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sábado, 26 de setembro de 2026

A expulsão dos japoneses da Liberdade

 

A Rua Conde de Sarzedas

Em 1912 os imigrantes japoneses passaram a residir na rua Conde de Sarzedas, uma ladeira íngreme, em cuja parte baixa havia um riacho e uma área de mangue.

Quase todas as casas dessa rua tinham porão, e os aluguéis dos quartos nos porões eram muito baratos. Evidente, não eram nada confortáveis, os porões eram mal iluminados e mal ventilados.

Para aqueles imigrantes, aquele cantinho ignorado da cidade de São Paulo significava esperança por dias melhores. Por ser um bairro central, de lá poderiam se locomover facilmente para os locais, onde poderiam trabalhar.

Aos poucos começaram a surgir as atividades comerciais voltadas ao imigrante japonês: empório, uma casa que fabricava tofu, outra que fabricava manju, agencia de empregos, tornando a Conde de Sarzedas “a rua da japonesada”.

Já em 1915 foi fundada a Taisho Shogakko (Escola Primária Taisho), chegando a ter aproximadamente 300 alunos. 

Os japoneses começam a se aglomerar na Liberdade

Em 1932 eram cerca de 2 mil os japoneses em São Paulo, vindos do Japão ou de fazendas, de onde fugiram ou não renovaram contrato com os fazendeiros. Os semelhantes se atraem, e eles se estabeleceram na Liberdade, atraídos pela turma da Conde de Sarzeda.

Naquele ano, cerca de 600 japoneses moravam na rua Conde de Sarzedas. Outros se espalhavam nas ruas Irmã Simpliciana, Tabatinguera, Conde do Pinhal, Conselheiro Furtado, Tomás de Lima (Hoje Mituto Mizumoto) e Rua dos Estudantes.

Funcionava na região um micro sistema econômico, com os estabelecimentos comerciais de propriedade de japoneses, que atendiam principalmente a “colônia” ali estabelecida.

A vida não era fácil para nenhum imigrante que viviam em São Paulo, mas havia trabalho, comida e moradia. Nos anos 20 e 30, eles já estavam integrados à vida da cidade, alguns trabalhando em bancos, em construção civil, etc.. Havia treinos de beisebol nos fins de semana, as crianças podiam estudar em nihon-gakko. Podia-se saborear comida japonesa nos pequenos restaurantes da Liberdade, e ler publicações em japonês. A vida, apesar de difícil, transcorria tranquila e estável.

Bairro Liberdade (parcial)

A expulsão

Em julho de 1941, o governo Vargas ordenou a suspensão da publicação dos jornais em língua estrangeira em todo Brasil. Era o início do nacionalismo.

Com o estouro da guerra no Pacífico, em 1942, o governo de Getúlio Vargas rompeu relações diplomáticas com o Japão, fechando o Consulado Geral do Japão em São Paulo, iniciando um período de perseguição aos imigrantes do “eixo”.

Pouco tempo depois, em 06/09/1942, moradores japoneses das ruas Ladeira Conde de Sarzedas, Conselheiro Furtado, Tabatinguera  e rua dos Estudantes, foram surpreendidos pelos agentes da DOPS, com a ordem de desocupar a área em um prazo de 12 horas. 

Cerca de 400 famílias japonesas viviam na região da Liberdade, algumas há mais de 30 anos. A maior concentração de japoneses era na Conde de Sarzedas. Tiveram que sair às pressas, procurando abrigo em casa de parentes e amigos. 

No inicio de março de 1943 um grupo de 4 brasileiros inspecionaram casa a casa na Sarzedas em busca de japoneses que haviam desobedecido a ordem de retirada. Segundo relatos, os 4 poderiam ser falsos agentes do governo, e fizeram rapa nas casas, levando objetos de valor. Episódios semelhantes devem ter acontecido repetidas vezes.

Essa expulsão integrou uma série de medidas de perseguição e dispersão forçada contra a comunidade japonesa durante o governo de Getúlio Vargas no contexto da Segunda Guerra Mundial.

Este triste e injusto episódio tem pouquíssimos registros, com a imprensa calando-se completamente, provavelmente por medo de represálias. 

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