segunda-feira, 6 de junho de 2016

A Colônia Macaé




Imigracao japonesa no Brasil  - A Colonia Macaé 

Os imigrantes do Kasato Maru são considerados os pioneiros da imigração japonesa ao Brasil. Justiça seja feita, antes deles, já existia uma pequena colônia japonesa no Brasil, formalmente organizada. O Kasato Maru deixou registros, fotos, foi uma leva bem maior, sem dúvida; mas a Colônia Macaé caiu no esquecimento.

A Colônia Macaé nasceu de um sonho louco, de um projeto idílico. Saburo Kumabe (1865-1926) era formado em Direito, exercendo as funções de juiz em Kagoshima, no Japão. Casou-se e teve 5 filhos, sendo 4 meninas. Levava uma vida estável e confortável, mas ao ler o relatório do ministro Fukashi Suguimura, sonhou em instalar uma colônia no Brasil. Começou então arregimentar jovens dispostos a acompanha-lo na empreitada. Suspeita-se que Kumabe tinha como principal objetivo dar sua colaboração na expansão da influência japonesa em terras estrangeiras. 

Saburo Kumabe
Saburo Kumabe


Em 1906 chegou ao Brasil com toda a família e os demais jovens que se engajaram nesta arrojada aventura : Ryoichi Yasuda, Shinkichi Arikawa, Tamezo Nishizawa, Yoshizu Kudama, Masahiko Matsushita, Nagase e Torii.. 

A grande desilusão na chegada ao Brasil

Ao chegarem no Brasil, constataram que o seu grande aliado, o Ministro Suguimura, havia falecido.  Suguimura seria o grande negociador da empreitada, junto aos governos de estados. Sem o apoio do ministro falecido e sem muitos recursos, instalaram-se na cidade de São Paulo, onde viveram de pequenos trabalhos em fábricas, restaurantes e em estiva; passando por enormes dificuldades.  A familia Kumabe sobreviveu a duras penas, fabricando cigarros de palha.

A interferência de Ryu Mizuno

No ano seguinte, 1907, Ryo Mizuno, diretor da Cia. De Imigração Japonesa, firma um acordo de colonização com o estado do Rio de Janeiro, recebendo terras num local chamado de Vila da Conceição de Macabu, na época pertencente à cidade de Macaé. Convidou então Kumabe e seus companheiros para formar a tão sonhada colônia agrícola no local.

Nagase e Torii já não estavam no Brasil, tinham se mudado para os Estados Unidos. Matsushita não aceitou o convite, tinha virado comerciante em Sao Paulo. Kudama estava com sérios problemas de saúde, também não aceitou o convite.

Em 11 de novembro de 1907 Saburo, sua familia, acompanhado de Yasuda, Arikawa e Nishizawa deixam a cidade de São Paulo, e chegam em Macaé no dia 29 de novembro, numa viagem que durou 18 dias.

Ao chegarem no local, constataram que a região era habitada por ex-escravos. Toki, filha de Kumabe, já havia aprendido algum português, porem não conseguiu dialogar com eles, pois usavam um dialeto resultante da fusão de português com outro idioma africano.

Familia Kumabe
Familia Kumabe (sem data)

Municipio de Macae Rj
Municipio
de Macaé, Rj.
 

Nishizawa abandonou a colonia pouco depois da chegada, decepcionado com as condições do local.

Arikawa ficou com Kumabe, mas por um motivo : estava noivo da sua filha mais velha. Porem alguns meses depois, desmanchou o noivado e também abandonou o local. 

Imigrantes do Kasato Maru se juntam à Kumabe

No ano seguinte, 1908, Haruyoshi Takaoka, Shiguekiti Okamura e Jihei Takakura, vindos do Kasato Maru, juntaram-se a Kumabe na colonia. 

Pouco depois, quatro imigrantes do Kasato Maru, que haviam fugido de uma fazenda de café no estado de São Paulo se juntaram à colonia. 

Mas, em 1910 Ryoichi Yasuda desistiu da colonia e mudou-se para a cidade do  Rio de Janeiro.

A colonia, enorme (3.200 hectares), tinha já alguma infra estrutura, com paióis de milho e café, moinhos de farinha de mandioca e milho, estábulo, casa-grande e senzala do tempo da escravidão, capela e alambique. . Apesar disso a Colonia Macaé não progrediu, por vários motivos. Não houve apoio do estado do Rio de Janeiro (ao contrário do estado de São Paulo, que muito ajudou aos imigrantes). Alem disso, os imigrantes não tinham experiencia com a agricultura, eram no Japão professores, funcionários públicos, etc. . Também ocorreram surtos de doenças como a malária; a proliferação da praga da saúva (especie de formiga que ataca as plantações).

A desistência de Saburo Kumabe

Kumabe abandonou a colônia em 1912, indo morar no Rio de Janeiro. Ali empregou-se numa empresa que comercializava materiais de iluminação a gás e de materiais para instalação elétrica. Todo o material era importado e Kumabe foi contratado porque sabia falar ingles.  

Duas de suas filhas se formaram no segundo grau, tornando-se professoras. Para exercer a profissão, tiveram que se naturalizar. Foram elas os primeiros japoneses a se formarem no Brasil e também a se naturalizarem. O único filho de Kumabe, Keiiti, mudou-se para os Estados Unidos.

Kumabe suicidou-se em 1926, aos 61 anos de idade. 

Senhorita Kumabe com turma de alunos c. 1921
Uma das filhas de Saburo Kumabe, professora, ao lado de sua turma. 


Fábio Yassuda, um dos filhos do pioneiro Ryochi Yassuda (1879-1971), tornou-se o primeiro descendente a ocupar um ministério : o da Industria e Comércio, durante o governo Médici, nomeado em 1969.

Ryochi Yassuda deixou um valioso registro, um diário abrangendo inclusive sua viagem de navio como imigrante ao Brasil. Esse diário foi doado ao Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil. 

Outros descendentes que também se destacaram no Governo Federal : Shigueaki Ueki, Ministro das Minas e Energia do governo Geisel; e o brigadeiro Juniti Saito, comandante geral da FAB. 

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