O desmantelamento da quadrilha
No dia 02/11/1954 um dos líderes
da seita, Hinosuke Manone, se dirigiu à Prefeitura de Santo Andre., para
comunicar o êxodo de 5.000 japoneses para a China, a fim de se juntar ao
exército chines na luta contra Shiang Kai Chek, refugiado na ilha Formosa. Solicitou
ajuda do governo para execução desse plano delirante.
O prefeito, desconfiado, denunciou
o caso ao DOPS e o Serviço de Segurança do Estado.
Preso o grupo dos organizadores
Em 01/12/1954 o DOPS, temendo que
o movimento causasse o renascimento da Shindo Renmei, após serviços de espionagem
invadiu a sede da seita em uma residência em Santo Andre, e prendeu 16
japoneses, líderes e ativistas. Ali encontraram material de propaganda
(folhetos, impressos, faixas, etc), mimeógrafo e muito dinheiro.
Junto com o material foi
encontrado mapas do Paraná e São Paulo, com várias indicações de municípios onde
a seita tinha adeptos.
Foram presos : Tsuneo Amano, Kuniti
Okamoto, Tomizo Hiroshi, Yonosuke Toda, Minoru Kajita, Mitsuo Yoshitane,
Kazumassa Watanabe, Tadashi Watanabe, Kuchiro Inoue, Donoske Marrone (?), Akio
Takada, Iwago Watanabe, Yoshiro Ishi, Hatsuto Hayashida, Tsunao Amano, Yassuma
Nakashima
![]() |
| Os presos em Santo André |
Na delegacia de Santo Andre, sofreram humilhações e roubo do dinheiro e objetos de valor confiscados na sede pelo carcereiro. Porém não foram torturados nem sofreram qualquer tipo de agressão física.
As agitações dos sakuragumi em São Paulo
Mesmo com os líderes presos, o
grupo do Sitio Guaraciaba passou a causar transtornos com passeatas na Praça da
Sé, conclamando seus ideais. Passaram a se reunir, diariamente, também em frente
ao Consulado do Japão e com faixas, gritos e megafone, exigiam pagamento das
despesas de retorno ao Japão, para execução dos planos loucos.
Alguns escreveram cartas ao
governador e a Cruz Vermelha solicitando apoio.
O consulado os deixou falando
sozinho, não lhes deu a mínima atenção.
![]() |
| Diario da Noite, 17/03/1955 |
Com o aumento do descontentamento junto ao Consulado do Japão, em 16/03/1955 nove manifestantes invadiram as dependências da embaixada, e feriram alguns funcionários. Exigiam a deposição do consul.
No episódio, foram
presos Haruto Hayashida, Shigueo Nikaido, Takemi Yoshida, Toruchi Aono,
Hinosuke Manome, Hichiro Ishi, Kansei Higa, Akio Amano e Tomizo Kuruta.
![]() |
| Os Sakuragumi em desfile militar na Praça da Sé |
A realocação dos fanáticos do
Sitio Guaraciaba
As condições em que se encontravam os japoneses no sítio Guaraciaba eram muito precárias e por isso foram trazidos para um pavilhão na cidade de Santo André. Outro motivo da transferência foi o fato da policia ter, no pavilhão, melhores condições de vigiá-los.
Alguns incidentes aconteceram na realocação, pois alguns japoneses ofereceram resistência.
| Diario da Noite, 22/05/1955 - a transferência para a cidade |
![]() |
| Mulher é colocada a força no caminhão |
Eles não foram tratados como criminosos, e sim como vítimas do esquema criminoso.
A prefeitura providenciou lhes
abrigo e comida. A eles foram oferecidos empregos em chácaras e fazendas, entretanto
poucos aceitaram as ofertas.
Foram convidados a voltarem às
suas cidades de origem, mas muitos se recusaram ou não tinham mais onde ficar,
pois tinham vendido suas propriedades.
~~~~~~~~~~~~~~~
Em 21/04/1955 dois monges budistas foram até ao pavilhão da prefeitura de Santo André, e tentaram convencer os japoneses a voltarem para casa.
| Folha da Manhã, 22/04/1955 |
A transferência para a Hospedaria dos Imigrantes
Foram então levados à
Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, um local mais apropriado para eles.
Confinados na Hospedaria, continuavam
a crer nos ideais de retorno à Asia, onde fundariam um novo país, etc Queixaram-se
pelo abandono da Embaixada do Japão em São Paulo, que sequer foram visitá-los.
Entretanto, os 9 participantes
da invasão da embaixada continuaram presos em delegacia. Os líderes deflagaram uma greve de fome na Hospedaria dos Imigrantes, para pressionar a Embaixada do Japão e a justiça a libertarem os 9. Entretanto um
dos líderes (Yoshitani) não estava aprisionado e foi flagrado em um restaurante,
logo após a sugestão da greve de fome.
| O lider da "seita" furou a grave que ele mesmo comandou |
A visita à Assembleia Legislativa de São Paulo
Alguns ativistas foram recebidos na A.L. de São Paulo, onde ameaçaram deflagar "uma terceira guerra mundial".
O fim da seita Sakuragumi teishin tai
O Governo do Estado de São Paulo, felizmente, conseguiu empregar vários japoneses, em chácaras e sítios nas proximidades de São Paulo, esvaziando lentamente a Hospedaria.
Com o esvaziamento da Hospedaria e os esclarecimentos dos jornais e opinião publica, o Sakuragumi finalmente se extinguiu.
Os dirigentes da Hospedaria
elogiaram os fanáticos pelo bom comportamento na estadia.
A expulsão dos 9 japoneses
Pacificada a situação, com já
todos dispersos e com a dissolução da seita, o Presidente de República decidiu,
em 23/02/1956 expulsar os 9 japoneses que invadiram a Embaixada do Japão em
16/03/1955. Entretanto, os 9 foram soltos em 15/12/1955, após cumprirem 9 meses
de prisão, e estavam em destinos incertos. A Policia passou a procurá-los.
| Folha da Manhã - 17/12/1955 |
Apesar das penas de expulsões do país, nenhum japonês foi deportado. É o que diz a reportagem da Folha, abaixo. Permaneceram então todos impunes.





