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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Os delírios da sociedade na Segunda Guerra Mundial

O clima de indignação pelos ataques aos navios brasileiros

 
Em 22 de março de 1941 o navio cargueiro brasileiro “Taubaté” sofreu ataque aéreo no Mediterrâneo. Outros 3 navios foram afundados por ataques das forças alemãs e italianas, em fevereiro de 1942.

O Brasil declarou Guerra contra os países do “eixo” (Alemanha, Itália e Japão). Na sequência, outros 31 navios brasileiros foram a pique, vítimas de ataques.

A sociedade e a imprensa brasileira entraram em transe no ano 1942, com todos indignados com os ataques e com as atrocidades cometidas pelos inimigos.

Neste clima de caldeirão fervendo, os imigrantes alemães, italianos e japoneses viraram potenciais “quintas-colunas”, inimigos infiltrados no solo brasileiro. Viraram alvo de “haters”.

O clima em 1942 era tal que, vigiar de perto esses imigrantes era quase que uma obrigação, um ato de patriotismo, de defesa da pátria. Qualquer mal-entendido era motivo para acusações. Um emigrante estudando o mapa do Brasil era visto como “espião estudando estratégia de ataque”.

Acusar um imigrante virou então “instagramável”. Era uma demonstração de patriotismo, de heroísmo e também de exibicionismo. Para isso, a imprensa ia a caça às bruxas. procurava e até inventava motivos para acusar estes imigrantes. 

Saliento aqui que na época não existiam ainda a televisão nem a internet, e o aparelho de rádio era caro, um luxo. Por isso os jornais tinham grande influencia na formação da opinião pública. 

O jornal em papel era mais influente, pois ao contrario dos demais meios de comunicação, ele não "apagava", não era uma mensagem efêmera, a notícia de interesse permanecia nas mãos do leitor por mais tempo.

O Globo, 26 de março de 1941

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Bote japonês abastece submarino alemão

A campanha anti-japonesa da imprensa chegou ao ponto do surrealismo, do delírio, a ponto do jornal O Globo insinuar que um pequeno bote de pescadores japoneses estaria na verdade abastecendo um submarino ! Ora, submarinos da época deviam ser movidos a Diesel, e um abastecimento feito por um bote seria impossível, pois os tanques devem ter capacidade de milhares de litros. 

O Globo, 31-03-1942
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A reunião "secreta" em local público

Na mesma edição, consta que foram presos 11 japoneses por estarem reunidos "secretamente" numa escola publica. Ora, se fosse secretamente, seria escondido, num outro local não público. Certamente estavam apenas estudando um mapa.



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Carro de imigrante japonês apreendido por ter garagem esquisita

Esse é um exemplo de paranóia: um japonês teve o carro apreendido porque a garagem "se parecia com um palhoça":

O Globo, 26-03-1942
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O perigoso dentista espião japonês

Em São Paulo, foi preso o dentista Ichiro Shimizu, por ter em seu poder estudos sobre o estado de São Paulo (mapas, fotos etc). Ele tinha uma faca de cortar sashimi, dessas cuja capa (bainha) é de madeira, descrita na reportagem como "perigosa arma usada pelos nipônicos".


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Japonês preso por "achismo"

Na mesma edição do jornal, noticia-se que foi preso também em São Paulo, Junko Kihabaro, pelo simples fato de ter sido militar na Guerra Sino-Japonesa. Ele foi preso por "presumindo-se seja perigoso membro do Serviço Secreto Nipônico".


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