terça-feira, 8 de setembro de 2026
O imigrante e a Segunda Guerra Mundial - indice
Quinta coluna - o que é ?
Quinta coluna – o que é ?
A expressão “quinta-coluna” surgiu na Guerra Civil Espanhola,
quando Madrid estava sendo atacada por quatro colunas rebeldes comandadas pelo
general Franco.
Uma quinta coluna existia dentro de Madrid, apoiando as
tropas franquistas. Essa quinta coluna estava secretamente infiltrada dentro da
capital, esperando a hora do ataque.
A expressão passou então a designar pessoa que atua
secretamente num país que está em guerra, ou vai entrar em guerra, preparando ao
inimigo ajuda em caso de invasão ou fazendo espionagem ou propaganda
subversiva. Seriam então traidores da pátria, dissimulados de cidadãos comuns; inimigos
infiltrados.
O termo , em tempos de paz, passou a ser usado para denegrir
pessoas, de acusar alguém de anti-patriotismo: “você não se passa de um
quinta-coluna”. Também foi usado para acusar pessoa que “joga contra o time”, que
pratica sabotagem ou faz corpo mole em um time de futebol ou ambiente de
trabalho numa empresa. Era uma expressão extremamente ofensiva, e caiu em
desuso.
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| "Fifth Column" de Ernest Hemingway |
Os supostos quintas-colunas no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial
Os imigrantes japoneses, alemães e italianos, durante a
Segunda Guerra, passaram a ser vistos como “potenciais quintas-colunas”. A
maior vítima dessa infundada suspeita recaia sobre os japoneses, por seu
aspecto físico inconfundível. O Italiano era difícil de ser identificado e o
alemão poderia ser visto como polonês, austríaco, etc.
Entretanto, no âmbito do exército e da polícia, os principais
alvos eram os imigrantes alemães, pois os ataques aos navios brasileiros foram
efetuados pelos submarinos alemães.
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| Folha da Noite, 09 de julho de 1942 |
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026
As tragédias na Historia da Imigração Japonesa no Brasil
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👉 A tragédia do cólera no navio Hawai Maru, 1928
👉 A tragédia da colônia Hirano
👉 As tragédias no navio Wakasa Maru
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A tragédia do cólera no Hawai Maru
O cólera - o que é ?
O cólera é causado por uma infecção no intestino
provocada pela bactéria Vibrio cholerae, que faz as células que revestem o
intestino produzirem uma grande quantidade de fluidos, causando diarreia e
vômitos.
A infecção é por ingestão de alimentos ou água
contaminada com fezes ou vômito de uma pessoa infectada com a doença.
Normalmente, a infecção por cólera é leve e
assintomática, mas, por vezes, pode ser grave, resultando em diarreia aquosa
profusa, vômito e câimbras nas pernas. O paciente rapidamente perde fluidos
corporais, o que leva à desidratação e ao choque. Sem tratamento, a infecção
pode levar à morte em questão de horas.
A infecção era comum nos navios de emigrantes. Um
comunicado foi emitido pelo Reino Unido aos emigrantes que se dirigiam aos
Estados Unidos, em 1858.
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| Alerta do Reino Unido |
A tragedia do cólera no Hawai Maru, 1928
O navio Hawai Maru partiu de Kobe com 721 emigrantes, em
16/03/1928.
Um surto de cólera irrompeu a bordo, obrigando o navio a
fazer parada de emergência em Singapura em 04/04/1928.
Porém não foram autorizados a desembarcarem no porto, e
tiveram que se isolar na ilha Saint John, à distância de 2km do porto.
Esta ilha já tinha uma estrutura para quarentena de
emigrantes, que funcionou de 1874 até 1973. Contava com um lazareto, instalação hospitalar para tratamento de doenças
contagiosas. A designação da ilha como isolamento de emigrantes foi
estabelecida após uma epidemia de cólera fez 357 vitimas em Singapura, em 1873.
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| Emigrantes em quarentena em Saint John Island, 1930 |
O cólera causou a morte de 19 emigrantes do Hawai Maru. Dezessete emigrantes retornaram ao Japão, desistindo da viagem.
O navio chegou ao Brasil em 18/06/1928, após exaustivos 94 dias de viagem.
Tragédia familiar
Consta na lista de passageiros do Hawai Maru que a família
de emigrantes Hoshino teve tres mortes por cólera. O chefe da família (pai),
mãe e um filho pereceram e três filhos sobreviventes voltaram ao Japão.
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| Pagina da lista de bordo do Hawai Maru |
A vacina contra cólera
Existia uma vacina contra cólera na época, porem ela não tinha eficácia plena comprovada. Não há registros de que o Centro de Imigração de Kobe tenha adotado essa vacina nos protocolos de emigração. As vacinas contra cólera mais eficazes surgiram após os anos 70.
Emigrantes japoneses - a chegada no porto de Santos
A
chegada no porto de Santos
No dia
anterior a chegada a companhia de emigração reunia todos a bordo. Era feito
então discursos de agradecimentos a todos pelo esforço e por terem suportado as
duras condições da viagem. Algumas homenagens eram concedidas, àqueles que
colaboraram com grande empenho nos trabalhos da travessia. Os mais idosos eram também
homenageados.
Eram feitas orações àqueles que padeceram na viagem.
A todos era
ordenado que antes de dormirem recolhessem os pertences no dormitório, de forma
que na manhã seguinte as bagagens de mão já estariam prontas. A agitação tomava
conta dos dormitórios.
Os
supervisores distribuíam formulários a alguns imigrantes, escolhidos a dedo,
para a famosa avaliação de desempenho (o atual 0 a 5) para serem encaminhados à
matriz. Os formulários com avaliações ruins eram rasgados.
A câmara fria
da cozinha era aberta para liquidação do estoque e um generoso banquete de
comemoração era oferecido aos imigrantes. Os homens, com um bom motivo para beber, se embebedavam e cantavam alto. Os supervisores as vezes tinham que intervir para acalmar a animação.
A turma da primeira classe comemorava com o capitão e o chefe da agencia de emigração, com bebidas finas, queijos e outros quitutes.
Os jornais, avisados pelas agencias de imigração, anunciavam as chegadas dos navios.
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| Correio Paulistano anunciando chegada de navio de imigrante, 1910 |
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| Jornal O Globo, edição de 29 de abril de 1930 |
Terra à vista !
“Burajiru à
vista!”. Todos iam eufóricos ao convés para ver as primeiras visões do
Brasil. Era sem dúvida um momento de muita emoção e euforia. O navio se aproximava do porto, mas não tinha ainda autorização para atracar.
Era preciso antes a inspeção sanitária.

Imigrantes no Wakasa Maru avistam o Brasil, 1921
Uma comissão
de agentes sanitários brasileiros, subia no navio para as inspeções de saúde.
Quem estivesse com doença contagiosa não poderia desembarcar.
Uma fila era
organizada a bordo, e um a um eram inspecionados. Os olhos recebiam especial
atenção, devido ao tracoma.
As agências de
emigração do Japão costumavam reservar um valor para subornarem os chefes das
comissões de agentes sanitários, para eles não serem muito rigorosos. Por isso,
raramente aconteciam deportações por problemas de saúde.
Finalmente, liberados
pelos agentes sanitários, o navio atracava no porto!
Era descida a
rampa de acesso e os imigrantes começavam a descer do navio!
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| Imigrantes japoneses descem do navio em Santos |
Alguns
brasileiros curiosos se aglomeravam no cais para ver o desembarque.
Eventualmente
algum político comparecia para dar as boas-vindas.
Agentes da
companhia de imigração no Brasil, todos japoneses, responsáveis pela leva de
imigrantes que chegava, se apresentavam aos gritos e com cartazes, davam as boas-vindas. A
partir dali eram eles os responsáveis pelos imigrantes, e deviam encaminhá-los
até ao destino final: as fazendas.
Apesar da
inspeção sanitária, existia, da parte da cidade de Santos, a preocupação de que
algum imigrante trouxesse alguma doença infecciosa do país de origem, por isso todos
saiam do porto e embarcavam num trem direto para a Hospedaria dos Imigrantes de
São Paulo, no bairro do Brás, capital.
A dispersão dos imigrantes – as despedidas
Na Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo,
as agências de imigração dividiam os emigrantes em grupos, e cada grupo seguia
para uma fazenda, em número determinado por contrato.
Na divisão, a
agência de imigração procurava afinidades, como, por exemplo, as famílias
originarias de uma determinada região do Japão eram destinadas à mesma fazenda.
Nessa divisão em grupos, ocorriam as separações. Casais de namorados podiam se
separar, cada um sendo enviado a fazendas diferentes.
O embarque de
grupos para as fazendas marcava um momento das despedidas, de choro e emoção, com
muitas promessas de reencontros futuros.
E aqui termina
a grande aventura dos emigrantes em sua travessia dos oceanos.
Navio emigrantes japoneses - ocorrencias a bordo
Cap. 09 - As ocorrências a bordo
O clima de estresse e cansaço
A partir da metade da viagem, o cansaço, a falta de privacidade, a superlotação, o tédio, etc geravam o estresse e alguns ficavam com o pavio curto. Era comum então os descontentamentos e brigas por coisas simples. Um banheiro sujo era motivo para protestos, brigas. Uma conversa entre um rapaz e uma moça era motivo para ciúmes. Não convidar alguém para tomar saquê se tornava ofensa.
Os supervisores tinham que acalmar os nervosinhos.
Ocorriam a
bordo casos desagradáveis, tais como emigrantes que surtavam, brigas,
desavenças, acusações de roubos, importunação sexual, etc.
Era comum os
passageiros da primeira classe implicarem com os emigrantes, principalmente por
causa do barulho.
Entretanto,
coisas boas também aconteciam. Namoros se iniciavam a bordo, famílias e pessoas
faziam amizades, informações úteis eram trocadas, e até ocorriam nascimentos de
bebês a bordo.
Alguns casais
arranjados (casamentos forjados) procuravam, por curiosidade se conhecerem melhor
e acabavam discutindo a possibilidade de continuarem juntos no Brasil.
A agencia de emigração procuravam manter o emigrante ocupado com eventos, cursos, leituras, etc. para amenizar a situação. Afinal, é correto aquele ditado, "o Diabo gosta de mentes desocupadas".
O lado
obscuro das viagens
Embora raros,
ocorriam assédio e até abuso sexual. Na época a sociedade japonesa era
extremamente patriarcal e machista, e as mulheres submissas. Por isso, esses
delitos não eram denunciados pelas mulheres, que pensavam “é normal, coisa de
homem.”
Esses abusos
ocorriam principalmente por parte da tripulação do navio. Não raro, algum
marinheiro propunha às moças melhores condições de viagem a troco de favores
sexuais.
As mulheres emigrantes
Por ser o Japão (e o mundo todo) nos tempos de imigração
um país patriarcal, não restavam às mulheres alternativa senão a de seguir o
marido, o namorado ou o pai. Por isso, para muitas delas a viagem era mais
penosa, por ser imposta por vontade alheia.
A decisão de emigrar era unilateral e tomada pelo pai,
marido ou até mesmo noivo. Não era decisão consensual.
👉 A
viagem dos emigrantes ao brasil – todos os capítulos
Navio emigrantes - informaçoes a bordo
Cap. 08 - A informação e comunicação a bordo
As cartas ao Japão
O emigrante
poderia escrever uma carta a alguém do Japão, que era postada nos portos de
parada (Hong Kong, Cingapura, Cidade do Cabo, etc). Um supervisor recolhia as cartas e a tarifa postal e cabia a ele a tarefa de postar a carta nas agencias de correios.
Os comunicados mimeografados
Os navios
tinham mimeógrafo, aparelho importantíssimo, que fazia as vezes de Whatsapp.
Trata-se de uma pequena impressora, inventada por Thomas Alva Edison, que faz reproduções de páginas (cópias, como
se fosse uma maquina Xerox).
Com ele, eram impressos os comunicados aos emigrantes, tais como as datas e horários dos eventos, a descrição do evento, solicitação de melhor asseio nos banheiros, nomeações de pessoas para cargos, proibições de desembarque nos portos de escala, instruções sobre o desembarque em Santos, etc.
O anúncio romântico
Muito provável que esses comunicados, por encomenda de rapazes solteiros, publicavam a seguinte frase :,
"Atenção senhorita Fulana de Tal. Tem um rapaz interessada em você."
Isso era bem típico nesses tipos de comunicados.
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| Mimeógrafo antigo, da época das imigrações |
Notícias do
Brasil e Japão
Os emigrantes
não tinham nenhuma noção do Brasil, que era uma incógnita. Por isso perguntavam
sobre o país a alguns supervisores que já tinham viajado ao Brasil. Entretanto,
eles respondiam que só conheciam o porto de Santos.
Se um
emigrante a bordo já estivesse no Brasil e estaria retornando, era alvo de
constante perguntas. Ele consistia em um problema enorme para a companhia de
emigração, pois sabia das duras condições que os emigrantes iriam enfrentar. Por
isso, eram orientados a não se manifestarem a respeito, ou se manifestarem
favoravelmente sobre o Brasil.
A angústia
de não conhecer o destino final
Os emigrantes
que já tinham parentes ou amigos no Brasil desejavam se juntar a eles, e
perguntavam aos supervisores se era possível eles interferirem nesse sentido,
solicitarem o envio deles para as fazendas desses parentes e amigos.
Os supervisores explicavam que não podiam
fazer nada, que eles seriam enviados às fazendas de café designadas pelas agências
de imigração do Brasil, que já tinham contrato assinado com algumas fazendas.
👉 Continua no próximo capitulo....










