levado às
obras as duras penas.
Não há estatísticas a respeito, porém é certo que centenas
ou talvez milhares de operários pereceram nessa obra. Essa alta mortandade era
comum em obras desse gênero naqueles tempos.
![]() |
| Estação Ligação - Campo Grande, Ms |
![]() |
| Estação Bauru |
Os japoneses na construção da ferrovia
Segundo um levantamento feito por Ryodi Noda, um intérprete
dos imigrantes do Kasato Maru, dos 781 imigrantes pioneiros desse navio, 120
foram trabalhar na construção dessa ferrovia. Eram imigrantes que abandonaram
as fazendas de café e foram levados ao ponto inicial da empreitada, em Porto
Esperança (Ms), próximo a Corumbá. Ali se encontraram com outros imigrantes
japoneses, vindos do Peru.
Alguns historiadores afirmam que por deficiência alimentar,
ocorreram muitos problemas de saúde relacionados a falta de vitaminas e
minerais (zinco, magnésio, ferro, etc). Entretanto, os japoneses não tiveram
essa deficiência, pois tinham o costume de comer muitas verduras e legumes, que
eles mesmos cultivavam.
Legado e fixação dos japoneses
Ao final da construção da
ferrovia, em 1914, a maioria dos japoneses que nela trabalharam decidiram se
fixar nas terras adjacentes a nova ferrovia. Campo Grande, atraiu um bom número
de japoneses, onde adquiriram boas terras para se estabelecerem. Nos anos
seguintes vários imigrantes se mudaram para Campo Grande, atraídos pelas boas
notícias dos trabalhadores da ferrovia. Hoje a cidade abriga uma das maiores
concentrações de descendentes de japoneses do Brasil.
A ferrovia NOB hoje ainda é
usada para transporte de minérios e mercadorias. Entretanto, o transporte de
passageiros foi desativado e por esse motivo as estações ferroviárias estão
atualmente abandonadas.
![]() |
| NOB-Turistas em viagem inaugural de trecho - 1910 |
![]() |
| Viajantes na NOB - sem data |
O ramal até Ponta Porã – a colônia japonesa de Dourados
Posteriormente à inauguração
da NOB Bauru-Porto Esperança, um ramal foi construído, ligando Campo Grande até
Ponta Porã, ao sul do Ms, passando por Dourados. A estação ferroviária de
Dourados (Estação Ministro Pestana) foi inaugurada em 1949.
Esse ramal atraiu milhares de
imigrantes, graças a iniciativa de um grande empreendedor, Yasutaro Matsubara.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Imigração Japonesa ao Brasil – indice
Ryu Mizuno (ou Rio Midzuno)
Imigrãção japonesa no Brasil
Ryu Mizuno, o "pai" da imigração japonesa no Brasil
A vida de Ryu Mizuno no Japão
| Assinatura: "Rio Midzuno" |
A primeira viagem de Ryu Mizuno ao Brasil (1905)
Em sua primeira viagem, Mizuno encontra-se com Teijiru Suzuki
A segunda viagem de Ryu Mizuno ao Brasil (1907)
Ryu Mizuno e Teijiru Suzuki atravessam os Andes
- Sim, respondeu Mizuno, é verdade.
A Colonia Akebono (ou Colônia Alvorada) em Ponta Grossa (Pr)
Familia e últimos dias de Ryu Mizuno
Kasato Maru-Correio Paulistano
Correio Paulistano, 5 de junho de 1908, noticia a chegada do Kasato Maru
Ao desembarcarem na Hospedaria de Imigrantes sairam todos dos vagões na maior ordem e, depois de deixarem estes não se viu no pavimento um só cuspo, uma casca de fruta, em suma, uma coisa qualquer que denotasse falta de asseio por parte de quem neles veio. Sairam na maior ordem, depois de quatro horas de viagem em trem especial de Santos a São Paulo (não sei qual a razão por que se não há de fazer o trajeto dos trens de imigrantes em menos tempo), e foram recolhidos no amplo salão do refeitório da hospedaria, ocupando todas as mesas, e ainda sobrou gente, que ficou nos corredores.
Imigração japonesa Brasil imigrante japonês kasato maru correio paulistano
O destino dos imigrantes do Kasato Maru
Kasato Maru - o destino dos imigrantes (2)
Os imigrantes do Kasato foram separados em seis grupos, para viajarem a seis fazendas. As viagens foram em trens, de um ou dois vagões apenas.
Na saída do trem, a Hospedaria forneceu a cada imigrante um grande pão, duro e cascudo, e um pequeno salame. Conta-se que detestaram o salame, muito salgado para eles, e quando o trem fazia parada, muitos venderam seu salame aos brasileiros que estavam na estação.
Essas vendas eram feitas da janela do trem, pois era proibido sair do trem. Temia-se que se saíssem iriam perder-se.
Na saída do trem, a Hospedaria forneceu a cada imigrante um grande pão, duro e cascudo, e um pequeno salame. Conta-se que detestaram o salame, muito salgado para eles, e quando o trem fazia parada, muitos venderam seu salame aos brasileiros que estavam na estação.
Essas vendas eram feitas da janela do trem, pois era proibido sair do trem. Temia-se que se saíssem iriam perder-se.
A primeira leva de imigrantes japoneses foi um fracasso.
A primeira leva de 781 imigrantes foi um desastre. Eles vieram com o sonho de terra idílica, de fartura e riqueza rápida e fácil. A terra era mesmo idílica e de fartura, mas não para eles.
Mas é regra geral que imigram para outros países em condições precárias, sempre encontram no país novo condições duríssimas de sobrevivência. Ao desembarcarem, não falam a língua, não conhecem os costumes, os hábitos alimentares, o preço das mercadorias, etc, e a eles são reservados os piores trabalhos e as piores moradias. Ficam também à mercê da boa vontade e misericórdia dos patrões, e também sob ameaça da má fé do povo que os receberam. Assim foi e assim sempre será, em toda a história da humanidade, e não foi diferente com eles.
Há boa probabilidade de que os fazendeiros não sabiam como lidar com os estrangeiros, e davam a eles o mesmo tratamento que davam aos escravos. O Kasato Maru chegou apenas 20 anos após a libertação dos escravos, e provavelmente a maioria dos fazendeiros tinham ainda em mente o sistema “coronel, casa-grande e senzala”.
Os japoneses (e também os italianos) não apreciaram o tratamento e as condições escravagistas oferecidas. A maior reclamação era com os salários e várias greves ocorreram. Além disso, ficaram revoltados com as companhias de emigração, dizendo-se logrados por eles, que haviam prometido o paraíso, e que a realidade era outra. O pobre Ryu Mizuno foi alvo de duras críticas, e por várias vezes foi chamado às fazendas para mediar conflitos.
Em dezembro de 1908, Joodi Amari, um enviado do Ministro Plenipotenciário do Japão no Brasil, iniciou uma visita às fazendas que receberam os imigrantes do Kasato Maru, a fim de fazer um levantamento sobre as condições de trabalho, e assim pudesse o ministro formular uma opinião sobre a continuidade ou não da imigração japonesa ao Brasil. De acordo com seu relatório, somente 439 imigrantes (do total de 781) permaneceram nas fazendas.
No final do ano seguinte, 1909, novo levantamento foi feito pelo interprete Ryodi Noda, e constatou-se que apenas 239 imigrantes (31% dos 781 imigrantes do Kasato Maru) permaneceram trabalhando nas fazendas, os demais 542 haviam abandonado o trabalho. Em seu levantamento, Noda constatou o seguinte : 102 deles migraram para cidade de São Paulo (onde exerceram diversas atividades: domésticas, carpinteiros, cozinheiros, etc), 110 para Santos (onde foram trabalhar como estivadores), 120 foram trabalhar na construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, 38 foram para o estado do Rio de Janeiro ou Minas Gerais, e 160 reemigraram para a Argentina.
Participação dos imigrantes Kasato na contrução de ferrovias :
Os que foram para Santos (110) foram contratados pela empresa inglesa Southern São Paulo Railway em 1913 para trabalharem na construção da Estrada de Ferro Santos-Juquiá. Ao término da obra, em 1915, compraram terras ao longo dela, e ali se estabeleceram.
Os 120 citados por Noda, quase todos originários de Okinawa, foram contratados pela Companhia Estrada de Ferro Noroeste do Brasil para trabalharem na construção da ferrovia Andradina-Corumba (Ms), que foi inaugurada em 1914. Também compraram terras ao longo da ferrovia e ali se estabeleceram. A maioria se fixou próximo às cidades de Campo Grande e Dourados (Ms).
As causas do fracasso do Kasato Maru:
As principais causas do fracasso dos imigrantes do Kasato Maru foram essas :
1) A safra de café de 1908 foi muito fraca, e por isso, os imigrantes do não colheram muito. Como ganhavam por produção, os ganhos foram muito aquém das expectativas.
2) Más condições das moradias;
3) Desentendimentos entre os imigrantes e seus chefes;
4) Famílias arranjadas, possibilitando abandonos de vários imigrantes sem vínculos familiares
5) Vários imigrantes do Kasato não tinham experiência com agricultura - as agencias de emigração visavam somente o lucro, e por isso recrutavam emigrantes sem critérios rigorosos.
Com o abandono do trabalho, os fazendeiros, que pagavam ao governo as custas da fixação do imigrante nas terras, reclamaram o prejuízo. Solicitaram cancelamento a dívida resultante daqueles que fugiram das fazendas. O governo de São Paulo aceitou o argumento e perdoou muitas dividas.
Mesmo sendo um ícone, um símbolo da imigração japonesa, a primeira leva do Kasato Maru não alcançou seu objetivo original, que era realizar o sonho de riqueza dos imigrantes através do trabalho que eles se propuseram (o trabalho na lavoura), e nem atendeu às necessidades dos contratantes. Cada um dos 781 deve ter enfrentado sérias dificuldades, muitos deles devem ter falecidos de doenças como malária, febre amarela e outras infecções.
Clique aqui para ir ao indice do site

































