As cartas de chamada de imigrante
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O que eram as cartas de chamada
Eram apenas declarações escritas, chamando parentes (em
geral pais, filhos e irmãos) para virem morar no Brasil. Servia como uma
espécie de pedido de visto de entrada (VISA), e eram apresentados aos agentes de
imigração na chegada ao Brasil. Lembrando que o visto de entrada não era emitido nos mesmos moldes de hoje.
As cartas de chamada serviam como documento comprobatório de que o convidado seria acolhido no Brasil pela pessoa que chamou, que este providenciaria moradia e comida do recém-chegado.
A carta de chamada também era um sinal de que o recém-chegado não era um aventureiro qualquer, um fugitivo; ou um andarilho que, sem teto garantido no Brasil, que ia morar nas ruas. E o recém-chegado, através da carta tinha o aval, a recomendação da pessoa que o chamou. Para deixar a carta “mais forte”, era acrescentado a profissão do convidado.
A carta de chamada ainda é usada hoje, mas é conhecida como
“carta convite”. Se você vai viajar para o exterior e vai ficar hospedado em
casa de amigo ou parente, pode solicitar a ele que envie a você uma carta
convite, pois você não vai reservar hotel de chegada, exigido pela imigração de
quase todos os países.
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| Carta de chamada de Marianna von Kalben |
As empresas de imigração exigiam que o imigrante viajasse
em grupos familiares (de no mínimo três, pai, mãe e filho/a). O grupo familiar
era garantia de estabilidade (de emprego) nas fazendas, pois dificultava as
fugas (abandono de emprego).
Entretanto, algumas pessoas no Japão (ou outro país) desejavam imigrar ao Brasil sozinhos, para juntarem-se à um grupo familiar já instalado aqui no Brasil. Poderia ser, por exemplo, um filho que foi deixado sozinho no Japão; ou pais que foram deixados para trás, se tornaram idosos e necessitavam de assistência do filho imigrante no Brasil.
A carta de chamada garantiria que o imigrante se agregaria a uma família aqui no Brasil.
1) Cartas privadas, em geral escritas à mão pelo anfitrião, aqui
no Brasil. Eram enviadas, por correio, ao convidado (a imigrar), e apresentadas
às inspetorias de imigração por ocasião do desembarque. Era um documento
aceito, mas na base da confiança da veridicidade dos termos da carta, não
tinham a força dos outros tipos de cartas. É o caso da carta acima, chamando Marianna von Kolben.
2) Declarações redigidas por qualquer autoridade de confiança (naquela época as pessoas eram mais confiáveis), como por exemplo o prefeito da cidade do imigrante chamado, o delegado de polícia (do Brasil ou do pais do chamado), os agentes consulares etc. Por serem formais e assinadas por testemunhas, eram aceitas pelos controles de imigração sem questionamentos.
3) Documento oficial, emitido pelo DEOPS, embaixadas ou
por serviços públicos de imigração.
Todos esses documentos tinham caráter declaratório, e de
requerimento, não de autorização (visto de entrada no Brasil), pois os
emitentes e declarantes não tinham essa prerrogativa.
O acervo do Museu da Imigração do Estado de São Paulo guarda
30 mil cartas de chamadas.
Veja neste site, exemplos de cartas de chamada.
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