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terça-feira, 25 de agosto de 2026

As despedidas e o embarque

 A viagem dos emigrantes ao Brasil

Cap. 04 - As despedidas e o embarque 

 

O dia do embarque começava bem cedo. Muitos parentes e amigos se dirigiam ao cais para as últimas despedidas. A tripulação precisava de ter o cuidado de não haver embarque de clandestinos ou de algum parente que subiu para se despedir e não desceu.

 


Todos procuravam seus dormitórios e camas, que já haviam sido designados previamente. Os supervisores trabalhavam freneticamente, indicando os dormitórios.

 

A bordo, o clima era de alegria para uns e de tristeza para outros.

 

Serpentinas eram distribuídas aos emigrantes, que a bordo do navio jogavam no cais. Eram metafóricas, e representavam a ligação do emigrante à pátria, como se fossem cordões umbilicais.

 

Uma campainha soava, anunciando a proximidade da hora da partida, como nos teatros antes de se iniciar o espetáculo.

 

A partida! A buzina a vapor do navio soava incessantemente, as máquinas eram ligadas, as cordas de atracagem recolhidas, o navio começava a se mover lentamente. A euforia tomava conta dos emigrantes, que gritavam, “banzai! Banzai!”. As serpentinas se rompiam, como se desprendessem para sempre da mãe-pátria. No cais, os parentes e amigos acenavam, se despedindo aos prantos.


A partida no porto de Kobe, Japão


A despedida do Santos Maru, 1929


Já no mesmo dia os chefes de família eram chamados para uma grande reunião no convés. O capitão apresentava a tripulação, o representante máximo da agência de emigração apresentava os supervisores. Estes explicavam as regras a bordo, os horários, a rotina do dia a dia com detalhes sobre economia de água, lavagem as roupas, uso correto dos banheiros, regras para o  banho, etc. 


Eram eleitos dois ou três representantes de cada um dos dormitórios, com a função de organizar o local, de ouvir as queixas, etc.


Os emigrantes desciam ao deck inferior, onde se situavam os dormitórios. Ficavam aterrorizados com as instalações - os dormitórios eram apertados, escuros e mal ventilados. 



Deck da terceira classe em navio de imigrantes

Dormitório emigrantes em navio, final do século 19


Alguns emigrantes começavam a sentir os primeiros sintomas de enjoo de mar.


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