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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Sakuragumi teishin-tai - o desmantelamento da quadrilha

 

O desmantelamento da quadrilha

No dia 02/11/1954 um dos líderes da seita, Hinosuke Manone, se dirigiu à Prefeitura de Santo Andre., para comunicar o êxodo de 5.000 japoneses para a China, a fim de se juntar ao exército chines na luta contra Shiang Kai Chek, refugiado na ilha Formosa. Solicitou ajuda do governo para execução desse plano delirante.

O prefeito, desconfiado, denunciou o caso ao DOPS e o Serviço de Segurança do Estado.



Preso o grupo dos organizadores

Em 01/12/1954 o DOPS, temendo que o movimento causasse o renascimento da Shindo Renmei, após serviços de espionagem invadiu a sede da seita em uma residência em Santo Andre, e prendeu 16 japoneses, líderes e ativistas. Ali encontraram material de propaganda (folhetos, impressos, faixas, etc), mimeógrafo e muito dinheiro.

Junto com o material foi encontrado mapas do Paraná e São Paulo, com várias indicações de municípios onde a seita tinha adeptos.

Foram presos : Tsuneo Amano, Kuniti Okamoto, Tomizo Hiroshi, Yonosuke Toda, Minoru Kajita, Mitsuo Yoshitane, Kazumassa Watanabe, Tadashi Watanabe, Kuchiro Inoue, Donoske Marrone (?), Akio Takada, Iwago Watanabe, Yoshiro Ishi, Hatsuto Hayashida, Tsunao Amano, Yassuma Nakashima

Os presos em Santo André

Na delegacia de Santo Andre, sofreram humilhações e roubo do dinheiro e objetos de valor confiscados na sede pelo carcereiro. Porém não foram torturados nem sofreram qualquer tipo de agressão física.

As agitações dos sakuragumi em São Paulo

Mesmo com os líderes presos, o grupo do Sitio Guaraciaba passou a causar transtornos com passeatas na Praça da Sé, conclamando seus ideais. Passaram a se reunir, diariamente, também em frente ao Consulado do Japão e com faixas, gritos e megafone, exigiam pagamento das despesas de retorno ao Japão, para execução dos planos loucos.

Alguns escreveram cartas ao governador e a Cruz Vermelha solicitando apoio.

O consulado os deixou falando sozinho, não lhes deu a mínima atenção.

Diario da Noite, 17/03/1955

Com o aumento do descontentamento junto ao Consulado do Japão, em 16/03/1955 nove manifestantes invadiram as dependências da embaixada, e feriram alguns funcionários. Exigiam a deposição do consul. 

No episódio, foram presos Haruto Hayashida, Shigueo Nikaido, Takemi Yoshida, Toruchi Aono, Hinosuke Manome, Hichiro Ishi, Kansei Higa, Akio Amano e Tomizo Kuruta.

Os Sakuragumi em desfile militar na Praça da Sé

A realocação dos fanáticos do Sitio Guaraciaba

As condições em que se encontravam os japoneses no sítio Guaraciaba eram muito precárias e por isso foram trazidos para um pavilhão na cidade de Santo André. Outro motivo da transferência foi o fato da policia ter, no pavilhão, melhores condições de vigiá-los. 

Alguns incidentes aconteceram na realocação, pois alguns japoneses ofereceram resistência.

Diario da Noite, 22/05/1955 - a transferência para a cidade

Mulher é colocada a força no caminhão

Eles não foram tratados como criminosos, e sim como vítimas do esquema criminoso.

A prefeitura providenciou lhes abrigo e comida. A eles foram oferecidos empregos em chácaras e fazendas, entretanto poucos aceitaram as ofertas.

Foram convidados a voltarem às suas cidades de origem, mas muitos se recusaram ou não tinham mais onde ficar, pois tinham vendido suas propriedades.

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Em 21/04/1955 dois monges budistas foram até ao pavilhão da prefeitura de Santo André, e tentaram convencer os japoneses a voltarem para casa. 

Folha da Manhã, 22/04/1955

A transferência para a Hospedaria dos Imigrantes

Foram então levados à Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, um local mais apropriado para eles.

Confinados na Hospedaria, continuavam a crer nos ideais de retorno à Asia, onde fundariam um novo país, etc Queixaram-se pelo abandono da Embaixada do Japão em São Paulo, que sequer foram visitá-los.

Entretanto, os 9 participantes da invasão da embaixada continuaram presos em delegacia. Os líderes deflagaram uma greve de fome na Hospedaria dos Imigrantes,  para pressionar a Embaixada do Japão e a justiça a libertarem os 9. Entretanto um dos líderes (Yoshitani) não estava aprisionado e foi flagrado em um restaurante, logo após a sugestão da greve de fome.

O lider da "seita" furou a grave que ele mesmo comandou


A visita à Assembleia Legislativa de São Paulo

Alguns ativistas foram recebidos na A.L. de São Paulo, onde ameaçaram deflagar "uma terceira guerra mundial".


A Tribuna de Sp, 10/08/1955

A visita do chefe ao consulado


Sem saber o que fazer com os japoneses agora sem teto e hospedados na Hospedaria, os chefes da seita, Yoshitani, Fukazawa e Amano, foram até ao consulado a fim de tentar empurrar o pepino para o embaixador. Este, percebendo o embuste, não os recebeu. 


O fim da seita Sakuragumi teishin tai

O Governo do Estado de São Paulo, felizmente, conseguiu empregar vários japoneses, em chácaras e sítios nas proximidades de São Paulo, esvaziando lentamente a Hospedaria. 

Com o esvaziamento da Hospedaria e os esclarecimentos dos jornais e opinião publica, o Sakuragumi finalmente se extinguiu.

Os dirigentes da Hospedaria elogiaram os fanáticos pelo bom comportamento na estadia.

A expulsão dos 9 japoneses

Pacificada a situação, com já todos dispersos e com a dissolução da seita, o Presidente de República decidiu, em 23/02/1956 expulsar os 9 japoneses que invadiram a Embaixada do Japão em 16/03/1955. Entretanto, os 9 foram soltos em 15/12/1955, após cumprirem 9 meses de prisão, e estavam em destinos incertos. A Policia passou a procurá-los.

Folha da Manhã - 17/12/1955

Apesar das penas de expulsões do país, nenhum japonês foi deportado. É o que diz a reportagem da Folha, abaixo. Permaneceram então todos impunes.



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