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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Navio emigrantes japoneses - ocorrencias a bordo

 

Cap. 09 - As ocorrências a bordo

 

O clima de estresse e cansaço

 

A partir da metade da viagem, o cansaço, a falta de privacidade, a superlotação, o tédio, etc  geravam o estresse e alguns ficavam com o pavio curto. Era comum então os descontentamentos e brigas por coisas simples. Um banheiro sujo era motivo para protestos, brigas. Uma conversa entre um rapaz e uma moça era motivo para ciúmes. Não convidar alguém para tomar saquê se tornava ofensa.


Os supervisores tinham que acalmar os nervosinhos.

 

Ocorriam a bordo casos desagradáveis, tais como emigrantes que surtavam, brigas, desavenças, acusações de roubos, importunação sexual, etc. 

 

Era comum os passageiros da primeira classe implicarem com os emigrantes, principalmente por causa do barulho.

 

Entretanto, coisas boas também aconteciam. Namoros se iniciavam a bordo, famílias e pessoas faziam amizades, informações úteis eram trocadas, e até ocorriam nascimentos de bebês a bordo.

 

Alguns casais arranjados (casamentos forjados) procuravam, por curiosidade se conhecerem melhor e acabavam discutindo a possibilidade de continuarem juntos no Brasil.


A agencia de emigração procuravam manter o emigrante ocupado com eventos, cursos, leituras, etc. para amenizar a situação. Afinal, é correto aquele ditado, "o Diabo gosta de mentes desocupadas". 

 

O lado obscuro das viagens

 

Embora raros, ocorriam assédio e até abuso sexual. Na época a sociedade japonesa era extremamente patriarcal e machista, e as mulheres submissas. Por isso, esses delitos não eram denunciados pelas mulheres, que pensavam “é normal, coisa de homem.”

 

Esses abusos ocorriam principalmente por parte da tripulação do navio. Não raro, algum marinheiro propunha às moças melhores condições de viagem a troco de favores sexuais.

 

As mulheres emigrantes

 

Por ser o Japão (e o mundo todo) nos tempos de imigração um país patriarcal, não restavam às mulheres alternativa senão a de seguir o marido, o namorado ou o pai. Por isso, para muitas delas a viagem era mais penosa, por ser imposta por vontade alheia. 

 

A decisão de emigrar era unilateral e tomada pelo pai, marido ou até mesmo noivo. Não era decisão consensual.

 

 👉 Continua no próximo capitulo....

 

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