quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Ryu Mizuno e o Kasato Maru - indice
Primórdios da Historia da Imigração Japonesa no Brasil - Indice
Os primórdios da história da imigração japonesa
terça-feira, 18 de agosto de 2026
O incidente no Buenos Aires Maru
O incidente no navio Buenos Aires Maru
Uma pequena curiosidade na
história da imigração japonesa ao Brasil.
Em dezembro de 1929 o navio
Buenos Aires Maru, que estava levando emigrantes para o Brasil, aportou na
Cidade do Cabo, como era de praxe. Era a parada obrigatória para abastecimento
de combustível, comida, água, etc.
No mesmo dia, o navio Manila
Maru, vindo do Brasil, onde deixara emigrantes, atracou também em Cidade do
Cabo.
Alguns imigrantes que estavam no
Manila Maru, voltando para o Japão, resolveram visitar os conterrâneos no
Buenos Aires. Perguntados, explicaram então os motivos deles estarem voltando
ao Japão: o trabalho nas fazendas do Brasil era árduo, os ganhos eram poucos,
os imigrantes ficavam endividados, a possibilidade de enriquecer era nula. Os
repatriados pintaram o Brasil como o inferno na Terra.
Esse quadro nada animador
rapidamente se espalhou no Buenos Aires. Em questão de horas, o navio inteiro
já estava a par das informações. As esperanças e os sonhos dos emigrantes
viraram pó. A noite a bordo foi de insônia, desespero, discussões e caos.
Na manhã seguinte, quando o
Buenos Aires se preparava para zarpar, aconteceu uma grande aglomeração no
convéns do navio. Por unanimidade, os emigrantes a bordo exigiram que o Buenos
Aires fizesse meia volta e retornasse ao Japão. Alegaram que foram enganados
pela propaganda das companhias de emigração.
Os agentes de emigração passaram
a convencer todos que, apesar das enormes dificuldades a enfrentar no Brasil,
era um lugar, para eles, ainda melhor que o Japão. Explicou a eles as
possibilidades a longo prazo, a enormidade territorial do Brasil, com terras
baratas para todos, etc.
Apesar da propaganda enganosa no
Japão, os agentes de emigração não estavam errados. A prova é que os imigrantes
em sua maioria tiveram uma vida bem melhor no Brasil do que teriam no Japão.
Convencidos os imigrantes a
continuar, o navio prosseguiu então sua viagem ao Brasil, chegando em Santos em
29/12/1929.
Há uma nota no jornal Folha da
Manhã anunciando a chegada do navio no Rio de Janeiro, no dia 25/01/1930. Ele aportou
em Buenos Aires (Argentina), e em seguida, Santos.
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| Folha da Manhã, 26/01/1930 |
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| Buenos Aires Maru |
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Kobe Imigration Center
A viagem dos emigrantes ao Brasil
Cap. 03 - Kobe Imigration Center - Kobe, Japão
O National Kobe Emigration Center foi estabelecido em 1928, para servir de suporte para os emigrantes que deixaram o Japão, principalmente aqueles que foram para a América do Sul.
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| National Kobe Emigration Center |
Antes da existência desse centro, os emigrantes ficavam a espera de embarque em dezenas de pequenos hotéis, em condições precárias e a um custo muito alto para as companhias de emigração.
No dia do embarque, era difícil reunir todos os viajantes, pois ficavam espalhados pelos hotéis cidade. Eram vários os casos em que o traslado chegava no hotel e não encontrava algum emigrante, que tinha dado uma saidinha.
Após a
inauguração do Kobe Emigration Center, muitos hoteis encerraram as atividades,
visto que o centro absolveu todos os clientes.
A hospedagem no
Kobe Emigration Center era gratuita, e a estadia máxima era de 10 dias. Ali
eram ministradas palestras e cursos sobre o novo país; e os emigrantes recebiam
as devidas vacinas e tinham aulas do idioma do país a acolher eles.
Ali eram
orientados também sobre quem pagaria as despesas do processo de imigração
(taxas portuárias, alimentação, hospedagens, transportes até às fazendas, etc).
Eram alertados para não serem cobrados indevidamente ao chegar no país
escolhido.
Na periferia do centro funcionavam várias lojinhas que vendiam conveniências baratas: sabonetes, lenços, toalhas de banho, canecos, chinelos, chapeis, etc.
Se
estabeleceram também nos arredores alfaiates que confeccionavam roupas
ocidentais. Os imigrantes encomendavam “roupa de trabalho”, que eram roupas
simples feitas de tecidos rústicos. As mulheres encomendavam vestidos e os
homens paletós. Os alfaiates se apressavam, tinham prazo curto, pois muitas
encomendas chegavam de última hora e a partida do navio era as vezes eminente.
O estado de
ansiedade no centro
No local,
reinava a ansiedade, o medo, a dúvida e
ao mesmo tempo a esperança. Como é o Brasil ? Como são as fazendas ?
Seriam bem tratados ? Ganhariam dinheiro?
Muitos ficavam
em estado de dúvida, a beira da desistência, mas não tinham dinheiro para
retornar para casa. Outros não podiam desistir, pois tinham que acompanhar familiares.
Ocorriam muitas
manifestações de paixões, de amor. Moças e rapazes recebiam cartas com pedidos
de casamento de ultima hora: “desista de ir ao Brasil, não me abandone e se
case comigo”. Paixões secretas eram reveladas : “não quero que vá embora sem voce
saber que te amo…”, promessas de fidelidade aconteciam: “esperarei a sua volta…”.
Essas manifestações de amor geravam dúvidas, angústias, choros e até desistências.
Moças que eram
obrigadas a se casar em esquema de casamento simulado para formar família de
imigrante montada ficavam em dúvida. O casamento fajuto seria anulado mais
tarde? Os agentes da companhias de emigração garantiam que sim, que o casamento
forjado era apenas uma formalidade.
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| Emigrantes em frente ao Kobe Emigration Center |
A rotina do dia a dia no Kobe Emigration Center
Muitos rapazes
recorriam ao centro, na esperança de serem adotados, e assim poderem se
esconder no Brasil, fugindo da convocação militar e consequente envio à
ocupação da Coreia ou Manchuria.
Os emigrantes
faziam e refaziam cálculos, de quanto iam ganhar em um ano (o contrato de trabalho
firmado por eles com as fazendas de café era de um ano). Era crucial esse
primeiro ano: se não desse certo a vida no Brasil, precisavam de ganhar, no
primeiro ano, o suficiente para pelo menos pagar a passagem de volta ao Japão.
Alguns funcionários
da emigração faziam inspeções nas bagagens. Procuravam por produtos que poderiam
ser barrados no Brasil, ou serem sujeitos a tributação fiscal. As bagagens eram guardadas em depósitos,
ficando o emigrante somente com uma bolsa com algumas mudas de roupas e uma nècessaire
com objetos de uso pessoal.
Os médicos e
enfermeiras trabalhavam em ritmo forte, nenhum emigrante poderia embarcar
doente. Haviam casos de subnutrição entre as crianças. E algumas épocas, o
tracoma era epidêmico no Japão. Havia o trabalho incessante de vacinações.
Por vezes,
aparecia um padre católico no Kobe Imigration Center, para pregar o
Cristianismo. Explicava que o Brasil era um país de católicos e tentava, sem
sucesso, incutir nos japoneses xintoístas e budistas os dogmas da Igreja Católica.
Na última noite
na hospedagem, às vésperas do embarque, os homens promoviam “festa de despedida
do Japão”. Bebia-se então muito saquê e se embebedavam e promoviam cantorias.
A conferencia da lista
Os supervisores faziam a confirmação de presença na hospedaria. Tinham já a lista de bordo, com todos os emigrantes contratados. Os ausentes eram procurados. Se não fossem encontrados, seus nomes eram eram riscados na lista. Alguns assistentes observavam "não embarcou".
Famílias inteiras não embarcavam, muitas vezes porque um dos membros ficou doente e não podia ser deixado para trás sozinho.
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| Lista de passageiros Buenos Aires Maru, 12-1929 |
Histórico do Kobe Emigration Center
Em 1964, foi novamente rebatizado, como “Kobe
Emigration Center”. Em 1971, devido ao final das correntes migratórias,
encerrou as atividades. Calcula-se que cerca de 250 mil emigrantes passaram por
ele.
Kobe Emigration Center hoje
O local foi
reaberto em 2009, apos algumas reformas. Foi dividido em tres secções, como
segue :
“Sailing for
Hopes and Unknown Field”, um museu da emigração japonesa. Na sua entrada, em
1995 foi colocado um monumento em homenagem ao imigrante japones que emigrou
para o Brasil.
“Field of
Association with Multiple Cultures”, uma associação para dar suporte aos
imigrantes locais.
“Creation Field
of Art”, um centro cultural e escola de artes, multi étnico.
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| Memorial aos Emigrantes, Kobe, Japão |
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| Grupo de emigrantes no Kobe Emigration Center |
terça-feira, 11 de agosto de 2026
O martírio de Shuhei Uetsuka em São Paulo
O martírio de Shuhei Uetsuka em São Paulo
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| Shuhei Uetsuka |
Em 1909 Ryo
Mizuno decidiu voltar ao Japão. A primeira leva de imigrantes, Kasato Maru,
resultou em um fracasso redundante, com mais de 70% deles abandonando ou
fugindo das fazendas. Ainda assim, Mizuno não desistiu e retornou ao Japão a fim de recrutar uma nova leva.
Afinal, bem ou mal, sabia já o caminho das pedras, tinha adquirido algum
know-how.
Deixou aqui
no Brasil Shuhei Uetsuka cuidando do escritório da sua empresa de emigração, a
Cia. Imperial de Emigração, na cidade de São Paulo. O escritório tinha por
objetivo prestar assistência aos primeiros imigrantes do Kasato. E também seria
a base de apoio para a segunda leva, que Mizuno iria tentar organizar no Japão.
Mizuno, sem
dinheiro (como de costume), ao chegar no Japão tentou junto ao governo e
grandes empresas levantar fundos para a segunda leva, mas não logrou êxito.
Tinha prometido enviar certa quantia a Uetsuka, a fim de manter as despesas do
escritório e pagar o seu salário, mas não conseguiu esse dinheiro.
Como o
dinheiro não chegou, Uetsuka foi despejado do escritório. Acontece que dormia
ali, e ficou ao relento. Cinco outros imigrantes perdidos em São Paulo também dormiam
espremidos no local, e da mesma forma ficaram na rua.
Os seis
conseguiram então alugar um quartinho fétido, úmido e imundo. Para sobreviver,
fabricavam brinquedos japoneses e vendiam na rua. A certa altura, sem dinheiro
algum, passaram a se alimentar de bananas. Mesmo assim, não conseguiam o
suficiente, e segundo Uetsuka, chegaram a passar de dois a três dias sem nada comer.
Mesmo na
negra penúria, Uetsuka continuou fiel a Mizuno, atendendo a todos os imigrantes
do Kasato que o procuravam. Fez o que pode.
Felizmente,
Uetsuka e sua turma contou com a ajuda de Takeo Goto (das Casas Fujisaki) e de
Nayoma Sumejima, um carpinteiro do Kasato que já tinha alguma clientela em São
Paulo.
Após um ano nessa situação precária, foi socorrido pelo Ministro Plenipotenciario Sadatsuchi Uchida.
Finalmente, em 28 de junho de 1910 chegou a segunda leva de imigrantes, a bordo do Ryojun Maru . Esta leva foi organizada por Mizuno, contratado para realizar esse trabalho por uma companhia de imigração (colonizadora Takemura Shokumin Shokan). Mizuno telegrafou para Uetsuka avisando a chegada dos imigrantes, e solicitou a ele as providencias na recepção.
Mas, as aventuras de Shuhei Uetsuka não terminaram aqui. Ele mais tarde conseguiu financiamento para fundar uma colônia.
Uetsuka foi um grande herói da Historia da Imigração Japonesa no Brasil.
Imigração japonesa-desbravamento da colonia
Imigração - O desmatamento da mata virgem
Implantada a colônia, feito o
trabalho de delimitações pelos agrimensores, estabelecida as vias de acesso,
etc o empreendedor colocava então os lotes de terra ("sítios") a venda. Algumas colônias,
planejadas, já tinham alguns compradores, esperando a implantação, o chamado.
Comprado o lote, o imigrante
iniciava o trabalho de estabelecimento definitivo no local, de mudança. A
primeira tarefa era o de desmatamento do seu pedaço. A compra do lote era um ato de enraizamento no Brasil, o sonho de voltar ao Japão já não existia mais.
O imigrante se sentia no céu: finalmente um pedaço de terra seu, a sua
independência ! A sua aquisição representava uma vitória, após anos de luta e
sofrimento nas fazendas de café. Era motivo de júbilo e muito orgulho, eram
extensões de terra que ele jamais iria possuir no Japão.
O trabalho de desmatamento
A maioria das terras eram florestas, mata virgem, que eram derrubadas a foice, machado e trançador. Ainda não existiam as motosserras.
Havia o perigo de ataques de catetos (espécie de porto do mato), de picada de cobras, aranhas e outros insetos. Também havia o perigo de ser atingido por um tronco, na caída. Alem disso, a malária era sempre uma ameaça perigosa.
Outra grande preocupação era com a agua potável. O trabalho exigia que se bebesse muita água. Se existisse uma mina de água por perto, o problema estava resolvido. Era possível beber água de algum rio nas proximidades, mas sob o risco de contrair diarréia.
O desmatamento era sempre feito nas estações secas, pois era
praticamente impossível trabalhar debaixo de chuva. Algumas colônias tinham
mata composta de pequenas árvores, o que facilitava muito o trabalho.
O trabalho era duríssimo e perigoso, feito somente por
homens e quase sempre em regime de mutirão. Uma cabana improvisada, rústica,
era erguida no meio da mata, para servir de acampamento.
As etapas do desmatamento
(2) A derrubada das árvores
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| Japoneses desmatando e sua cabana de apoio |
(3) As queimadas
Após o desmatamento, esperava-se
um tempo para as folhas e galhos secarem. Era então feita a queimada, que
deixava só os troncos maiores, chamuscados. A queimada dizimava a fauna, e
junto com ela as cobras e insetos venenosos, que morriam ou fugiam.
Da mesma forma, a flora era
dizimada com o fogo. Havia um lado benéfico: a terra ficava estéril, pois as
ervas daninhas e suas raízes e sementes eram queimadas. A imagem era de
devastação, mas na época não se falava em preservação ambiental.
Terminada a queimada, restavam somente as toras (troncos principais da árvore). Elas constituíam um estorvo, atrapalhava o trabalho agrícola. Com sorte, o colono poderia
encontrar alguma madeireira (serraria) que levava as toras, sem nada cobrar
(!).
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| Queimada - gravura de Percy Lau |
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| A terra, depois da queimada |
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| Depois da queimada |
(4) O “destocamento” - retirada dos tocos
Depois de desmatado e queimado,
era feita ao longo dos anos a limpeza do terreno, com a retirada dos troncos
maiores e o trabalho mais difícil de todos: a retirada dos tocos e raízes.
Consistia em arrancar os tocos das arvores, enraizadas. Para isso era preciso
da força dos cavalos, bois ou humanos, ou a utilização de alavancas.
Os tocos e raizes eram empecilhos, pois não permitiam, a agricultura mecanizada, e dificultava o uso de arado com tração animal.
O trabalho de destocamento era feito sempre depois de se colher alguma safra, e depois de uma chuva, pois o solo molhado ficava mais fofo.
Como era feito o trabalho de destocamento
Um método era cavar em volta do tronco, expor as raízes. Era então cortada as raizes e extraído o tronco. As raízes poderiam então ser mais facilmente retiradas, uma a uma.
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| Expostas as raízes, eram recortadas |
Outra maneira, usada em arvores menores, era simplesmente arrancar o toco com o uso da força, utilizando-se bois e cavalos.
Existia também um equipamento especial, que na verdade era um suporte para alavanca. Nunca vi esse equipamento, nem ouvi falar dele.
Havia também o recurso de queimar lentamente a base do toco, desprendendo-o das raízes. As raízes, soltas do toco, eram mais fáceis de serem arrancadas.
Depois das queimadas, mesmo antes da destocagem, entre os
tocos, troncos e galhos, já era possível praticar a agricultura: plantava-se
feijão, milho, hortelã pimenta, etc.
Galeria de fotos de desmatamento
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| Colono russo em sitio em desmatamento |
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| Após a queimada, Paraguaçu Paulista, 1923 |
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| Desmatamento - gravura de Percy Lau |
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| Imigrantes em desmatamento, c. 1909, São Paulo |
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| Japoneses e figueira gigante, sem data |
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| Japoneses fazendo queimada |
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| Desmatamento - Jean Moritz Rugendas |
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| Queimada - gravura de Percy Lau |
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| Desmatamento - Santa Catarina - alemães - sem data |
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Se voce gostou dessa leitura, veja também:
👉 Imigração Japonesa ao Brasil: Vida doméstica colono brasileiro nas fazendas
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Imigraçao japonesa - primeiros nucleos coloniais
Os primeiros núcleos coloniais
As primeiras colônias, de
imigrantes independentes, surgiram a partir de 1914. As grandes colônias localizavam-se em locais remotos, como se fossem um mundo à
parte. Os vizinhos mais próximos ficaram a quilômetros de distância. Os colonos
não tinham acesso à informação, na zona rural não chegavam jornais ou revistas,
e não existia a Tv. As correspondências (correio) não chegavam na zona rural.
Para evitar o isolamento total,
as famílias costumavam construir casas próximas, e assim cada uma poderia
socorrer outra em caso de necessidade.
O índice de mortalidade era
grande. Morria se principalmente de malária, além de picadas de cobras e
ferimentos não tratados adequadamente. Doenças infecciosas como gripe, varíola,
sarampo etc. não eram comuns devido ao isolamento. Pegava-se essas doenças
somente quando iam a cidade.
Uma estrada rústica que ligava a
colônia à cidade servia para escoar a produção. Isso era feito a cavalo, em
carroças de madeira. Nas temporadas de chuva a estrada poderia ficar lamacenta,
dificultando ou impossibilitando o deslocamento. As chuvas mais fortes
provocavam erosão na estradinha, que ficava cheia de valas.
A implantação de uma colônia
As colônias surgiam da iniciativa
de um empreendedor, que poderia ser uma pessoa ou uma empresa de colonização.
Sempre envolvia o estado (Sp, Pr, Es, Ms, Am) ou o município, que davam apoio,
fazendo estradas de acesso à nova colônia, cedendo grandes extensões de terras
ao empreendedor ou colonizadora.
Essas terras eram então divididas
em lotes e vendidas a prestações anuais e em longo prazo. Naqueles tempos, a
maioria das terras pertenciam ao governo.
Em geral os empreendedores davam
preferência às terras próximas a uma estação ferroviária.
Quem eram os empreendedores
Haviam três tipos de
empreendedores.
O tipo de empreendedor mais bem
estruturado eram as companhias de imigração subsidiadas pelo governo
brasileiro, tais como a Kaigai Kyokai (Associação Ultramarina de Emigração), a
Takushoku Kumiai (Cooperativa de Colonização), que providenciavam infra
estrutura e suporte econômico.
O segundo tipo era um líder
que reunia em torno de si um grupo de imigrantes independentes (que já
cumpriram o contrato com as fazendas de café). Esse líder estruturava a colônia
juntamente com o governo ou prefeitura. Eram colônias alavancadas por ideais,
ambições pessoais. Envolvia coragem, riscos e sofrimentos. Não tinham muito
apoio. Os exemplos desse tipo de empreendedor líder são Saburo Kumabe, Unpei Hirano,
Shuhei Uetsuka, Ryu Mizuno e Yassutaro Matsubara.
O terceiro tipo de empreendedor
era um latifundiário, que loteava suas terras com intuito de vender os
lotes aos imigrantes. Esse modelo foi o mais popular de todos. Um exemplo desse
tipo de loteamento é a colônia de Antonio Prado, em Ribeirão Preto.
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| Topografico do Nucleo Colonial Antonio Prado |
Como era o começo
O empreendedor em parceria com a
prefeitura, com recursos próprios ou advindos de financiamento de instituição
bancária fazia a agrimensura, delimitando os lotes de terras. Eram então feitas
instalações provisórias para receber o colono. Essas instalações constituíam de
um barracão com uma cozinha e algumas camas, um depósito de ferramentas
agrícolas, mantimentos, etc Ali o recém-chegado
se instalava e ficava até construir uma casa própria em seu lote.
O empreendedor convidava
imigrantes para se instalar na colônia. Em geral vinham em grupos, em várias
famílias. Era comum os adultos homens irem primeiro, para construírem a casa,
cavar o poço, construir uma horta, etc e após isso vinham as mulheres e
crianças.
Os grandes projetos das companhias de imigração tinham melhores estruturas para receber os colonos.
O topógrafo e a agrimensura da colônia
O serviço de agrimensura (levantamento
topográfico), feito por topógrafos era o primeiro passo da implantação da
colônia. O topógrafo determinava os limites da área e as linhas de delimitação
dos lotes a serem vendidos aos imigrantes. Muitas vezes recebia informações
vagas a respeito da área, do tipo “esta linha de delimitação começa na beira do
Rio Baiano, ali onde os meninos tomam banho e segue em linha reta até um cedro
gigante, e chegando nesse cedro a linha quebra levemente a esquerda e segue em
linha reta até a uma casinha, onde mora o seu Sebastião. Chegando a essa
casinha, pergunte ao Sebastião e ele vai te levar até a um palanque de cimento
fincado no meio do mato, que é a
continuação da linha...”
O agrimensor chefiava uma equipe,
que montava um acampamento no meio da mata. Esse acampamento era o quartel
general, e para montá-lo era preciso levar tudo em lombo de mulas:
equipamentos, comida, cobertores, lonas para montar barraca, cordas, etc Era indispensável no acampamento uma fogueira,
que ardia a noite inteira. Ela servia para aquecer o trabalhador, para assar
carne (as vezes de alguma caça), cozinhar, espantar os mosquitos e as onças,
iluminar, etc
Frequentemente era conveniente
transferir o acampamento para outro local.
Havia casos em que, seguindo as instruções do
proprietário, o agrimensor acabava invadindo terras do vizinho, gerando
conflitos.
As medições e estabelecimento das linhas eram feitas na base da foice e facão, entrando mata adentro. Era um trabalho dificílimo, e feito nas estações secas.
Os colonos imigrantes japoneses
Após cumprir o contrato
empregatício com as fazendas, os imigrantes estavam livres para alguma
iniciativa privada, para tornarem-se colonos.
Muitos, durante o transcorrer do
contrato, praticaram atividades paralelas com fins lucrativos. Era comum o
imigrante, com autorização do fazendeiro, plantar feijão entre as carreiras de
café (essas carreiras eram pedaços improdutivos durante a entressafra), e ficar com parte da venda desse feijão.
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| Entre as fileiras de pés de café havia um corredor de terra improdutiva |
Alguns imigrantes arrendavam terras, como meeiros.
E assim juntaram dinheiro suficiente para, no fim do
contrato, comprarem um lote de terras de algum projeto de colonização. Este foi
o caso o meu avô paterno: ele arrendou terras e plantou arroz. Com o dinheiro
do arroz, comprou terras no sul do estado de São Paulo.
Alguns projetos de colonização não prosperaram, principalmente por causa da malária, e outros não saíram do papel. Entretanto, a maioria das colonias prosperou. Algumas colônias promoveram progresso tal que a cidade vizinha cresceu em função dela. Nestas cidades, esses colonos são carinhosamente chamados de “pioneiros”.
Algumas colônias japonesas no Brasil
Núcleo Juqueri (atual
Mairiporã, periferia de São Paulo) – implantada em 1913 e 1914
Nucleo Colonia Cotia
(atual Cotia, periferia de São Paulo), surgiu com um grupo de jovens arrendando
terras da Igreja.
Fazenda São Joaquim –
colônia fundada próximo a Estação Tibiriçá, Bauru (Sp) por imigrantes que se
retiraram da Fazenda Dumont.
Colonia Hirano –
implantada em 1915, por iniciativa de Unpei Hirano, próximo à Estação
Ferroviaria Presidente Pena (atual Cafelândia, Sp)
Nucleo Barbosa, próximo a
Estação Ferroviária Albuquerque Lins (Lins, Sp)
Nucleo Itacolomi – implantada
em 1918, por iniciativa de Shuhei Uetsuka com a colaboração de Teijiru Suzuki, atual
Promissão (Sp).
Colonia Katsura - Considerada a primeira colônia japonesa
oficialmente organizada no país, localizada no Vale do Ribeira. Destacou-se
inicialmente no cultivo de arroz e mais tarde, de banana e chá.
Tomé-Açu (PA): Fundada em
1929 na região amazônica, tornou-se famosa pela introdução e pelo sucesso no
cultivo da pimenta-do-reino. Produz ainda cacau e juta.
Fazenda Bastos (SP):
Fundada em 1928, destacou-se fortemente na avicultura (produção de ovos) e na
sericicultura (criação do bicho da seda).
Colônia Aliança (SP):
Localizada nos municípios de Promissão e Guaimbê, fundada na década de 1920 com
foco na policultura e no cooperativismo.
Fazenda Tres Barras (Pr) – foi
um empreendimento da BRATAC – Sociedade Colonizadora do Brasil Ltda, que em 1928
adquiriu 13.600 alqueires no município de São Jerônimo da Serra (Pr) com apoio
da Administração Pública do Estado do Paraná e do capital de investidores japoneses.
A Fazenda Tres Barras deu origem a cidade de Assaí.
Colonia Cacatu - Antonina (Pr) - fundada a partir de 1917, foi a primeira colônia japonesa do Paraná.
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| Colonia de Registro (Sp) da Cia de Colonização KKKK |






























