Sakuragumi Teishintai – o que era
Sakuragumi Teishintai (“Pelotão
de Voluntários das Cerejeiras”), foi uma organização criminosa, nos mesmos
moldes do Shindo Renmei, cujo intuito era arrecadar dinheiro junto a colônia.
Tinha aspecto de seita, de movimento ultranacionalista e paramilitar. Era sustentada
pelo fanatismo e ingenuidade de seus seguidores, que contribuíam em dinheiro
para a seita.
Não há um número exato de
seguidores dessa seita (vamos chamar assim...), porém alguns líderes falaram em
800 a 1000 imigrantes. Não teve a mesma extensão da Shindo Renmei, porem estava a caminho de ter.
A história dessa "seita" é uma lição de como as pessoas podem ser ingênuas a ponto de acreditar em ideias delirantes. E também de como a idolatria e a obediência cega é perigosa. Nos demonstra que a maldade humana não tem limites.
Uma ótima história para um seriado de Tv.
A finalidade criminosa dos
lideres
Era um esquema em que havia os chefes, os manipuladores que embolsavam parte do dinheiro, e os “inocentes úteis”, que trabalhavam de graça, defendendo fervorosamente os ideais da seita, fazendo divulgação, arrecadação, etc., pensando estarem colaborando para um grandioso e sincero ideal.
A origem do Sakuragumi Teishintai
(baseado em Diário da Noite, edição de 03/12/1954)
O grupo criminoso surgiu em março
de 1953, em Londrina (PR), idealizado por Koki Ando e Issamu Iwai. Os dois
viajavam pelo interior do Paraná e São Paulo, e se apresentavam como
representantes do Imperador Japonês. Diziam ter ordem de reunir japoneses do
Brasil para voltarem ao Japão, a fim de auxiliarem na reconstrução do país,
devastado pela guerra.
A eles se juntaram em Santo
André (Sp) Mitsuo Yoshitani, Tsuneo Amano e Haruto Hayashida, e passaram a
explorar outros temas (além da volta ao Japão) para extorquir dinheiro dos imigrantes
incautos.
Para entrar no grupo da volta
ao Japão, o interessado deveria entregar ao Sakuragami valores que seriam
usados nas despesas da viagem. Este valor variava de acordo com as posses do incauto.
Sugeriam até mesmo a venda das
propriedades.
Os japoneses que caíram no
golpe, venderam suas casas e não tinham mais onde morar, foram alojados em uma numa
chácara em Santo Andre, chamada Sitio Guaraciaba. Ali deveriam ficar à espera
do navio, vindo do Japão para repatriá-los.
Segundo o jornal Diario da
Noite (edição 03/12/1954), 100 famílias japonesas de fato venderam suas propriedades,
entregaram o dinheiro e estariam vivendo em situação precária no Sitio
Guaraciaba.
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| Diario da Noite, 03 de dezembro de 1954 |
Os falsos princípios da seita Sakuragumi
Além de enganar famílias com a
promessa de volta ao Japão, a seita pregada princípios nacionalistas japoneses,
de patriotismo extremado. Não explorava o tema “o Japão ganhou a Segunda Guerra
Mundial”, “a guerra continua”, pois este assunto já era esclarecido junto a colonia.
As propostas da Sakuragumi
Teishintai eram absurdas e sem nexo, até mesmo cômicas, algumas delas:
1) 1) Combater a propagação do comunismo no Brasil;
2) 2) Conclamava os adeptos a formarem um exército
para ir até a China comunista e se apresentar como voluntários para expulsar o
“imperialista americano” e Chiang Kai-shek da ilha de Formosa; ou seja,
contrariando a si mesmo ao apoiar um país comunista
3) 3) Da mesma forma, apresentar-se como voluntário
no exército americano na Coreia do Sul, para defender o Paralelo 38 contra a
invasão dos comunistas; a incoerência nessa proposta também está no fato dela
apoiar os americanos, que eles condenam na proposta (2).
4) 4) Conquistar um território qualquer na Ásia e
fundar um novo país ;
5) 5) Contar, através da Embaixada do Japão em São Paulo,
com o apoio do governo japonês.
A seita solicitava
contribuições para apoiar as causas e segredo da existência, para não chamar a atenção
das autoridades policiais. Entretanto, se é difícil para uma pessoa guardar
segredo, foi impossível para centenas de adeptos.
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| O Diario da Noite, 03/12/1954 |

