Cap. 09 - As ocorrências a bordo
O clima de estresse e cansaço
A partir da metade da viagem, o cansaço, a falta de privacidade, a superlotação, o tédio, etc geravam o estresse e alguns ficavam com o pavio curto. Era comum então os descontentamentos e brigas por coisas simples. Um banheiro sujo era motivo para protestos, brigas. Uma conversa entre um rapaz e uma moça era motivo para ciúmes. Não convidar alguém para tomar saquê se tornava ofensa.
Os supervisores tinham que acalmar os nervosinhos.
Ocorriam a
bordo casos desagradáveis, tais como emigrantes que surtavam, brigas,
desavenças, acusações de roubos, importunação sexual, etc.
Era comum os
passageiros da primeira classe implicarem com os emigrantes, principalmente por
causa do barulho.
Entretanto,
coisas boas também aconteciam. Namoros se iniciavam a bordo, famílias e pessoas
faziam amizades, informações úteis eram trocadas, e até ocorriam nascimentos de
bebês a bordo.
Alguns casais
arranjados (casamentos forjados) procuravam, por curiosidade se conhecerem melhor
e acabavam discutindo a possibilidade de continuarem juntos no Brasil.
A agencia de emigração procuravam manter o emigrante ocupado com eventos, cursos, leituras, etc. para amenizar a situação. Afinal, é correto aquele ditado, "o Diabo gosta de mentes desocupadas".
O lado
obscuro das viagens
Embora raros,
ocorriam assédio e até abuso sexual. Na época a sociedade japonesa era
extremamente patriarcal e machista, e as mulheres submissas. Por isso, esses
delitos não eram denunciados pelas mulheres, que pensavam “é normal, coisa de
homem.”
Esses abusos
ocorriam principalmente por parte da tripulação do navio. Não raro, algum
marinheiro propunha às moças melhores condições de viagem a troco de favores
sexuais.
As mulheres emigrantes
Por ser o Japão (e o mundo todo) nos tempos de imigração
um país patriarcal, não restavam às mulheres alternativa senão a de seguir o
marido, o namorado ou o pai. Por isso, para muitas delas a viagem era mais
penosa, por ser imposta por vontade alheia.
A decisão de emigrar era unilateral e tomada pelo pai,
marido ou até mesmo noivo. Não era decisão consensual.
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