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quinta-feira, 16 de julho de 2026

O ministro Plenipotenciário Narinori Okoshi

 Ministro Plenipotenciário no Brasil Narinori Okoshi

Narinori Okoshi (1845–1922) foi um diplomata, atuou como o Ministro Plenipotenciário do Japão no Brasil (sediado em Petrópolis, Rj) e tratou das primeiras discussões sobre a imigração japonesa para terras brasileiras no final do século XIX .

Okoshi Narinori, 1888

História de Narinori Okoshi no Brasil

No final da década de 1890, após o "Incidente Tosa-maru" (um desastroso projeto de navio de imigrantes), Okoshi, juntamente com Sutemi Chinda, adotou uma postura extremamente cautelosa e negativa em relação ao envio de trabalhadores japoneses ao Brasil. Ele desaconselhou o governo japonês a promover a imigração para o Brasil.

Obra Publicada

Além de sua carreira diplomática e Okoshi é conhecido pela autoria do livro A Sketch of the Fisheries of Japan, publicado em 1883.

A sketch of the fisheries of Japan


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segunda-feira, 6 de junho de 2016

O Ministro Plenipotenciário Suguimura

I

O Ministro Plenipotenciário Suguimura Fukashi

O Ministro Suguimura foi um dos principais incentivadores do início da imigração


Em 19 de abril de 1905, assumiu o cargo de Ministro Plenipotenciário do Japão no Brasil, o sr. Fukashi Suguimura. Ele já tinha exercido as funções de diplomata no Canadá, onde implantou, em Vancouver, um consulado do governo japonês, em 1887. 

O cargo de Ministro Plenipotenciário, que tinha sede em Petropolis, Rj, já existia e era exercido por Narinori Okoshi, que retornou ao Japão, amaldiçoando as terras brasileiras e desaconselhando a vinda de japoneses ao Brasil.

Suguimura
Fukashi Suguimura - ministro plenipotenciário

Tão logo que aqui chegou, Suguimura fez várias viagens pelo Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo acompanhado de um interprete, Kubanichi Horiguchi.

A noticia de sua intenção de viajar pelo Brasil repercutiu muito bem, com a imprensa do Rio e São Paulo anunciando a viagem. Durante esta viagem de reconhecimento, Suguimura ficou encantado com o Brasil, e pensou na possibilidade de trazer imigrantes para cá. Foi o pai da imigração japonesa no Brasil. 

Chegando a cidade de São Paulo, foi recebido pelo Governador, pelo prefeito da cidade, e pelo Secretário da Agricultura do Estado de São Paulo. Recebeu tratamento super-VIP, foi levado ao porto de Santos, onde lhe foi mostrado a infra estrutura portuária. Junto com o Secretario, elaborou um protocolo de intenções, onde estabeleceram o seguinte : estudo por parte do estado de São Paulo, de um valor de ajuda de custo para trazer o imigrante ao Brasil; estudo para o fazendeiro interessado também ajudar com algum valor; isenção do imigrante em devolver o valor da ajuda. Após as negociações, o Secretário da Agricultura aprovou :

1- Que o Estado de São Paulo arcaria com 7 libras (moeda inglesa) para cada imigrante;
2- Que os imigrantes chegassem em março-abril de cada ano (época de inicio de colheita de café);
3- Que seria aceito somente imigrantes em núcleos familiares, de no mínimo 3 pessoas : marido, mulher e filho.
4- Que haveria isenção da devolução da ajuda (7 libras).
Na sua viagem de volta a Petropolis (onde ficava o seu escritório) a dupla Suguimura-Horiguchi era recebido, nas cidades em que passava, com toda pompa, com tratamento de chefe de nação.

O Relatório Suguimura

Suguimura elaborou então em 1905 um parecer oficial sobre o Brasil, que ficou conhecido como “Relatorio Suguimura”. Ali descrevia o Brasil, as terras férteis, baratas e extensas, o povo, as imensas plantações de café, a pujança e riqueza do estado de São Paulo; e sugeria que o japonês se sentiria bem aqui no Brasil. O relatório foi publicado pela primeira vez em dezembro de 1905, no boletim da secretaria do comércio do Ministério das Relações Exteriores (“Tsūshō isan”).

Em seguida foi publicado num jornal de grande circulação nacional, Osaka Asahi Shimbun (foto) no fim do mesmo ano, 1905. A repercussão foi grande; tantos foram os pedidos de informação, vindos de aldeias e cidades de todo país, que o Ministério viu-se forçado a imprimir uma resposta padrão com os dizeres: “por encontrar-se ainda em fase de pesquisa, não podemos emitir um parecer em relação à emigração para o Brasil”.

Ao ler o artigo no jornal, o superintendente da recém-fundada Cia.  Imperial de Colonização (Kōkoku Shokumin-gaisha), Ryō Mizuno, dirigiu-se a Legação Brasileira no Japão e ao Ministério das Relações Exteriores, para maiores informações; e no inicio ano seguinte viajou para o Brasil ver de perto o que Suguimura havia descrito no relatório. Em 1908 Mizuno organizou a primeira leva de imigrantes ao Brasil : o Kasato Maru.
 
Relatorio do Ministro Suguimura
Relatorio Suguimura, no jornal Osaka Asahi Shimbum,  elogiando o Brasil

A frustação de Suguimura


Em em junho de 1906, Antonio Antunes dos Santos, que trabalhava em uma empresa de imigração, encontrou-se com Suguimura em Buenos Aires. Suguimura estava despontado, pois segundo ele, os custos de imigração do japonês ao Brasil eram altos, e por isso não era viável. É o que publicou o jornal Correio Paulistano, edição de 07006/1906.



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O fracasso do Tosa Maru



Imigracao japonesa no Brasil 

As primeiras tentativas de imigração japonesa ao Brasil


Com o fim da escravidão no Brasil em maio de 1888, o governo brasileiro vi-se forçado a introduzir imigrantes a fim de manter a força de trabalho. A preferencia era pelos europeus, pois havia no Brasil um forte movimento de eugenia, de “embranquecimento”, de “melhoramento racial”  do povo brasileiro. O Decreto lei 528 de 28 de junho de 1890 proibia a entrada de africanos e asiáticos, pois os eugenistas brasileiros consideravam-os “raça inferior”.

Mas, com as dificuldades em convencer os europeus a virem ao Brasil, e com a urgência de braços para as colheitas de café, foi promulgada a lei 97, em 5 de outubro de 1892 revogando o artigo da lei 528 que proibia a entrada de asiáticos. Entretando, a lei 97 liberava somente chineses e japoneses, não mencionando os demais povos da Asia.

Primeiras tentativas de formalizar um processo de imigração

Em 1894 o diretor de uma empresa brasileira de imigração, Prado Jordão & Cia, Charles Alexandre Carlyle, viajou ao Japão. Ali encomendou uma remessa de emigrantes a uma empresa japonesa, a Cia. Kissa de Emigração.  Mas as relações comerciais entre Brasil e Japão ainda não tinham sido formalizadas, e por isso o projeto fracassou.

Em novembro de 1897, a Cia. Japonesa de Emigração (Nippon Imin Kaisha) assinou contratos provisórios com a empresa carioca Angelo Fiorita & Cia, que acabaram também em fracasso.
Em agosto de 1901, Sanz Elorz, funcionário da Angelo Fiorita & Cia foi ao Japão tentar fechar uma remessa de emigrantes, mas também não obteve êxito.

Acredita-se que estas duas empreitadas da Angelo Fiorita & Cia não progrediram devido à péssima impressão deixada pelo incidente com o Tosa Maru.

O cancelamento do Tosa Maru

Tres anos depois, em 1897,  foi a vez do Cia. Kissa de Emigração enviar para o Brasil um funcionário, Tsukitsu Aokitsu; que procurou a Prado Jordão & Cia. Foi firmado então um contrato provisório entre a Prado e uma outra companhia japonesa de emigração, a Toyo Imin-Kaisha.  Para a empresa foi um grande negócio, pois os Estados Unidos havia proibido a entrada de emigrantes no Hawai, e o Brasil seria uma nova fronteira a ser explorada. 

A Toyo contratou então o navio Tosa Maru, e arregimentou 1500 emigrantes, com destino ao Brasil. Entretanto, no dia 15 de agosto de 1897, a Prado & Jordão enviou um telegrama ao Japão, anunciando o cancelamento da remessa, dizendo : "Pedimos a suspensão da saida de navio, pela impossibilidade de receber os imigrantes, em virtude da queda brusca do preço do café”.

E assim, a saida dos emigrantes foi cancelada, e mais de mil deles já se encontravam no porto de Kobe, vindos de várias regiões do Japão. Todos caíram em desespero e revolta. A Toyo sofreu um prejuízo enorme, e reclamou junto ao Ministro Plenipotenciário no Brasil, Sr. Shinda, para que interviesse junto ao governo japonês a fim de minimizar este prejuízo. Entretanto, o pedido de socorro foi negado.

Os dois Ministros Plenipotenciários aqui no Brasil, Sutemi Chinda e Narinori Okoshi, ficaram bastante contrariados com este fracasso, e a partir de então passaram a não mais dar apoio aos processos de imigração japonesa no Brasil.

Comunicado de cancelamento
Comunicado de cancelamento da viagem do Tosa Maru
fonte : National Diet Libray, Tokyo.

Tosa Maru, 1920 - fonte MHIJB

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