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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Os Cotia Seinen e as Hanayome Imin

 

Cotia Seinen - os jovens imigrantes japoneses

Nos meados dos anos 50 o Japão estava em reconstrução, era um país ainda devastado pela guerra. Não havia emprego, trabalho para os mais jovens, principalmente para os filhos mais novos de agricultores.

Por outro lado, no Brasil, os nisseis estavam abandonando a agricultura, migrando para cidades a fim de se formarem em cursos universitários. Esse êxodo rural por parte dos nisseis foi muito incentivado pelos próprios pais, que não desejavam ver o filho trabalhando na lavoura.

Por esse motivo a Cooperativa Agrícola de Cotia previa um enfraquecimento da instituição, causada pela falta de mão de obra no campo. Trazer jovens do Japão seria uma solução, tanto para a CAC como para os jovens desempregados.

Entre 1955 até 1966 2.508 jovens japoneses vieram ao Brasil, na condição de “Cotia seinen”. 

Fonte: "Cotia Seinen: 60 anos de imigração", diversos autores

Como funcionava o programa Cotia Seinen

O programa foi oferecido às famílias de associados da C.A.C., que deveriam acolher o jovem imigrante em suas propriedades rurais, e firmar com ele um contrato de trabalho com duração de 4 anos. Findo este contrato, o imigrante tornaria-se independente,  poderia optar em renová-lo ou não.

O programa foi apresentado em várias cidades onde a C.A.C. atuava, e no inicio poucas famílias aderiram. A maioria das famílias preferiram observar e avaliar a experiência das famílias pioneiras, para então mais tarde decidir a respeito.

Como não poderia ser diferente, os jovens saíram do Japão com planos ambiciosos, entusiasmados e sonhadores, porém quando aqui chegaram foram enviados para as propriedades rurais, onde trabalharam com empregados muito mal remunerados, vivendo em péssimas condições, muitas vezes análogas a semiescravidão. A rigor, ocorreu exatamente como com os imigrantes anteriores.

Os conflitos e problemas

Muitos Cotia Seinen  se revoltaram com a situação, ocorrendo muitos conflitos com os patrões. A situação chegou ao ponto da CAC ser obrigado a se formar, em vários núcleos, uma comissão permanente para realizar a mediação entre as partes. Ocorreram muitos abandonos de emprego, fugas, conflitos, e até vários suicídios (20). Em algumas regiões, as fugas constituíram em quase metade dos Cotia Seinen contratados.

Entretanto, muitos deles, após o cumprimento do contrato de 4 anos tornaram-se independentes. A estes eram concedidas algumas facilidades, como financiamento para adquirir uma pequena propriedade. Alguns preferiram abandonar o campo, indo tentar a sorte na cidade. Outros, se integraram com a família empregadora, acabaram por tornar-se em espécie de filho adotivo ou até mesmo se casaram com a filha ou parente do patrão.

Os casamentos e as hanayome imin

Os Cotia Seinen, ao contrário das primeiras levas de imigrantes, vieram ao Brasil com intuito de aqui ficarem para sempre. Não tinham planos de retornar ao Japão. Por isso, tinham o desejo de se casar e constituir família no Brasil. Entretanto, naquela época era sólida a idéia de se casar com uma conterrânea, não com uma não-japonesa.

Os Cotia Seinen se casavam somente após a independência, isto é depois de cumprido o contrato de 4 anos. Alguns, como já foi dito, se casaram com a filha ou parente do patrão, e outros por omiai.

Os que desejavam e não conseguiram casar, recorreram ao casamento arranjado por correspondência. Convidavam então moças solteiras no Japão, para se casarem. Este esquema de convite tinha o apoio e a organização da C.A.C., um projeto que se iniciou em 1959. 

Observem que havia forte preconceito contra as moças brasileiras não-japonesas, ou simplesmente era uma questão de preferência (casar-se somente com moça japonesa). 

Cerca de 500 moças (chamadas de hanayome imin, "noivas imigrantes") aceitaram o convite de casamento. Eram moças em geral de personalidade firme, determinadas,  e a maioria veio ao Brasil contra a vontade da família. 

Alguns Cotia Seinen chamaram para casar moças que já conheciam no Japão, e esses casamentos foram na maioria bem sucedidos. 

Entretanto, cerca de 70% das moças não conheciam pessoalmente o noivo, apenas por carta de apresentação e fotografias. Aconteceram diversos problemas com esse tipo de esquema, pois muitas moças alegavam que o moço não se parecia com a fotografia, outras alegavam que esperavam encontrar condições de vida melhor que aquela prometida na carta de apresentação do pretendente. Nessas ocasiões um funcionário da C.A.C., encarregado dos assuntos do programa intervia e tentava convencer a moça a se casar assim mesmo. Algumas se recusavam e fugiam. Mas os casos desse tipo eram raros.

Quase todas as moças ficaram chocadas com as condições de vida encontradas aqui. Esperavam uma casa, um lar aconchegante, e encontraram cabanas rurais, casinhas de sapê, de chão batido e telhados com goteiras.

O programa Cotia Sensei foi desativado pela C.A.C. em dezembro de 1966, por falta de candidatos. Nessa época, o Japão estava em grande crescimento econômico, e não era mais interessante para os jovens imigrarem ao Brasil. 

Em seu contexto geral, apesar dos percalços, tanto o programa Cotia Seinen quando ao programa Hanayome Imin foram muito bem sucedidos. 


Nota do Primeiro Ministro Japonês Shinzo Abe, parabenizando o programa Cotia Seinen

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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Colonia Vila Cotia - Cooperativa Agricola Cotia -Seinen Cotia

 

Vila Cotia, Cooperativa Agricola de Cotia e os “Cotia seinen”

Em 1913, alguns imigrantes que deixaram a Fazenda Guatapará juntaram-se a um grupo de jovens solteiros, a maioria carpinteiros, que viviam na cidade de São Paulo e arrendaram terras num local chamado Moinho Velho, que pertenciam a uma igreja nos arredores do município paulista. Os primeiros colonos se instalaram graças a intermediação de Teijiro Suzuki.

Nesta região, se dedicaram à agricultura e, tempos mais tarde, formou-se um núcleo de colonização japonês chamado de Vila Cotia.

Posteriormente ali se instalaram 30 famílias imigrantes japonesas, vindo da província de Kochi. 

Em 1927, a colônia contava com 80 famílias, mas apenas 13 eram proprietárias, e as demais eram arrendatárias. 

Durante muito tempo, devido à falta de recursos, as terras do Moinho Velho foram exploradas de maneira primitiva, sem que fossem aradas após as queimadas e sem o uso de fertilizantes. Somente dez anos depois começaram a produzir em boa escala e produtividade, grandes volumes de batata passaram a ser destinados aos mercados da capital.

Entretanto, os agricultores sofriam com o problema logístico: transportar as batatas até São Paulo. Esse transporte era feito por mulas, em estradinhas lamacentas,  a um custo muito alto, num trabalho de tropeiro. Somente a partir de 1927 os japoneses conseguiram a compra de caminhões Ford para escoar a produção. 

Plantadores de batata em Vila Cotia 
Fonte: Museu Historico da Imigração Japonesa no Brasil
Caminhão Ford, de plantadores de Batata, Cotia, c. 1926

Também neste núcleo de colonização, não tendo uma estrutura de apoio para armazenamento e melhor comercialização da batata, foi criada em 1927 uma cooperativa agrícola, que mais tarde se tornaria a Cooperativa Agrícola de Cotia, que se desenvolveu a ponto de tornar-se na maior cooperativa agrícola da América do Sul.

CAC - Cooperativa Agricola Cotia - década de 20

A Colonia Vila Cotia é hoje a Granja Viana, no município de Cotia, um bairro populoso, de alto padrão.

O movimento “Cotia Seinen”

Entre os anos de 1955 e 1968, a Cooperativa Agricola de Cotia promoveu um  movimento batizado pela comunidade nipo-brasileira como “Cotia Seinen” (“Jovens da Cotia”).

Tratava-se de um processo de recrutamento, no Japão, de jovens entre 18 e 25 anos, solteiros para migrarem ao Brasil e trabalharem na agricultura. Essa parceria foi estabelecida entre coopertivas agrícolas do Japão e a Cooperativa Agrícola de Cotia, em São Paulo.

Por essa via vieram mais de 2 mil jovens japoneses para a terra brasileira. O Cotia ainda promoveu outro movimento de imigração, desta vez, de mulheres japonesas para se casarem e estabelecerem uma família no Brasil, as chamadas de “Hanayome Imin” (“Noivas Imigrantes”).


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